Sinopse

Em Lasca Fogo, sertão do Cariri, a jovem Quinota (Larissa Bocchino) acredita no amor à primeira vista. Sua referência é o casamento de seus pais, Tico (Alexandre Nero) e Zefa Leonel (Andrea Beltrão), que vivem uma relação de amor e parceria. Quinota desperta olhares por onde passa, como os do forasteiro Marcelo Gouveia (José Loreto) e de seu amigo Artur Ariosto (Túlio Starling).

Em um primeiro momento, Marcelo é o dono do coração de Quinota, mas o bonitão a decepciona. Um assalto coloca Artur no caminho da moça. Ele a salva sem que saibam dos laços que cada um mantem com Marcelo. Artur acredita que ela é noiva, mas Quinota esclarece que seu noivo fugiu, o que colabora para que os dois se aproximem cada vez mais.

Longe dali, em Salvador, Marcelo Gouveia, escondendo-se da ponta da peixeira de Seu Tico Leonel, que exige que ele cumpra o compromisso com Quinota, conhece a irresistível e ardilosa Blandina (Luísa Arraes). A dupla de vilões, unida pelo caráter duvidoso e pela ambição desmedida, promete uma vida nada fácil ao casal Quinota Leonel e Artur Ariosto.

Em Lasca Fogo estão fundeadas as estruturas do rancho da família Leonel, lugar que guarda memórias em cada tijolo curtido pelo sol. Na busca pelo sustento, o casal Tico e Zefa se divide entre o garimpo e as plantações. Não há nesse lar determinação e garra maiores que as de Zefa, convicta de que essas terras são de sua família há mais de um século.

Além dos laços afetivos, Zefa sabe que aquele pedaço de terra guarda os mistérios que suas grutas preservam ao redor. No entorno do rancho, feito um eldorado em meio ao mar do sertão, repousam minas de uma pedra azul, a mais cara das gemas, o maior dos sonhos garimpeiros: a raríssima pedra turmalina paraíba, que será motivo de disputas acirradas.

Globo – 18h
estreia: 15 de abril de 2024

novela de Mário Teixeira
colaboração de Marcos Lazarini, Dino Cantelli, Angélica Lopes e Renata Sofia
direção de Bernardo Sá, Carla Bohler, Larissa Fernandes e Rodrigo Bitti
direção geral de Pedro Brenelli
direção artística de Allan Fiterman

Novela anterior no horário
Elas por Elas

LARISSA BOCCHINO – Quinota
TÚLIO STARLING – Artur Ariosto
ANDRÉA BELTRÃO – Zefa Leonel Limoeiro
ALEXANDRE NERO – Tico Leonel Limoeiro
JOSÉ LORETO – Marcelo Gouveia
LUÍSA ARRAES – Blandina
DÉBORA BLOCH – Deodora Montijo
MARIANA LIMA – Tia Salete
EDUARDO MOSCOVIS – Quintino Ariosto Evaristo
VALDINEIA SORIANO – Dona Manuela
NANEGO LIRA – Padre Zezo (Monsenhor José de Botas)
WELDER RODRIGUES – Sabá Bodó
TITINA MEDEIROS – Nivalda
THARDELLY LIMA – Vespertino
LEANDRO DANIEL – Floro Borromeu
SUZY LOPES – Cira
JU COLOMBO – Quintilha
ALEJANDRO CLAVEAUX – Jordão
CLARA MONEKE – Caridade
ÍGOR FORTUNATO – Zé Beltino
DANDARA QUEIROZ – Benvinda
HELOÍSA HONEIN – Margaridinha
GUTHIERRY SOTERO – Nastácio
ÍGOR JANSEN – Aldenor
HAROLDO GUIMARÃES – Primo Cícero Rosalino
RHAÍSA BATISTA – Fé
ANDRÉA BAK – Esperança
NINA TOMSIC – Dracena
ÍSIS BROKEN – Corina Castelo
RAFAEL SARAIVA – Guilherme Tell
NATASCHA FALCÃO – Lola
VITÓRIA RODRIGUES – Blanchette
ELOÍSE YAMASHITA – Emi
FÁTIMA PATRÍCIO – Dona Castorina
ZAHY TENTEHAR – Paula Alexandre
DUDA RIOS – Tobias Aldonço
JORGE RITCHIE – Torquato Tasso
RENAN MOTTA – Guarda Morconi
MARIA SILVIA RADOMILLE – Drª Alba
ANA MANGETH – Dona Escolástica
ALEX PATRÍCIO – Celso Bastião
IVSON RAINERO – Sivuplê
ESTHER BROLLO – Rafaela

