Sinopse

Herbert Alvaray é um rico empresário que possui duas famílias. A mulher oficial é Rafaela – que ele chama de Alfa 1 -, uma socialite afetada e cheia de chiliques. A outra é Rosemere – a Alfa 2 -, uma mulher simples, do povo. Porém, Herbert está falido e, para escapar da penúria financeira, planeja um golpe perfeito: simula a própria morte e foge do país.

O plano atinge de maneira adversa suas duas mulheres. Enquanto Rafaela empobrece e cai em desgraça, Rosemere herda um milhão de dólares de Herbert, ou melhor, Mário, como ela o conhecia. A situação se complica quando Rafaela vai morar com os filhos Tamyris, Ana Cláudia e Teddy, a mãe Francine e o genro Maurício, marido de Tamyris, na mesma vila da periferia onde já mora Rosemere.

Rafaela e Rosemere se conhecem e ficam amigas, sem saber que foram mulheres do mesmo homem. A história acompanha a ascensão de uma e a derrocada da outra. Enquanto Rosemere compra uma mansão e tenta adquirir novos hábitos de mulher rica, Rafaela repensa sua vida e se vê obrigada a trabalhar para se manter, cozinhando para fora.

Mesmo com a nova condição, Rosemere continua mantendo as amizades da vila pobre, como Baltazar, um marceneiro grosseirão, mas boa-praça, apaixonado por ela, e Luís Paulo, que administra sua fortuna, por quem ela é apaixonada. E Rafaela é vigiada de perto pelo tímido e desajeitado Montenegro, secretário e cúmplice de Herbert Alvaray, que sempre nutriu uma paixão platônica pela esposa do patrão.

A história atinge o seu clímax quando Herbert faz uma plástica e retorna ao país, com outra cara, porte físico e identidade – Cláudio Serra – e tenta se aproximar de suas duas mulheres sem que elas desconfiem de nada. Rafaela e Rosemere caem na lábia de Cláudio, que lembra muito Herbert. E é revelado que Zilda, a melhor amiga de Rafaela, é a Alfa 3.

Globo – 19h
de 20 de abril a 7 de novembro de 1987
173 capítulos

novela de Cassiano Gabus Mendes
colaboração de Luís Carlos Fusco
direção de Jorge Fernando, Marcelo de Barreto e Carlos Magalhães
direção geral de Jorge Fernando

Novela anterior no horário
Hipertensão

Novela posterior
Sassaricando

MARÍLIA PÊRA – Rafaela Alvaray (Alfa 1)
GLÓRIA MENEZES – Rosemere da Silva (Alfa 2)
RAUL CORTEZ – Cláudio Serra / Herbert Alvaray
MARCO NANINI – Montenegro (Celso Montenegro)
DENIS CARVALHO – Baltazar
MARCOS PAULO – Luís Paulo
PATRÍCIA PILLAR – Ana Cláudia
CÁSSIA KISS – Silvana
CÁSSIO GABUS MENDES – Bruno
PATRÍCIA TRAVASSOS – Mercedes
NÍVEA MARIA – Zilda (Alfa 3)
TATO GABUS MENDES – Maurício
CRISTINA MULLINS – Tamyris
CÉLIA BIAR – Francine
PERCY AIRES – Justino
NEUZA AMARAL – Luci
HÉLIO SOUTO – Amadeo
BÁRBARA FAZIO – Bianca
PAULO CÉSAR GRANDE – Pedro
JAYME PERIARD – João Antônio
FÁBIO SABAG – Lorival
TARCÍSIO FILHO – Teddy
PAULA LAVIGNE – Vânia
KAKÁ BARRETE – Amauri
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Belotti
ANDERSON MÜLLER – Quibe Frito
SUZY CAMACHO – Rosinha
ÂNGELA FIGUEIREDO – Marli
VALÉRIA KELLER – Roseli

a menina FABIANA ROCHA (FABIENE MENDONÇA) – Marcinha (Márcia Maria)

