Sinopse

Esta é a história que Euclides da Cunha, o autor de “Os Sertões”, não escreveu nem idealizou, mas foi o personagem principal. A Tragédia da Piedade, ocorrida em 15 de agosto de 1909, quando o escritor acabou morto a tiros por Dilermando de Assis, jovem amante de sua mulher Anna.

Três anos depois de se casar, Euclides foi nomeado engenheiro da Estrada de Ferro Central do Brasil e passou a viajar com frequência. Em 1897, foi enviado como correspondente para cobrir a Guerra de Canudos, no interior da Bahia. As longas e constantes viagens do marido deixam sua mulher, Anna, solitária. Insatisfeita com o casamento, ela acaba se envolvendo com Dilermando, aspirante do exército. Quando a possibilidade de um amor completo surge, ela se entrega totalmente.

Euclides acaba por descobrir o romance secreto da esposa. Na manhã do dia 15 de agosto de 1909, sai armado para dar fim à situação que há muito o atormenta. Depois do flagrante, há uma troca de tiros em que o amante é ferido e o marido morto. Condenado pela opinião pública, o jovem militar é julgado e absolvido, graças ao bom trabalho de seu advogado, o Dr. Evaristo de Moraes. Dilermando então casa-se com Anna.

Sete anos depois, nova tragédia coloca o casal de volta às páginas policiais: Euclides da Cunha Filho, o Quidinho, tenta vingar a morte do pai mas é morto por Dilermando. Novamente o militar vai a julgamento e mais uma vez é absolvido. A partir desse momento, o foco da história passa a ser o relacionamento entre Dilermando e Anna – ela, abalada pelas pressões da opinião pública, das pessoas que os cercam e do próprio peso da culpa.

Globo – 22h30
de 27 de maio a 22 de junho de 1990
17 capítulos

minissérie de Glória Perez
colaboração de Margareth Menezes
direção de Wolf Maya e Denise Saraceni
direção geral de Wolf Maya

TARCÍSIO MEIRA – Euclides da Cunha
VERA FISCHER – Anna da Cunha / Anna de Assis (Saninha)
GUILHERME FONTES – Dilermando de Assis
MARCOS PALMEIRA – Solon
MARCOS WINTER – Dinorah
MARCELO SERRADO – Quidinho
CAIO JUNQUEIRA – Quidinho (criança)
FABRÍCIO BITTAR – Afonsinho (criança)
DANIEL LOBO – Afonsinho (adolescente)
CLÁUDIO CAVALCANTI – Nestor da Cunha
CARLOS GREGÓRIO – Arnaldo
LEONARDO VILLAR – Rodrigues
IVAN DE ALBUQUERQUE – Coelho Neto
HÉLIO ARY – Noronha
VERA HOLTZ – Angélica
ELIANE GIARDINI – Lucinda
LÉA GARCIA – Mariana
NATHÁLIA TIMBERG – Túlia
DEBORAH EVELYN – Alcmena
LUÍS MAÇÃS – Adroaldo
THAÍS DE CAMPOS – Augusta
THELMA RESTON – Tiarê
WOLF MAYA – advogado Evaristo de Moraes
OTHON BASTOS – delegado Oliveira Alcântara
CHICO EXPEDITO – escrivão Anor Margarido
ERI JOHNSON – Cândido de Castro (repórter do Correio da Manhã)
LUÍS SALÉM – João Carvalho de Abreu (repórter da Folha do Dia)
EDGARD AMORIM – Mário Barbedo
CLÉA SIMÕES – Velha (Anna de Lima)