o menino TOMÁS DE FRANÇA – Juquinha

e
CARLOS BETÃO – Gonçalves Dias (assedia Blandina quando vai à loja onde ela trabalha acompanhando a mulher)
JULIANA TEIXEIRA – Antônia (mulher de Gonçalves Dias)
JUZEH (ZÉ NETO) – Totonho (da dupla de repentistas que narram as cenas dos próximos capítulos)
LUKETE (LUCAS QUEIROGA) – Palmito (da dupla de repentistas que narram as cenas dos próximos capítulos)

– núcleo da família Leonel Limoeiro:
o casal ZEFA LEONEL (Andrea Beltrão), mulher sertaneja, sofrida, racional, determinada e valente. É o cérebro da família e, se necessário, faz valer os seus argumentos com umas boas pancadas, em quem quer que seja. Ao encontrar uma preciosa pedra em uma gruta em suas terras, torna-se a responsável pela mudança no estilo de vida da família,
e TICO LEONEL (Alexandre Nero), homem matuto e esperto, mas ingênuo diante dos encantos da cidade grande. Passa a se considerar o cérebro da família, mas, na verdade, se deixa levar facilmente pela primeira impressão. Quando deixarem o sertão rumo à cidade, se envolverá com quem não deve, colocando em risco a paz familiar
os filhos: QUINOTA (Larissa Bocchino), protegida pela mãe e sempre sob o olhar vigilante do irmão mais velho. É uma jovem humilde, encantadora, bondosa e ingênua. Será seduzida e enganada por quem vai se apaixonar perdidamente. Vai amadurecer ao longo da trama, perdendo a inocência, mas não a grandeza, em um processo de formação e transformação. Apesar da decepção amorosa, vai experimentar o amor verdadeiro,
ZÉ BELTINO (Igor Fortunato), o primogênito, é bravo como a mãe e ingênuo como pai. Super protetor com a irmã Quinota,
e JUQUINHA (Tomás de França), o caçula, garoto travesso, vive levando broncas da mãe que não tem a menor paciência para suas travessuras
TIA SALETE (Mariana Lima), irmã de Zefa, que vive com a família. Sofreu grande decepção amorosa no passado e, por isso, desconfia de qualquer um que se aproxime da sobrinha Quinota. Fiadora de algodão e juta, é costureira e bordadeira de mão cheia. Engraçada, parece boba, mas na verdade é muito esperta
os agregados: MARGARIDINHA (Heloísa Honein), afilhada de Zefa, passou a ser criada pela madrinha após a morte de sua mãe. Sonha em se casar, mas tem dificuldade em encontrar um pretendente,
BENVINDA (Dandara Queiroz), moça ingênua, não teve oportunidade de estudar e aprendeu o pouco que sabe com Quinota,
NASTÁCIO (Guthierry Sotero), fiel a Zefa, considera-a como uma mãe. Meio bruto, forte e um tanto ingênuo, é “pau pra toda obra”,
e ALDENOR (Igor Jansen), vítima fácil dos oportunistas de Lapão da Beirada quando a família se muda para a cidade.