e
ANA MARIA SAGRES – Dona Deucélia
ANA ROSA – Madalena (vizinha de Rosemere, lhe tira satisfações porque acha que ela está dando em cima de seu marido Armandinho)
ANILZA LEONI – Verônica
ANITA TERRANA
CATALINA BONAKY – Dona Catarina (vizinha de Luci, para quem ela conta que Rosemere herdou os dólares, no início)
CLÁUDIO AYRES DA MOTTA – assalta Rafaela quando Montenegro afasta-se depois que seu carro quebra na estrada
HILTON PRADO – Alberto (gerente da locadora de carros que arranja bicos como motorista para Luís Paulo, no início)
IVAN MESQUITA – um dos interventores do Banco Central na empresa de Herbert, no início
LUÍS SÉRGIO – cliente no boteco onde Luís Paulo leva Ana Cláudia, após o casamento fracassado dela, no início
LUIZ VASCONCELOS – cliente no boteco onde Luís Paulo leva Ana Cláudia, após o casamento fracassado dela, no início
JOANA ROCHA
JORGE DÓRIA – Herbert Alvaray (marido de Rafaela) / Mário Francis (amante de Rosemere)
KAKAO BALBINO – Luizito (decorador que Luís Paulo apresenta a Rosemere)
MARCO MIRANDA – Alcebíades (zelador do prédio onde mora João Antônio)
MARCOS NOVAES – maquiador que prepara Rafaela para o casamento de Ana Cláudia, no início
MARIA CRISTINA GATTI – vizinha de Rafaela, entre as mulheres que protestam contra o comportamento de Bruno
MARIA GLADYS – Dona Zulmira (vizinha de Rafaela que reclama da marmita que ela lhe vendeu)
MONIQUE LAFOND – Dona Marinalva Pombo
NELSON RODRIGUES – dono do boteco onde Luís Paulo leva Ana Cláudia, após o casamento fracassado dela, no início
NEWTON PRADO – Dr. Ruy
PAOLLA BETTEGA – Florence (conquista de Teddy, no final)
PAULÃO DUPLEX – carregador de móveis na mudança de Rafaela, no início
PAULO MACHADO – policial
SELMO GOLDMACHER – feirante
ZÉ PREÁ – Seu Dirceu

– núcleo de RAFAELA (Marília Pêra), socialite afetada, alienada, fútil e tragicômica. Após a morte do marido, cai na miséria já que todos os bens da família foram confiscados diante da falência financeira dos negócios. É obrigada a se mudar para a periferia e a cozinhar para fora para sobreviver:
o marido HERBERT ALVARAY (Jorge Dória), rico empresário, só pensa em dinheiro e negócios. Tem uma outra família, que esconde de todos. Falido, simula a própria morte, fugindo em seguida para o exterior e deixando a mulher oficial, a quem chamava de ALFA 1, na miséria
a mãe FRANCINE (Célia Biar), mulher orgulhosa e de muita classe. Quando a filha perde tudo, tenta ajudar, mas sem perder a pose
os filhos: TAMYRIS (Cristina Mullins), fútil, acostumada à boa vida. Com a falência, tem um sentimento de negação. Com o tempo passará a aceitar a nova condição da família. Sofre com o casamento em crise,
ANA CLÁUDIA (Patrícia Pillar), moça impulsiva e voluntariosa, de temperamento forte e sangue quente. Tenta superar o abandono pelo noivo na porta da igreja, no dia do casamento
e TEDDY (Tarcísio Filho), playboy relapso e preguiçoso, gostava da boa vida que levava. Reage mal quando se vê obrigado a trabalhar
o genro MAURÍCIO (Tato Gabus Mendes), marido de Tamyris. Boa-vida, estava certo de que ia herdar uma boa fortuna do sogro, o que não acontece. Com a falência, é obrigado a trabalhar de verdade. Trai a mulher e vive brigando com Francine: os dois se detestam
a melhor amiga ZILDA (Nívea Maria), a única que continua a seu lado depois da crise, procurando diminuir seu sofrimento. Na verdade, está sempre por perto para abrandar o peso na consciência por ter enganado a amiga, já que foi uma das amantes de Herbert, a quem ele chamava de ALFA 3
o ex-noivo de Ana Cláudia, JOÃO ANTÔNIO (Jayme Periard), a abandonou no altar para ficar com outra mulher. A ex-noiva passa a persegui-lo. Estava mancomunado com Rafaela na tentativa de se apoderar de dólares de Herbert.

