Sinopse

A jovem Maria de Fátima não acredita na honestidade. Sem hesitar, ela vende a casa da família, deixando a mãe desamparada, e muda-se para o Rio de Janeiro com o intuito de tentar ganhar a vida como modelo ou com um casamento rico. Envolve-se com César, um mau-caráter, e, para alcançar os seus objetivos, utiliza-se dos meios mais sórdidos. Conhece o milionário Afonso Roitman e, depois de muitas armações, separa-o de sua namorada, Solange, para casar-se com ele.

Raquel, a mãe de Fátima, é o seu oposto: a honestidade em pessoa. Para ela, somente o trabalho é capaz de dar uma situação digna a uma pessoa. Quando foi abandonada pelo marido com uma filha para criar, não hesitou em enfrentar o dia-a-dia. Após ter sido enganada pela filha, Raquel vai atrás dela e estabelece-se no Rio. Conhece Ivan, o homem por quem se apaixona, e, com muita luta, de vendedora de sanduíche na praia, chega a dona de uma rede de restaurantes.

A história tem uma reviravolta quando Raquel encontra uma mala com oitocentos mil dólares, perdida pelo desonesto executivo Marco Aurélio, e não aceita ficar com o dinheiro, como sugeriu Ivan. A mala desaparece através de um plano de Fátima e Raquel acredita que foi Ivan quem a tomou. Os dois acabam rompendo e Ivan casa-se com Heleninha, uma artista plástica frágil e alcoólatra, filha da toda poderosa Odete Roitman, a maior culpada por seus problemas psicológicos.

Odete mantem um caso amoroso com César, comparsa e amante de Fátima – que, à essa altura, tornou-se sua nora, ao casar-se com seu filho Afonso. Odete é uma mulher rica e arrogante, capaz de tudo para defender os seus interesses. Culmina assassinada, ao discutir com Marco Aurélio, executivo de sua empresa, quando descobriu que foi ele quem desviou os oitocentos mil dólares de seu patrimônio. Enquanto Marco Aurélio foge com o dinheiro, a polícia está no encalço do assassino de Odete Roitman e Fátima e César armam um novo golpe, fora do país.

Globo – 20h
de 16 de maio de 1988
a 6 de janeiro de 1989
204 capítulos escritos, 203 apresentados
(os dois primeiros foram condensados em um só)

novela de Gilberto Braga
escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères
direção de Denis Carvalho e Ricardo Waddington
direção geral de Denis Carvalho