– núcleo da família Ariosto Evaristo:
o casal QUINTINO ARIOSTO (Eduardo Moscovis), milionário recluso e avarento, é um homem ranzinza, duro e mal-humorado. Dono de uma mineradora, vai tentar roubar o que Zefa Leonel conquistou,
e DONA MANUELA (Valdineia Soriano), senhora piedosa e boa, dominada e desprezada pelo marido por nunca ter lhe dado filhos biológicos. Tem a saúde frágil e inspira cuidados. Mesmo que não agrade ao marido, estará sempre ao lado do filho e de suas decisões
o filho de criação ARTUR (Túlio Starling), rapaz inteligente e culto, formado em Engenharia. Foi Manuela quem quis adotá-lo, contra a vontade do marido, que até hoje faz questão de dizer a ele que nunca quis tê-lo em sua vida. Vai se apaixonar por Quinota e, para mostrar suas boas intenções, fará de tudo para sempre ajudar Zefa Leonel e sua família
o mordomo TORQUATO TASSO (Jorge Ritchie)
o amigo de Artur, GUILHERME TELL (Rafael Saraiva), poeta, sonhador e idealista, vive com a cabeça nas nuvens
a secretária de Quintino na mineradora EMI (Eloise Yamashita), explosiva, fala tudo o que lhe dá na cabeça.

– núcleo de MARCELO GOUVEIA (José Loreto), sedutor e bon-vivant. É engenheiro, melhor amigo de Artur, mas faz a carreira ir por água abaixo por causa de seu vício nas corridas de cavalo sertanejo. Não vai sossegar enquanto não seduzir Quinota. Ao ser pego pela família da moça, vai se esquivar prometendo casamento, mas foge para Salvador:
a namorada BLANDINA (Luísa Arraes), moça sofisticada e ardilosa que conhece quando parte para Salvador, com quem forma uma dupla de trapaceiros. Falsa e muito esperta, sua maldade tem uma dose necessária de humor. Vai aproximar-se de Quinota e sua família
a mãe de Blandina, DONA CASTORINA (Fátima Patrício), costureira, mulher simples que ama a filha. Sem saber o que ela apronta, acredita que Blandina é muito correta e sofre quando ela sai de casa
a amiga de Blandina, DRACENA (Nina Tomsic), moça do bem, mas crédula demais, sempre enganada pela “amiga”.

– núcleo de DEODORA MONTIJO (Debora Bloch), a fazendeira e coronela de Canta Pedra agora é dona do Cabaré Voltagem, em Lapão da Beirada. Especuladora, gananciosa e inescrupulosa, não mudou em nada, tornando-se ainda pior e mais manipuladora depois de ter involuntariamente causado a morte do filho. Na nova cidade, depara-se com Zefa Leonel, a quem fez maldades no passado e com quem terá um acerto de contas:
o sócio VESPERTINO (Thardelly Lima), seu eterno apaixonado. Malandro e oportunista, aproveita-se das moças que procuram a fama instantânea e efêmera das redes sociais para ser um “lançador de estrelas”. Entre elas, Margaridinha
o guarda-costas JORDÃO (Alejandro Claveaux), um tipo perigoso, capaz de tudo por ela
as moças do cabaré: LOLA (Natascha Falcão), fiel escudeira de Deodora. Sedutora e ambiciosa, torna-se amiga de Blandina,
e BLANCHETTE (Vitória Rodrigues), amiga de Lola. Moça do interior, finge ser francesa. Dissimulada, faz suas maquinações sempre por debaixo do pano
o barman SIVUPLÊ (Ivson Rainero).

– núcleo do PRIMO CÍCERO ROSALINO (Haroldo Guimarães), parente distante de Tico Leonel. Viúvo, é pai das temidas Rosalinas, as fofoqueiras da cidade. Eterno fanfarrão, na verdade uma alma boa e simples, é muito severo com quem se aproxima das suas filhas:
as filhas: (Rhaisa Batista), recatada e pouco vaidosa, reprime seus sentimentos porque o pai é muito severo e não a deixa viver seus romances,
ESPERANÇA (Andréa Bak), bem-humorada, finge ser como o pai apenas para agradá-lo. Com isso, tem toda a sua confiança, pois finge fazer o jogo dele, e se aproveita disso para tirar vantagem,
e CARIDADE (Clara Moneke), garota moderna, irreverente e de pavio curto. É o terror do pai, pois promete se casar com quem quiser, apenas para afrontá-lo. Ama cozinhar e tem um espírito empreendedor. Trabalha como garçonete no Grande Hotel São Petersburgo, em Lapão da Beirada.

