Sinopse

Em 1925 ocorre uma grande seca no Nordeste e populações famintas abandonam o campo rumo ao sul, levando o mínimo necessário para a sobrevivência. A cidade de Ilhéus, no interior da Bahia, começava a se transformar graças às lucrativas lavouras de cacau que faziam crescer as fortunas dos donos das terras. Por causa da seca, deslocam-se para o lugar os migrantes. Com eles chega a jovem retirante Gabriela, órfã desde menina. Ingênua e criada num ambiente onde as situações é que determinam os valores morais, ela aceita tudo com naturalidade e acha difícil compreender a vida complicada das pessoas da cidade. Cobiçada por muitos, Gabriela vai trabalhar como cozinheira na casa do turco Nacib, proprietário do Bar Vesúvio, com quem inicia uma grande e sensual história de amor.

Em Ilhéus, os fazendeiros de cacau pensam em unir as forças religiosas da população para pedir aos céus que lavassem as plantações castigadas pela seca. O lugarejo ferve com a preparação de uma procissão, idéia do Coronel Ramiro Bastos, que dita as normas no lugar. Ele pensou em unir na procissão anual de São Jorge dos Ilhéus o que havia de mais representativo na igreja: os protegidos de São Sebastião – os ricos, os de São Jorge – os pobres, e os de Santa Madalena – os boêmios e as prostitutas.

O Coronel Ramiro Bastos, chefe político da região, aos 82 anos de idade sente que os tempos mudaram e sabe que a frágil união conseguida na procissão não será suficiente para garantir seu poder e o dos coronéis do cacau, seus aliados. Entra em conflito com o recém-chegado Mundinho Falcão, um jovem exportador de cacau que vem a Ilhéus cheio de ideias renovadoras. Mundinho associa-se à oposição política, até então vítima de eleições forjadas para manter os coronéis no poder. O motivo imediato do conflito entre os dois é a construção de um novo porto, proposta por Mundinho, a que Ramiro se opõe ferrenhamente. Conflito maior deflagrado pelo romance que inicia-se entre o Dr. Mundinho e a neta do coronel, Jerusa.

A renovação política e social, à primeira vista, parece fraca para destituir o Coronel Ramiro Bastos, ditando as ordens na região. Ao final a situação está enfraquecida, e a morte do coronel traz novo alento à oposição. Tanto que Mundinho recebe o aval para namorar Jerusa. Porém o rapaz termina sendo adorado pelas baianas, que lhe beijam a mão em praça pública, uma atitude que lembrava nitidamente o coronelismo da região.

O cotidiano da vida em Ilhéus é ainda retratado por meio de outros personagens importantes, como Zarolha e Maria Machadão, líderes das “raparigas” do Cabaré Bataclan; Tonico Bastos, filho do Coronel Ramiro, um “don juan” conquistador de mulheres solteiras e casadas que acaba envolvendo Gabriela; e Malvina, amiga de Jerusa, uma jovem contestadora e corajosa que assume posições avançadas para as mulheres da época.

Globo – 22h
de 14 de abril a 24 de outubro de 1975
132 capítulos

novela de Wálter George Durst
baseada no romance Gabriela Cravo e Canela de Jorge Amado
direção de Wálter Avancini e Gonzaga Blota
direção geral de Wálter Avancini

