Sinopse

Um retrato fiel da classe média, a família Brasil, como o nome sugere, é tipicamente brasileira. A mãe é Elizabeth, que largou a faculdade de Economia para cuidar dos filhos, mas que agora trabalha na própria empresa de eventos. Ela é irmã de Eugênio, que vive filando o jantar. O pai deles, Vicente, mora com Beth. Ele adora uma discussão e passa os dias em filas do INSS. É o sogro de Antônio Carlos, um engenheiro de minas especializado em hidrogeologia e inconformado com a seca do Nordeste. Militante de esquerda nos anos 60, agora sua posição política tende para as posições politicamente corretas. Léo é o caçula maníaco por computadores que vive implicando com a irmã Tatiana, uma cara-pintada que sonha em ser atriz. Ela namora Grilo, um ecomaníaco, filho de ex-hippies. A família não viveria sem a empregada Berê, uma mineira virgem, messiânica convicta. Ela vive implicando com o porteiro Delmiro.

Um pai que sofre vendo o salário acabar e o mês insistir em continuar; uma filha que preza o amor acima de tudo, inclusive acima dos rendimentos do pai, que sustenta o revezamento de genros em sua casa; um neto curioso em relação ao mundo, coisa que o avô já não sabe mais explicar, se é que soube um dia.

Assim é a Família Brasil, ou parte dela.

Manchete – 20h
de 9 de agosto de 1993 a fevereiro de 1994

criação de Regina Braga e Márcio Tavolari
série baseada nas tiras de Luís Fernando Veríssimo
escrita por Carlos Eduardo Novaes, Regina Braga e Márcio Tavolari
direção de Henrique Martins
supervisão de Marcos Schetchmann e Fernando Barbosa Lima

CARLOS GREGÓRIO – Antônio Carlos (Tonho)
SILVIA MASSARI – Elisabete (Bete)
HEMÍLCIO FRÓES – Vovô Vicente
MARCOS WAIMBERG – Eugênio
DANTON MELLO – Grilo
NÍVEA STELLMAN – Tatiana
DANIEL ÁVILA – Leonardo
LUIZ CARLOS BAHIA – Delmiro
BETTY ERTHAL – Berenice
BETTINA VIANNY – Norma
EDMUNDO ALBRECHT
Baseada nas tiras de Luís Fernando Veríssimo, que faziam sucesso em vários jornais do país, virou seriado com pouca repercussão, apresentado de segunda a sexta-feira, às 20 horas.

No ano seguinte,a Globo adaptaria A Comédia da Vida Privada, outro texto de Veríssimo, mas agora com sucesso.

Márcio Tavolari, um dos autores, narra sobre a Família Brasil:
“Era um seriado diário, que misturava as notícias do dia com dramaturgia. Eu e a Regina (Braga) escrevíamos os episódios durante a madrugada com base nas notícias que colhíamos junto ao jornais e departamento de jornalismo da Manchete. Era uma loucura pois ainda não existia a facilidade da Internet. Os roteiros seguiam para a emissora às 6 da manhã, entrava em produção, o elenco recebia às 11h, a gravação começava às 13h e às 18h o programa estava finalizado e sonorizado. Às 19h30 entrava no ar, fazendo link no último bloco com o Jornal da Manchete.”

A partir de 27/09/1993, o seriado foi ao ar com reformulações promovidas por Carlos Eduardo Novaes, que assumiu a supervisão de texto. A fria discussão dos fatos do dia, que soava falsa e sem graça, deu lugar à crônica do cotidiano da classe média brasileira. Para Novaes, a antiga fórmula era “um equívoco. Se a proposta era de um programa de ficção, não podia ficar a reboque do fato jornalístico”, disse. A primeira providência foi mudar a estrutura do seriado. Os episódios passaram a ser fechados, e o humor, mais incidental. A crítica política não foi abandonada, mas deixou de ser obsessão. O perfil de quase todos os personagens foi alterado. Tonho (Carlos Gregório), por exemplo, deixou de ser de esquerda, e Bete (Sílvia Massari) perdeu o emprego para ficar mais fútil e burrinha. Os episódios passaram a ser gravados semanalmente, e não mais no dia que eram exibidos. As modificações atingiram ainda o elenco: Danton Melo foi transferido para o elenco da novela Guerra Sem Fim, e Helmício Fróes, que vivia o vovô Vicente, desapareceu da trama. Em compensação, a Família ganhou uma nova componente: a professora Norma, vivida por Betina Vianny, a irmã politizada e culta de Tonho, que vai morar com ele depois de uma desilusão amorosa.
(fonte: Jornal O Dia, publicado em 26/09/1993).

Em 2009, a RBS TV do Rio Grande do Sul produziu uma nova versão dos quadrinhos de Luís Fernando Veríssimo.

Tema de Abertura

A família está faminta
Tá na hora do jantar
Na telinha o que pinta
Torna-se familiar

As imagens desse mundo
Que invadem nosso lar
O país em um segundo
Integrado pelo ar

O Brasil é uma grande família
De norte a sul passando por Brasília
A TV fez da nação uma aldeia
Reúne o povo na hora da ceia…

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