– núcleo de SABÁ BODÓ (Welder Rodrigues), político corrupto que cumpriu pena e, pretendendo refazer sua carreira, sempre com o sonho de se tornar governador, mudou-se para Lapão da Beirada. Alegando perseguição política em Canta Pedra, elegeu-se prefeito na nova cidade, de olho na fortuna crescente da região:
a mulher NIVALDA (Titina Medeiros), a eterna “primeira-dama”, sua “Rolinha do Seridó”, como ele a chama carinhosamente. Presa com o marido, também cumpriu pena. Acabou solta por bom comportamento
a secretária da prefeitura DONA ESCOLÁSTICA (Ana Mangeth), atraída pelo que considera charme e beleza de Sabá Bodó, acompanhou-o para servi-lo também em Lapão da Beirada.

– demais moradores de Lapão da Beirada:
PADRE ZEZO (Nanego Lira), ex-pároco de Canta Pedra, agora comanda uma paróquia maior e mais próspera em Lapão da Beirada
DELEGADO FLORO BORROMEU (Leandro Daniel), livre dos serviços comunitários em Canta Pedra, com seu nome limpo prestou concurso para delegado em outra comarca e, sabe-se lá como, foi aprovado em Lapão da Beirada
GUARDA MARCONI (Renan Motta), trabalha com Floro Borromeu para manter a ordem na cidade
CIRA (Suzy Lopes), a fofoqueira-mor de Canta Pedra mudou-se para Lapão da Beirada depois de ter sido abandonada pelo namorado. Segue com uma conta muito ativa nas redes sociais, onde inventa notícias e destrói reputações
QUINTILHA (Ju Colombo), ex-moradora de Canta Pedra, mudou-se para Lapão da Beirada tornando-se a zelosa proprietária do pujante Grande Hotel São Petersburgo
TOBIAS ALDONÇO (Duda Rios), rapaz piedoso e cordato, é o gerente do Grande Hotel São Petersburgo. Faz tudo para manter a ordem no local e se orgulha do cargo que conquistou
CORINA CASTELO (Ísis Broken), proprietária da bem-sucedida loja que leva seu nome, situada no coração da Rua Vileganhon. Sacudida, prática e firme, trata as lojistas concorrentes como inimigas pessoais
RAFAELA (Esther Brollo), assistente de Corina em sua loja
ADVOGADA PAULA ALEXANDRE (Zahy Tentehar), profissional competente, é tímida, mas determinada a mudar. Ajuda Blandina quando o assunto envolve a justiça
DRª ALBA (Maria Silvia Radomille), veterinária de animais de grande porte, inteligente e esperta. Trabalha no Esporte Clube Seridó, cuidando dos cavalos premiados e dos pangarés
CELSO BATISTÃO (Alex Patrício), cuidador dos cavalos no Esporte Clube Seridó. Sedutor barato, é o típico galã de bairro, disposto a tudo para se dar bem.

Mar do Sertão 2

Anunciada como uma espécie de continuação de Mar do Sertão (2022-2023) – bem-sucedida novela anterior do autor Mário Teixeira e do diretor artístico Allan Fiterman -, No Rancho Fundo aproveita o mesmo universo para promover um crossover entre novelas, com a volta de 11 personagens, vividos pelos mesmos atores, a maioria em novas tramas e situações: Deodora (Débora Bloch), Padre Zezo (Nanego Lira), Sabá Bodó (Welder Rodrigues), Nivalda (Titina Medeiros), Vespertino (Thardelly Lima), Floro Borromeu (Leandro Daniel), Cira (Suzy Lopes), Quintilha (Ju Colombo), Dona Escolástica (Ana Mangeth) e os repentistas Totonho (Juzeh) e Palmito (Lukete), novamente anunciando as cenas dos próximos capítulos.

