Sinopse

Alexandre Toledo é um rapaz inconsequente e arruaceiro que matou um homem em uma tentativa de roubo. Ao fugir da polícia, é delatado pelo irmão Raul e pelo cunhado Téo. O famoso criminalista Otávio Jordão não aceita defendê-lo nos tribunais, pois a vítima era um amigo pessoal. Para ajudá-lo, Alexandre conta apenas com a irmã mais velha, Diná, mulher de Téo, que luta para livrá-lo da cadeia. Até mesmo a namorada Lisa o abandona. Condenado, ele comete suicídio na prisão, amaldiçoando todos que o traíram.

A temperamental Diná Toledo é casada com Téo, um rapaz mais jovem e boa pinta que sofre com o ciúme doentio da mulher, o que coloca o casamento em xeque. Raul Toledo tem um casamento feliz com Andreza e uma boa relação com a sogra, Dona Guiomar, que o trata como filho. Para completar a felicidade do casal, falta um bebê, que os dois lutam para conseguir. Estela Toledo, irmã de Alexandre, Diná e Raul, foi abandonada pelo marido Ismael, um mau-caráter, e criou sozinha a filha Bia, que sonha em reencontrar o pai.

A matriarca da família Toledo é Dona Maroca, viúva idosa que tenta se recuperar da perda do filho caçula com a amizade do médico da família, o Dr. Alberto. Espiritualista, Alberto apaixona-se por Estela, mas a relação tem uma barreira: a volta de Ismael, para a alegria de Bia. O advogado Otávio Jordão é também amigo do Dr. Alberto. Viúvo, Otávio é pai de dois filhos: Tato, que quer seguir a sua carreira, e o garoto Dudu. Após a morte de Alexandre, a vida de todos esses personagens muda drasticamente.

O espírito de Alexandre planeja uma vingança contra os que lhe viraram as costas. Seus alvos são o irmão Raul, o cunhado Téo e o advogado Otávio Jordão. Dona Guiomar, sogra de Raul, influenciada pelo espírito de Alexandre, transforma o casamento do genro e da filha em um inferno até conseguir separá-los. O filho de Otávio, Tato, deixa de lado os estudos e torna-se um delinquente, tal qual Alexandre fora um dia. E Téo passa a sofrer de surtos que o deixam violento, principalmente depois que se separa de Diná e se envolve com Lisa, ex-namorada de Alexandre.

Contudo, Alexandre não contava que Diná, a única que lhe estendeu a mão, fosse se apaixonar por Otávio Jordão. O Dr. Alberto, adepto do Espiritismo – a doutrina de Allan Kardec -, tenta, por meio de reuniões mediúnicas, conscientizar o espírito de Alexandre do mal que causa às pessoas. O clímax é a morte de Otávio, em um acidente. Diná e ele passam a viver um amor transcendental. Porém, ela adoece e também morre. Juntos em outro plano, em um lugar conhecido como Nosso Lar, os dois tentam neutralizar a má influência de Alexandre sobre seus entes queridos.

Globo – 19h
de 11 de abril a 22 de outubro de 1994
160 capítulos escritos, 167 exibidos

novela de Ivani Ribeiro
colaboração de Solange Castro Neves
direção de Wolf Maya, Ignácio Coqueiro e Maurício Farias
direção geral de Wolf Maya

Novela anterior no horário
Olho no Olho

Novela posterior
Quatro por Quatro

CHRISTIANE TORLONI – Diná Toledo
ANTÔNIO FAGUNDES – Otávio César Jordão
GUILHERME FONTES – Alexandre Toledo
MAURÍCIO MATTAR – Téo (Teodoro Dias)
ANDRÉA BELTRÃO – Lisa (Lisandra Barbosa)
CLÁUDIO CAVALCANTI – Alberto Rezende
LUCINHA LINS – Estela Toledo
MIGUEL FALABELLA – Raul Toledo
THAÍS DE CAMPOS – Andreza Muniz Toledo
LAURA CARDOSO – Dona Guiomar (Guiomar Muniz)
YARA CÔRTES – Dona Maroca
JONAS BLOCH – Ismael Novais
FERNANDA RODRIGUES – Bia (Beatriz Toledo Novais)
FELIPE MARTINS – Tato (Otávio César Jordão Jr.)
SUZY RÊGO – Carmem
JOHN HERBERT – Agenor Barbosa
ARY FONTOURA – Tibério Campos
NAIR BELLO – Cininha (Cirena Panzotti)
LOLITA RODRIGUES – Fátima Aparecida Domingues
TÂNIA SCHER – Josefa Dias
BRENO MORONI – Mascarado (Adonay)
EDUARDO GALVÃO – Mauro Botelho
DENISE DEL VECCHIO – Glória
IRVING SÃO PAULO – Zeca (José Carlos Barbosa)
ROBERTA ÍNDIO DO BRASIL – Sofia
JAYME PERIARD – Igor Teles
MARA CARVALHO – Regina
MARA MANZAN – Ednéa
KEILA BUENO – Naná (Naíde)
CHRIS PITSCH – Bárbara
LAFAYETTE GALVÃO – André
REJANE GOULART – Júlia
AREHY JR. – Samuel
MYLLA CHRISTIE – Carlota
KIKO MASCARENHAS – Daniel
CARLOS TAKESHI – Okida
RICARDO PETRÁGLIA – Queiroz (Diogo de Paula Queiroz)
DANTON MELLO – Johnny
RENATO RABELLO – Padilha
SALMA SAMIR – Vovó
CLÁUDIO MAMBERTI – Geraldão
MYRIAN PÉRSIA – Salomé
LEONARDO JOSÉ – Hélio
CIBELE LARRAMA – Maria
MARIA ALVES – Francisca
GÉSIO AMADEU – Julião
SOLANGE COUTO – Zulmira
JORGE PONTUAL – Antônio
NÁDIA BAMBIRRA – Margarida
EDUARDO FELIPE – Dedé

as crianças
DANIEL ÁVILA – Dudu (Eduardo Jordão)
VIVIANE PINHEIRO – Patty (Patrícia Toledo Dias)

