Sinopse

Toquinho, uma menina abandonada pelos pais, sofre nas mãos da megera Elza, que abriga crianças e as explora, uma mulher desajeitada, ambiciosa, encrenqueira e possessiva que obriga os pequenos a mendigar nas ruas.

Enquanto a mãe de Toquinho, arrasada pelo sentimento de culpa, luta para reencontrar a filha, a menina encontra amparo no velho Gui, seu protetor, um senhor bondoso que conserta brinquedos e adora crianças.

Foi numa de suas escapadas que Toquinho conheceu Gui, que passou a lhe dar carinho e atenção. O bom velho ensina a menina a fazer barquinhos de papel entoando uma antiga canção de ninar: “vou mandar fazer um barquinho de papel, de papelão…“.

Porém, o misterioso desaparecimento de Toquinho mobiliza todos no esforço para encontrar a menina e devolver a alegria de viver ao velho Gui.

Excelsior – 18h30
de 1º de julho de 1968 a maio de 1969

novela de Teixeira Filho
escrita por Teixeira Filho e Carmem Lídia
direção de Dionísio Azevedo

Novela posterior no horário
A Menina do Veleiro Azul

PATRÍCIA AIRES – Toquinho (Maria Clara)
MARIZE NEY – Toquinho (Maria Clara)
DIONÍSIO AZEVEDO – Velho Gui
RIVA NIMITZ – Elza
YARA AMARAL
ANTÔNIO GHIGONETTO
EDUARDO ABBAS – Padilha
JOÃO JOSÉ POMPEO – Nicolau
RACHEL MARTINS – Amazília
RUTHINÉIA DE MORAES
NÁDIA LIPPI
ROBERTO MAYA – Jerônimo
NESTOR DE MONTEMAR
J. FRANÇA – Gasolina
LURDINHA FÉLIX – Madalena
ARNALDO WEISS
ANA MARIA BLOTA
MÁRCIO A. TOLEDO
TONY VIEIRA
MÍRIAM MAIO – Vânia
e
LUTERO LUIZ – Juiz

Êxito da TV Excelsior que marcou a TV brasileira. A repercussão de A Pequena Órfã foi tanta que levou a concorrência, na época, a investir no filão dramático da criança abandonada ou carente. No rastro do sucesso da menina Toquinho vieram: Ricardinho, Sou Criança, Quero Viver na Bandeirantes (em 1968); Sozinho no Mundo, O Doce Mundo de Guida e Meu Pé de Laranja Lima na Tupi (entre 1968 e 1971); e Tilim e Pingo de Gente na Record (entre 1970 e 1971).

Enquanto concluía a novela O Direito dos Filhos, às 20 horas na Excelsior, o autor Teixeira Filho preparava a substituta no horário, Os Diabólicos e orientava sua mulher, Carmem Lídia, que o auxiliava em A Pequena Órfã, apresentada no horário das 18h30.

Patrícia Aires, filha do ator Percy Aires, a grande estrela da novela, não foi até o fim da trama. Com apenas cinco anos na época, a menina trabalhava cinco, às vezes seis dias por semana, quando o combinado inicial com seus pais era de dois dias semanais. Patrícia acabou desenvolvendo estafa e anemia e perdeu peso. Devido a isso, seus pais a tiraram da novela. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

De acordo com reportagem publicada na revista Veja de 25/09/1968, Percy Aires alegou que tirou a filha da novela pois estavam fazendo-a trabalhar além do estipulado pelo contrato e, além disso, a machucaram numa cena mais bruta, onde ela levou um tapa, caiu e machucou o rosto e a boca.
O diretor Dionísio de Azevedo rebateu alegando que Percy tirou a filha da novela para assinar um contrato mais vantajoso em outra emissora (a Record, da qual Percy era contratado), e que ainda levou um automóvel Galaxie de brinde.

Para substituir Patrícia Aires na novela, foi chamada a garota goiana Marize Ney (prima da atriz Lurdinha Félix, que já estava no elenco), parecida com a intérprete mirim, só que três anos mais velha que ela. O autor resolveu o problema com uma passagem de tempo.

Do passado nos estúdios de televisão, Patrícia não guarda boas lembranças. A menina atuou em outras produções, mas, ainda criança, desgostosa com o excesso de trabalho e a fama, desistiu da carreira de atriz.
Para o UOL, ela declarou em reportagem publicada 30/05/2014: A Pequena Órfã foi a novela que mais me traumatizou!”
Em outra entrevista (ao blog de Paulo Sampaio, em 02/2018), Patrícia declarou: Eu passava a novela inteira apanhando ou fugindo da Elza. Todo mundo chorava, inclusive eu!”

Grande destaque para a atriz Riva Nimitz ao interpretar a vilã Elza, que maltratava Toquinho. As atitudes da megera eram risíveis: ela era meio maluca e seus dramas, na verdade, estavam ligados ao fato de não ser mãe. A atriz dizia que por muito tempo foi lembrada pela personagem. E que, na época da novela, o nome Elza virou jargão entre as mães: se os filhos não comiam ou eram irresponsáveis na escola, elas ameaçavam “Olha que eu te levo para a Dona Elza!”

A história da Pequena Órfã inspirou duas novelas posteriores. Em 1993, a trama da menina carente foi adicionada à espinha dorsal da novela Sonho Meu, de Marcílio Moraes, produzida pela Globo, com Carolina Pavanelli (a menina), Elias Gleizer (o velhinho) e Nívea Maria (a malvada).
Em 2005, foi a vez da Record adaptá-la, dentro da novela Prova de Amor, de Tiago Santiago: Júlia Magessi (a menina), Rogério Fróes (o velhinho) e Vanessa Gerbelli (a malvada).

A Globo reprisou A Pequena Órfã em 1971, após a extinção da TV Excelsior. Na nova abertura feita para esta reapresentação, podia-se ver a então menina Glória Pires (com 8 anos) em uma de suas primeiras aparições na televisão. A estreia como atriz veio em seguida, no Caso Especial Sombra Suspeita (1971) e na novela Selva de Pedra (1972).

Em 1973, o cineasta Clery Cunha filmou a versão cinematográfica da novela da Excelsior, com o mesmo elenco base. Patricia Aires aceitou fazer o filme se ganhasse um presente:
“Quando eu tinha 9 anos me chamaram para fazer o filme da Pequena Orfã. O meu pai me perguntou se eu queria, e eu disse: ‘Quero, mas só se eu ganhar um mini-bug'”, disse ela em entrevista ao UOL, em 30/05/2014.

Veja também

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O Tempo e o Vento (1967)

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O Direito dos Filhos

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