Novela anterior no horário
Mandala

Novela posterior
O Salvador da Pátria

REGINA DUARTE – Raquel Acioli
ANTÔNIO FAGUNDES – Ivan Meireles
GLÓRIA PIRES – Maria de Fátima Acioli
CARLOS ALBERTO RICCELLI – César Ribeiro
BEATRIZ SEGALL – Odete Roitman (Odete de Almeida Roitman)
RENATA SORRAH – Heleninha (Helena de Almeida Roitman)
REGINALDO FARIA – Marco Aurélio Catanhede
CÁSSIO GABUS MENDES – Afonso de Almeida Roitman
LÍDIA BRONDI – Solange Duprat
NATHÁLIA TIMBERG – Celina Aguiar Junqueira
ADRIANO REYS – Renato Filipelli
CÁSSIA KISS – Leila
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Bartolomeu Meireles
PEDRO PAULO RANGEL – Poliana (Aldálio Candeias)
LÍLIA CABRAL – Aldeíde Candeias
ROSANE GOFMAN – Consuelo Galhardo
SÉRGIO MAMBERTI – Eugênio
MARCOS PALMEIRA – Mário Sérgio
OTÁVIO MÜLLER – Sardinha
CRISTINA PROCHASKA – Laís Amorim
DENIS CARVALHO – William Nascimento McPherson
FÁBIO VILA VERDE – Thiago Roitman Catanhede
FLÁVIA MONTEIRO – Nanda
MARCELLO NOVAES – André
STEPAN NERCESSIAN – Jarbas Galhardo
CRISTINA GALVÃO – Íris
ÍRIS BRUZZI – Eunice
MARIA GLADYS – Lucimar
JOÃO CAMARGO – Freitas
PAULO REIS – Olavo Jardim
LOURDES MAYER – Dona Pequenina
PAULA LAVIGNE – Daniela
JAIRO LOURENÇO – Luciano
FERNANDO ALMEIDA – Gildo (Hermenegildo)
ZENI PEREIRA – Zezé (Maria José)
DANTON MELLO – Bruno
PAULO PORTO – Queiroz
NARA DE ABREU – Deise
ANA LÚCIA MONTEIRO – Marina
RITA MALOT – Marieta
MARTHA LINHARES – Suzana
RENATA CASTRO BARBOSA – Flávia
e
ADRIANA ESTEVES – uma das modelos candidatas a um editorial de moda na Tomorrow, do qual Fátima também concorre, no início
AGUINALDO SILVA, como ele mesmo, na festa de 10 anos da revista Tomorrow, no início
AÍLTON CARVALHO – padre do casamento de Fátima e Afonso
ÁLVARO FREIRE – Seu Pedrosa
ANA ARIEL – comadre de Rute
ANDERSON MARTINS – fã mirim de Aldeíde
ANSELMO LYRA – vizinho de Poliana e Consuelo na vila
ANTÔNIO GONZALEZ – gerente do hotel em Búzios onde César vai trabalhar e Fátima o encontra, no início
BIA SEIDL – Marília (nova namorada de Cecília, que ela conhece no final)
BILECO – balconista no bar de Poliana, no início
CARLOS GREGÓRIO – Gérson (terapeuta de Heleninha)
CASSIANO CARNEIRO – um dos meninos que vendem sanduíche na praia para Raquel, como Gildo
CHARLES MYARA – delegado que atende Raquel quando ela tem sua carteira roubada assim que chega ao Rio, no início
CLÁUDIA RANGEL– uma das modelos candidatas a um editorial de moda na Tomorrow, do qual Fátima também concorre, no início
CLÁUDIA WAGNER – enfermeira de Fátima
DANIEL FILHO – Rubinho (ex-marido de Raquel, pai de Fátima, morre no início)
DANTON JARDIM – Marcondes (piloto do jatinho de Marco Aurélio, no início)
DENISE NASCHPTZ – dublê de Fátima quando esta rola na escada do Teatro Municipal do Rio de Janeiro
EDSON FIESCHI – Carlos (amigo de André, namorado de Flávia)
EDUARDO GALVÃO – atropela uma mulher em frente ao bar de Poliana, ela desiste de dar queixa porque ele é rico
EDUARDO MARTINI – gerente do hotel onde Helena, bêbada, quebra o bar
ELY REIS – Celmo
ERNANI MORAES – espera com Raquel por atendimento na delegacia, no início
EVALDO LEMOS – detetive de Odete Roitman
FÁBIO JUNQUEIRA – Fred (amigo de Ivan, o ajuda quando ele está desempregado, no início, interessa-se por Leila)
FERNANDO AMARAL – negocia com Poliana o fornecimento de quentinhas de Raquel para peões de uma construtora, no início
FRANCISCO NAGEN – Guedes (dono da cantina do clube comprada por Poliana e Raquel, no início)
GERMANO VEZANI – homem que bate em Helena, que ela conheceu quando ficou bêbada no bar do hotel
GILBERTO BRAGA, como ele mesmo, na festa de 10 anos da revista Tomorrow, no início
GISELA ARNOUD – Silvinha
GUILHERME CORRÊA – Mirandinha (amigo de Bartolomeu, denuncia uma negociata envolvendo políticos de Póvoas e Marco Aurélio)
GUILHERME MARTINS – Rodolfo (intermedeia o desvio de 800 mil dólares para Marco Aurélio, no início) / médico de atende Celina quando ela passa mal
HELENA DELAMARE – integrante dos Alcoólicos Anônimos, do qual Helena vai participar
HÉLIO RIBEIRO – Dr. Amaral (advogado amigo de Poliana que prepara a minuta do testamento de Cecília)
HEMÍLCIO FRÓES – chefe de Ivan em seu novo emprego quando ele deixa a TCA
HENRIQUE TAXMAN – Eduardo (amigo de Thiago e André que passa um fim de semana em Búzios com eles)
HENRI PAGNONCELLI – Marçal (diretor financeiro da TCA, no início)
HUMBERTO MARTINS – recepcionista do hotel onde Raquel dá uma palestra
IBRAHIM SUED, como ele mesmo, na festa de 10 anos da revista Tomorrow, no início
ISAAC BERNAT – vendedor da Casa José Silva, onde Ivan compra roupa para entrar de penetra na reunião da TCA, no início
IVAN DE ALBUQUERQUE – Laudelino (ricaço com quem Aldeíde se casa e a leva para Portugal)
IVAN DE ALMEIDA – Sebastião (porteiro na garçoniére que Odete montou para César)
JAIME LEIBOVITCH – médico que faz o parto de Fátima
JOÃO BOURBONNAIS – Wálter (namorado de Odete no episódio da maionese envenenada)
JOHN STANLEY – Mr. Robinson (empresário estrangeiro com negócios com a TCA)
JOYCE DE OLIVEIRA – Rosália (companheira de Raquel na viagem de ônibus de Foz para o Rio, no início)
JUSSARA CALMON – funcionária da redação da Tomorrow
LALA DEHEINZELIN – Cecília Catanhede (irmã de Marco Aurélio, parceira de Laís, morre no decorrer da trama)
LEONOR BASSÈRES, como ela mesma, na festa de 10 anos da revista Tomorrow, no início
LETÍCIA BASTOS – Marcinha (bebê de Solange)
LINA FRÓES – Ivete (integrante dos Alcoólicos Anônimos, do qual Helena vai participar)
LUCINHA ARAÚJO, como ela mesma, na festa de 10 anos da revista Tomorrow, no início
LUDOVAL CAMPOS – amigo de Ivan em São Paulo, no 1º capítulo
LU GRIMALDI – mulher que negocia a venda do filho de Fátima
LUTERO LUIZ – Seu Vargas (funcionário demitido da empresa encampada pelo Grupo Roitman, como Ivan e Santana)
MALICK DOS SANTOS – pivete que rouba a carteira de Raquel assim que ela chega ao Rio, no início
MANOEL ELIZIÁRIO – copeiro na TCA
MARCELO PATELLI – funcionário da TCA
MARCELO SANTOS – pivete pago por Fátima para mentir que viu Solange causando ciúmes em Afonso
MÁRCIA COUTO como ela mesma, modelo de um ensaio fotográfico para a Tomorrow no qual Fátima é figurante
MARCO MIRANDA – Alfredo (gerente do apart-hotel onde Fátima instala César quando retorna ao Brasil)
MARCOS MANZANO – Giovanni (Príncipe de Voltera, com quem Fátima se casa, formando um trio com César, no final)
MARCOS OLIVEIRA – Ângelo (cabeleireiro de Fátima)
MARCOS WAIMBERG – Bernardo (dono do apartamento no Leblon onde César morava no início, com Franklin)
MARIA ISABEL DE LIZANDRA – Marisa (amiga de Raquel em Foz do Iguaçu)
MARIA HELENA VELASCO – Hercília (gerente do restaurante em Jacarepaguá que serve maionese envenenada)
MARIANA DE MORAES – Vera (garota paga por Marco Aurélio para seduzir Thiago, em Búzios, no início)
MAURÍCIO GIMENEZ – modelo no ensaio erótico no estúdio de Olavo
MIGUEL ROSEMBERG – gerente da empresa na qual Ivan trabalhava em São Paulo, no início
MILA MOREIRA como ela mesma (entrevistada por Mário Sérgio para a revista Tomorrow)
MOACYR CHAVES – motorista de ônibus, discute na delegacia sobre uma batida quando Raquel chega, no início
MONIQUE LAFOND – Dolores (dona do atelier de costura que faz o vestido de noiva de Fátima)
ORION XIMENES – taxista que tenta enganar Fátima quando ela chega ao Rio, no início
PAULO CÉSAR GRANDE – Franklin (amigo de César, com quem ele dividia um apartamento, no início)
PAULO PILLA – Marcello Castrovilli (namorado italiano de Odete quando ela chega ao Brasil, no início)
PAULO REZENDE – Vasco (porteiro do prédio de Rubinho, está sempre na vila onde moram Poliana e Consuelo)
PAULO VILLAÇA – Gustavo (dono da confecção com a qual a Tomorrow vai fazer uma publicidade, no início)
PAULO VILLANUEVA
RENATO NEVES – trabalhador do cais
RICARDO FRÓES – Gervásio (detetive contratado por Marco Aurélio para encontrar César)
ROBERTO FROTA – Santana (seria chefe de Ivan, mas a empresa foi encampada pela TCA e os dois acabaram demitidos, no início)
RODRIGO MENDONÇA – Otávio (corretor de imóveis em Búzios)
ROGÉRIO EHRLICH como ele mesmo, fotógrafo em vários ensaios na Tomorrow
ROGÉRIO FRÓES – Delegado Arnaldo (investiga o assassinato de Odete)
ROMEU EVARISTO – Bibinho (meio-irmão de Gildo)
SEBASTIÃO VASCONCELOS – Salvador (pai de Raquel, avô de Fátima, morre no início)
SELMO GOLDMACHER – médico de Solange
SÉRGIO FONTA – integrante dos Alcoólicos Anônimos, do qual Helena vai participar
SIMON KHOURY – Dr. Cristóvam
SORAYA JARLICH (RAVENLE) – balconista de uma loja de roupas num shopping
STEPHANIE MUSSKOPH – Rafael (bebê de Fátima)
TÂNIA BÔSCOLI – Zenilda (prostituta amiga de Olavo, com quem Fátima chega a morar quando é expulsa da família Roitman)
THEREZA MASCARENHAS – Cláudia (namorada de Marco Aurélio, no início)
TURÍBIO RUIZ – Gomes (amigo de Salvador e Raquel em Foz do Iguaçu)
VIRGÍNIA CAMPOS – amiga de Fátima em Foz do Iguaçu, no início
VIVI REIS – Flora
WALMOR CHAGAS como ele mesmo, em visita à revista Tomorrow
WALNEY COSTA – Detetive Antunes (auxiliar do Delegado Arnaldo)
YOKO SANTIAGO – Maura
XANDO GRAÇA – Rogério (funcionário da revista Tomorrow)
ZILKA SALABERRY – Rute (ex-empregada na mansão Roitman, sabe de um segredo que envolve a morte do filho de Odete)
Heloísa Martinelli (corretora com quem Fátima se informa sobre valores de imóveis no Leblon e Nova York)
elenco de apoio
ADELAIDE PALETE
ALENE ALVES DE ANDRADE
CACÁ SILVA
CARLOS NERI
DIANA BURLE
EDUARDO PARANHOS
FREDMAN RIBEIRO
GÉRSON RODRIGUES
GILBERTO PORTO
GILMAR BALTAZAR
IVAN CORRÊA
IVO CICOGNA
JEFFERSON VINÍCIUS
JUSSARA MOREIRA
KEILAH BORGES
LÚCIA DUARTE
LUÍS VIANNA
MARCELO MOURA
MARCO BECK
MARTA BASTOS
MAURÍCIO REIS
MICHEL CARNEIRO
MIRO VALLE
MOACIR PRINA
MURILO
NEY LEONTSINIS
PATRÍCIA MATTOS
RENATO FIRMO
RITA VENTURA
SIMONE ROCHA
VANILSON CARNEIRO