e
ADA CHASELIOV – fonoaudióloga de Adonay
ADEMIR ZANYOR – Gavião (companheiro de cela de Alexandre na casa de detenção)
AGUINALDO ROCHA – Pestana (vizinho de Agenor que arranjou um emprego de ascensorista)
ALBERTO PEREZ – juiz na audiência de divórcio de Diná e Téo e, depois, de Estela e Ismael
ALEXANDRE MARQUES – antigo professor de Alexandre, testemunha de acusação em seu julgamento
ALFREDO MARTINS – delegado de Itatiaia, quando a turma de Ismael é pega em um “racha” e quando Patty desaparece
ALINE COELHO – colega de trabalho de Estela
ALINE MENEZES – uma das crianças de rua acolhidas na casa do Mascarado
ANDRÉA AVANCINI – Tainá (funcionária do escritório de Téo e Mauro, tem um caso com Raul)
ANDRÉ DE MORAES – vizinho de Cininha na vila
ANNA BEATRIZ WILTGEN – Lili (namorada de Tato quando eles são assaltados)
ANSELMO VASCONCELLOS – companheiro de cela de Alexandre na casa de detenção
ANTÔNIO ENTRIEL – André (amigo de Tato)
ANTÔNIO POMPEO – Paulinho (do Nosso Lar, irmão de Natália)
ARMANDO SOUZA – Quibe (da banda do Zeca)
ÁUREA ALVES – funcionária no minishopping onde fica a videolocadora de Diná
BETA MADRUGA – Taís (amiguinha de Dudu)
BETO SIMAS – Laerte (amigo de Téo e Mauro, com quem eles jantam)
BRANCA SULAMITA
CAIO JUNQUEIRA – Pedro Bala (amigo de Bia na vila)
CARLOS KROEBER – juiz no julgamento de Alexandre
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – advogado de Alexandre, em seu julgamento
CLÁUDIO MACDOWELL – homem que Bia aborda na rua pensando tratar-se de seu pai
CLAY DE OLIVEIRA – vizinho de Cininha na vila
CRISTINA RIBEIRO – Araci (colega de trabalho de Lisa no salão de beleza)
DAVID Y. W. POND – Kazuo (irmão do Okida)
DUDA MAMBERTI – escrivão na delegacia onde Alexandre é preso, no início
EDSON FREDERICO como ele mesmo, pianista que se apresenta no piano bar onde estão Diná e Otávio
EDUARDO COSTA – preso cantor, companheiro de cela de Alexandre na casa de detenção
EDWIGES GAMA – Sônia (empregada na casa de Diná)
ELISKA ALTMANN – colega de trabalho de Estela
ELZA LAGAME – vizinha de Cininha na vila
ESTER JABLONSKI – Míriam (secretária de Otávio em seu escritório)
FÁBIO CARVALHO – do elenco de apoio no Nosso Lar
FÁBIO MÁSSIMO – vendedor da loja onde Tato compra a moto que foi de Alexandre
FERNANDO JOSÉ – do Nosso Lar, espírito que não quer reencarnar
FLÁVIO ANTÔNIO – Aristides Mota (detetive contratado por Diná para seguir Téo)
GERSON STEVES – Gordo (da banda do Zeca)
GIÁCOMO PINOTTI – José (do Nosso Lar, auxilia na conscientização de espíritos no Vale dos Suicidas)
GILBERTO MACIEL – colega de trabalho de Estela
GIOVANNA GOLD – Drica (Adriana Pacheco, antiga namorada de Alexandre, testemunha de acusação em seu julgamento)
GUILHERME CORRÊA – colega de trabalho de Waldomiro que o socorre após ele ser baleado por Alexandre, no início
GUTI FRAGA – companheiro de cela de Alexandre na penitenciária
HELA DI CASTRO – colega de trabalho de Estela
HENRIQUE CÉSAR – Duarte (chefe de Estela na repartição)
HENRIQUE FRASMA – estagiário
ISAAC BARDAVID – promotor no julgamento de Alexandre
ÍSIO GHELMAN – médico que opera Adonay
IVAN SENNA – juiz de menores quando Bia e a turma de Ismael são pegos em um “racha” em Itatiaia
JAIME LEIBOVITCH – antigo patrão de Alexandre, testemunha de acusação em seu julgamento
JANE BEZERRA – Marilu (amiga de Téo que ele encontra por acaso, no início)
JOANA LIMAVERDE – namorada de Tato expulsa da casa dele por Bia
JOANA ROCHA – Ozéias (cozinheira da pensão de Cininha)
JOÃO FELIPE TOLEDO – Giba (amigo de Bia na vila)
JOSÉ MELO – vizinho de Cininha na vila
JUMA FERREIRA – vizinha de Cininha na vila
KLEBER DRABLE – delegado que investiga a prisão de Alberto por porte de drogas e os desaparecimentos de Bia e, depois, de Téo
LÉA GARCIA – Natália (do Nosso Lar, irmã de Paulinho)
LEINA KRESPI – Sueli (comparsa de Ismael, dona do bordel onde ele se esconde quando é procurado pela polícia)
LEÔNIDAS AGUIAR – Espingarda (companheiro de cela de Alexandre na penitenciária)
LUDOVAL CAMPOS – testamenteiro que lê o testamento de Otávio
LÚCIO MAURO FILHO – Caíto (amigo de Tato)
MARCELLO CARIDADE – padre que realiza o casamento de Zeca e Sofia
MARCELO ESCOREL – Vicente (carcereiro na delegacia onde Alexandre é preso, no início)
MÁRCIO PORTO – Júlio (funcionário do escritório de Téo e Mauro)
MARCOS OLIVEIRA – Mãozinha (companheiro de cela de Alexandre na casa de detenção e, depois, na penitenciária)
MARCOS PASQUIM – assedia Diná no aeroporto e a persegue de carro
MARIA CRISTINA GATTI – Lindalva (mãe de Carol, vizinha de Cininha na vila)
MARINA SANTANA – do elenco de apoio no Nosso Lar
MÁRIO BORGES – Dr. Sérgio (segundo psiquiatra de Téo)
MOACIR ALVES – vizinho de Cininha na vila
MOACIR PRINA – Dr. Fábio (primeiro psiquiatra de Téo)
MÔNICA CARVALHO – Gilda (amiga de Mauro apresentada a Téo, Diná os flagra e tem uma crise de ciúmes)
MORENO BRASIL – servente
MYRIAN FREELAND – Cris (amiga de Bia na vila)
NÁDIA MIGUEL – colega de trabalho de Estela
NANA GOUVEIA – uma das vendedoras da loja do Boticário que vendem um perfume para Otávio
NEWTON MARTINS (NILTON BARROS) – religioso que conduz a cremação de Alexandre
NILDO PARENTE – Waldomiro (amigo e compadre de Otávio assassinado por Alexandre, no início)
ODENIR FRAGA – árabe rico com quem Ismael tem negócios
ORION XIMENES – policial na casa de detenção onde Alexandre é preso
PAULINHO PAURA – delegado
PAULO CÉSAR – Nori (filho de Okida)
PAULO CÉSAR PEREIO – Coringa (companheiro de cela de Alexandre na casa de detenção)
PAULO PONGGI – vizinho de Cininha na vila
RÉGIS DE SORI – companheiro de cela de Alexandre na penitenciária
ROBERTA LARANJEIRA – do elenco de apoio no Nosso Lar
RONALDO CIAMBRONI – comparsa de Ismael que o ajuda a fugir do hospital, disfarçado de sua avó, no final
RONALDO TASSO – Pedrinho (funcionário do escritório de Téo e Mauro)
RUBEM DE BEM – Ganso (comparsa de Ismael encarregado por ele de raptar Patty)
RUBENS DE ALMEIDA
SADI PIMENTEL – vizinho de Cininha na vila
SAMIR MURAD – um dos policiais vigiando Ismael em seu quarto no hospital, no final
SHIMON NAHMIAS – delegado que prende Alexandre, no início
TATHIANE MANZAN – Carol (amiga de Bia na vila)
TESSY CALADO – Oneida (mulher de Queiroz, torna-se sócia de Diná na videolocadora)
THAÍSA GRANADO – do elenco de apoio no Nosso Lar
THIERRY FIGUEIRA – Guga (amigo de Bia na vila)
TONY TORNADO – Chefão (companheiro de cela de Alexandre na penitenciária)
VANDA ALVES – Dolores (empregada na casa de Otávio)
VINÍCIUS MARQUES – Diogo (funcionário do escritório de Téo e Mauro)
VIVIAN DE MOURA – do elenco de apoio no Nosso Lar
WALTER MATTESCO – caseiro que atende Diná quando ela vai a Itatiaia atrás de Ismael
WALTER VERVE – Boca (da banda do Zeca)
Fernando (professor de violino de Sofia)
Gabriel (do Nosso Lar)
Inácio (funcionário da videolocadora de Diná)
Janete Lemos (amiga de Téo com quem ele foge para o escritório de Otávio para escapar de um flagrante de Diná)
Kid (da turma de Ismael)
Marina (cliente de Téo que está com ele quando Diná o encontra, no primeiro capítulo)
Trovão (namorado de Padilha, no último capítulo)

