Sinopse

A história tinha como ponto de partida um noivado desfeito no dia do casamento, quando Andreia descobre que o noivo, Luciano, está apaixonado por sua irmã, Flor. Desiludida, foge de todos encontrando o verdadeiro amor nos braços de Marcelo Montserrat, um corredor de automóvel, às voltas com Irene, mulher irônica e despojada.

Flor descobre-se grávida de Luciano, mas não quer assumir o filho sozinha por vergonha de ser mãe solteira. Então resolve abandonar a criança, que ficou sob a guarda de Andreia. Algum tempo depois, Flor se casa com outro homem, que queria ter filhos. Ao ouvir a confirmação de um especialista de que não poderia mais ser mãe, ela resolve pedir o seu de volta.

A partir deste momento, a novela começa a girar ao redor da disputa das duas irmãs. Com quem ficaria a criança? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara.

Globo – 20h
de 10 de novembro de 1969
a 27 de junho de 1970
221 capítulos

novela de Janete Clair
direção de Daniel Filho

Novela anterior no horário
Rosa Rebelde

Novela posterior
Irmãos Coragem

REGINA DUARTE – Andreia Madeira / Roberta / Maria Célia
CLÁUDIO MARZO – Marcelo Montserrat
MYRIAN PÉRSIA – Flor (Florentina Madeira)
GERALDO DEL REY – Luciano
BETTY FARIA – Irene
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Armando Muniz
CLÁUDIO CAVALCANTI – Renato
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Sérgio
DJENANE MACHADO – Dudu (Maria Eduarda Albertini)
PAULO JOSÉ – Zé Mário
GILBERTO MARTINHO – Felício Madeira
ANA ARIEL – Rita
ÊNIO SANTOS – Eugênio Montserrat
GLAUCE ROCHA – Helena
ÁLVARO AGUIAR – Dr. Jorge Albertini
NEUZA AMARAL – Lurdes
SUZANA FAINI – Dulce
OSWALDO LOUREIRO – Chico
ZILKA SALABERRY – Tia Cora
LOURDINHA BITTENCOURT – Olga
SUZANA DE MORAES – Vera
PAULO GONÇALVES – Durval Lorena
JORGE CHERQUES – Wilson
JÚLIO CÉSAR – Antônio Lopes
EMILIANO QUEIROZ – Tomaz
MARY DANIEL – Mariana
MIRIAN PIRES – Mariana
DARLENE GLÓRIA – Leda
o menino ROBERTO ARGOLLO – Arnaldinho
e
AGNES FONTOURA
DARY REIS
DORINHA DUVAL
FERNANDO JOSÉ
GRACINDA FREIRE
HENRIQUETA BRIEBA
IDA GOMES
JORGE COUTINHO
JÚLIO GARCIA
LÍCIA MAGNA
MILTON GONÇALVES
ROGÉRIO FRÓES
ZENI PEREIRA

– núcleo de ANDREIA (Regina Duarte), jovem simples e generosa, é noiva há dez anos e trabalha como vendedora numa loja de departamentos. No dia de seu casamento, descobre que o noivo a traía com sua irmã e que ela está grávida dele, por isso rompe o compromisso. Sofre um acidente de carro e fica com uma marca no rosto. Apaixona-se por um famoso piloto de corridas:
os pais FELÍCIO MADEIRA (Gilberto Martinho), representante comercial, e RITA (Ana Ariel), dona de casa de costureira
a irmã FLOR (Myrian Pérsia), bailarina ambiciosa. Engravida do noivo de Andreia e, quando a criança nasce, a entrega para a irmã criar, já que se sente envergonhada de ser mãe solteira, o que lhe prejudicaria a carreira
o irmão RENATO (Cláudio Cavalcanti), filho adotivo de Felício e Rita, gago, epilético e tímido. Usa roupas antiquadas e óculos para corrigir a miopia
o noivo LUCIANO (Geraldo Del Rey), pianista, amante de música clássica, ambicioso, não mede esforços para alavancar sua carreira. Abandonado por Andreia, renega Flor ao descobrir que ela está grávida dele. Acaba assassinado ao longo da trama
a tia OLGA (Lurdinha Bittencourt), irmã mais nova de Rita, costureira
a amiga VERA (Suzana de Moraes), trabalha com ela como vendedora.

