Sinopse

O amor de Ciro e Rosana é ameaçado pela presença da bela Débora, que retorna da Europa no dia em que o casal celebrava seu décimo aniversário de casamento. Para fazer ciúmes a Ciro, Rosana se aproxima do tenista Roberto, causando a ira de seu marido. Porém, Roberto estava mais interessado em Camila, sua ciumenta noiva.

Débora é filha do italiano Benito, radicado no Brasil, braço-direito de Ciro em suas empresas. A jovem cobra de Ciro e do pai a identidade de sua mãe. Débora mal sabe que ela está bem próxima: é Assunta, governanta na mansão de Ciro, figura arredia e soturna.

Rico e excêntrico, Ciro arquiteta um plano misterioso que envolve Rosana. Em uma viagem, seu iate, sabotado, explode em alto-mar, mas antes do planejado previamente. Dado como morto, ele sobreviveu: foi parar em uma praia deserta, salvo por uma família de pescadores.

Os comparsas de Ciro são Benito, Assunta, a cunhada Paula, irmã de Rosana, e Eduardo, namorado de Paula. Mesmo acreditando que Ciro morreu, eles dão prosseguimento ao planejado, inserindo na família do milionário o ambicioso jovem Cristiano, contratado para ser o testa-de-ferro dele.

Porém, Ciro entra em contato com Benito para saber quem o traiu. Enquanto isso, Cristiano se envolve com Rosana.

Globo – 20h
de 25 de julho a novembro de 1977

novela de Jordão Amaral (Juca de Oliveira)
direção de João Gabriel (Daniel Filho)

DIOGO MAIA (TARCÍSIO MEIRA) – Ciro
LEILA LOMBARDI (GLÓRIA MENEZES) – Rosana
PAULO MOREL (TONY RAMOS) – Cristiano
DIANA QUEIRÓZ (VERA FISCHER) – Débora
GASTÃO CORTEZ (SÉRGIO BRITTO) – Benito
NORA PELEGRINE (YONÁ MAGALHÃES) – Assunta
NELSON CARUSO – Roberto
CYNTHIA LEVY (SÔNIA BRAGA) – Camila
BRUNA MARIA (PEPITA RODRIGUES) – Kátia
MARIA LÚCIA DAHL – Paula
JORGE BOTELHO – Eduardo
HELENA ÉSPER (DJENANE MACHADO) – Neide
Romão
Rosa
Aparecida
Batista

– núcleo de CIRO (Diogo Maia/Tarcísio Meira), poderoso industrial conhecido pelo seu humor e pela forma extravagante de receber amigos. Veste-se com espalhafato e tem ideias excêntricas. No início da trama, está comemorando dez anos de casamento:
a mulher ROSANA (Leila Lombardi/Glória Menezes), fascinante sob todos os pontos de vista, distribui sorrisos nas costumeiras festas de fim de semana. Sabe desfrutar a vida com descontração, dispondo de tudo o que o poder do marido lhe permite comprar. Apesar das aparências, percebe-se problemas ameaçando a estabilidade do casal
a cunhada PAULA (Maria Lúcia Dahl), irmã de Rosana, mora com o casal. Está entusiasmada com seu romance mais recente, um jovem playboy. Apresenta-o na festa de dez anos de casamento da irmã e do cunhado
a governanta ASSUNTA (Nora Pelegrine/Yoná Magalhães), mulher misteriosa, arredia, sempre vestida de preto e branco.

– núcleo de EDUARDO (Jorge Botelho), um bon vivant, motoqueiro, namorado de Paula:
o amigo ROBERTO (Nelson Caruso), exímio tenista, usado por Rosana para fazer ciúmes ao marido
a namorada de Roberto, CAMILA (Cynthia Levy/Sônia Braga), apaixonada por ele. Ciumenta, sente a aproximação de Roberto e Rosana.