Para o diretor Allan Fiterman, No Rancho Fundo é uma fábula sertaneja:
“Escapamos um pouco da realidade, pois temos arquétipos bem desenhados. Alguns, inclusive, voltam de Mar do Sertão, como universos paralelos que se encontram. Em No Rancho Fundo, a história é mais complexa, nossos heróis têm mais camadas.”

O autor Mário Teixeira comentou sobre as semelhanças com sua novela anterior:
No Rancho Fundo bebe dessa pluralidade, com um cenário similar, mas também diferente em diversos aspectos. (…) Se falarmos de cenários, temos um sertão menos árido, mais verde e pujante, lugar de muitas riquezas. Então as semelhanças são no espaço da inspiração, que usa a cultura e suas referências, e em alguns personagens, que voltam para construir novas histórias.”

Teixeira também comentou de onde surgiu a ideia de incluir a turmalina paraíba no texto e a sua importância na história:
“É uma pedra brasileira muito valorizada. Há uns 10 anos, a última pedra de que se tem notícia foi leiloada por 150 milhões de dólares nos Estados Unidos. Hoje está extinta no Brasil, só resta na Nigéria e Moçambique. A pedra brasileira é mais cara e de qualidade superior em pureza do que nesses outros lugares. Eu queria mostrar o que a exploração ilegal da natureza causa.”

Figurinos

No Rancho Fundo estendeu sua característica de fábula sertaneja às produções de figurino e caracterização. A figurinista Julia Ayres explicou que um dos pontos fundamentais para a construção do acervo foi a densa pesquisa sobre a região onde se passa a história.
“Fomos ao Nordeste para retratar um pouco daquela região e contamos com a ajuda de duas produtoras do Recife (PE), que ajudaram com os estabelecimentos onde poderíamos comprar peças que melhor se encaixavam no universo dos personagens, e com os fornecedores locais, para que a gente pudesse representar os artistas da região também nas roupas. Visitamos ainda a Feira de Caruaru.”

A escolha das peças foi feita de acordo com a realidade de cada personagem. Para a família Leonel Limoeiro, a equipe recorreu aos tecidos naturais, como linho e algodão, em uma paleta de tons predominantemente quentes. Os vestidos leves e floridos de Quinota (Larissa Bocchino), por exemplo, são uma de suas marcas, ressaltando a brejeirice da personagem.

Outro ponto importante foi a presença de peças, na trama, feitas por Tia Salete (Mariana Lima).
“A Tia Salete é costureira, então as mulheres da família usam roupas com o toque dela. As camisas de Zefa Leonel (Andrea Beltrão) são despontadas, como se a Tia Salete tivesse mexido nelas. A Quinota e a Margaridinha (Heloísa Honein) também usam muitos bordados para indicar que foram feitas pela tia”, explicou Julia Ayres.
Na história, a especialidade de Tia Salete é a renda de bilro, uma inspiração que vem do trabalho artesanal das mulheres rendeiras do Ceará.

Para o universo de Lapão da Beirada, os figurinos ganharam tonalidades mais amenas. A vilã Blandina (Luisa Arraes), que trabalha em uma loja de shopping em Salvador, e depois se muda para Lapão da Beirada, mostra com suas roupas estilosas que entende de moda e o quanto gosta de estar bem-vestida.
Na mesma direção está Marcelo Gouveia (José Loreto), com um estilo bem próprio, que recorre às camisas polo coloridas, reforçando também seu apreço por “coisas mais requintadas”.

Além da aquisição de peças e da produção na fábrica de costura dos Estúdios Globo, pensando em sustentabilidade, o acervo de No Rancho Fundo incorporou parte dos figurinos – adaptados – das novelas Terra e Paixão (2023-2024) e Guerreiros do Sol.