e
ALEXANDRE – Frederico (criança, filho mais novo de Saninha e Dilermando)
ALEXANDRE LIPIANI – Euclides (jovem) [cenas excluídas]
ANNA AGUIAR (CAROLYNA AGUIAR) – sobrinha do Dr. Noronha
ANDRÉ LUCENA – Luiz (adulto)
ANDRÉA FERRER – amante que Dilermando, a beija no último capítulo
ÂNGELA TORNATORI
ANTÔNIO GRASSI – Francisco Escobar (amigo a quem Euclides exibe “Os Sertões” em primeira mão)
ARI – João (criança)
BAMBAMOLEQUE (KRISNAS, PAULO ROBERTO, LUIZÃO DA COSTA) – sambistas de rua
BRAGUINHA
BRENO BONIN – cliente do bar que debate sobre a segunda tragédia ser ou não crime militar
CAMILO BEVILACQUA – Caetano de Lamare Garcia (assistente de Evaristo de Moraes)
CARLOS ALBERTO MURTINHO – Antônio Heráclio do Rêgo (médico que atesta a morte de Quidinho)
CARLOS SEIDL – repórter
CÉSAR MACIEIRA – policial que retira Afonsinho da casa de Anna e Dilermando
CHICO TENREIRO – Olavo Bilac (jornalista, escritor e poeta)
CIDA MOREIRA – Dona Quinota (hóspede da pensão Monat)
CÍNTIA MAGALHÃES – Saninha (criança, na visão delirante de Alcmena)
DAISY LOURENÇO – enfermeira que cuida de Dilermando na segunda tragédia
DIOGO DAHL – aluno de Euclides no Ginásio Nacional
EDNEY GIOVENAZZI – Camilo Ratto (tio de Dilermando)
EDSON GUIMARÃES – Dr. Capanema (atesta a morte de Euclides)
EDWIGES GAMA – hóspede da pensão Monat
ELIAS TUFFY
ENRIQUE DIAZ – colega de Quidinho na Marinha
ETIENE – Judith (criança)
FELIPE WAGNER – comandante que expulsa Euclides do exército [cena excluída]
FERNANDO JOSÉ – cliente do bar frequentado por Euclides e amigos
FRANCISCO SILVA
GABRIELA BICALHO – Celina Fontainha Cabral (testemunha)
GILMAR BALTHAZAR – Amorim Júnior (repórter de O Paiz)
GUILHERME CORRÊA – Júlio Mesquita (jornalista proprietário do jornal O Estado de S. Paulo)
GUTO SIMAL – passageiro que conversa com Saninha no bonde
GUTTI FRAGA – Souza (redator do jornal Copacabana)
HEMÍLCIO FRÓES – Dr. Affonso Ferreira (médico que cuida de Dilermando na segunda tragédia)
IBAÑEZ FILHO – médico que diz à Saninha que ela está grávida
ISAAC BARDAVID – advogado Deocleciano Martyr
ISAC BERNARD – Mário Hora (vizinho de Dilermando)
IVAN MESQUITA – Abílio (advogado de Nestor)
JOÃO PAULO SARACENI – Dilermando (criança)
JOEL SILVA – proprietário do bar frequentado por Dinorah quando mendigo
JOMBA – hóspede da pensão Monat
JOSÉ PLÍNIO – repórter
JOSÉ ROBERTO MARINHO – Irineu Marinho (secretário da Gazeta de Notícias)
JOSÉ STEIMBERG – médico do Ginásio Nacional
JUAN DANIEL – Constantino (vizinho de Dilermando)
JULIANA MARTINS – Saninha (jovem) [cenas excluídas]
JÚLIO BRAGA – policial que apresenta o delegado Oliveira Alcântara
KLEBER DRABLE – João Buarque de Lima (juiz do primeiro julgamento)
LEDA BORBA – hóspede da pensão Monat
LEONARDO JOSÉ – Theophilo Nolasco de Almeida (capitão da Marinha que discursa no enterro de Quidinho)
LUÃ UBACKER – Frederico (bebê, filho mais novo de Saninha e Dilermando)
LUCIANO VIANNA – Alcides Silva (repórter da Gazeta de Notícias)
MANOLO REY – repórter no necrotério
MARIA DE OLIVEIRA (MARIA MARIANA) – Judith (adolescente)
MIGUEL ROSEMBERG – sargento Cardoso (de quem Quidinho se despede na Marinha)
MOZART RÉGIS JR. – Joaquim Vaz de Araújo (vizinho de Dilermando)
NILDO PARENTE – Dr. Sebastião Ivo Soares (médico de Dilermando)
NORMA GERALDY – Henriqueta (vizinha de Dilermando)
OBERDAN JR. – João (adolescente)
OLDER CAZARRÉ – médico que vê Alcmena passando mal
ORION XIMENES – tabelião Luiz Martins
OSWALDO LOUREIRO – Major Solon Ribeiro (pai de Saninha)
OSWALDO LOUZADA – Dr. Érico Coelho (médico a quem Saninha pede remédio para abortar)
OSWALDO NEIVA – Joaquim de Moraes Jardim (auditor do Conselho de Guerra)
PAULO PINHEIRO – Luiz Pio Duarte Silva (promotor público)
PAULO PORTO – Alfredo Machado Guimarães (juiz de órfãos)
PAULO TRAJANO – convidado no casamento de Euclides e Anna [cena excluída]
RAFAEL MARTINS – Luiz (criança)
RENATA – Laura (criança)
RICARDO KOSOVSKY – Antônio (namorado de Alcmena)
ROBERTO PIRILO – escrivão José Luiz Fernandes
ROBERTO RÊGO
ROGÉRIO FRÓES – Marechal Floriano Peixoto (presidente da República) [cena exibida somente pela Globo Internacional]
RONALDO TASSO – policial assistente de Solon no Acre
ROQUE BITTENCOURT – Antônio Conselheiro (líder religioso) [cena exibida somente pela Globo Internacional]
ROSANE / ROSSANE – mulher de branco que aparece nas visões de Euclides desde criança
RÚBEM DE BEM – médico de Quidinho
SELMA LOPES – mulher que comenta a morte de Quidinho no hospital
SÉRGIO FORTUNA
SHEILA MATTOS – prostituta em cenas com Dinorah quando mendigo
SOLANGE JOUVIN
TARYN SZPILMAN – Laura (adolescente)
TONY TEIXEIRA
VALDIR ESPINOZA – Joaquim Antônio de Souza Ribeiro Filho (presidente do Botafogo) [cena excluída]
VÂNIA BRITO – enfermeira que destrata Dilermando
VERA ZIMMERMANN – Joaquina (mãe de Dilermando)
VINÍCIUS MARQUES – Ramiro Souto (colega de Dilermando)
VINÍCIUS SALVATORI – Abelardo da Luz (delegado que investiga o paradeiro de Afonsinho)