Novela anterior no horário
O Rebu

Novela posterior
O Grito

SÔNIA BRAGA – Gabriela
ARMANDO BÓGUS – Nacib
PAULO GRACINDO – Coronel Ramiro Bastos
JOSÉ WILKER – Mundinho Falcão
FÚLVIO STEFANINI – Tonico Bastos
NÍVEA MARIA – Jerusa
ELIZABETH SAVALA – Malvina
GILBERTO MARTINHO – Coronel Melk Tavares
CASTRO GONZAGA – Coronel Amâncio Leal
FRANCISCO DANTAS – Coronel Jesuíno Guedes Mendonça
RAFAEL DE CARVALHO – Coronel Coriolano Ribeiro
JAIME BARCELOS – Dr. Ezequiel Prado
ARY FONTOURA – Doutor (Dr. Clóvis Costa Pelópidas)
LUÍS ORIONI – João Fulgêncio
SÉRGIO DE OLIVEIRA – Capitão
ANA MARIA MAGALHÃES – Glória
MARCO NANINI – Professor Josué
ELOÍSA MAFALDA – Maria Machadão
NATÁLIA DO VALLE – Orora
MÁRIO GOMES – Berto Leal
HEMÍLCIO FRÓES – Alfredo Bastos
SÔNIA OITICICA – Silvia
ANA ARIEL – Idalina
ÂNGELA LEAL – Olga
MONAH DELACY – Dadá
PAULO GONÇALVES – Dr. Maurício Caires
THELMA RESTON – Dona Arminda
JORGE CHERQUES – Padre Basílio
COSME DOS SANTOS – Tuísca
TONICO PEREIRA – Chico Moleza
MARGARETH BOURY – Mariquinha
MARIA LÚCIA DAHL – Jandaia
MARIA DAS GRAÇAS – Isolina
ILCLÉIA MAGALHÃES – Pretinha
e
ADHEMAR RODRIGUES – Clemente (retirante que fez a travessia com Gabriela, no início, envolveu-se com ela)
ALCIRO CUNHA – Coronel Aristóteles Pires (político da região, alia-se a Mundinho)
ANTÔNIO CARLOS
ANTÔNIO VICTOR – juiz
BLANCHE PAES LEME – Dona Crisalina (beata de Ilhéus)
CIDINHA MILAN – Chiquinha (rapariga do Coronel Coriolano, tem um caso com Juca Viana)
CLEMENTINO KELÉ – Negro Fagundes (retirante que fez a travessia com Gabriela, no início, quer se tornar capanga de coronel)
DINA SFAT – Zarolha (braço-direito de Maria Machadão no Bataclan, xodó de Nacib, vai embora de Ilhéus)
FERREIRA LEITE
GERMANO FILHO – Silva (tio de Gabriela, morre durante a travessia da caatinga, no início)
HUGO CARVANA – Dr. Argileu Palmeira (bacharel e poeta que distribui seu cartão de visitas ao povo de Ilhéus)
ILVA NIÑO – Filomena (cozinheira que deixa Nacib, no início)
ISAAC BARDAVID – juiz que preside o julgamento do Coronel Jesuíno
JOÃO PAULO ADOUR – Dr. Osmundo Pimentel (jovem dentista que tem um caso com a Sinhazinha Guedes Mendonça)
LÍBIA ESMERALDA – Dona Jorgina (empregada na casa dos Bastos)
MARCOS PAULO – Rômulo Vieira (amigo de Mundinho Falcão, engenheiro desquitado, envolve-se com Malvina)
MARIA ANGÉLICA – Neusona (prostituta do Bataclan)
MARIA FERNANDA – Sinhazinha Guedes Mendonça (mulher do coronel Jesuíno, tem um caso com Dr. Osmundo)
MARILENA CURY – Zobaida (prima solteirona de Nacib, cujos parentes tentam lhe arranjar como noiva)
MILTON GONÇALVES – Filó (ladrão de cavalos, preso várias vezes)
NAZARETH ALAIR – beata de Ilhéus
NEILA TAVARES – Anabela (comparsa de Príncipe em seu golpe em Ilhéus)
PAULO CÉSAR PEREIO – Príncipe Sandra (mágico que chega a Ilhéus com Anabela para dar um golpe na cidade)
PEDRO PAULO RANGEL – Juca Viana (amigo de Berto Leal, tem um caso com Chiquinha)
REGINA VIANA – Salma (irmã de Nacib, tenta arranjar um casamento para ele)
ROBERTO BONFIM – Chico Chicão (bandido temido e sanguinário que ameaça o povo de Ilhéus, apaixona-se por Orora)
RUBENS DE FALCO – João Pimentel (pai do Dr. Osmundo que vai a Ilhéus por conta da morte do filho, se encanta com Gabriela)
SAMIR DE MONTEMOR – Saad (comerciante, tio de Nacib, tenta arranjar um casamento para ele)
STÊNIO GARCIA – Felismino (antigo morador de Ilhéus que entregou a mulher traidora ao amante dela)

– núcleo de GABRIELA (Sônia Braga), retirante que chega a Ilhéus fugindo da seca. Moça bela, sem maldade e de espírito livre:
o tio SILVA (Germano Filho), que a acompanha pela caatinga até falecer
os outros retirantes: NEGRO FAGUNDES (Clementino Kelé) e CLEMENTE (Adhemar Rodrigues), apaixonado por ela, com quem viveu um romance na travessia da caatinga. Os dois retirantes tornam-se jagunços ao chegar em Ilhéus.

– núcleo do turco NACIB (Armando Bógus), dono do Bar Vesúvio, ponto de encontro dos moradores de Ilhéus. Figura simpática e conhecida de todos. Apaixona-se pela beleza e ingenuidade de Gabriela, que ele emprega em sua casa para ser sua cozinheira:
a cozinheira FILOMENA (Ilva Niño), que deixa Nacib logo no início, pois ela se demite. É quem mais o incentiva a casar-se, embora ele sempre fuja do assunto
DONA ARMINDA (Thelma Reston), viúva, espírita e parteira afamada. De língua ferina, ajuda Nacib em pequenas tarefas domésticas. Torna-se amiga de Gabriela
o empregado do Vesúvio, CHICO MOLEZA (Tonico Pereira), filho de Dona Arminda
o engraxate TUÍSCA (Cosme dos Santos), garoto de recados de Ilhéus, torna-se amigo de Gabriela.