Caracterizações

O lúdico e a poesia da história conduziram o trabalho de caracterização, liderado por Dayse Teixeira. Para a mocinha Quinota, com seus cabelos longos e naturais, a equipe buscou valorizar os cachos e fios esvoaçantes. No caso de Blandina, a caracterização optou por um corte moderno e um tom loiro iluminado. A vilã também recorreu a maquiagem leve, mas com batons fortes.

Outro destaque foi Caridade (Clara Moneke): seus fios curtos revelam a personalidade decidida e valente da jovem, que não se conforma com sua realidade e é incansável na busca por uma vida melhor. Para Dona Manuela (Valdineia Soriano), a equipe recorreu às tranças, valorizando a sofisticação e a força da personagem.

Do elenco masculino, Tico Leonel (Alexandre Nero), com seu cabelo curto e desarrumado, ostenta um bigode alinhado, que teve inspiração no personagem de George Clooney no filme E Aí Meu Irmão, Cadê Você? (2000). No caso de Ariosto (Eduardo Moscovis), apesar da riqueza, o banqueiro não liga muito para vaidade e, às vezes, poderá ser visto de cabelo atrapalhado.

A maior parte dos personagens que voltaram de Mar do Sertão passaram por mudanças sutis ou mantiveram sua caracterização, como Sabá Bodó (Welder Rodrigues), Padre Zezo (Nanego Lira), Vespertino (Thardelly Lima) e Floro Borromeu (Leandro Daniel). Deodora (Debora Bloch) foi a que teve uma transformação mais drástica, com seu conceito anterior desconstruído, substituindo os cabelos escovados pelos cachos, usando um figurino mais ousado e uma maquiagem marcante.

Cenografia e produção de arte

A equipe liderada pela cenógrafa Anne Bourgeois reuniu referências de viagens a cidades do Norte e Nordeste. Com isso, despontou na novela um sertão de casas coloridas e singelamente emolduradas pelas platibandas, característica arquitetônica bastante comum no interior dessas regiões e em cidades históricas do Brasil.
“Temos uma fábula, então existe a liberdade para construir esse lugar que não existe, mas que, ao mesmo tempo, carrega essa estética tão comovente que há no coração do nosso país.”

Construído nos Estúdios Globo, o distrito de Lasca Fogo foi o ponto de partida do projeto cenográfico. A casa que abriga a família Leonel Limoeiro foi inspirada em residências coloridas de Pernambuco e ocupou uma área de cerca de 3,5 mil metros quadrados, por onde também estão a vegetação típica e circulam os animais da família. O produtor de arte Guga Feijó explicou que a casa foi conceituada a partir de dois aspectos: simplicidade e encantamento.

A pedra que muda a vida da família foi construída pela produção de arte inspirada na própria turmalina paraíba, mas com um tamanho maior e com elementos que a deixassem mais rústica. Outra curiosidade está na reprodução de uma balsa de dragagem, usada em garimpos de fundo de rio, em uma proporção menor e com características mambembes, utilizada em cenas de flashback de Zefa Leonel, quando ela realizava essa atividade três décadas atrás.

A cidade cenográfica de Lapão da Beirada ocupou 6,7 mil metros quadrados de área nos Estúdios Globo. O Grande Hotel São Petersburgo conta com referências europeias e um misto de estilos: tem lobby, bar, porta giratória, jardim externo e uma decoração interior marcante. Para Guga Feijó, trata-se de um hotel boutique, marcado pelo requinte, e que reforça essa atmosfera fantástica da história. O hotel está na agitada Rua Vileganhon, que é inspirada em cidades históricas tombadas, onde se pode visitar lojas sofisticadas em prédios antigos. A cidade de Paraty (RJ), por exemplo, foi uma referência.

Outro lugar importante de Lapão da Beirada é o Cabaré Voltagem, um teatro antigo com um palco onde ocorrem as apresentações, com ar de espaço que já foi sofisticado.