– núcleo de RAQUEL (Regina Duarte), mulher simples, honesta, franca e comunicativa. Separada, vivia com o pai, já idoso, e uma filha, em Foz do Iguaçu, Paraná, onde trabalhava como guia de turismo. Após a morte do pai, a filha vendeu sua única propriedade, a casa, e fugiu com o dinheiro para o Rio de Janeiro. Raquel foi ao seu encalço e acabou se estabelecendo na cidade. Para sobreviver, passou a vender sanduíches naturais na praia. Pouco a pouco, foi expandindo seu negócio até tornar-se dona de uma cadeia de restaurantes. Rompida com a filha, vive em conflito por ela ser uma alpinista social:
o ex-marido RUBINHO (Daniel Filho, participação), pianista de boate, sem especial talento. Morre no início da trama
o pai SALVADOR (Sebastião Vasconcelos, participação), funcionário da Receita Federal em Foz do Iguaçu. Poderia ter uma ótima situação financeira, se fosse corrupto. Mas é um homem íntegro e honesto, qualidades herdadas pela filha. Morre no início
a filha MARIA DE FÁTIMA (Glória Pires), é o seu oposto: sonsa, interesseira, dissimulada, só pensa em se dar bem na vida com o mínimo esforço, nem que para isso precise roubar, mentir e ludibriar. Cansada da vida sem perspectivas de luxo em Foz do Iguaçu, vende a casa da família e foge com o dinheiro para o Rio, onde pretende arranjar um marido rico que a sustente. A mãe a reencontra mas as duas não conseguem se acertar
o garoto de rua GILDO (Fernando Almeida), acolhido por ela no Rio, torna-se seu protegido e amigo.

– núcleo de IVAN (Antônio Fagundes), homem charmoso, inteligente e um pouco cético. Começa a trama desempregado, em uma situação financeira difícil. Sustenta a ex-mulher e um filho, além de ajudar o pai. Estava tendo dificuldades para conseguir emprego, por ter um ótimo currículo, e acaba omitindo ser tão bem graduado. Assim, aceita trabalhar como operador de telex em uma empresa de aviação. Ambicioso, aos poucos vai mostrando seu talento e galgando melhores posições até chegar à diretoria. Conhece Raquel por quem se apaixona, apesar de às vezes discordarem em suas visões de mundo. Quando ele e Raquel encontram, por acaso, uma mala com oitocentos mil dólares, Ivan deseja ficar com o dinheiro, enquanto Raquel quer devolvê-lo. Começa o conflito maior entre ambos. Fátima se apossa da mala e Raquel põe a culpa em Ivan, minando assim a relação dos dois. Eles se separam, apesar de ainda se amarem. Ivan acaba se casando com outra mulher, rica:
a ex-mulher LEILA (Cássia Kiss), um tanto quanto fútil, nunca trabalhou e depende financeiramente dele. Mora com o ex-sogro por comodismo
o filho BRUNO (Danton Mello), pré-adolescente
o pai BARTOLOMEU (Cláudio Correa e Castro), velho redator, sofre dificuldade para adaptar-se ao mundo dos computadores. Acaba demitido, por ser considerado “velho” demais. Quando Raquel ascende profissionalmente, ela o convida para trabalhar consigo
a segunda mulher de Bartolomeu, EUNICE (Íris Bruzzi), simpática, é uma típica dona de casa enfrentando a crise econômica. Amiga de Leila
a filha de Eunice, NANDA (Flávia Monteiro), adolescente de ideias firmes
a empregada no apartamento de Bartolomeu, MARIA JOSÉ (Zeni Pereira), mulher simplória, está na família há décadas
a amiga de Nanda, FLÁVIA (Renata Castro Barbosa).