– núcleo de DINÁ TOLEDO (Christiane Torloni), mulher bonita e charmosa, muito ligada à família. Foi uma modelo famosa e hoje é sócia com a cunhada em uma videolocadora e uma galeria de arte. Temperamental e impulsiva, vive uma relação conturbada com o marido, bonito e mais jovem, por causa de seu ciúme extremo, o que causa o fim do casamento. Recusa-se a enxergar os maus passos do irmão caçula, a quem sempre defende:
o irmão caçula ALEXANDRE TOLEDO (Guilherme Fontes), rapaz rebelde, arruaceiro e inconsequente, mesmo assim protegido por Diná. Matou um homem em uma tentativa de roubo. Preso, foi condenado e suicidou-se na cadeia jurando vingança contra os que o traíram. Em outro plano, seu espírito passa a perseguir aqueles que julga responsáveis pela sua condenação
a mãe DONA MAROCA (Yara Côrtes), mulher idosa que necessita de cuidados constantes. Tem problemas de audição e usa aparelho. Criou quatro filhos, mas tem predileção por Diná, com quem mora, e sofre muito com os problemas causados por Alexandre
a filha pequena PATRÍCIA, a PATTY (Viviane Pinheiro), paparicada por todos da família
a babá de Patty, MARIA (Cibele Larrama), cuida bem da menina
a empregada SÔNIA (Edwiges Gama), sempre criticada por Maroca.

– núcleo de OTÁVIO CÉSAR JORDÃO (Antônio Fagundes), homem íntegro e justo, viúvo, adorado pelos dois filhos. Descobre que tem uma doença incurável e pouco tempo de vida, mas esconde de todos. Um dos maiores advogados criminalistas do país, atuou na promotoria pela condenação de Alexandre já que a vítima era um amigo pessoal. A princípio, Diná o vê como um inimigo, mas ele acaba apaixonado por ela. Após a separação, Diná passa a aceitar a corte de Otávio e os dois iniciam um romance, que culmina com a morte dele, vítima de um acidente de carro:
os filhos: TATO (Felipe Martins), bom rapaz, tem o pai como um amigo e ídolo e deseja seguir a sua carreira. Porém, começa a sofrer as interferências do espírito de Alexandre, que quer se vingar de Otávio por meio do filho. Tato torna-se então um delinquente rebelde, tal qual Alexandre fora em vida,
e DUDU (Daniel Ávila), o caçula, garoto esperto e alegre. Adora o pai e sente ciúmes quando ele começa a se interessar por Diná, pois a princípio não gosta dela. Porém, Diná acaba lhe conquistando
o amigo e compadre WALDOMIRO (Nildo Parente, participação), vítima de Alexandre, assassinado no primeiro capítulo
o amigo QUEIROZ (Ricardo Petráglia), advogado que trabalha em seu escritório, e sua mulher ONEIDA (Tessy Callado), que vai ser sócia de Diná na videolocadora
os amigos de Tato: JOHNNY (Danton Mello), de caráter duvidoso, uma má influência para Tato, CAÍTO (Lúcio Mauro Filho) e ANDRÉ (Antônio Entriel)
a governanta GLÓRIA (Denise Del Vecchio), dedicada à família, ajudou a criar seus filhos. Esconde uma paixão por ele
o jardineiro OKIDA (Carlos Takeshi), também dedicado ao patrão
o filho de Okida, NORI (Paulo César), garoto que fica amigo de Dudu
o irmão de Okida, KAZUO (David Y. W. Pond), interessa-se por Glória, mas acaba morrendo em um acidente no decorrer da trama
a empregada DOLORES (Vanda Alves)
a secretária no escritório MÍRIAM (Ester Jablonski).

– núcleo de TÉO (Maurício Mattar), arquiteto, marido de Diná no início, doze anos mais jovem que ela. Bonito, alegre e carismático, sofre com os ciúmes exagerados da mulher, de quem acaba se separando. Foi uma das pessoas que entregou Alexandre à polícia. Por influência do espírito de Alexandre, começa a sofrer de surtos que lhe causam mudança repentina de humor, deixando-o violento às vezes:
a mãe JOSEFA (Tânia Scher), enfermeira, com quem Diná tem uma relação distante. Na verdade, Josefa nunca aprovou o casamento do filho e Diná sabe disso
o amigo MAURO (Eduardo Galvão), com quem é sócio em um escritório de arquitetura. Bon vivant, mulherengo e de caráter duvidoso. Passa por cima dos outros se for preciso, inclusive de Téo.