– núcleo de MARCELO MONTSERRAT (Cláudio Marzo), rapaz de bom caráter, sofre com os erros dos pais. Piloto de corridas, vence o torneio internacional de Fórmula 3 em Monza, na Itália, pela equipe Ferrari. Seu sonho é chegar à Fórmula 1. Apesar de noivo, apaixona-se por Andreia, uma fã, quando a conhece. Os dois acabam casando em segredo:
os pais EUGÊNIO MONTSERRAT (Ênio Santos), empresário, ao longo da trama descobre-se que é o pai bilógico de Renato, e HELENA (Glauce Rocha), mulher fútil, frequenta as colunas sociais, não aceita o envolvimento do filho com Andreia
a noiva no início IRENE (Betty Faria), inconsequente, maluquinha, luta pelo amor do ex-noivo e arma mil intrigas para separá-lo de Andreia
o advogado dos Montserrat ARMANDO MUNIZ (Carlos Eduardo Dolabella), cuida dos negócios da fábrica de tecidos da família. Apaixona-se por Flor, com quem se casa
a tia-avó CORA (Zilka Salaberry), irmã da mãe de Eugênio, senhora muito rica, vive na fazenda da família. Usa cadeira de rodas e uma bengala, além de um sininho para chamar as pessoas.

– núcleo de SÉRGIO ALBERTINI (José Augusto Branco), amigo de Marcelo. Interrompeu os estudos de Medicina para ser piloto de corridas. Tem uma queda por Irene, mas acaba interessado em Flor:
os pais DR. JORGE ALBERTINI (Álvaro Aguiar), médico que queria que o filho seguisse sua carreira, e LURDES (Neuza Amaral), sofre há dez anos com uma doença rara
a irmã MARIA EDUARDA, a DUDU (Djenane Machado), bailarina, amiga de Flor, casa-se com Luciano
a enfermeira DULCE (Suzana Faini), amante do Dr. Albertini, com quem tem um filho pequeno, ARNALDINHO (Roberto Argolo).

– núcleo da equipe de Marcelo:
CHICO (Oswaldo Loureiro), mecânico. Diz a todos que é casado e que tem um filho, porém vive só. Na verdade, foi casado, mas sua mulher o deixou, e seu filho morreu
ZÉ MÁRIO (Paulo José), fotógrafo, testemunha ocular do assassinato de Luciano, conhece a identidade do assassino
ANTÔNIO LOPES (Júlio César), repórter esportivo, realiza a cobertura das corridas
DURVAL LORENA (Paulo Gonçalves), chefe da equipe no Brasil
WILSON (Jorge Cherques), chefe da equipe na Itália.

Influenciada pelo sucesso de Beto Rockfeller, da TV Tupi (1968-1969), a direção da TV Globo constatou que era hora de optar por tramas mais modernas e arejadas. Com isso, na mesma época em que Emerson Fittipaldi despontava nas pistas de corrida, Janete Clair assumia sozinha a história da jovem humilde que se apaixonava por um corredor de automóveis, dando adeus aos dramalhões supervisionados por Glória Magadan. O mundo de castelos, masmorras, calabouços, galeões espanhóis de Magadan foi substituído por imagens de um Rio de Janeiro luminoso, casa de campo em Petrópolis, autódromos movimentados. Hoje isso tudo pode parecer banal. Mas em 1969 era moderníssimo!

Véu de Noiva marcou o rompimento da Globo com o formato antigo de dramaturgia, comandado por Magadan. A partir dessa novela, todas as seguintes passaram a mostrar o Brasil, com personagens conhecidos nossos e refletindo a nossa realidade.

A publicidade da época explicava o fato: “Em Véu de Noiva tudo acontece como na vida real. A novela verdade”.
Acrescentava ainda uma referência à estreia de Regina Duarte na casa: “Só mesmo Andreia traria Regina Duarte para a Globo.”
A escalação da atriz foi mais um esforço da emissora em conquistar o público de São Paulo, ao trazer para seus quadros uma atriz paulista de grande sucesso.

A inspiração veio de um anúncio publicado num jornal carioca: “Vende-se um véu de noiva”. A trama foi escrita anteriormente pela própria Janete para a Rádio Nacional com o título do anúncio.
Em 2009, o SBT – que havia adquirido os direitos sobre alguns textos radiofônicos da autora – fez uma nova adaptação de “Vende-se um véu de noiva”, tendo Íris Abravanel comandando o roteiro.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho – o Boni, então executivo da TV Globo – reagiu inicialmente quando soube que a novela abordaria corridas de Fórmula 1, receoso de que o tema afugentasse o público tradicional das novelas.
“Mantenho o melodrama que o povo gosta com uma imagem mais brasileira e atual”, foi a convincente resposta do diretor Daniel Filho.