– núcleo de CÉSAR RIBEIRO (Carlos Alberto Riccelli), bonito, atlético, sedutor, mas sem caráter. Capaz de qualquer coisa por dinheiro fácil. Torna-se amante de Fátima e seu parceiro de golpes:
o amigo OLAVO (Paulo Reis), fotógrafo decadente. Auxilia ele e Fátima em suas armações.

– núcleo de ODETE ROITMAN (Beatriz Segall), mulher rica, elegante, arrogante e autoritária. Desde a morte do marido, é a presidente do grupo Almeida Roitman, cuja principal empresa é a TCA, a companhia de aviação onde Ivan trabalha. Morava em Paris, mas retorna ao Brasil para resolver problemas em suas empresas e acaba ficando. Tem conflitos com a filha alcoólatra, a quem não perdoa por sua fraqueza. Manipula a vida dos filhos e humilha os subordinados e todos que estão em posição inferior. Aceita Fátima em sua família, quando ela casa-se com seu filho, já que existe cumplicidade entre as duas. É amante de César e não desconfia que ele é ligado a Fátima. Acaba assassinada:
os filhos: HELENINHA (Renata Sorrah), artista plástica talentosa, mas com a carreira ameaçada por seu vício pela bebida. Mulher frágil e carente, há anos enfrentando uma crise pessoal. Separada, ama o filho. Tem uma relação difícil com a mãe, que não a aceita. Apaixona-se perdidamente por Ivan, que acaba casando-se com ela quando sua relação com Raquel degringola. Mas Ivan estava mais interessado na ascensão social que esta união promove. Logo, o casamento fracassa, o que acarreta uma nova crise em Heleninha
e AFONSO (Cássio Gabus Mendes), preparado para suceder a mãe na presidência das empresas. Humanista e generoso, tem métodos e personalidade diferentes da mãe, o que gera conflitos entre eles. É envolvido por Fátima, que mira nele o marido rico com quem ela sempre sonhou. Os dois acabam se casando, com o apoio de Odete, que, a princípio, se encanta por ela
a irmã CELINA (Nathália Timberg), o seu oposto: é bondosa, justa e generosa. Não aprova as atitudes da irmã, mas não critica para não gerar atrito. Viúva rica, adora os sobrinhos e faz questão de que eles morem consigo, em sua mansão. É onde Odete se estabelece quando chega ao Brasil
o mordomo na mansão de Celina, EUGÊNIO (Sérgio Mamberti), adora a patroa, mas não consegue conquistar Odete, que o destrata, apesar de seu puxa-saquismo. Um tanto falastrão, é meio esnobe e classista. Profundo conhecedor do cinema clássico americano, vive citando filmes e cenas icônicas
o amigo de Heleninha, WILLIAM (Denis Carvalho), ex-alcoólatra que a ajuda com sua doença. Surge na fase final da trama, quando Heleninha separa-se de Ivan e enfrenta sua pior crise. Os dois acabam apaixonados
o amigo de Celina, QUEIROZ (Paulo Porto), senhor rico e bem apessoado
a empregada na mansão de Celina, MARINA (Ana Lúcia Monteiro), moça simples, colega de Eugênio.

– núcleo de MARCO AURÉLIO (Reginaldo Faria), vice-presidente do grupo Almeida Roitman. Ex-marido de Heleninha, que sofreu muito em sua mão. Mau-caráter, desonesto, inescrupuloso e arrogante, trata mal seus empregados e faz qualquer coisa para se dar bem. Envolve-se com Leila e os dois acabam se casando. Desvia oitocentos mil dólares da empresa de Odete, quantia que guarda em uma mala. Mas acaba perdendo esta mala, que é encontrada por acaso por Raquel. Após o dinheiro parar nas mãos de Fátima, tenta um acordo com ela. Ao final, Odete descobre o seu roubo e vai tirar-lhe satisfações. É quando ela é assassinada e Marco Aurélio foge do país levando consigo o dinheiro, Leila e o filho dela, Bruno:
o filho THIAGO (Fábio Vila Verde), dele e de Heleninha. Mora com o pai, mas os dois tem uma relação difícil. Marco Aurélio é autoritário e desconfia que o filho seja homossexual, por ele ser um rapaz muito sensível, amante das artes e da música clássica. Thiago se apaixona por Nanda, que não é aceita pela avó, Odete, por ser de família humilde
o primo RENATO FILIPELLI (Adriano Reys), mora em seu apartamento. Homem simpático, chique, diretor de uma sofisticada revista de moda, a Tomorrow. Apaixona-se por Leila no início, e os dois chegam a namorar, mas Marco Aurélio a “rouba” do primo. Já Leila, interesseira, fica com Marco Aurélio por ele ser mais rico e poderoso
seu secretário na TCA, FREITAS (João Camargo), um grande puxa-saco, figura risível
a empregada em seu apartamento DEISE (Nara de Abreu).

– núcleo de SOLANGE (Lídia Brondi), produtora de moda da revista Tomorrow. Moça bonita, inteligente, moderna, decidida, competente e independente. Na época em que namorava Afonso, conheceu e ficou amiga de Fátima, quando ela chegou ao Rio. Na verdade, Fátima se aproximou dela para roubar-lhe Afonso, o que acabou acontecendo depois de várias armações que separaram o casal. Sonha em ter um filho, mas sozinha, uma “produção independente”. Em uma noite em que Afonso estava bêbado (depois de casado com Fátima), eles têm uma recaída e ela acaba grávida dele. Nasce sua filha, mas ela esconde de todos a paternidade da menina. Só ao final Afonso fica sabendo que é o pai e os dois reatam:
o amigo SARDINHA (Otávio Müller), com quem divide o apartamento, assistente de produção da Tomorrow
o jornalista MÁRIO SÉRGIO (Marcos Palmeira), que vai trabalhar na Tomorrow. A princípio, os dois vivem às turras, por uma antipatia gratuita. Mas ele acaba apaixonado por ela, na fase em que Solange está muito carente pela separação de Afonso
as secretárias na Tomorrow: MARIETA (Rita Malot) e SUZANA (Martha Linhares).