– núcleo de LISA (Andréa Beltrão), namorada de Alexandre no início. Com seu trabalho de cabeleireira, sustenta a casa, já que o pai não consegue trabalho e o irmão é um sonhador. Moça de boa índole, mas inconformada com seu destino. Deixa-se levar por Alexandre, como fuga dos problemas de casa. Cai em si e passa a não mais aceitar o comportamento do namorado, abandonando-o quando ele vai preso. Chega a namorar Mauro, mas logo conhece Téo, no momento em que o casamento dele e Diná passa pela pior crise. Os dois se apaixonam e precisam enfrentar primeiro Diná e Mauro e, depois, o espírito de Alexandre:
o pai AGENOR (John Herbert), de certa idade, não consegue arrumar trabalho e às vezes bebe. Folgado, preguiçoso, reclamão, interesseiro e indolente, vive na dependência da filha
o irmão ZECA (Irving São Paulo), um tipo sonhador, tem uma banda de rock, mas não consegue fazer sucesso nem dinheiro. Ganha um impulso em sua carreira solo por meio de um casamento de fachada
a melhor amiga CARMEM (Suzy Rêgo), jovem e bonita, trabalha na videolocadora de Diná e Andreza, mas se disfarça de feia para manter o emprego, pois sabe que a patroa Diná tem ciúmes de qualquer mulher bonita apresentada ao marido Téo. Batalhadora, alegre e confiante, é o maior apoio de Lisa. No passado, foi namorada de Mauro, relação que a traumatizou quando descobriu que ele era um mau-caráter
o MASCARADO (Breno Moroni), figura misteriosa que faz performances circenses pela rua, sempre fantasiado e escondendo o rosto com máscara, o que desperta a curiosidade em todos pela sua identidade e origem. Não fala, apenas comunica-se por mímica. No decorrer da trama, é revelado que trata-se de ADONAY, antigo amor de Carmem que teve o rosto desfigurado em um acidente e a abandonou
os amigos de Zeca na banda: DEDÉ (Eduardo Felipe), com quem a princípio ele rivaliza, BÁRBARA (Chris Pitsch), BOCA (Walter Verve), GORDO (Gerson Esteves) e QUIBE (Armando Souza).

– núcleo de ESTELA TOLEDO (Lucinha Lins), irmã de Diná com quem tem uma forte ligação, amorosa e sensorial: por telepatia, uma sente quando a outra está próxima. Mulher abnegada, sofrida e orgulhosa que criou a filha sozinha após ter sido abandonada pelo marido mau-caráter. Vigia a filha de perto. Trabalha em uma repartição e, para complementar a renda doméstica, faz artesanato que vende para os amigos e na videolocadora de Diná:
a filha adolescente BIA (Fernanda Rodrigues), que rebela-se contra a mãe que nunca lhe contou a verdade sobre o pai tê-las abandonado. Idealiza a figura paterna e sonha reencontrar o pai. Quando o pai reaparece, fica do seu lado. Envolve-se com Tato
o amigo ALBERTO (Cláudio Cavalcanti), médico da família Toledo, primo de Mauro. Já foi apaixonado por Diná, mas acaba arrebatado por Estela. Iniciam uma relação, mas Bia é contra porque deseja a mãe ao lado de seu pai. É também o melhor amigo de Otávio. Adepto da doutrina kardecista, faz reuniões mediúnicas em que ora pelo espírito de Alexandre, tentando neutralizar o mal que ele faz às pessoas
o ex-marido ISMAEL (Jonas Bloch), mau-caráter que abandonou a família no passado. Vive de negócios escusos. Reaparece disposto a conquistar a confiança da filha, embora não tenha apego por ela, e tentar uma reaproximação com Estela, que o rejeita veementemente. Por sua influência, Bia passa a fazer tudo o que Estela condena
a amante de Ismael, REGINA (Mara Carvalho), moça vulgar e interesseira, colega de trabalho de Estela que vive implicando com ela
o chefe na repartição em que trabalha, DUARTE (Henrique César)
o protetor de Bia, IGOR (Jayme Periard), artista plástico misterioso e solitário que a acolhe quando ela foge dos problemas ao descobrir o verdadeiro caráter do pai. Mora em uma casa simples perto da praia. Chega a envolver-se com Lisa, mas acaba apaixonado por Carmem
o amigos adolescentes de Bia: PEDRO BALA (Caio Junqueira), GUGA (Thierry Figueira), CRIS (Myrian Freeland), CAROL (Tathiane Manzan) e GIBA (João Felipe Toledo).

– núcleo de RAUL TOLEDO (Miguel Falabella), irmão mais velho de Diná. De princípios rígidos, entregou Alexandre à polícia juntamente com Téo. Vive um casamento feliz, é adorado pela sogra e sonha em ter um filho. Até que o espírito vingativo de Alexandre passa a prejudicá-lo por meio da sogra, que começa a odiá-lo, minando seu casamento:
a mulher ANDREZA (Thaís de Campos), sócia de Diná na videolocadora. Um tanto mimada e insegura. Sofre por achar que não é capaz de ter filhos. Não entende o comportamento da mãe, que muda drasticamente de uma hora para outra
a sogra DONA GUIOMAR (Laura Cardoso), mora na fazenda Maktub, de sua propriedade, mas visita a filha no Rio constantemente. A princípio sua amiga, o tratava como um filho, cobrando do casal um neto. Porém, muda de uma hora para outra e ninguém entende a razão. Com a interferência do espírito de Alexandre, começa a infernizar a vida do casal até conseguir separá-lo
a empregada FRANCISCA (Maria Alves)
os caseiros da fazenda de Dona Guiomar, o casal DAMIÃO (Gésio Amadeu) e ZULMIRA (Solange Couto)
a empregada da fazenda, MARGARIDA (Nádia Bambirra)
o irmão de Zulmira, ANTÔNIO (Jorge Pontual), namorado de infância de Andreza, cresceu na fazenda e tornou-se um premiado peão de rodeio. Alvo das investidas de Margarida e Maria, chega a envolver-se com Andreza quando ela se separa de Raul
TAINÁ (Andréa Avancini), funcionária do escritório de Téo e Mauro com quem Raul se envolve no período em que se separa de Andreza.