Por volta do trigésimo capítulo, Geraldo Del Rey pediu pra sair da trama. Havia sido convidado a trabalhar na TV Tupi. Foi quando Janete Clair iniciou sua série de assassinatos famosos, com o “quem matou Luciano?”.
Assim, a saída do ator não criou nenhum problema, muito pelo contrário, serviu para criar um bordão.

Por conta da reviravolta no enredo, Paulo José entrou na novela para viver um fotógrafo que podia desvendar o mistério. Era a estreia do ator na Globo.
Detalhe: quem disparou tiro que matou Luciano, nas gravações, foi o próprio diretor Daniel Filho. Site Memória Globo.

Ao final da trama, a revelação: o assassino de Luciano era a personagem Rita, interpretada por Ana Ariel. Ela matou o rapaz porque, na sua concepção, ele era um mau caráter que havia levado a desgraça para sua família: de casamento marcado com uma de suas filhas, Andreia (Regina Duarte), engravidou a outra, Flor (Myrian Pérsia).

Naquela mesma época, Dias Gomes escrevia Verão Vermelho para o horário das dez, em que o personagem de Paulo Goulart era um médico que, acusado de charlatanismo, fugia da cidade onde morava. Enquanto isso, em Véu de Noiva, Flor, personagem de Myrian Pérsia, descobria-se grávida de Luciano, mas não queria assumir o filho sozinha. Então resolveu abandonar a criança, que ficou sob a guarda da irmã Andreia. Algum tempo mais tarde, Flor se casava com outro homem, Armando (Carlos Eduardo Dolabella), que queria ter filhos. Mas ela suspeitava que não podia mais engravidar devido a complicações no nascimento do primeiro filho. Incerta, procurava um médico que pudesse lhe dar a confirmação definitiva de sua esterilidade, em busca de um tratamento salvador.
Foi assim que Dias Gomes e Janete Clair combinaram que as duas novelas se encontrariam, e escreveram capítulos de tal forma que, ao procurar o médico charlatão, Myrian Pérsia acabou aparecendo também na novela das dez.

Ao ouvir a confirmação de que não poderia mais ter filhos, Flor resolve pedir o seu de volta. A partir deste momento, Véu de Noiva passou a priorizar a disputa das duas irmãs. Com quem ficaria a criança? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara?
A disputa de Regina Duarte e Myrian Pérsia pela guarda da criança começava a mobilizar o país. Na novela, o caso foi parar na justiça, e Daniel Filho, o diretor da trama, teve a ideia de realizar um julgamento real em cena. Solicitou a um juiz de verdade, Eliézer Rosa, que armasse um júri. E os destinos da novela foram parar nas mãos do juiz. Ninguém, nem a autora, nem os atores, e nem o próprio diretor sabiam por antecipação qual seria o resultado, o fim da novela. Para não perder a emoção, o julgamento foi gravado direto, sem ensaio. A tensão das atrizes era, portanto, totalmente real. Por fim, ganhou a mãe adotiva.

A novela, um sucesso por todo o país, foi uma espécie de tiro no escuro que deu muito certo. Nada era rigorosamente pré definido. Flor, a personagem de Myrian Pérsia, dividiu as opiniões femininas das mulheres de 1969-1970, que não se consideravam capazes de julgá-la, já que na época, ser mãe solteira era considerado desonra.

“Para falar a verdade, comecei a gostar de fazer novela com Véu de Noiva, contou Daniel Filho em sua biografia “Antes que me Esqueçam”.

Com diálogos curtos e linguagem coloquial, Véu de Noiva inovou ao mostrar as belezas naturais do Rio de Janeiro, os lugares da moda, boates e bares do bairro de Ipanema. Janete Clair misturava personagens de ficção e gente famosa, como o poeta Vinícius de Moraes e o cronista Carlinhos de Oliveira, o que despertou o interesse do público jovem.

Com essa novela, Janete Clair implantou as tramas paralelas em sua obra, hoje recorrentes (e essenciais) em qualquer texto de novela.
“Foi em Véu de Noiva que descobri que uma história, para ser um pouco mais longa, não poderia depender exclusivamente da linha principal. Com muito medo desenvolvi algumas tramas paralelas em Véu de Noiva e senti, então, como elas ajudavam a passar outros dados e emoções, além de descarregarem muito a tensão da história principal”, recordou a autora numa entrevista, em 1979.