– núcleo de ROSEMERE (Glória Menezes), mulher simples, simpática e bonitona, é desejada pelos homens da vila pobre onde mora. Tem uma relação de anos com Herbert, que conhece como MÁRIO FRANCIS, e com quem tem uma filha pequena. Ele se refere a ela como ALFA 2. Com o sumiço de Mário, recebe dele um milhão de dólares, o que muda sua vida. Tenta adaptar-se à sua nova condição de mulher rica. Fica amiga de Rafaela quando ela vai morar na vila. As duas nem desconfiam de que foram mulheres do mesmo homem:
o pai LORIVAL (Fábio Sabag), um tipo bonachão e sossegado. Tarólogo, põe cartas para os amigos
os filhos do casamento anterior: VÂNIA (Paula Lavigne), moça dócil e romântica, mas de personalidade forte. Envolve-se com Teddy quando ele se muda para a vila,
e AMAURI (Cacá Barrete), rapaz esforçado, quer trabalhar para ajudar a mãe, mas ela não o deixa largar os estudos
a filha com Mário, MARCINHA (Fabiene Mendonça), era paparicada pelo pai
a melhor amiga e confidente MERCEDES (Patrícia Travassos), professora. Solteira e atraente, não dá mole para os homens da vila.

– núcleo de CLÁUDIO SERRA (Raul Cortez), nova identidade de Herbert Alvaray/Mário Francis após realizar uma cirurgia plástica para voltar ao Brasil sem ser reconhecido. Envolve Rafaela e Rosemere, suas ex-mulheres, em um jogo de sedução, sem que elas percebam sua real identidade:
o secretário e cúmplice MONTENEGRO (Marco Nanini), a única pessoa a quem ele revela suas intenções. Um tipo atrapalhado, tímido, certinho, fica dividido entre o amor platônico que sente por Rafaela e a fidelidade ao patrão
o detetive BELOTTI (José Augusto Branco), investiga o desaparecimento de Herbert Alvaray.

– núcleo de BALTAZAR (Denis Carvalho), marceneiro grosseirão, mas boa-praça, namorador e falastrão. É apaixonado por Rosemere, mas ela não lhe dá bola. Vive com o sobrinho, a quem criou como um filho e que trabalha com ele. Preocupado com o futuro do rapaz, o obriga a estudar:
o sobrinho BRUNO (Cássio Gabus Mendes), trabalha e mora com o tio. Rapaz ingênuo e bronco. Praticamente analfabeto, começa a ter aulas de Português com Mercedes depois que se interessa por Vânia. A professora se apaixona por ele e vive se insinuando, mas ele nem percebe
o amigo de Bruno, QUIBE-FRITO (Anderson Müller), não menos bronco e analfabeto que ele
as garotas da vila que dão em cima de Bruno: ROSINHA (Suzy Camacho), a mais “dada”, envolveu-se também com Teddy e Amauri,
MARLI (Ângela Figueiredo) e ROSELI (Valéria Keller).

– núcleo de LUÍS PAULO (Marcos Paulo), rapaz determinado, inteligente, simpático e um tanto debochado. Sem um trabalho fixo, era o motorista do carro que levou Ana Cláudia ao seu casamento, em que ela foi abandonada. Ajuda a moça a superar o trauma e os dois acabam apaixonados, apesar de seus temperamentos difíceis. Quando Rosemere enriquece, vai trabalhar para ela, na administração de seu dinheiro. Rosemere acaba apaixonada por ele:
a irmã SILVANA (Cássia Kiss), secretária, de espírito livre, mas romântica. Não mora com os pais, pois sempre sonhou em ser independente, mas mantem uma boa relação com a família. Era a namorada de João Antônio por quem ele desistiu de casar-se com Ana Cláudia. Maurício se apaixona por ela
os pais JUSTINO (Percy Aires), aposentado, ranzinza com a mulher e os filhos, vive no boteco conversando com os amigos,
e LUCI (Neuza Amaral), dona de casa, fofoqueira, adora tomar uns tragos escondida do marido.