A autora Glória Perez, que pesquisou a fundo o crime e todos os antecedentes, trouxe para a TV uma das mais belas minisséries já apresentadas. A beleza e a segurança do trio de atores centrais, uma criteriosa produção de época e aproximadamente 100 intérpretes em cena, proporcionaram um grande momento. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

Para reconstituir os fatos verídicos, Glória Perez recompôs todos os passos de Euclides da Cunha na semana anterior à sua morte e fez um estudo sobre os artigos veiculados pela imprensa nos primeiros 15 dias depois da tragédia, para verificar que opinião pública se formara sobre o fato. Além disso, a autora teve acesso à correspondência entre Dilermando e Anna de Assis.

Serviram como fontes de pesquisa para Glória Perez: os autos do Processo-Crime número 1909/1909 e os autos do Inventário do escritor Euclides da Cunha; a Tribuna do Advogado (edição da OAB/RJ); jornais da época depositados na Biblioteca Nacional; e os livros “Um Nome, Uma Vida, Uma Obra”, “Um Conselho de Guerra” e “A Tragédia da Piedade” – todos de Dilermando de Assis; “Anna de Assis, História de um Trágico Amor”, de Judith Ribeiro de Assis e Jefferson de Andrade; “A Vida Dramática de Euclides da Cunha”, de Eloi Pontes; “Euclides da Cunha”, de Silvio Rabello; e “O Desastre Amoroso de Euclides da Cunha”, de Umberto Peregrino.

A minissérie foi criticada pelos descendentes de Dilermando e Anna de Assis, que questionaram a concepção de algumas cenas. Já os descendentes de Euclides da Cunha aprovaram a versão televisiva do drama real.