Andreia e Marcelo foram a primeira parceria de Regina Duarte e Cláudio Marzo como par romântico de sucesso em novelas. Os atores atuaram juntos, ainda, em Irmãos Coragem (1970-1971), Minha Doce Namorada (1971) e Carinhoso (1973-1974).

O personagem de Cláudio Cavalcanti, o desarticulado Renato Madeira, ganhou importância na trama por conta do desempenho do ator. O papel foi idealizado por Daniel Filho com base no personagem epiléptico vivido no cinema pelo ator colombiano Lou Castel em De Punhos Cerrados (Pugni in Tasca, 1965), de Marco Bellocchio. Como prêmio, Cavalcanti ganhou um dos papeis centrais na novela seguinte de Janete Clair, Irmãos Coragem.

Ao longo da novela, a atriz Mirian Pires substituiu Mary Daniel na interpretação da personagem Mariana.

O piloto escocês de Formula-1 Jackie Stewart, de passagem pelo Brasil, gravou uma participação especial em Véu de Noiva.

Para gravar as cenas externas, a direção levava para as ruas as pesadas câmeras utilizadas em estúdio, as TK 60, também usadas nas coberturas de futebol. Site Memória Globo.

Esta foi a primeira novela a ter músicas especialmente compostas para sua trilha sonora, produzida por Nelson Motta, lançada pela Phillips (quando ainda não existia a Som Livre).
Um grande sucesso foi “Teletema”, interpretada pela cantora Regininha, marca registrada da novela.
Chico Buarque, exilado, enviou da Itália “Gente Humilde”, que compôs em parceria com Vinícius de Moraes.

A personagem de Betty Faria se chamaria, inicialmente, Lúcia, mas seu nome foi alterado por conta da música-tema escolhida para ela.
Sobre a canção “Irene”, Nelson Motta narrou em seu livro “Noites Tropicais”:
“Precisávamos também de uma bela música para a personagem Lúcia, de Betty Faria, e estava difícil. Foi quando ouvi na Philips a recém chegada gravação que Caetano Veloso tinha feito de Irene na Bahia, antes de partir para o exílio. Era sofrida e lindíssima, só com Gilberto Gil acompanhando no violão, gravada num estudiozinho baiano. A música era tão boa que não foi difícil convencer Daniel Filho a ligar para Janete Clair e pedir que ela trocasse o nome do personagem de Betty para Irene.”

Daniel Filho lembra que pela primeira vez se lançou um long-play com a trilha de uma novela. Segundo ele, essa foi uma grande jogada de marketing, porque um produto promovia o outro, numa época em que a TV Globo não tinha ainda a hegemonia do mercado televisivo brasileiro.
O disco de Véu de Noiva vendeu 70 mil cópias. Até 1975, a emissora manteve a tradição das “trilhas sonoras originais”. A partir de então, as trilhas passaram a ser feitas através de seleções aleatórias de músicas.

Curiosamente, as trilhas sonoras das novelas Véu de Noiva, Pigmalião 70 e A Próxima Atração, que pertencem ao catálogo da gravadora Universal Music, foram reeditadas em CD no Japão, em fins dos anos 1990, mas nunca foram relançadas no Brasil.

Trilha Sonora
veut
01. TEMA DE LUCIANO – Luiz Eça
02. TELE TEMA – Regininha (tema de Andreia e Marcelo)
03. AZIMUTH – Apolo VI (tema de Marcelo)
04. GENTE HUMILDE – Márcia (tema do núcleo de Andreia)
05. DEPOIS DA QUEDA – Roberto Menescal (tema de Flor)
06. IRENE – Elis Regina
07. ANDRÉA – Joyce
08. AZIMUTH – Apolo VI (tema de Marcelo)
09. TELE TEMA – Regininha e Laércio (tema de Andreia e Marcelo)
10. IRENE – Wilson das Neves
11. ABERTURA – The Youngsters (tema de abertura)
12. TELE TEMA – Cláudio Roditi

ainda
I’LL CATCH THE SUN – Glenn Yarbrough

Veja também

  • irmaoscoragem70_logo

Irmãos Coragem (1970)

  • pigmaliao70_logo

Pigmalião 70

  • veraovermelho_logo

Verão Vermelho