– núcleo de BENITO (Gastão Cortez/Sérgio Britto), braço-direito de Ciro nas empresas. Italiano radicado no Brasil desde o final da Segunda Guerra. Cria sua única filha no melhor colégio da Europa. Tem uma estranha ligação com Assunta:
a filha DÉBORA (Diana Queiroz/Vera Fischer), jovem bela e decidida. Depois de vários anos na Europa, decide voltar definitivamente para o Brasil. Cobra do pai a identidade de sua mãe, que nunca conheceu. Sua beleza estonteante atrai Ciro, o que provoca conflitos entre ele e Rosana.

– núcleo de CRISTIANO (Paulo Morel/Tony Ramos), rapaz de origem humilde, sem cultura, mas bastante ambicioso. Está disposto a ascender socialmente. Vai interessar-se por Rosana:
a noiva NEIDE (Helena Ésper/Djenane Machado), moça simples do subúrbio, não entende a ambição de Cristiano.

Com a proposta de interromper o processo de que os artistas são mitos inalcançáveis, Lauro César Muniz criou a possibilidade de mostrar ao grande público como era produzida uma telenovela. Isso aconteceu em Espelho Mágico, trama sobre um grupo de atores e pessoas envolvidas no universo artístico. Assim, o autor procurava mostrar o outro lado de cada astro ou estrela.

Em Espelho Mágico, os personagens participavam da produção de uma telenovela, Coquetel de Amor. Era a magia da “novela dentro da novela”. Com a estreia de Coquetel de Amor, dentro de Espelho Mágico, as duas novelas se mesclavam: a exibição de Espelho Mágico era interrompida para mostrar o capítulo da noite de Coquetel de Amor, com a exibição de abertura própria e tudo.

Coquetel de Amor estreou no capítulo 36 de Espelho Mágico, no ar em 25/07/1977. (O Globo, 25/07/1977)

O autor de Coquetel de Amor era o personagem Jordão Amaral, interpretado por Juca de Oliveira em Espelho Mágico. De acordo com sua descrição, Jordão era o alter ego de Lauro César Muniz, pelo menos no âmbito profissional: na trama, o personagem havia escrito dez anos antes uma novela que foi um grande fracasso.
Ora, Lauro escreveu, em 1967, para a TV Tupi, sob o pseudônimo Jordão Amaral, a novela Estrelas no Chão, que não fez sucesso. Curiosamente, Estrelas no Chão tratava da vida de artistas, como Espelho Mágico, que também não fez sucesso.
Outro detalhe: Jordão era o nome do avô de Lauro César Muniz.

Coquetel de Amor era dirigida por João Gabriel – Daniel Filho, o próprio diretor de Espelho Mágico. O nome João Gabriel é muito próximo de João Daniel – nome do filho de Daniel Filho (com a atriz Betty Faria).

Porém, apesar dos esforços e da tentativa artística inovadora, o grande público não assimilou a metalinguagem proposta por Lauro César Muniz. A trama folhetinesca de Coquetel de Amor interessou mais aos telespectadores do que a vida dos artistas abordada em Espelho Mágico.
Sobre isso, declarou Daniel Filho em seu livro “O Circo Eletrônico”:
“Hoje, para mim, é claro que, para fazer uma paródia revelando os truques a que recorríamos para fazer as novelas, devíamos utilizar outros gêneros que não a própria novela. Foi uma queda de quase 20 pontos na audiência, numa época em que a TV Globo era a dona absoluta no horário. (…) Possivelmente, se tivéssemos feito uma novela sobre os heróis da televisão sem expor os seus defeitos, o resultado não tivesse sido tão repudiado.”