– núcleo dos vizinhos de Rosemere na vila:
AMADEO (Hélio Souto), sujeito boa-praça. Apaixonado por Rosemere, mas não correspondido. Vive lhe dando presentes
BIANCA (Bárbara Fazio), muda-se para a vila onde abre um bar, apaixona-se por Amadeo
PEDRO (Paulo César Grande), irmão mais novo de Bianca. Rapaz atlético e bonitão. Envolve-se com Zilda e, depois, com Tamyris, quando o casamento dela vai mal.

Uma das melhores novelas de Cassiano Gabus Mendes, Brega e Chique foi o maior sucesso da TV no ano de 1987.

Brega e Chique ainda estava no começo e sua repercussão já era superior a da novela das oito da época, O Outro, de Aguinaldo Silva – que provocou Cassiano afirmando que seu drama carioca tinha mais audiência que a comédia paulista dele (a trama das sete era ambientada em São Paulo).
Cassiano não respondeu à provocação. Ele não era disso. A audiência respondeu. Em questão de meses, Brega e Chique tinha mais audiência que a novela das oito horas. (“Gabus Mendes, Grandes Mestres do Rádio e Televisão”, Elmo Francfort)

Como o título da novela sugeria, Brega e Chique tinha duas protagonistas, interpretadas por Marília Pêra e Glória Menezes: Rafaela, a rica que empobrecia, e Rosemere, a pobre que enriquecia. Entretanto, o sucesso e a repercussão de Marília Pêra como Rafaela foi tanto que acabou por suplantar a Rosemere de Glória Menezes. Marília sempre lembrava de Rafaela como uma das personagens que mais gostou de viver na televisão. Era sua volta às novelas, após um hiato de treze anos – a última havia sido Supermanoela, em 1974.

Os nomes de Marília Pêra e de Glória Menezes abriam a abertura, juntos, o de Glória no lado esquerdo da tela e o de Marília no lado direito. Em 2013, ao programa Damas da TV, do canal Viva, Marília declarou que solicitou à direção a primazia nos créditos da abertura porque o combinado é que ela seria a estrela da novela. Chegou-se a um acordo e, a partir do trigésimo capítulo, os nomes das atrizes passaram a revezar a posição na abertura da novela.

A exemplo de Mário Fofoca e Márcia (Luiz Gustavo e Eva Wilma) em Elas por Elas (1982), Cassiano reeditou em Brega e Chique um par atrapalhado em cenas divertidas: Rafaela Alvaray e Montenegro. Marília e Nanini estiveram impagáveis como os personagens, grandes momentos dos atores na TV.
“Eles tinham acessos de riso nas gravações de muitas cenas. A cumplicidade de longa data resultava em brincadeiras e improvisos tão bons que a direção deixava que fossem ao ar assim mesmo, sem interrupção do ritmo.” (Site Memória Globo)

Marília Pêra protagonizou algumas das sequências mais hilárias da novela:
– Rafaela procura no chão a lente colorida que caiu de um de seus olhos. Para disfarçar a ausência de uma das lentes, ela usa a franja do cabelo, que oculta o olho sem lente;
– Rafaela, recém-mudada para a vila pobre, vai à feira vestida com um vison, ciceroneada por Rosemere. Alguém acerta uma tangerina podre no casaco da dondoca, o que a deixa revoltada (capítulo 33);
– Rafaela suga a gravata de Montenegro com um aspirador de pó, quase o enforcando;
– Rafaela e Montenegro à câmera, como se estivessem diante de um espelho, analisando suas papadas e comentando fazer plástica;
– A silenciosa briga de Rafaela com as plantas de sua casa: grandes demais para a sala pequena, atrapalhavam a passagem pelo cômodo.