– núcleo da pensão de DONA CININHA (Nair Bello), mulher engraçada, vaidosa e supersticiosa. Fofoqueira, não tem papas na língua e mete-se na vida de seus inquilinos. Solteirona, ainda sonha com um amor:
os inquilinos: SEU TIBÉRIO (Ary Fontoura), por quem Cininha é apaixonada, mas ele nem percebe. Homem reservado e tímido, a princípio tem uma paixão platônica por Estela, com quem trabalha. Todos o acham “esquisitão” porque ele ouve vozes e fala sozinho. Diz que conversa com seu “protetor”, um espírito amigo que está sempre ao seu lado
FÁTIMA (Lolita Rodrigues), dona do salão de beleza onde Lisa trabalha. Bonitona e despachada, disputa com Cininha as atenções de Tibério,
NANÁ (Keila Bueno), namora Zeca no início, mas a relação não vai adiante. Em seguida envolve-se com Tato, mas o namoro também acaba. Trabalha na repartição com Estela, Tibério e Regina e ainda como dançarina, apresentando-se na noite
SOFIA (Roberta Índio do Brasil), jovem violinista, veio do interior, é tímida e fala pouco. Esconde de todos que está grávida, mas não sabe quem é o pai de seu bebê. Zeca assume a paternidade em um casamento de fachada, com o qual ele ganha um impulso em sua carreira musical. No final, é revelado que Zeca era o pai de seu filho
SALOMÉ (Myrian Pérsia), mãe de Sofia, vem do interior para o casamento da filha e estabelece-se na pensão,
HÉLIO (Leonardo José), tio de Sofia, chega junto com Salomé, sua irmã. No decorrer da trama, é revelado ser pai de Téo, que ele não conhecia,
EDNÉA (Mara Manzan), colega de trabalho de Estela, Tibério, Regina e Naná. Muito supersticiosa, conhece simpatias e joga o tarô para os amigos
GERALDÃO (Cláudio Mamberti), um tipo falastrão e inconveniente. Deve na pensão e vive pedindo dinheiro emprestado a Tibério, mas nunca paga. Descobre-se que é na verdade um grande vigarista e falsário,
PADILHA (Renato Rabello), empregado doméstico e faz-tudo da pensão. É o saco de pancada de Cininha,
e VOVÓ (Salma Samir), avó de Padilha, senhorinha um tanto esclerosada.

– núcleo do Nosso Lar, para onde vão os espíritos desencarnados do bem, cenário que surge na trama com a morte de Otávio:
ANDRÉ (Lafayette Galvão), falecido pai de Otávio, é uma espécie de mentor do lugar
JÚLIA (Rejane Goulart), falecida mulher de Otávio, mãe de Tato e Dudu
SAMUEL (Arehy Jr.), CARLOTA (Mylla Christie) e DANIEL (Kiko Mascarenhas), assessores de André
os irmãos NATÁLIA (Léa Garcia) e PAULINHO (Antônio Pompeo), e outros.

Remake da novela que Ivani Ribeiro escreveu para a TV Tupi entre 1975 e 1976. Repetia-se a dobradinha Ivani-Wolf Maya (o diretor geral) de Mulheres de Areia, sucesso do ano anterior. A reedição de A Viagem – a exemplo de Mulheres de Areia, também remake de uma antiga novela da autora – alcançou ótima repercussão com excelentes números de audiência: foi um dos maiores sucessos da Globo na década de 1990.

Em 1994, a novela substituta de Olho no Olho, de Antônio Calmon, seria Vira-lata, de Carlos Lombardi, que inclusive entrou em produção. Entre outros problemas, dificuldades relacionadas ao treinamento dos cães da trama atrapalharam os trabalhos e a sinopse acabou engavetada. Vira-lata foi finalmente produzida dois anos depois, em 1996. (pesquisa: Duh Secco)
A intenção da Globo era exorcizar a malfadada Olho no Olho, história “paranormal jovem” criticada de todos os lados. A princípio, A Viagem estava cotada para o horário das seis. Optou-se pela história de Ivani Ribeiro por ela ser mais dramática, romântica e “adulta”, ainda que permanecendo no âmbito do sobrenatural. Ainda assim, a emissora demorou para decidir por ela, por causa do impasse com Vira-lata. Quando o martelo foi finalmente batido, o diretor Wolf Maya teve apenas vinte dias para pôr a novela no ar. (TV-Pesquisa PUC-Rio)

Foi a última novela de Ivani Ribeiro, que faleceu no ano seguinte ao de sua exibição, em 17/07/1995, aos 74 anos, vítima de insuficiência renal. Antes de morrer, a novelista deixou encaminhada uma sinopse, intitulada Caminho dos Ventos, posteriormente produzida, em 1996, escrita por Solange Castro Neves (colaboradora em seus últimos trabalhos) e Lauro César Muniz, com um novo título: Quem é Você.

Ivani Ribeiro já estava muito doente quando A Viagem foi ao ar, com dificuldades para enxergar por complicações com diabetes. Solange Castro Neves lia os originais para Ivani e as duas discutiam as adaptações e rumos da trama. Seguindo as orientações da autora, a colaboradora redigia os capítulos. Depois, lia em voz alta para Ivani, que sugeria alterações. (“Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”, Carolline Rodrigues)

A novela abordou a vida após a morte baseada na filosofia de Allan Kardec (1804-1869), o codificador do Espiritismo. A autora usou de sua história e personagens para apresentar detalhes da doutrina kardecista. Foram levantadas e discutidas várias dimensões da crença, desde o preconceito dos leigos até estudos científicos. Também a comunicação entre vivos e mortos por meio da mediunidade, espíritos encarnados e desencarnados, obsessões, crendices populares, etc.
As irmãs Diná e Estela (Christiane Torloni e Lucinha Lins), por exemplo, pressentiam quando estavam próximas uma da outra e se comunicavam por telepatia; Tibério (Ary Fontoura) conversava com um espírito que ficava o tempo todo ao seu lado; Dona Cininha (Nair Bello) era uma mulher supersticiosa e cheia de crendices; Dona Guiomar, Téo e Tato (Laura Cardoso, Maurício Mattar e Felipe Martins) sofriam a influência do espírito maligno de Alexandre (Guilherme Fontes); e o Dr. Alberto (Cláudio Cavalcanti) era um sensitivo que realizava sessões mediúnicas nas quais orava pela alma atormentada de Alexandre.
O ceticismo também foi um debate constante e importante para o desenrolar trama, principalmente por meio dos personagens Raul e Téo (Miguel Falabella e Maurício Mattar).

Em 1975, para escrever a trama da novela, Ivani baseou-se em dois livros psicografados por Chico Xavier (1910-2002), narrados pelo espírito André Luiz: “Nosso Lar” e “E a Vida Continua”, primeira e última obras, respectivamente, da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”, publicada pelo médium entre 1944 e 1968. Também teve a colaboração do professor Herculano Pires (1914-1979), um dos maiores escritores e estudiosos da doutrina kardecista.(“Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”, Carolline Rodrigues)
A princípio, a autora pensou em adaptar um livro de Chico Xavier. Porém, foi o próprio Chico que sugeriu a Ivani que ela mesma desenvolvesse uma trama que abordasse o tema. (“De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva)
A exibição de A Viagem na Globo aumentou em 50% a venda de livros sobre Espiritismo, segundo dados levantados na época por livrarias especializadas. (Site Memória Globo)