– núcleo de ALDÁLIO (Pedro Paulo Rangel), sujeito pateticamente bondoso, simples e boa praça. Por só ver o lado bom das coisas, é chamado de POLIANA. Ajuda Raquel quando ela chega ao Rio e torna-se seu grande amigo e confidente:
a irmã ALDEÍDE (Lília Cabral), simpática, comunicativa e engraçada, é secretária-assistente da diretoria da TCA. Sempre humilhada pelo chefe Marco Aurélio, acaba se demitindo. Vai casar-se com um português rico, mudando completamente de vida. É quando consegue realizar seu maior sonho: ficar famosa
o marido de Aldeíde, LAUDELINO (Ivan de Albuquerque, participação), senhor português que se apaixona por ela. Os dois se casam e vão morar em Portugal. Após a morte dele, Aldeíde volta ao Brasil, completamente mudada e rica, já que herdou a fortuna dele
a vizinha ÍRIS (Cristina Galvão), moça tímida e retraída, por quem se apaixona. Substitui Aldeíde no escritório da TCA onde ela trabalhava. É extremamente eficiente e focada
a avó de Íris, DONA PEQUENINA (Lourdes Mayer), o seu oposto, é uma senhora bem humorada e despachada. Chegada em um carteado. Vive incentivando a neta a namorar
a faxineira LUCIMAR (Maria Gladys), trabalha em todas as casas da vila. Engraçada, desbocada, fofoqueira e enxerida, se mete e dá palpite na vida de todos.

– núcleo de CONSUELO (Rosane Gofman), vizinha de Poliana na vila, amiga de Aldeíde. Também secretária na TCA, diretamente subordinada a Marco Aurélio. Morre de medo do chefe e de perder o emprego. Solteirona e pudica, vive criticando o jeitão despachado de Aldeíde. Ao final, com atração por amor bandido, vai apaixonar-se pelo mau-caráter Olavo:
o irmão JARBAS (Stepan Nercessian), que vai trabalhar como motorista dos Roitman. Sujeito simpático e falante, beira a inconveniência. Vive em atrito com Eugênio, que implica com seu jeitão despachado. Apaixona-se por Íris e vai disputá-la com Poliana
os sobrinhos órfãos: ANDRÉ (Marcello Novaes), nadador, um tipo bonitão e atlético, mas pouco inteligente. No princípio, namorava Nanda, mas ela se apaixonou por seu amigo Thiago, rompendo com ele. Chega a envolver-se com Solange, que acaba não suportando o seu “pouco cérebro”
e DANIELA (Paula Lavigne), moça responsável e eficiente, vai trabalhar com Raquel
o namorado de Daniela, LUCIANO (Jairo Lourenço), que foi colega de trabalho de Ivan quando ele foi admitido na TCA.

– núcleo de LAÍS (Cristina Prochaska), dona de uma charmosa pousada em Búzios, é muito amiga de Celina e Heleninha. Sofre com a morte da companheira, com quem dividia sua vida e a sociedade na pousada:
a parceira CECÍLIA (Lala Deheinzelin), irmã de Marco Aurélio, com quem ele não falava por não aceitar sua homossexualidade. Morreu em um acidente automobilístico, o que desencadeou uma briga judicial entre Laís e Marco Aurélio pelos bens de Cecília
a nova namorada MARÍLIA (Bia Seidl), que conhece na fase final da trama, a ajuda a superar a morte de Cecília.

Um dos maiores sucessos da Teledramaturgia nacional. Com uma trama contagiante, o trio de autores conseguiu aliar as nuances dos bons folhetins com uma crítica social ao país a partir de uma pergunta comum a milhões de brasileiros: “Vale a pena ser honesto no Brasil de hoje?”. O ano era 1988 e se refletiam como nunca os nossos principais problemas políticos. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

Vale Tudo deu início à trilogia de Gilberto Braga sobre novelas em que o autor se propôs a discutir a ética e moral do brasileiro. Gilberto deu prosseguimento à temática em O Dono do Mundo (1991) e Pátria Minha (1994-1995).

Os personagens Odete Roitman (Beatriz Segall), Maria de Fátima (Glória Pires), César (Carlos Alberto Riccelli) e Marco Aurélio (Reginaldo Faria) retratavam o que havia de ruim e corrupto no país, enquanto Raquel (Regina Duarte) e Ivan (Antônio Fagundes) simbolizavam a vida de milhões de brasileiros.

Vale Tudo foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor novela de 1988. Glória Pires foi premiada como a melhor atriz, Sérgio Mamberti o melhor ator coadjuvante, e Paulo Reis o ator revelação do ano.
Também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela do ano e melhor atriz para Beatriz Segall.

A autoria de Vale Tudo é normalmente atribuída só a Gilberto Braga. Mas a trama também foi assinada por Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. O próprio Braga faz questão de salientar a importância dessa parceria. Aguinaldo Silva, por exemplo, era o responsável por fazer as escaletas (estruturas do roteiro). Site Memória Globo.

O título originalmente pensado para a novela era Pátria Amada, o que se tornou inviável por já existir como nome de um filme de Tizuka Yamasaki, de 1985: Patriamada.

O ponto de partida para a trama de Vale Tudo foi o filme Almas em Suplício (Mildred Pearce, dirigido por Michael Curtiz em 1945, com Joan Crawford e Ann Blyth), de onde se extraiu a trama da mãe simplória (Raquel) que enriquece mas tem o desprezo da filha (Fátima). Na primeira parte da novela, o autor referencia o filme quando Raquel chama uma senhora de Dona Mildred.

Daniel Filho mencionou em seu livro O Circo Eletrônico:
“Na primeira sinopse, a filha vendia a casa por volta do capítulo 40 ou 50. Lógico que outras histórias paralelas estariam acontecendo. Mas o tema central não deslanchava. Argumentei: ‘Se a filha não vender a casa no primeiro capítulo e a mãe ficar na miséria, a novela não atingirá seu objetivo’. Ou seja, não deixaria claro seu tema. Denis Carvalho – o diretor – concorda. A presença de Aguinaldo e o jeito conciliador de Leonor deixaram Gilberto seguro para adiantar a novela em 40 capítulos.”