Em outra sequência, Montenegro quebra acidentalmente um vaso inglês de Rafaela, de estimação dela, lembrança dos bons tempos em que a ex-socialite morava no Morumbi. O episódio estava sendo preparado há um bom tempo por Cassiano Gabus Mendes, que, com frequência, fazia Rafaela declarar seu apego à relíquia. O autor declarou que inspirou-se em um fato ocorrido com um amigo:
“Eu me baseei num fato real, acontecido com um ator, meu amigo, que destruiu uma peça valiosa de uma mulher que, como a Rafaela, havia sido rica e ficou pobre. Como desculpa, meu amigo disse que quebrara o objeto de propósito para livrá-la da má sorte, exatamente o que Montenegro faz ao quebrar o vaso inglês da amiga.” (Jornal O Globo, 19/07/1987, TV-Pesquisa PUC-Rio)

Por sua atuação na novela, Marília Pêra foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor atriz de 1987. Também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor atriz. Brega Chique levou o troféu de melhor novela do ano.

O cantor e compositor Eduardo Dussek, o pai do termo “brega-chique” – título de seu disco de 1984 e de uma das músicas de maior sucesso de seu repertório (da trilha da novela Transas e Caretas) -, era fã da novela que se apropriou de sua criação: “Eu só queria que Rafaela e Rosemere fossem minhas vizinhas!”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo, de 20/06/1987. (TV-Pesquisa PUC-Rio)

Foi a primeira vez que Jorge Fernando deixava as comédias escrachadas de Silvio de Abreu e Carlos Lombardi e dirigia uma novela de Cassiano Gabus Mendes, com estilo de humor bem diferente, mais sutil, que valorizava mais os diálogos do que a ação. O diretor afirmou em entrevista ao Jornal do Brasil, publicada em 19/04/1987, antes da estreia de Brega e Chique (TV-Pesquisa PUC-Rio):
“Cassiano tem uma forma de humor mais simples e, por isso, mais difícil de fazer. É um desafio fantástico para mim e sinto que tenho um prato cheio nas mãos, pois precisei reavaliar os meus critérios, criando outro tipo de marcação, alterando o tempo do corte. Procuro interferir o mínimo possível, dando o molho sem alterar a base. Mas sempre com muita paixão, pois não sei trabalhar de outra forma. Com Brega e Chique estou muito mais para Vincent Minelli e Blake Edwards do que para Mel Brooks.”

A rotina de trabalho de Cassiano Gabus Mendes para escrever Brega e Chique: de seis a sete horas por dia, quatro dias por semana. No quinto dia, reunia-se com o colaborador Luís Carlos Fusco, encarregado dos dois capítulos semanais restantes, para, assim, passar o fim de semana livre. (Jornal do Brasil, 26/09/1987, TV-Pesquisa PUC-Rio)

Embalada pela música “Pelado”, da banda Ultraje a Rigor, a abertura da novela causou frisson na época. Sete belas mulheres, caracterizadas de brega ou chique, alternavam a aparição na tela. Ao final, surgia o único homem, o então modelo Vinícius Manne, nu.
No primeiro capítulo, Manne apareceu por segundos com o bumbum à mostra. No dia seguinte, atendendo telespectadores indignados, a Globo inseriu eletronicamente uma folha de parreira sobre a região glútea do rapaz.
Dois dias depois, uma nova versão da abertura: a sequência termina antes do modelo se virar por completo, em um “vai-não-vai”. Após nova pressão popular (pedindo a retirada da folha), o então Ministro da Justiça Paulo Brossard desistiu da censura e, a partir do quinto capítulo, o famoso traseiro voltou a ficar exposto, com o rapaz “pelado, pelado, nu com a mão no bolso”. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)
O sucesso da bunda prosseguiu na capa do LP internacional da novela, exposta à luz do dia nas vitrines de lojas de discos e de departamentos em todo o Brasil.

Entre as modelos da abertura, estavam Suzanne Seixas, que fez algumas participações em novelas posteriores (foi uma das Rolinhas de Tieta); a Miss Brasil 1986 Deise Nunes; e Dóris Giesse, que mais tarde tornou-se apresentadora do Fantástico e ganhou um programa próprio na Globo, Dóris para Maiores (exibido em 1991).

