Sinopse

Século 19, aldeia de Póvoa do Varzim, região do Minho, Portugal. A menina Guida, após a morte do pai, foi viver com sua meia-irmã Clara, filha de sua madrasta. Com a morte da mãe de Clara, a educação das mocinhas ficou a cargo do Padre Antônio, o Senhor Reitor, que dedicou-se a cuidar das duas órfãs. Clara sempre foi mimada e orgulhosa. Já Guida nunca escondeu a tristeza de ter perdido o pai e a mãe desde criança. Clara é pura razão e Guida, bem diferente dela, é emotiva. O Padre Antônio se inspira na natureza para proteger suas pupilas, usando sua sabedoria para controlar as confusões em que as moças se metem.

Ainda menina, no tempo em que pastoreava ovelhas, Guida apaixonou-se pelo garoto Daniel, que estava prestes a ingressar no seminário. Porém, o Padre Antônio descobriu o inocente namoro dos dois. O pai de Daniel, Sr. José das Dornas, decidiu, então, enviá-lo ao Porto para estudar Medicina. Dez anos depois, Daniel volta para a aldeia, como médico homeopata. Margarida, a Guida, agora professora de crianças, conserva ainda seu amor de infância. Ele, no entanto, contaminado pelos costumes da cidade, tornara-se um conquistador impulsivo e já nem se lembrava da pequena pastora.

A esse tempo, o irmão de Daniel, Pedro, noivou Clara, que, ambiciosa, aceitou a corte do filho de José das Dornas, um dos maiores fazendeiros da região. Pedro é um trabalhador do campo e luta para defender as terras de seu pai, que são herança sua e de seu irmão. Daniel, por sua vez, encanta-se de Clara, iniciando uma tentativa de conquista que poria em risco a harmonia familiar. Clara, inicialmente, incentiva os arroubos do rapaz, mas recua ao perceber a gravidade das consequências. Ansiosa por acabar com o impertinente assédio, concede-lhe uma conversa em particular no jardim de sua casa.

Prestes a serem surpreendidos por Pedro, Daniel e Clara são salvos por Guida, que toma o lugar da irmã. Guida, sabendo do encontro de Clara com Daniel, foi no lugar dela para salvar a sua honra. Rapidamente esses acontecimentos tornam-se um escândalo que comprometem a reputação de Guida no vilarejo. Daniel, impressionado com a abnegação da moça, recorda-se, finalmente, do amor da infância. Apaixonado agora por Guida, procura conquistá-la. No final tudo se esclarece: Pedro perdoa Clara e Daniel se arrepende de ter se esquecido de Guida e da promessa que fez ao partir para estudar fora.

SBT – 19h
de 6 de dezembro de 1994
a 8 de julho de 1995
186 capítulos

novela de Lauro César Muniz
baseada no romance homônimo de Júlio Dinis
escrita por Bosco Brasil, Ismael Fernandes, Analy A. Pinto, Aziz Bajur e Zeno Wilde
supervisão de texto de Chico de Assis
direção de Del Rangel e Henrique Martins
direção geral de Nilton Travesso

