Sinopse

Ao casar-se com Carlos, Adriana foi morar no interior da Bahia e, aos poucos, descobriu a verdadeira personalidade do marido, um homem rude e dominado pela mãe, Jandira, que inferniza a vida da nora, não escondendo seu desagrado com essa união. Além disso, Adriana é assediada pelo irmão de Carlos, Irineu, um homem cínico e sem escrúpulos, que vive rodeado de jagunços. Ela ainda é obrigada a suportar a presença de Selma, ex-noiva de Carlos, que não deixa de frequentar a casa da família Serrano e vive atrás do ex-noivo.

Abalada, Adriana decide retornar para a casa do pai, o humilde sapateiro Nonô, em Salvador, que a aconselha a voltar para o marido, principalmente porque está grávida. Na viagem de trem de volta ao interior, Adriana conhece o médico Flávio e os dois se aproximam, descobrindo afinidades. Como está disposta a investir em seu casamento, Adriana pede que ele não a procure. O médico, porém, passa a atender na região onde ela vive. Os dois acabam se encontrando por acaso e são obrigados a refrear seus sentimentos.

Paralelamente, se desenrola o conflito entre os Serranos e a família Morais por causa de disputa de terras. Jandira ordena o massacre dos Morais, que se recusam a deixar sua fazenda. O único sobrevivente é Raul, um menino de dez anos. Irineu, que comandou o atentado, é ferido e Flávio recusa-se a atendê-lo. O médico passa a ser procurado pelos jagunços dos Serranos, que têm a missão de dar-lhe uma lição. Adriana, na ausência de Carlos, esconde Flávio em sua casa por uma noite, para que ele fuja no dia seguinte.

Ao descobrir, por meio de Selma, que a esposa escondeu o fugitivo, Carlos leva a filha para viver com Jandira. Algum tempo depois, ele decide se mudar para Salvador com a mulher e a filha. Quinze anos se passam e o casamento de Adriana e Carlos vai de mal a pior. Durante a festa de aniversário de Patrícia, Adriana reencontra o médico Flávio, por quem sua filha diz estar apaixonada. O encontro com Flávio perturba Adriana. Ele não quer nada com a jovem pois ainda é apaixonado por Adriana, que tenta afastá-lo da filha.

Carlos simpatiza com Flávio. Ele não chegou a conhecer o médico no passado e ignora que ele enfrentou o poder de sua família e se recusou a atender seu irmão. Embora ainda casados, Carlos e Adriana são frios e distantes um com o outro e Carlos se tornou amante de Selma. A vida de Flávio também está atrelada à do jovem Raul, o sobrevivente da chacina da família Morais. Agora com 25 anos, Raul quer reabrir o processo contra Irineu pela morte de seus familiares e está à procura de Flávio, a única testemunha do massacre.

Raul está foragido da prisão, onde fora encarcerado por tentar matar Irineu, e passa a perseguir não só o assassino mas a todos da família Serrano, jurando vingança. Flávio, no entanto, é reconhecido por Irineu. O médico passa a ser perseguido pelos Serranos e, após ser novamente preterido por Adriana, viaja para a Europa. Mais tarde, Patrícia se apaixona por Raul, que acaba virando um líder camponês, com embates constantes com seu pai. Adriana e Carlos, por sua vez, finalmente se desquitam.

Globo – 22h
de 17 de novembro de 1969 a 17 de julho de 1970 (Rio)
de 10 de janeiro a 17 de julho de 1970 (SP)
209 capítulos

novela de Dias Gomes
direção de Wálter Campos e Marlos Andreucci

Novela anterior no horário
A Ponte dos Suspiros

Novela posterior
Assim na Terra Como no Céu

JARDEL FILHO – Carlos Serrano
DINA SFAT – Adriana
PAULO GOULART – Flávio
ARLETE SALLES – Selma
MARIA CLÁUDIA – Patrícia
MÁRIO LAGO – Bruno (Nonô)
EMILIANO QUEIRÓZ – Irineu
IDA GOMES – Jandira Serrano
CARLOS VEREZA – Raul
ARY FONTOURA – Juiz
HELOÍSA HELENA – Eufrosina
JOÃO PAULO ADOUR – Eduardo
LÚCIA ALVES – Geralda
RUTH DE SOUZA – Clementina
URBANO LÓES – Simão
OSMAR PRADO – Bebeto (Humberto)
PAULO ARAÚJO – Josias
MARIA POMPEU – Teresa
LAJAR MUZURIS – Salim
ROBERTO FERREIRA – Zé Coió
PAULO PADILHA – Padre Antônio
ANA ARIEL – Rosa
LÍCIA MAGNA – Cota
JUREMA PENNA – Zora
SUZANA DE MORAES – Madalena
PAULO GONÇALVES
NELSON CARUSO
DORINHA DUVAL
ZENI PEREIRA
FERNANDO JOSÉ
WALDIR ONOFRE
MARIA FRANCISCA
BEATRIZ VEIGA
ALDO DE MAIO
FRANCISCO NAGEN

Conflito de gerações, preconceito social, infelicidade conjugal, reforma agrária e questões raciais foram alguns dos temas discutidos pelo autor Dias Gomes em Verão Vermelho. A trama, juntamente com Véu de Noiva, de Janete Clair, lançada um mês antes, inaugurava na TV Globo um novo estilo de fazer telenovelas, pautado por gravações em externas e exploração da realidade por meio da abordagem de temáticas nacionais e assuntos do cotidiano.