A abertura também fazia merchandising da marca de roupas Rurita, cuja logomarca aparecia rapidamente estampada nos óculos de sol de uma das modelos.

Além de animações que ilustravam passagens de tempo (já fartamente usadas em Cambalacho, no ano anterior), a novela utilizou vários efeitos especiais, como o “wipe”, uma varredura na tela marcando a mudança de cena, e o “filó”, divisão da tela para a exibição de duas cenas simultâneas.
Outra novidade foi a exibição de dois cenários em um só, em que uma parte era iluminado enquanto a outra ficava no escuro para alternarem na mudança de cena (ou o segundo era iluminado quando iniciava sua fala) – usada, por exemplo, quando personagens conversavam ao telefone: os atores estavam no mesmo local, mas um deles recebia iluminação (o falante) enquanto o ouvinte ficava no escuro (ou o interlocutor só recebia iluminação quando começava a falar).

A figurinista Helena Gastal inspirou-se na década de 1920 para criar o figurino de Rafaela Alvaray, com roupas de seda e vestidos retos, que não marcavam a cintura.
O corte de cabelo chanel da personagem também remetia aos anos 20, mas com um toque moderno: assimétrico, curtíssimo de um lado com a franja mais longa do outro.

A novela ajudou a popularizar as lentes de contato coloridas, usadas por Rafaela e Rosemere. Entretanto, o uso indiscriminado dessas lentes, por imitação das personagem e sem orientação médica, foi condenado pelo oftalmologista Carlos Augusto Moreira, presidente do 24° Congresso Brasileiro de Oftalmologia (em 1987). (Jornal do Brasil, 09/09/1987, TV-Pesquisa PUC-Rio)

Cassiano Gabus Mendes acabou criando uma polêmica com os moradores do Itaim Bibi, bairro paulistano de classe média-alta. Quando Rafaela empobrece e tem de se mudar com a família para um bairro mais humilde (ela morava no Morumbi), cita com certo desprezo o Itaim Bibi, fazendo piada com o “Bi-bi”. Após protestos reais dos moradores da região, Cassiano acabou escrevendo uma cena em que Rafaela se redimia, afirmando que havia se confundido, que o Itaim-Bibi “era um bairro muito chique”. De qualquer forma, deve ter sido uma brincadeira do autor, já que na sinopse Rafaela se muda com a família para o bairro pobre onde já morava Rosemere, a fictícia Vila Custódio.

As secretárias executivas do Rio de Janeiro não gostaram do comentário feito pelo personagem Teddy (Tarcísio Filho) no capítulo 33: “Secretária do chefe é sempre propriedade particular!” Também consideraram inadequados os trajes e a maneira de agir da secretária Silvana (Cássia Kiss). (Jornal do Brasil, 25/06/1987, TV-Pesquisa PUC-Rio)

A colônia japonesa de São Paulo considerou depreciativa a fala de Rafaela na qual a personagem prometia “casar com o primeiro que aparecer, qualquer um, leiteiro, lixeiro, faxineiro, tintureiro, nem que seja japonês.” Entidades como a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, a Associação dos Lojistas da Liberdade (o bairro oriental de São Paulo) e a Câmara Júnior Brasil-Japão reuniram-se para decidir as medidas, que foram encaminhadas à Globo. O autor defendeu-se afirmando que a colocação não foi preconceituosa nem depreciativa, mas apenas uma comicidade “pois a personagem da Marília só fala besteira”. (Jornal do Brasil, 10/07/1987, TV-Pesquisa PUC-Rio)

A cena do acidente de carro que – supostamente – causou a morte de Herbert Alvaray (Jorge Dória), no início da novela, foi gravada na estrada que leva a Campo Grande, no Rio de Janeiro – representando, na trama, a Serra do Mar, em São Paulo. (Jornal O Globo, 22/04/1987, TV-Pesquisa PUC-Rio)

Primeira novela das atrizes Patrícia Travassos e Paula Lavigne, e do ator Anderson Müller.
Primeira novela na Globo da atriz Ana Rosa, em uma pequena participação.
Único trabalho na Globo de Suzy Camacho, egressa das novelas do SBT.