Novela anterior no horário
Éramos Seis

Novela posterior
Sangue do Meu Sangue

JUCA DE OLIVEIRA – Senhor Reitor (Padre Antônio)
DÉBORA BLOCH – Margarida (Guida)
LUCIANA BRAGA – Clara
EDUARDO MOSCOVIS – Daniel
TUCA ANDRADA – Pedro
ELIAS GLEIZER – Sr. José das Dornas
LUÍS CARLOS ARUTIN – Dr. João Semana
DANIELA CAMARGO – Amália
CLÁUDIO FONTANA – Manoel do Alpendre
DENISE DEL VECCHIO – Joana
JOFRE SOARES – Mestre Álvaro
VALÉRIA ALENCAR – Francisquinha
ANA LÚCIA TORRE – Zefa das Graças
CLÁUDIA MELLO – Brásia
MÍRIAM MEHLER – Rosa
ROGÉRIO MÁRCICO – Pereirinha
ROBERTO BOMTEMPO – Padre José
LÚ GRIMALDI – Elvira
LULU PAVARIN – Donana
CLÁUDIO CURI – Rogério
FERNANDA MUNIZ – Mariazinha
OSCAR MAGRINI – Augusto
CAIO BLAT – Henrique
JOANA FOMM – Eugênia Carlota
RENATO BORGHI – João da Esquina
ELIZÂNGELA – Tereza
LUCINHA LINS – Magali do Porto
RONEY FACHINI – Malaquias
LÚCIA ROMANO – Isabel
ARIELA GOLDMAN – Maria do Porto
FERNANDO NEVES – Joaquim
LAVÍNIA PANUZZIO – Antonieta
OLAIR COAN – Padre Emílio
BRI FIOCCA – Liduina
ALEXANDRE REINECKE – Capitão
ÉLIDA MARQUES – Leonor
RIBA CARLOVICH – Jorge
LUIZ GUILHERME – General Afonso D’Alencastro
EDUARDO GALVÃO – Fernão da Ribeira
MARCOS BREDA – Gama
PHELIPE LEVY – Cardeal Joaquim
GISELA ARANTES – Adelaide
LOURDES DE MORAES – Vitória
PAULO DE ALMEIDA – Antônio (cocheiro da cidade)
CRISTINA PADIGLIONE – Virgília (lavadeira)
SÔNIA GUEDES
ELIETE CIGARINI
BETO MAGNANI
RITINHA MARTINS

e
PAULO GOULART – Dom Arlindo

primeira fase
ROSAMARIA MURTINHO – Ressurreição
CRISTINA BESSA – Margarida
PAULA KLEIN – Clara
JIDDU PINHEIRO – Daniel
OBERDAN JÚNIOR – Pedro
BRUNO GOMES
SABRINA BERÁGUAS
ANA CAROLINA

Remake da novela que Lauro César Muniz escreveu para a TV Record entre 1970 e 1971, inspirada no romance do português Júlio Dinis. Na primeira versão, Dionísio Azevedo, além de ter sido o diretor da novela, interpretou o protagonista, padre Antônio, o Senhor Reitor do título, papel defendido por Juca de Oliveira em 1994-1995.

Caprichada produção e boa tentativa do SBT de alavancar o seu núcleo de dramaturgia – sob o comando do diretor Nilton Travesso -, iniciado naquele ano, com o remake de Éramos Seis.

As Pupilas do Senhor Reitor estreou com índices similares aos de Éramos Seis: em torno dos 15 pontos no Ibope da Grande São Paulo. Entretanto, a novela foi perdendo audiência nas semanas seguintes, em parte pela época ruim (fim de ano). Outro motivo foi o ritmo lento da narrativa. Os roteiristas Bosco Brasil e Ismael Fernandes ganharam os reforços de Analy A. Pinto, Aziz Bajur e Zeno Wilde, sob supervisão de Chico de Assis. Foi quando os personagens tiveram suas características intensificadas e os capítulos foram “acelerados”, ganhando mais dinamismo. (*)

A novela mereceu a repercussão da mídia especializada e terminou fechando em 11 pontos de média geral no Ibope, um pouco abaixo da antecessora, Éramos Seis. A audiência e a avaliação da crítica justificavam a continuação do projeto de teledramaturgia do SBT, apesar do retorno publicitário não garantir altos lucros – mas pagava o investimento. (“Biografia da Televisão Brasileira”, Flávio Ricco e José Armando Vannucci)

Como a trama se passava em Portugal, o diretor Nilton Travesso viajou para o país acompanhado do cinegrafista Edson Souza, do diretor de arte Beto Leão, do diretor de cenografia João Nascimento Filho e do figurinista Paulo Lois. A equipe passou quinze dias em cidades como Lisboa e Porto e vilarejos na região do Minho. Aproximadamente catorze cenas foram gravadas, além de stockshots (tomadas de ambientação) e registros fotográficos para orientar a construção da cidade cenográfica. (*)