O sucesso fez a novela ser espichada e obrigou os autores a mudarem o rumo de algumas tramas. Foi aí que surgiu o “quem matou Odete Roitman?”, que, inicialmente, não estava previsto. Na sinopse original, Fátima (Glória Pires) mataria Marco Aurélio (Reginaldo Faria) e Raquel (Regina Duarte) se entregaria à polícia no lugar da filha. Essa trama acabou não acontecendo. Em substituição, Odete foi morta e o mistério de seu assassino rendeu história para mais algumas semanas de novela. (Heloísa Eterna, jornal O Dia, 11/12/1988, TV Pesquisa PUC-Rio)

O assassinato de Odete, morta com três tiros à queima-roupa, ocorreu no capítulo 193, no ar em 24/12/1988. O mistério da identidade do assassino durou apenas treze dias, mas dominou todas as conversas pelo país, tornando-se alvo de apostas, rifas e sorteios. O Brasil parou diante da TV – literalmente – na noite do último capítulo da novela (em 06/01/1989) para conhecer o criminoso.

Para segurar o mistério e não deixar vazar a surpresa, a revelação do assassino foi gravada no dia em que o último capítulo foi ao ar, poucas horas antes de sua exibição. Para despistar, os autores escreveram cinco versões diferentes, com cinco diferentes assassinos. Os atores receberam os roteiros, mas não sabiam qual seria gravado. Até o momento em que o diretor Denis Carvalho dispensou o elenco anunciando que era Leila, personagem de Cássia Kiss, a assassina. A primeira reação da “morta” Odete – Beatriz Segall – foi dar-lhe os parabéns. Razão do assassinato: Leila adentrou o recinto desabaladamente, disparando sua arma contra a vilã por engano! Ela pensava que quem estava ali com seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria) era a amante dele, Fátima (Glória Pires).

Nos outros quatro finais escritos, os assassinos eram César (Carlos Alberto Riccelli), Olavo (Paulo Reis), Bruno (Danton Mello) e Queiroz (Paulo Porto)
César assassina a ex-amante por vingança. Odete não remeteu os dólares prometidos para uma conta na Suíça em seu nome, eles discutem e César atira.
Olavo tenta chantagear a empresária, eles discutem, brigam, Odete pega a arma, que acaba disparando: a vilã morre acidentalmente.
Leila e o filho Bruno vão com Marco Aurélio até a casa de Odete, mas ficam esperando no carro. Marco Aurélio esquece sua pasta no carro, de onde Bruno pega a arma. O garoto sobe para entregá-la e assiste à discussão de Marco Aurélio e Odete, que fala em denunciá-lo à polícia. Defendendo o padrasto, Bruno aponta para Odete, fecha os olhos e atira.
Queiroz chega ao apartamento de Odete para salvá-la. Ele interrompe a discussão de Odete e Marco Aurélio com uma inesperada declaração de amor a Odete, que debocha agressivamente dele, a ponto de fazê-lo perder o controle e atirar, enquanto Marco Aurélio dispara contra ele. (Deborah Dumar, jornal O Globo, 07/01/1989, TV Pesquisa PUC-Rio)

Curiosamente, Beatriz Segall não foi a primeira atriz lembrada para o papel de Odete Roitman: Gilberto Braga pensou antes em Tônia Carrero e Odete Lara.

Beatriz Segall ficou tão marcada por sua personagem que é impossível não relacionar a atriz à figura de Odete Roitman, pelo fantasma da vilã ter vivido à sua sombra pelo resto de sua vida. Odete ficou tão marcante que, após a conclusão de Vale Tudo, Beatriz por um bom tempo se negou a falar dela. E só aceitava interpretar papeis de mulheres bem diferentes da vilã, na tentativa de afastar o estigma de “atriz de uma personagem só”. Em entrevista ao site da Veja, em 2011, a atriz se queixou:
“Isso é muito chato, fica repetitivo, chega a um ponto que você não aguenta mais. Pô, eu sou muito mais que Odete Roitman. Já fiz tanta coisa, os papéis mais diversos. Eu sou uma atriz de teatro, não sou uma atriz de um papel só.”
No entanto, a vilã tornou-se um ícone da TV brasileira e uma referência de interpretação para este tipo de personagem. Ao projeto Memória Globo, a atriz declarou:
“Sempre me encabulo quando tenho que falar da Odete Roitman, fico com medo de parecer pretensiosa, e tenho certeza de que não sou, mas acho que ninguém na televisão brasileira recebeu um presente tão grande como esse.”

O assassinato de Odete Roitman foi exibido um dia depois do previsto, à revelia dos autores. De acordo com matéria do Jornal da Tarde (de 24/12/1988), no cronograma da novela, a polícia acharia o corpo da vilã no dia 23/12/1988. Entretanto, por 800 milhões de cruzados (valores na moeda da época), a Globo deixou Odete viva por mais 24 horas por causa de um anúncio de meia página do CODISEG (Comitê de Divulgação Institucional do Seguro) publicado nos jornais O Globo e Jornal do Brasil, com uma foto de Beatriz Segall (o nome Odete Roitman não era citado) e a mensagem “Faça seguro. A gente nunca sabe o dia de amanhã.” E a emissora nem avisou os autores Gilberto, Aguinaldo e Leonor, pegos de surpresa, já que há dias o assassinato vinha sendo anunciado para o dia 23 de dezembro.

Nove anos mais tarde, Beatriz Segall e Glória Pires se reencontraram no remake de Anjo Mau (1997). A primeira só aceitou entrar na novela se fosse para viver uma personagem boazinha. Na cena de Anjo Mau em que Clô (Beatriz) e Nice (Glória) se conhecem, fazendo uma alusão às suas personagens em Vale Tudo, a primeira diz achar conhecer a outra de algum lugar.

Glória Pires e Regina Duarte só voltaram a atuar juntas em uma novela catorze anos depois: Desejos de Mulher (2002), desta vez vivendo irmãs.

Além da questão da ética e honestidade, Vale Tudo discutiu o drama do alcoolismo, através de Heleninha, personagem que marcou a carreira de Renata Sorrah e pela qual a atriz é lembrada até hoje. E mostrou, pela primeira vez de forma explícita, a homossexualidade feminina em uma novela, enfrentando, por isso, alguns problemas com a censura.