Influenciada pelo sucesso de Beto Rockfeller, da TV Tupi (1968-1969), a direção da TV Globo constatou que era hora de optar por tramas mais modernas e arejadas. Com isso, a emissora dava adeus aos dramalhões da “Era Magadan” (1966-1969), conhecida como o período em que o núcleo de dramaturgia da TV Globo era comandado com mãos de ferro pela cubana Glória Magadan, que escolhia textos, autores e elencos e mandava e desmandava nas novelas da emissora. O mundo de castelos, masmorras, calabouços, galeões espanhóis de Magadan foi substituído pela realidade por meio da abordagem de temáticas nacionais e assuntos do cotidiano.

Pela primeira vez a televisão exibia uma novela ambientada na Bahia, reproduzindo a cultura popular local, as festas de rua, rodas de capoeira e candomblé, e uma série de signos e símbolos de cunho popular. O autor, Dias Gomes, era baiano, de Salvador.

Dina Sfat vinha do sucesso do filme Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e fez sua estreia na Globo em Verão Vermelho, grávida de sua primeira filha, Bel Kutner, com o ator Paulo José. Consequentemente, sua personagem também era uma grávida. Dina deu a luz dois dias depois de ter tido a criança na novela. Em 1974, ela voltou a atuar grávida, na novela Fogo Sobre Terra.

A novela contou com gravações em Salvador, na Bahia, mostrando as ruas da cidade e locais como a igreja de São Francisco, a igreja do Senhor do Bonfim, o Farol da Barra, as praias de Itapuã e Pituba, e o iate clube da Bahia – onde foi gravada a festa de 15 anos de Patrícia (Maria Cláudia), que ilustra o primeiro capítulo da novela. Também foram feitas cenas em algumas fazendas do interior, e durante os festejos de Santa Bárbara, em 4 de dezembro. O autor Dias Gomes esteva presente em muitas dessas gravações. (Site Memória Globo)

Em Verão Vermelho, Paulo Goulart era um médico que, acusado de charlatão, fugia da cidade em que morava. Enquanto isso, em Véu de Noiva, atração das oito, escrita por Janete Clair, a personagem de Myrian Pérsia procurava um médico que pudesse lhe dar a confirmação definitiva de sua esterilidade, em busca de um tratamento salvador. Foi assim que o casal Dias Gomes e Janete Clair combinaram que as duas novelas se encontrariam, e escreveram capítulos de tal forma que, ao procurar o médico, Myrian Pérsia acabou aparecendo também em Verão Vermelho.

Primeira novela das atrizes Lúcia Alves e Dorinha Duval. Primeira novela na Globo da atriz Heloísa Helena.

A trilha de Verão Vermelho foi a segunda produzida por Nelson Motta para uma novela, pela gravadora Philips (ainda não existia a Som Livre). A primeira foi a da novela Véu de Noiva. Nelson produziu nesta época mais quatro além dessas: Pigmalião 70, Irmãos Coragem, Assim na Terra Como no Céu e A Próxima Atração..

Com Verão Vermelho, Dias Gomes abandonava o pseudônimo Stela Calderón, que usou para escrever o trabalho anterior, A Ponte dos Suspiros (1969), sua primeira telenovela.

Lamentavelmente não existem mais imagens dessa novela. A hipótese mais provável é que as fitas tenham-se perdido em um dos incêndios posteriores que ocorreram na TV Globo (em 1971 ou em 1976).

Trilha Sonora
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01. VERÃO VERMELHO – Elis Regina (tema de abertura)
02. VITÓRIA, VITÓRIA – Nonato Buzar (tema de Raul)
03. ELA – Regininha (tema de Patrícia)
04. JORNADA – Wilson Neves (tema de Selma)
05. ONDE VOCÊ MORA? – Luiz Eça (tema de Flávio)
06. BAIÃO DO SOL – Nelson Ângelo (tema de Geralda) (*)
07. THE TIME OF MOON – Erlon Chaves (tema romântico geral)
08. ELA – Regininha (tema de Patrícia)
09. VITÓRIA, VITÓRIA – Erlon Chaves (tema de Raul)
10. ASSIM É A BAHIA – Roberto Menescal
11. ONDE VOCÊ MORA? – Ruy Felipe (tema de Flávio)
12. VERÃO VERMELHO – Luiz Eça

(*) o disco não credita o intérprete da música, o instrumentista Nelson Ângelo. (“Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”, Guilherme Bryan e Vincent Villari)

Sonoplastia: Antônio Faia
Produção Musical: Nelson Motta

Veja também

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A Ponte dos Suspiros

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Bandeira Dois

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O Bem-Amado (a novela)