Glória Perez relatou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo) que encontrou muita dificuldade no trabalho de pesquisa para a minissérie:
“Foi uma história difícil de contar. A pesquisa durou sete, oito meses (…) Procurei as duas famílias e conheci o Luís, o filho da Saninha com Dilermando nascido durante o casamento dela com Euclides – aquele de quem Euclides disse ‘Nasceu uma espiga de milho no meu cafezal’. Foi a descoberta de que Luís não era filho de Euclides que detonou a tragédia. (…) Da parte da família do Euclides da Cunha, encontrei o Sr. Joel Bicalho Tostes (…) genro do filho mais jovem de Euclides, o único que sobreviveu.
Ainda: “Na época de minha pesquisa, a Judith, outra filha de Saninha e Dilermando, tinha acabado de lançar um livro e queria que eu escrevesse a minissérie com base nessa obra. Recusei, claro. O livro era muito parcial, fazia acusações graves e absolutamente irreais a Euclides (…) Ela se zangou. Mas a explosão mesmo veio com a divulgação do elenco (…) Judith ficou inconformada com a escalação de Tarcísio Meira para o papel de Euclides. Considerou isso uma verdadeira afronta, uma vez que Euclides era ‘um homem feio, magro e tísico’. Também ficou indignada com a escolha do Guilherme Fontes para interpretar Dilermando, que era ‘alto, forte, lindíssimo’.”

Na época, a Globo já travava uma batalha por audiência contra a novela Pantanal, da TV Manchete. Por isso, a emissora decidiu estrear Desejo no domingo do dia 27/05/1990, logo após o Fantástico, que, como gancho, exibira uma matéria especial apresentando a minissérie e sua trama. A data de estreia no domingo se repetiu com a minissérie seguinte, A, E, I, O.. Urca.

Desejo foi lançada em vídeo, pela Globo Vídeo, e reprisada algumas vezes:
de 4 a 21/04/1995, em 12 capítulos, nas comemorações de 30 anos da emissora;
entre 6 e 16/10/1998, em 8 capítulos;
e pelo canal Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), duas vezes, na íntegra: entre 02 e 24/11/2010 e entre 18/07 a 09/08/2011.
Também foi lançada em DVD, em 2005.

A edição da revista Isto É de 30/05/1990 – três dias após o início da minissérie, mas certamente fechada na semana anterior -, informa que a trama se iniciaria com o casamento de Euclides da Cunha (que aconteceu em 1890) e teria uma breve passagem de dez anos, passando para 1900. Apesar de gravada, essa primeira fase não passou na TV: na edição da estreia, a trama se inicia em 1892, com Euclides e Anna já casados, e o primeiro capítulo termina em 1905, com o beijo de Anna e Dilermando. As sequências com Euclides jovem (vivido pelo ator Alexandre Lipiani), na Escola Militar e depois se casando, foram exibidas parcialmente no Fantástico que antecedeu à estreia (em 27/05/1990) como parte do material de divulgação da minissérie.
A edição de Desejo para a Globo Internacional teve 16 capítulos, trazendo, principalmente no primeiro, várias cenas nunca exibidas no Brasil, mas ainda assim, excluindo a primeira fase, iniciando a trama tal qual a edição nacional. Dessa forma, alguns atores creditados à minissérie não apareceram no Brasil, mas acabaram surgindo na edição para o exterior. (pesquisa: Felipe Rissato)

No elenco, uma curiosidade: a presença de José Roberto Marinho, filho do então proprietário do Grupo Globo, Roberto Marinho, interpretando seu avô, o jornalista Irineu Marinho, que cobriu, em agosto de 1909, a morte de Euclides da Cunha.

Trilha Sonora *

01. DESEJO (tema de abertura)
02. SOLIDÃO / TEMA DE ALQUIMENA
03. A SEPARAÇÃO / A TRAIÇÃO
04. O ENGANO / TEMA GERAL
05. TENSÃO / PAIXÃO
06. O PASSEIO / SOZINHO / O SONHO
07. A FESTA DA CHEGADA
08. VISÃO DE EUCLIDES / TRISTE / TEMA GERAL / TEMA DE DILERMANDO / DESEJO

Direção musical: Mariozinho Rocha
Arranjos, execução e interpretação: Roger Henri

* A trilha sonora também contém as músicas da minissérie Boca do Lixo

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