Caviar com Goiabada e Lucros e Perdas foram títulos provisórios da novela. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Brega e Chique foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 31/07/1989 e 19/01/1990.
Reprisada também no Viva (canal de TV por assinatura pertencente ao Grupo Globo) a partir de 19/02/2020, às 14h30.

Trilha Sonora Nacional

01. PEGA RAPAZ – Rita Lee & Roberto de Carvalho (tema de Rosemere e Baltazar)
02. SEM PESO E SEM MEDIDA – Fábio Jr. (tema de Vânia e Teddy)
03. PRECISO APRENDER A SÓ SER – Caetano Veloso (tema de Rafaela)
04. UM PRO OUTRO – Lulu Santos (tema de Ana Cláudia)
05. CALEIDOSCÓPIO – Dulce Quental (tema de Tamyris)
06. COWBOY FORA DA LEI – Raul Seixas (tema de Bruno)
07. PELADO – Ultraje a Rigor (tema de abertura)
08. BLÁ-BLÁ-BLÁ… EU TE AMO – Lobão (tema de Zilda)
09. ATÉ O FIM – Verônica Sabino (tema de Silvana)
10. É TÃO BOM – Luiz Caldas (participação de Caetano Veloso) (tema de Rosemere)
11. SINTO SAUDADE – Evandro Mesquita (tema de Mercedes)
12. CORAÇÃO DE JOVEM – Erasmo Carlos (tema de João Antônio)
13. LÁGRIMA DE AMOR – Beto Guedes (tema de Luís Paulo)
14. A ILHA – Léo Gandelman (tema de Rafaela e Montenegro)

Trilha Sonora Internacional

01. EVERYTHING I OWN – Boy George (tema romântico geral)
02. LET’S WAIT A WHILE – Janet Jackson (tema de Tamyris)
03. MUSIC – F. R. David (tema de Zilda)
04. NO PROMISES – Ice House
05. WHAT DO WE MEAN TO EACH OTHER? – Sérgio Mendes (tema de Silvana)
06. IS THIS LOVE? – Whitesnake (tema de Bruno e Mercedes)
07. NOW AND FOREVER – Jimmy Cliff
08. SOMEWHERE OUT THERE – Linda Ronstadt and James Ingram (tema de Rosemere)
09. I WANT YOUR SEX – George Michael (tema de Bruno)
10. IN TOO DEEP – Genesis (tema de Rafaela)
11. HEAD TO TOE – Lisa Lisa and The Cult Jam
12. C’EST LA VIE – Robbie Nevil
13. GLAD TO KNOW (THAT YOU’RE THE ONE) – Malcolm Roberts
14. INFIDELITY – Simply Red

Sonoplastia: Jenny Tausz
Seleção de repertório da trilha internacional: Sérgio Motta
Produção musical: João Augusto

Tema de Abertura: PELADO – Ultraje a Rigor

Uau, que legal nós dois pelados aqui!
Que nem me conheceram o dia que eu nasci
Que nem no banho, por baixo da etiqueta
É sempre tudo igual, o curioso e a xereta
Que gostoso, sem frescura, sem disfarce, sem fantasia
Que nem seu pai, sua mãe, seu avô, sua tia…

Proibido pela censura, o decoro e a moral
Liberado, praticado pelo gosto geral
Pelado todo mundo gosta, todo mundo quer
Ah, é? É!
Pelado todo mundo fica, todo mundo é…

Vai!
Pelado, pelado
Nu com a mão no bolso!
Pelado, pelado
Nu com a mão no bolso!

Indecente é você ter que ficar despido de cultura
Daí não tem jeito quando a coisa fica dura
Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral
A barriga pelada é a vergonha nacional…

Vai!
Pelado, pelado
Nu com a mão no bolso!
Pelado, pelado
Nu com a mão no bolso!…

Veja também

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Ti-ti-ti (1985)

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Que Rei Sou Eu?