No elenco, destaque para os trabalhos de Christiane Torloni, Guilherme Fontes, Andréa Beltrão, Thaís de Campos, Laura Cardoso, Yara Côrtes, Jonas Bloch, Fernanda Rodrigues, Suzy Rêgo, John Herbert, Ary Fontoura, Nair Bello, Denise Del Vecchio e Breno Moroni. Porém, as melhores interpretações foram de Lucinha Lins e Cláudio Cavalcanti, como o casal Estela e Alberto.
Cláudio Cavalcanti narrou ao projeto Memória Globo que recebia muitas cartas de telespectadores dizendo-se reconfortados por suas palavras na novela. As cartas eram dirigidas ao seu personagem, o médium Alberto. (Site Memória Globo)

Christiane Torloni ficou marcada pelo papel da protagonista Diná, uma mulher charmosa e de temperamento forte, mas que, a princípio, sofria com o ciúme doentio pelo marido. O diretor Wolf Maya afirmou em entrevista ao programa Reviva (do canal Viva, em 2014), que precisou convencer Christiane Torloni a voltar ao Brasil para protagonizar A Viagem. A atriz vivia um momento delicado de sua vida, após a morte do filho Guilherme, de doze anos, em um acidente de carro em sua casa. Ela mudara-se para Portugal e só aceitou o convite porque Wolf lhe pregou uma mentira. O diretor prometeu um papel de comédia, mas sabia que seria importante para a atriz, naquele momento, interpretar a protagonista de uma trama espírita.

Na primeira pesquisa de opinião (o grupo de discussão) realizada com telespectadores, foi constatado o apreço do público por Diná. As mulheres entendiam que os barracos da personagem eram decorrentes da má conduta do marido Téo (Maurício Mattar), dado a flertes com mulheres mais jovens. O ciúme de Diná, tão admirado, era entendido como defesa do matrimônio. Contudo, todos também amavam Lisa (Andréa Beltrão), especialmente por conta de seu perfil batalhador (ela sustentava o pai e o irmão com seu trabalho em um salão de beleza). A unanimidade de Lisa era necessária para que o público aceitasse o fim da união de Diná e Téo, o namoro dele com Lisa e o envolvimento de Diná e Otávio (Antônio Fagundes). (pesquisa: Duh Secco, portal TV História)

Além de ser uma novela extremamente romântica, A Viagem enaltecia as relações familiares e de amizade. O público lembra com carinho da relação fraternal entre as irmãs Diná e Estela (Christiane Torloni e Lucinha Lins), em que uma sentia quando a outra estava próxima, e até mesmo as sensações uma da outra; e a amizade #bff (best friends forever) de Lisa e Carmem (Andrea Beltrão e Suzy Rêgo).

Mais de vinte anos depois da novela, Alexandre, papel que marcou a carreira do ator Guilherme Fontes, virou meme na internet. Proliferam nas redes sociais imagens humorísticas com fotos do “diabo loiro” em frases engraçadinhas. Até hoje o ator é abordado por conta do personagem.

Destaque também para a misteriosa figura do Mascarado, que vivia fantasiado de pierrô e escondia o rosto e o passado atrás de máscaras, enquanto encantava a todos com suas mímicas e performances circenses. Na trama, Mascarado evitava se revelar para Carmem (Suzy Rêgo), um antigo amor que não o reconhecia e não sabia que ele havia sofrido um acidente que o deixou com queimaduras pelo corpo.
O ator era Breno Moroni, cujo rosto, quando não estava com máscara, aparecia sob uma pesada camada de látex que caracterizava a face desfigurada do personagem. Moroni era conhecido da TV dos anos 1980, quando apareceu com a modelo Maria Eugênia na abertura da novela Champagne (1983-1984). Em entrevista ao UOL (publicada em 24/07/2014, por ocasião da primeira reprise da novela no canal Viva), o ator revelou detalhes sobre o personagem:
– no início da trama, ele era apenas uma espécie de palhaço que fazia propaganda em frente às lojas. Aos poucos, o personagem cresceu, cativou o público e até recebeu um nome: Adonay;
– a ideia de ter um personagem se comunicando por mímicas nasceu de um problema técnico: quando o ator falava de dentro da máscara, o som saía ruim. Optou-se então por abandonar a fala;
– antes de ganhar o apelido de Mascarado, o personagem atendia por Sombra (como foi chamado no capítulo 22), nome trocado por causa de um pedido de Fausto Silva, que já tinha um Sombra em seu programa Domingão do Faustão, no quadro em que o ator Santiago Galassi fazia brincadeiras com as pessoas nas ruas;
– as manobras circenses (como andar no arame ou subir em telhados) eram executadas pelo próprio ator, que dispensava dublês por ter experiência em picadeiro e formação profissional como dublê;
– ao final da trama, quando Mascarado tira o disfarce para Carmem, a Globo recebeu inúmeras cartas pedindo a volta da máscara e das pantomimas do personagem.
A versão da TV Tupi tinha um personagem equivalente, o Sombra (como a princípio o Mascarado da Globo foi chamado), vivido por Carlos Augusto Strazzer, mas cuja trama não teve o mesmo desenvolvimento e repercussão que a da novela da Globo.

Para fugir das imagens estereotipadas de representação do céu, a produção escolheu um campo de golfe em Nogueira, distrito de Petrópolis (RJ), para ambientar o Nosso Lar. Já o Vale dos Suicidas, para onde Alexandre (Guilherme Fontes) vai depois de morto, era uma pedreira desativada em Niterói (RJ). (Site Memória Globo)
Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo), Miguel Falabella (do elenco da novela) brincou que os atores não desejavam que seus personagens morressem, para não precisar gravar no Céu (que era longe) e que prefeririam que fossem para o Inferno (mais perto, em Niterói).

A equipe de cenografia produziu 50 cenários e mais de 200 ambientes especialmente para a novela. Todo o aparato era montado e desmontado nos estúdios da Herbert Richers, no bairro carioca da Tijuca. Além disso, em Jacarepaguá – período pré-Projac – foi construída a cidade cenográfica para representar a vila na Urca (Zona Sul do Rio) onde moravam Estela, Lisa, Dona Cininha e outros personagens. (Site Memória Globo)

O visual dos personagens seguiu seus perfis psicológicos e características destacando a moda dos meados dos anos 1990: Diná, uma mulher sofisticada, usava modelitos (vestidos, túnicas e pantalonas) retos, longos e esvoaçantes, com colares de cordões e pedras; Lisa, mais jovem e despojada, fazia a linha clubber romântica, com meias três-quartos, saias colegiais curtas, botas e gargantilha ou cordão no pescoço; Otávio (Antônio Fagundes), Téo (Maurício Mattar) e Raul (Miguel Falabella), em momentos de lazer, usavam camisetas de gola canoa, listradas, na moda na época; o músico Zeca (Irving São Paulo), de cavanhaque, costeletas e cabelo desgrenhado no início, ficava com um ar de roqueiro grunge; e o rebelde Alexandre (Guilherme Fontes) vestia-se sempre de preto, com destaque para a jaqueta de couro e a blusa de gola rolê.