Efeitos especiais

Transportando a trama para uma ambientação entre o espaço árido do sertão e a vegetação crescente, a cidade cenográfica contou com um grande painel de chromakey em formato de U, que permite a aplicação de elementos visuais durante a pós-produção. Para isso, uma série de fotos e vídeos em 360º foram captados em áreas com essas diferentes nuances, servindo de base para recriar as paisagens inseridas, inclusive variando a iluminação conforme o horário e as condições climáticas desejadas para cada cena.

Os efeitos visuais também estão em cenas importantes, como no desmoronamento da Gruta Azul. A sequência foi gravada em três locações diferentes com o auxílio de efeitos mecânicos, que ganham ainda mais vida com a inserção de elementos de pós-produção para garantir dramaticidade e a sensação de veracidade e perigo. Dividida em três partes, as sequências duraram cerca de 15 dias nas cidades de Socorro (SP) e em Diamantina (MG) e Mariana (MG). A viagem mobilizou uma equipe de cerca de 140 pessoas.

As imagens foram captadas em 4K e tiveram gravações aéreas feitas por drones. No Rancho Fundo é a primeira novela das seis com transmissão em 4K e som imersivo Dolby Atmos.

Trilha sonora e abertura

Valorizando os aspectos lúdico e romântico da história, a trilha reúne clássicos das músicas brasileira e nordestina, com direito a releituras produzidas especialmente para a novela, do baião e piseiro ao xote e forró, com a assinatura dos produtores musicais Ricardo Leão e Daniel Tauszig.

Para as trilhas originais, que pontuam as emoções de cada personagem e núcleos, foram gravados 24 temas incidentais, em uma produção que envolveu músicos da Orquestra Sinfônica da Estônia. O objetivo era dar à trilha um aspecto grandioso ao ambientar as variadas cenas de amor, dramas e embates da trama.

A animação da abertura apresenta os personagens da família Leonel e a sua jornada desde a vida em Lasca Fogo, passando pelo achado da turmalina, até a mudança para Lapão da Beirada. A linguagem visual foi uma homenagem à técnica da xilogravura usada na literatura de cordel. Para a realização, foi feita uma parceria com o artista pernambucano Perron Ramos, para criar as ilustrações e elementos gráficos que fazem parte do universo fabular da novela.

Para embalar a abertura, a canção “No Rancho Fundo”, de Ary Barroso e Lamartine Babo, ganhou nova versão interpretada por Elba Ramalho e Natascha Falcão.

ADEUS – Natascha Falcão
BAIÃO DESTEMPERADO – Barbatuques
CHEIRA BEM – Luso Baião
EU QUERO VER VOCÊ DIZER QUE EU SOU RUIM – Alceu Valença
GRANDE PODER – Comadre Florzinha
LEMBRANÇA DE UM BEIJO – Fagner
MELAÇO – Lucy Alves e Rachel Reis
NAISE – Nina Oliveira
NO RANCHO FUNDO – Elba Ramalho e Natascha Falcão (tema de abertura)
PERFUME DE ARAÇÁ – Pietá, Demarca, Juliana Linhares e Rafael
PILOTO – João Gomes
PONTEIO – Edu Lobo
QUI NEM JILÓ – Selton e Arto Lindsay
SABIÁ – Forró in the Dark
SANFONA SENTIDA – Luiz Gonzaga
TARECO E MARIOLA – Flávio José
VEIO D’ÁGUA – Elba Ramalho
VENTO – Feyjão e Gilberto Gil

Tema de abertura: NO RANCHO FUNDO – Elba Ramalho e Natascha Falcão

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoas
Tendo os olhos rasos d’água

Pobre moreno que de noite no sereno
Espera a Lua no terreiro
Tendo um cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega na viola
E a Lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite, nem de dia
Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira

Os passarinhos
Hibernaram-se nos ninhos
De tão triste essa tristeza
Enche de trevas a natureza
Tudo porque, só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Pra uma casa de sapê

Se Deus soubesse
Da tristeza lá na serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra
Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
E que fez do rancho fundo
O céu melhor que tem no mundo
Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro da morena…

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