Em Espelho Mágico, Lauro César Muniz exibiu um protesto em relação aos problemas enfrentados pelos autores de novela, retratando os que tivera ao escrever Carinhoso (1973-1974). Por outro lado, a trama de Coquetel de Amor foi acusada de plágio, principalmente em seu entrecho central, que lembrava nitidamente O Semideus (1973-1974), de Janete Clair. O acidente de iate forjado para eliminar o protagonista de O Semideus foi recriado em Coquetel de Amor. Com sua trama metalinguística, Lauro César Muniz quis fazer referências a cenas marcantes de tramas de seus colegas. Janete Clair não gostou dessa citação à sua novela. Porém, não foi intenção de Lauro criticar a obra de Janete. Pura incompreensão. A ideia do autor era essa mesma: brincar com as diversas e repetitivas tramas de novela. “É um coquetel carinhoso de todas as novelas”, explicou Lauro César Muniz. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

A produção de Coquetel de Amor demandou todos os preparativos que envolvem a produção de uma novela de verdade, com cenários, figurinos, locuções externas e escalação de elenco. Todo o processo foi mostrado ao público dentro de Espelho Mágico.

No elenco, os atores-personagens de Espelho Mágico, como Diogo Maia e Leila Lombardi (Tarcísio Meira e Glória Menezes), misturavam-se a atores reais, como Nelson Caruso, Jorge Botelho e Maria Lúcia Dahl, escalados dentro de Espelho Mágico para atuarem na novela Coquetel de Amor.

Coquetel de Amor teve uma trilha nacional própria, em um compacto com quatro músicas.
Já a trilha internacional estava no LP que reunia também os temas internacionais de Espelho Mágico – o lado A com os temas de Coquetel de Amor, e o lado B com os temas de Espelho Mágico.

A abertura de Coquetel de Amor, com seu tema musical (“Bandido Corazón”, gravado por Ney Matogrosso), era um reaproveitamento da abertura originalmente produzida para a novela Despedida de Casado, vetada pela Censura Federal no ano anterior (1976).

Trilha Sonora Nacional

01. BAILE DE MÁSCARAS – Guilherme Arantes
02. UNO MUNDO – Chico Batera
03. RENASCENDO EM MIM – Don Beto
04. BANDIDO CORAZÓN – Ney Matogrosso (tema de abertura)

Trilha Sonora Internacional *

Lado A: músicas da trilha internacional de Coquetel de Amor
01. LOVE’S MELODY THEME – Larry & Jannie (tema de Rosana e Ciro)
02. I REMEMBER YESTERDAY – Donna Summer
03. SO MANY TEARS – Dave Ellis (tema de Camila)
04. YES SIR, I CAN BOOGIE – Baccara
05. DAYBREAK – Randy Bishop (tema de Débora)
06. TROUBLE-MAKER – Roberta Kelly
07. J’AIME – Jean Piérre Posit (tema de Ciro)
Lado B: músicas da trilha internacional de Espelho Mágico
08. C’EST LA VIE – Emerson Lake & Palmer (tema de Diogo e Leila)
09. MA BAKER – Boney M.
10. LOVE SO RIGHT – Bee Gees (tema de Beatriz)
11. FLYING HIGH – Tony Stevens (tema de Paulo)
12. NEVER GET YOUR LOVE BEHIND ME – The Faragher Brothers (tema de Bruna)
13. LET’S GET IT ON – East Harlem
14. HOW WONDERFUL TO KNOW – B & C (tema de Cynthia e Diogo)

Tema de Abertura: BANDIDO CORAZÓN – Ney Matogrosso

Bandido, bandido, bandido corazón
No deja de te amar
Bandido, bandido, bandido corazón
No puedo controlar

Quero te pedir minhas desculpas
Isso sempre acontece
Tenho um coração que é desvairado
E nunca me obedece
Eu já sou um cara meio estranho
Alguém me disse isso uma vez
Meu coração é de cigano
Mas o que salva é minha insensatez

Bandido, bandido, bandido corazón
No deja de te amar
Bandido, bandido, bandido corazón
No puedo controlar

Eu que sempre fui chegado
Ao romance e aventura
Eu talvez seja condenado
A viver perto da loucura
Por isso quero te pedir minhas desculpas
Eu canto mais uma vez
Meu coração é desvairado, eu sei
Mas o que estraga é a sua timidez

Ai, ai, ai, ai, ai, ai…
Bandido, bandido, bandido corazón
No deja de te amar
Bandido, bandido, bandido…

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