Elementos de cena e ambientações da novela remetem ao mais representativo da década de 1990: os primeiros PCs (computadores pessoais), os celulares tijolões, os disc-men (para ouvir CDs), o Kadett GSI conversível vinho de Diná (um sonho de consumo da época) e a videolocadora da qual Diná e Andreza (Thaís de Campos) eram sócias.

Na versão original de A Viagem, o advogado César Jordão (Altair Lima) era um dos protagonistas. Como na novela anterior da Globo no horário das sete, Olho no Olho, já havia um personagem de destaque chamado César (Zapata, de Reginaldo Faria), Ivani, para o remake de A Viagem, mudou o nome de seu protagonista para Otávio César Jordão (ou apenas Otávio Jordão).
Outros personagens também tiveram seus nomes alterados. Dona Josefina (Yolanda Cardoso), mãe de Téo, teve o nome reduzido para Josefa (Tânia Scher). Em um descuido no roteiro do capítulo 6, Alberto (Cláudio Cavalcanti) chama Josefa de Josefina.
Entre outras mudanças de nomes: Maria Lúcia (Suzy Camacho), a filha de Estela na Tupi, chamou-se Bia na Globo (Fernanda Rodrigues); Dona Isaura (Carmem Silva), mãe de Diná, passou a ser Dona Maroca (Yara Côrtes); e a Dona Cidinha (Lúcia Lambertini), proprietária da pensão, passou a ser no remake Dona Cininha (Nair Bello). O sobrenome da família de Diná também foi alterado, de Veloso para Toledo.

Laura Cardoso precisou ausentar-se por mais de um mês das gravações da novela para fazer uma cirurgia. A personagem Guiomar passou a ser apenas citada e sua ausência foi explicada também com uma cirurgia. Logo, tanto atriz quanto personagem recuperaram-se e voltaram à cena.

Na reta final da trama, o ator Miguel Falabella tornou público o seu descontentamento com a novela. Em entrevista à Folha de São Paulo (de 02/10/1994), o ator fez críticas à produção.
“É uma novela muito cansativa de fazer. Tem cenários demais. A ação não é concentrada”, disse Falabella, que não culpou a escritora Ivani Ribeiro, mas sua colaboradora, Solange Castro Neves. “É essa moça que está adaptando. Ela coloca a gente em cenas muitas vezes, em todos os cenários, não sei para quê. Isso é uma técnica que o Cassiano [Gabus Mendes] – que Deus o tenha! – dominava perfeitamente. Ele sabia poupar os atores”, completou.
Solange Castro Neves rebateu: “Tem muito artista que grava muito mais cenas do que ele e nunca reclamou.” Ela ainda citou que a insatisfação do ator se devia ao estilo de seu personagem, Raul. “Ele queria um papel cômico, mas sabia que o papel de Raul não era assim”, enfatizou.
Na época, além de A Viagem, Miguel Falabella também apresentava diariamente o Vídeo Show.

A jovem atriz iniciante Chris Pitsch (que viveu a personagem Bárbara) faleceu em 1995, um ano depois da novela, aos 25 anos de idade, vítima de uma parada cardíaca.

Primeiro trabalho na televisão dos atores Lúcio Mauro Filho, Kiko Mascarenhas, Thierry Figueira e Myrian Freeland (os dois últimos, ainda adolescentes).

Na última semana da novela, houve a participação do ator, diretor e dramaturgo Ronaldo Ciambroni, como um comparsa de Ismael (Jonas Bloch) que o resgata do hospital travestido de avó do personagem. Um dos poucos trabalhos de Ciambroni na Globo. A avó simplória com sotaque italianado – Donana – já era um tipo que o ator fazia no teatro, com o qual retornou depois no humorístico A Praça é Nossa, do SBT.

Cláudio Corrêa e Castro foi o único ator a participar das duas versões de A Viagem: na primeira (em 1976, na Tupi) viveu Daniel, mentor do Nosso Lar, e na segunda (1994, na Globo) fez uma participação como o advogado de defesa de Alexandre.

A novela não deixou de ser exibida durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, mas foi remanejada para diversos horários em razão das alterações de grade impostas pelos jogos: 18h30, 19h05, 19h40, 19h55, 20h20.
As edições necessárias para atender as mudanças de grade neste período acabaram por gerar os chamados capítulos “A” – quando um capítulo escrito pelo autor é dividido em dois na edição, ocupando dois dias de exibição. Nos resumos da Globo, constam o 61A, 67A, 70A, 74A e 78A. Além do 37A, que antecede o suicídio de Alexandre, e o 46A. Logo, A Viagem conta com 160 capítulos escritos e 167 exibidos. (pesquisa: Duh Secco, portal TV História)

O crime de Alexandre, no primeiro capítulo, deu início à história da novela. Em seus 160 capítulos escritos (167 exibidos) A Viagem teve três pontos de virada, que movimentaram a trama: o suicídio de Alexandre, no capítulo 39, a morte de Otávio, no capítulo 107, e a morte de Diná, no capítulo 145.

Em uma sessão de regressão (exibida entre os capítulos 106 e 107), Otávio descobre seu envolvimento com Diná em vidas passadas. A última encarnação foi no século 18: Otávio era Lord Jordan, apaixonado por Diana (Diná), filha de um duque, prometida do Conde Alessandro (Alexandre). O duque, não aceitando esse casamento, enviou o jovem conde para o oriente. No dia do casamento de Jordan e Diana, Alessandro retorna. Os dois pretendentes da moça se enfrentam em um duelo e Alessandro é morto. Diana, sentindo-se culpada pelo que aconteceu, afasta-se de Jordan e cai doente, vindo a falecer em seguida, chamando por Jordan.
A lembrança dessa encarnação marca o dia da morte dos personagens, pois tanto Otávio quanto Diná morreram no dia em que lembraram de suas vidas anteriores: Otávio por meio de uma regressão (no capítulo 107) e Diná em um sonho (no capítulo 145).
Em uma encarnação anterior, na Idade Média – exibida no capítulo 152, quando Diná já estava no Nosso Lar -, ela era uma princesa e sua carruagem atropela Otávio, um plebeu – o que ocorreu na atualidade, quando Diná atropelou Otávio com seu carro.
Os casal nunca se casou em nenhuma das encarnações, pois sempre havia um obstáculo. A vida os separou e a morte os uniu.