Vale Tudo foi a última novela a ser censurada pela DCDP, a Divisão de Censura de Diversões Públicas, órgão ligado ao Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, extinto com a aprovação da Constituição de 1988 (em setembro deste ano, quando a novela estava no ar). Vários diálogos entre as personagens Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) tiveram que ser reescritos depois que foi vetada a cena em que as duas contavam a Heleninha (Renata Sorrah) sobre os preconceitos de que eram vítimas por causa de seu relacionamento homossexual. Os censores ficaram de olho no desenvolver da trama das lésbicas e diálogos inteiros foram veementemente vetados.
Diálogos corriqueiros que usavam expressões de baixo calão também era censurados. Nas falas de Marco Aurélio (Reginaldo Faria) e de César (Carlos Alberto Riccelli), dois personagens amorais, os autores sempre colocavam a interjeição “porra!” no início ou fim das frases. A censura cortava, apesar da linguagem vulgar ter a intenção de sublinhar o mau caráter de ambos. “Puta”, “piranha” e “bicha” também não eram toleradas. Os autores então, por pura provocação, apelaram para a cacofonia para driblar a tesoura. Não adiantou. Em um dos laudos, os censores exigem corte das falas de Poliana (Pedro Paulo Rangel) em que ele diz: “Pô… Raquel… Pô… Raquel… Pô… Raciocina…”
(James Cimino em uma série de reportagens sobre a censura às novelas durante a Ditadura Militar, para o UOL, 15/01/2013)

Já sobre a morte da personagem Cecília, Gilberto Braga esclareceu em entrevista que não foi por imposição da censura:
“Em Vale Tudo há um folclore. É o caso das lésbicas. A história que eu contei é exatamente igual à que queria contar. Não houve censura. Não houve alterações. Quando criei a personagem de Lala [Deheinzelin], sabia que ela morreria. Isso eu sempre planejei.”

Vale Tudo foi comercializada para mais de 30 países. Exibida em Cuba em 1993, a novela fez um enorme sucesso. Desde Escrava Isaura, produzida pela Globo em 1976 e exibida na ilha em 1985, uma novela não mexia tanto com os cubanos (Folha de São Paulo, 12/07/1993, TV Pesquisa PUC-Rio)
Em 1995, o governo de Fidel Castro resolveu legalizar uma rede de restaurantes privados que funcionava clandestinamente desde 1993, em um arrojado gesto de abrir mão da exploração exclusiva do setor. Esses restaurantes, geridos em âmbito familiar, tinham o nome de “paladares”, assim batizados por conta do nome da empresa de alimentos de Raquel na novela (Paladar).

Muitas foram as cenas marcantes de Vale Tudo que entraram para a história de nossa TV:
– o assassinato de Odete e, depois, a elucidação do crime;
– a primeira cena de Odete, em que ela conversa ao telefone com Celina, e só aparecem closes de sua boca e olhos (capítulo 28);
– os discursos de Odete, conservadores, reacionários ou esculhambando o Brasil (como a cena do jantar no capítulo 34);
– a discussão de Fátima com o avô sobre honestidade no Brasil (no capitulo de estreia);
– os tapas na cara que Fátima levou, de vários personagens, ao longo da trama;
– Fátima se jogando do alto da escadaria do Teatro Municipal, para provocar um aborto (capítulo 108);
– o flagrante de adultério de Afonso em Fátima e César (“eu não transo violência!”);
– Fátima casando com um príncipe italiano, no final;
– Raquel vendendo sanduíche na praia quando se depara com Fátima (capítulo 14);
– Raquel rasgando o vestido de casamento de Fátima (capítulo 80);
– os muitos porres de Heleninha, em especial aquele em que ela dança bêbada em uma boate e pede um “mambo caliente”;
– Celina impedindo o refeitório de servir maionese estragada;
– Marco Aurélio fugindo do país em um jatinho e se despedindo com uma “banana”, através do gesto com os braços.

Assim como na novela Louco Amor (1983), em que o autor criou uma revista badalada para uma das ambientações da trama – a Stampa -, em Vale Tudo, a fictícia revista Tomorrow englobava um importante núcleo da novela. A Stampa, inclusive, apareceu em Vale Tudo, já que o vilão e ex-modelo César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli) foi capa de uma edição mostrada em algumas cenas. Gilberto Braga voltou com uma revista fictícia em Celebridade (2003-2004): a Fama.

A personagem Solange Duprat, vivida por Lídia Brondi, produtora de moda da Tomorrow, era a mais arrojada e antenada da novela, sempre com os figurinos mais modernos. O corte de cabelo da atriz fez sucesso: de inspiração oriental, em voga na época, era liso, ruivo avermelhado escuro, com uma franja reta.
No acerto de contas entre Solange e Fátima, em que a primeira esbofeteia a segunda, a personagem de Lídia Brondi usa uma frase de Abraham Lincoln que ficou famosa na novela: “A gente pode enganar todo mundo por quase todo tempo. Quase todo mundo por todo tempo. Mas não pode enganar todo mundo por todo tempo!”

A batalhadora Raquel, vivida por Regina Duarte, emplacou dois bordões que caíram na boca do povo: “Te mete!”, dito como uma interjeição, e a frase de efeito “Sangue de Jesus tem poder!”.

A indústria de alimentos Nestlé, através de seu caldo de galinha Maggi, lançou, às vésperas do Natal de 1988, um concurso para premiar quem adivinhasse a identidade do assassino de Odete Roitman. O prêmio era de 10 milhões de cruzados (valores na moeda da época), um de 5 milhões e cinco de 1 milhão. Nos intervalos da programação da Globo, o apresentador César Filho anunciava a promoção juntamente com a galinha azul animada (mascote da Maggi). Até a exibição do último capítulo da novela, a Nestlé havia recebido em torno de 3 milhões de cartas. (Deborah Dumar, jornal O Globo, 07/01/1989, TV Pesquisa PUC-Rio)