A novela também teve externas gravadas na Catedral da Sé e no Teatro Municipal, em São Paulo, e em fazendas em Itu e Itapetininga, no interior do estado, com montanhas e rochedos similares à região do Minho. (*)

A cidade cenográfica teve um custo de 35 mil dólares e foi implantada em cerca de 45 dias. Foi inspirada na aldeia portuguesa de Sistelo, que conservava características do século 19, e era formada por vinte casas, uma igreja e uma praça. (*)

A novela contou ainda como um “mini-zoológico”: três gatos, quatro bois, quatro cabritos, quatro cavalos, seis porcos, dez ovelhas, mais de cinquenta aves (entre galinhas e patos) e noventa pombos. Ainda sete cachorros “herdados” de Éramos Seis, de onde dois vira-latas se instalaram na cidade cenográfica e tiveram um ninhada de nove filhotes. Os casal de cães foi batizado de Lola e Júlio, em referência aos protagonistas da novela anterior. (Jornal do Brasil, 24/12/1994)

Destaque para as beatas fofoqueiras Zefa das Graças, Brásia e Rosa, interpretadas por Ana Lúcia Torre, Cláudia Mello e Míriam Mehler. E para o ator Cláudio Fontana, ótimo vivendo Manoel do Alpendre, que lhe rendeu, inclusive, a última cena, a que finalizou a novela.

Retorno de Débora Bloch às novelas após um hiato de oito anos. A última inteira havia sido Cambalacho, em 1986. Em 1993, a atriz fez uma pequena participação em Deus nos Acuda.

A trilha sonora de As Pupilas do Senhor Reitor foi lançada juntamente com a trilha da produção anterior, Éramos Seis, no mesmo disco/CD. O CD traz quatro músicas de As Pupilas do Senhor Reitor a mais que o LP.

Vale registrar a abertura, uma das mais bonitas produzidas pelo SBT: um plano-sequência pela cidade cenográfica em que os atores reagem à câmera ou a saúdam, ao som da bela “Canção do Mar”, interpretada pela cantora portuguesa Dulce Pontes.

A partir de 11/12/2006, o SBT começou a apresentar a reprise de As Pupilas do Senhor Reitor, às 19 horas. Porém, em 15/12, depois de quatro capítulos exibidos, a emissora suspendeu a reexibição da trama.
A novela voltou a ser reapresentada, dessa vez do início ao fim, entre 07/05 e 03/08/2007, às 15h15, compactada em 65 capítulos.

* TV Pesquisa PUC-Rio.

01. CANÇÃO DO MAR – Dulce Pontes (tema de abertura)
02. AS MINHAS MENINAS – Chico Buarque
03. FADO – Paulo de Carvalho (participação Ivan Lins)
04. TEU OLHAR – Grupo Soma
05. TODO BEIJO – Marcelo (participação Gal Costa)
06. CANÇÃO DE DONA MARIA ESPERANDO O REGRESSO DAS NAUS – Filipa Pais
07. LAURINDINHA – Dulce Pontes
08. AI MOURARIA – Lucinha Lins
09. BARCO FANTASMA – Maria Martha
10. TEMA DO REITOR (Instrumental) – Ricardo Botter Maio

ainda
POR UMA LÁGRIMA TUA – Amália Rodrigues (tema de Guida)

Trilha: Ricardo Botter Maio
Supervisão musical: Eduardo Ramos
Sonoplastia: José Carlos Jardim e Benjamin Diniz

A trilha sonora de As Pupilas do Senhor Reitor foi lançada juntamente com a trilha da produção anterior, Éramos Seis, no mesmo disco/CD. O CD traz quatro músicas de As Pupilas do Senhor Reitor a mais que o LP.

Tema de Abertura: CANÇÃO DO MAR – Dulce Pontes

Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar
Viver, sonhar
Contigo…

Veja também

  • eramosseis94_logo

Éramos Seis (1994)