A abertura de A Viagem apresentava uma animação em que paisagens naturais perdiam o foco e se deformavam, transformando-se em relevos abstratos e nuvens, simbolizando a perda da consciência e o transporte a outras dimensões. A música-tema – que leva o nome da novela, composta por Cleberson Horsth e Aldir Blanc – tornou-se um dos maiores sucessos da banda Roupa Nova e é até hoje associada à novela.

A Viagem foi reapresentada duas vezes no Vale a Pena Ver de Novo: entre 28/04 e 12/09/1997, e entre 13/02 e 21/07/2006.
Reprisada, também duas vezes, no Viva (canal de TV por assinatura pertencente ao Grupo Globo): entre 14/07/2014 e 24/01/2015, às 14h30; e entre 21/12/2020 e 03/07/2021, às 15 horas.

A trilha internacional de A Viagem (com a foto de Andrea Beltrão na capa) foi um sucesso de vendas: de acordo com site Memória Globo, vendeu mais de 600 mil cópias (entre LPs, K7s e CDs). Durante a reprise de 2006, no Vale a Pena Ver de Novo, a Som Livre relançou no mercado o CD internacional, sendo esta a única ocasião em que uma trilha internacional de novela foi relançada.

Em 2017, a Globo Marcas lançou o box de DVD de A Viagem, com 14 discos. Foi a última novela lançada em DVD pela empresa.

A novela foi disponibilizada no Globoplay (plataforma streaming do Grupo Globo) em 02/08/2021.

No mesmo dia da estreia de A Viagem, às 19 horas, na Globo (11/04/1994), a TV Manchete estreava a novela 74.5 – Uma Onda no Ar, às 21h30.

Mensagem (de autor desconhecido) narrada em off no último capítulo, em uma sequência de cenas que começa com o Mascarado e termina com imagens de bebês:
“Vim de onde não existe tempo
Mas sou eterno agora
Por isso nada é longe
Não há morte, não há tempo, não há espaço
Não há azar e nem sorte
Por tudo isso fica o amor e fica o abraço
Bem-vindos à vida
Tudo é trama, tudo é laço
Não há fim e nada cessa
Tudo que existe só começa.”

A Viagem finaliza com uma cena entre Diná e Otávio gravada na Gruta do Maquiné, localizada no município de Cordisburgo, em Minas Gerais, tendo o poema “Hoje é Natal”, de Paulo Kronemberger, narrado em off e a música “Adágio” ao fundo:
“Hoje, de algum lugar longe dessas terras
Há um doce olhar só para você
Um olhar especial de alguém especial
De distantes origens
Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida
Que sorri porque ama plenamente
Sem julgamentos, preconceitos, nem prisões
Hoje, como ontem, longe desses céus
Há um encantador olhar só para você
Nesse olhar, vai para você a magia da luz
A simplicidade do perdão
A força para comungar com a vida
A esperança de dias mais radiantes de paz
Hoje, de algum lugar dentro de você
Alguém que já o amou muito e ainda o ama
Diz para você que valeu a pena
Ter estado nessas terras, sob estes céus
Falando de união, paz, amor e perdão
Poder sentir a força que faz você sorrir
E continuar o caminho que um dia
Aquele doce olhar iniciou pra você
Tudo isso, só para você saber que a vida continua
E a morte é uma viagem.”

Trilha Sonora Nacional

01. ESQUEÇA (FORGET HIM) – Fábio Jr. (tema de Estela)
02. MAIS UMA DE AMOR (GEME GEME) – Blitz (tema de Bia)
03. MEU GRANDE AMOR – Renato Terra (tema de Zeca e Naná)
04. FEBRE – Lulu Santos (tema de Tato)
05. CAMINHOS DE SOL – Yahoo (tema de Lisa)
06. ILHA DE MEL – Leila Monjardim (tema de Regina)
07. A VIAGEM – Roupa Nova (tema de abertura)
08. POEIRA DE ESTRELAS (STARDUST) – Fafá de Belém (tema de Otávio)
09. MELODRAMA – Toni Platão (tema de Mauro)
10. BEIJO PARTIDO – Milton Nascimento (tema de Raul e Andreza)
11. SEJA LÁ COMO FOR – Rita de Cássia (tema de Carmem)
12. TER MAIS QUE UM CORAÇÃO – Artur Maia (tema de Téo)
13. QUANDO CHOVE (QUANNO CHIOVE) – Patricia Marx (tema de Diná)
14. CADA UM NO SEU CADA UM – Zeca Pagodinho (participação de Ivan Milanes) (tema de Cininha)
15. PAISAGEM – BR 3 (instrumental)

Trilha Sonora Internacional

01. I’M YOUR PUPPET – Elton John & Paul Young (tema de Téo e Lisa)
02. LINGER – The Cranberries (tema de Raul e Andreza)
03. I’LL STAND BY YOU – Pretenders (tema de Estela)
04. TWIST AND SHOUT – Chaka Demus & Pliers with Jack Radics & Taxi Gang (tema geral)
05. MY LOVE – Little Texas (tema de Zeca e Sofia)
06. ANOTHER SAD LOVE SONG – Toni Braxton (tema de Carmem e Igor)
07. THE WAY I FEEL – Twenty-Seven Heavens (tema geral)
08. CRAZY – Julio Iglesias (tema de Otávio e Diná)
09. WHY WORRY – Art Garfunkel (tema de Carmem)
10. I MISS YOU – Haddaway (tema de Diná)
11. CAN WE TALK – Tevin Campbell
12. PARADISE – Korell (tema de locação)
13. DESPERATE LOVERS – Marta Sanchez & Paulo Ricardo (tema geral)
14. I NEED YOU – B.V.S.M.P.

Ainda
A VIAGEM – Iuri Cunha (tema de Diná após sua morte)
ADÁGIO PARA CORDAS E ÓRGÃO EM G MENOR – Filarmônica de Berlim, Herbert Von Karajan, David Bell e Leon Spierer (tocada na cena final)

Sonoplastia: Jenny Tausz e Francisco Sales
Produção musical: Yuri Palmeira Cunha
Masterização: Sérgio Seabra
Seleção musical da trilha internacional: Sérgio Motta
Direção musical: Mariozinho Rocha

Tema de Abertura: A VIAGEM – Roupa Nova

Há tanto tempo que eu deixei você
Fui chorando de saudade
Mesmo longe não me conformei
Pode crer
Eu viajei contra a vontade

O teu amor chamou e eu regressei
Todo amor é infinito
Noite e dia no meu coração
Trouxe a luz
Do nosso instante mais bonito

Na escuridão o teu olhar me iluminava
E minha estrela-guia era o teu riso
Coisas do passado
São alegres quando lembram
Novamente as pessoas que se amam

Em cada solidão vencida eu desejava
O reencontro com teu corpo abrigo
Ah! Minha adorada
Viajei tantos espaços
Pra você caber assim no meu abraço
Te amo!…

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