A Nestlé já era anunciante da novela: o caldo Maggi e o creme de leite foram amplamente divulgados nas cenas em que Raquel (Regina Duarte) vence um concurso de culinária usando os produtos. O merchandising rolou solto em Vale Tudo, com vários anunciantes.
A Gradiente divulgou a sua nova linha de áudio – com CD player, uma novidade na época -, por meio de Heleninha (Renata Sorrah) e Thiago (Fábio Vila Verde), nas cenas em que os personagens ouvem música clássica. Ainda o microcomputador Expert MSX, quando Solange (Lídia Brondi) escreve uma reportagem para a revista Tomorrow, e o videogame Atari (também da Gradiente), em cenas com Ivan (Antônio Fagundes) e seu filho Bruno (Danton Mello).
A Du Loren anunciou sua nova coleção de lingerie em uma matéria da Tomorrow, assinada por Solange. O livro História da Camiseta da Hering também teve destaque na Tomorrow.
Ainda: a empresa Etti anunciou o molho de tomate Salsa D’Oro, os personagens bebiam Keep Cooler ou cerveja e guaraná Antarctica, Raquel cozinhava no fogão Semmer, Ivan e Helena compraram um apartamento da Construtora Encol, roupas masculinas eram compradas na Casa José Silva e pagamentos eram feitos no Banco Real.
E o balneário de Búzios, litoral do Rio de Janeiro, foi amplamente divulgado na novela, já que Laís e Cecília (Cristina Prochaska e Lala Deheinzelin) tinham uma pousada lá.
(Elane Maciel, Jornal do Brasil, 09/10/1988, TV Pesquisa PUC-Rio)

A publicidade (fora da novela) surfou na repercussão da trama. A Fotóptica, por exemplo, publicou em jornais e revistas: “Se você conseguiu fotografar o assassino de Odete Roitman, entregue o filme na Fotóptica. Enquanto na novela vale tudo para aumentar a audiência, na Fotóptica vale tudo para diminuir o preço. (…) Esta oferta também vale para fotos de inocentes.” (anúncio de meia página publicado na capa do jornal O Estado de São Paulo, de 25/12/1988).

Vale Tudo marcou a volta de Pedro Paulo Rangel à televisão após um hiato de sete anos. Seu último trabalho havia sido no humorístico Viva o Gordo, em 1981. A última novela, Dinheiro Vivo, na TV Tupi, em 1979.

Primeira novela dos atores Marcello Novaes, Flávia Monteiro, Otávio Müller, João Camargo, Lala Deheinzelin, Paulo Reis e Renata Castro Barbosa.
Primeira aparição em novelas, em pontas ou pequenas participações, de Humberto Martins, Marcos Oliveira, Edson Fieschi e Lu Grimaldi.
Adriana Esteves, aqui vista pela primeira vez em uma novela, fez figuração no capítulo 10 (exibido em 26/05/1988), na sequência em que várias modelos concorrem a uma vaga para um editorial na revista Tomorrow, do qual Fátima participa.

Em 2002, a Globo, em uma parceria com a Rede Telemundo (cadeia de emissoras abertas voltada para a comunidade latina nos Estados Unidos), produziu uma nova versão de Vale Tudo, em espanhol: Vale Todo, com elenco formado por atores latinos. Porém, o reboot não fez sucesso: com previsão de 150 capítulos, terminou no centésimo, com audiência aquém da esperada.

Vale Tudo repetiu o sucesso na reapresentação no Vale a Pena Ver de Novo, entre 11/05 e 06/11/1992, editada em 129 capítulos.
Reprisada também no canal Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), em duas ocasiões. Entre 05/10/2010 e 16/07/2011, na íntegra, à 0h45 (com repeteco ao meio-dia do dia seguinte) – reprise que causou um verdadeiro frisson entre os usuários de redes sociais (como o Twitter), saudosos da novela que viram no passado ou curiosos pela obra famosa que não puderam acompanhar antes. E, novamente, a partir de 18/06/2018, às 15h30 e, no horário alternativo, à 0h30.

Em 2014, chegou ao mercado o DVD de Vale Tudo, lançado pela Globo Marcas.

Trilha Sonora Nacional
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01. BRASIL – Gal Costa (tema de abertura)
02. TÁ COMBINADO – Maria Bethânia (tema de Raquel e Ivan)
03. TERRA DOURADA – João Bosco (tema de locação: Búzios)
04. PENSE E DANCE – Barão Vermelho (tema de Fátima)
05. PONTOS CARDEAIS – Ivan Lins (tema de Leila)
06. A SOMBRA DA PARTIDA – Ritchie (tema de Afonso e Fátima)
07. TODO SENTIMENTO – Verônica Sabino (tema de Heleninha)
08. É – Gonzaguinha (tema de locação: centro do Rio)
09. PENSO NISSO AMANHÃ – Nico Resende (tema de Ivan)
10. ISTO AQUI O QUE É – Caetano Veloso (tema de Raquel)
11. FAZ PARTE DO MEU SHOW – Cazuza (tema de Solange)
12. BESAME – Jane Duboc (tema de César)
13. UM MUNDO SÓ PRA NÓS (EYE IN THE SKY) – Gáz (tema de Thiago)
14. SEM DESTINO – Léo Gandelman (tema do núcleo rico)

Trilha Sonora Internacional

01. FATHER FIGURE – George Michael (tema de Marco Aurélio e Leila)
02. WHERE DO BROKEN HEARTS GO? – Whitney Houston
03. LOST IN YOU – Rod Stewart (tema geral)
04. CRYING OVERTIME – Alexander O’Neal (tema de Thiago e Nanda)
05. I GET WEAK – Belinda Carlisle
06. IL FAUT SAVOIR – Charles Aznavour (tema de Odete)
07. BABY CAN I HOLD – Tracy Chapman (tema de Raquel e Ivan)
08. SILENT MORNING – Noel
09. PIANO IN THE DARK – Brenda Russell featuring Joe Exposito (tema de Aldeíde)
10. FREE AS A BIRD – Supertramp (tema de Solange)
11. PARADISE – Sade (tema de Fátima)
12. LION IN MY HEART – Thunder Newcome
13. PINK CADILLAC – Natalie Cole
14. ME IN TUTTO IL MONDO – Ornella Vanoni (tema de Heleninha)

e ainda
CHANSONG – Tom Jobim (tema de Rubinho)
ADÁGIO – Albinoni (tema de Thiago e Heleninha)

Sonoplastia: Aroldo Barros
Seleção musical da trilha internacional: Sérgio Motta
Supervisão musical: Wálter D’Avilla Filho

Tema de Abertura: BRASIL – Gal Costa

Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes d’eu nascer

Não me ofereceram nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

Brasil! Mostra a tua cara!
Quero ver quem paga prá gente ficar assim
Brasil! Qual é o teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim!

Não me sortearam a Garota do Fantástico
Não me subornaram, será que é meu fim
Ver TV a cores na taba de um índio
Programada pra só dizer sim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante eu vou te trair…

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