– núcleo do CORONEL RAMIRO BASTOS (Paulo Gracindo), líder político da região. É um homem temido por todos, que dita as leis de acordo com seus interesses:
o filho mais velho, ALFREDO (Hemílcio Fróes), médico, não tem tino político para dar continuidade à supremacia da família Bastos na região, o que preocupa Ramiro, que quer deixar um herdeiro no comando
a nora SILVIA (Sônia Oiticica), mulher de Alfredo, respeita o sogro a quem admira mais que o marido
a neta JERUSA (Nívea Maria), filha de Alfredo, moça doce e romântica
o filho mais novo, TONICO (Fulvio Stefanini), frequentador assíduo do Vesúvio e do Bataclan, famoso bordel de Ilhéus. Mulherengo inveterado, apesar de casado. Vai tentar seduzir Gabriela
a nora OLGA (Ângela Leal), mulher de Tonico, esposa ciumenta e que acredita na fidelidade do marido
a empregada ISOLINA (Maria das Graças), assediada por Tonico.

– núcleo de MUNDINHO FALCÃO (José Wilker), jovem exportador de cacau que chega a Ilhéus. De ideias progressistas, entra em choque com o Coronel Ramiro Bastos ao envolver-se nos movimentos de renovação política na região. Para enfrentá-lo, aproxima-se de sua neta, Jerusa, por quem acaba apaixonado:
DR. EZEQUIEL PRADO (Jaime Barcelos), alcoólatra, jurista de ideias liberais, amigo de Nacib
DR. PELÓPIDAS (Ary Fontoura), conhecido apenas como DOUTOR, apoia as ideias de Mundinho
JOÃO FULGÊNCIO (Luís Orioni), aliado de Mundinho, dono de uma papelaria que é o centro intelectual de Ilhéus
CAPITÃO (Sérgio de Oliveira), outro aliado de Mundinho.

– núcleo do CORONEL MELK TAVARES (Gilberto Martinho), braço direito do Coronel Ramiro Bastos. Homem rígido e de personalidade forte:
a mulher IDALINA (Ana Ariel), submissa ao marido
a filha MALVINA (Elizabeth Savala), amiga e confidente de Jerusa. Moça de ideias liberais, não aceita as imposições à mulher na sociedade de seu tempo. Vive batendo de frente com o pai autoritário
RÔMULO VIEIRA (Marcos Paulo), engenheiro, amigo de Mundinho, vem a Ilhéus a trabalho e seduz Malvina, que se apaixona por ele.

– núcleo do CORONEL AMÂNCIO LEAL (Castro Gonzaga), aliado de Ramiro Bastos e, portanto, opositor de Mundinho Falcão:
a mulher DADÁ (Monah Delacy)
o filho BERTO (Mário Gomes), rapaz boa pinta e boa vida. O pai quer que ele se envolva com Jerusa, para que sua família se à família Bastos.

– núcleo do CORONEL JESUÍNO GUEDES MENDONÇA (Francisco Dantas), velho de ideias retrógradas, homem violento e rude, amigo do Coronel Ramiro Bastos:
a mulher SINHAZINHA GUEDES MENDONÇA (Maria Fernanda), sofre nas mãos do marido, um homem bruto. Mulher elegante e charmosa, é inconformada com a vida que leva, apesar da submissão ao marido
o jovem dentista DR. OSMUNDO PIMENTEL (João Paulo Adour), que vem da capital para montar um consultório em Ilhéus. Tem um romance com Sinhazinha, mas o casal de amantes é descoberto pelo marido dela.

– núcleo do CORONEL CORIOLANO RIBEIRO (Rafael de Carvalho), que vive em sua fazenda mas mantem uma casa em Ilhéus para sua “teúda e manteúda”. Desconfiado e ciumento, sempre acha que está sendo traído, pois já fora várias vezes, o que o faz trocar constantemente de amante:
a “teúda e manteúda” anterior CHIQUINHA (Cidinha Milan), que ele expulsou da cidade ao flagrá-la com o estudante JUCA VIANA (Pedro Paulo Rangel)
a atual “teúda e manteúda” GLÓRIA (Ana Maria Magalhães), que ele proíbe a sair de casa, o que faz com que ela passe o dia na janela a olhar o movimento da rua para se distrair
o PROFESSOR JOSUÉ (Marco Nanini), que dá aulas de literatura no colégio local. Jovem tímido e romântico, vai viver um tórrido romance com Glória, longe dos olhos do Coronel Coriolano
a empregada PRETINHA (Ilcéia Magalhães).

– núcleo do cabaré Bataclã, o bordel de Ilhéus:
a cafetina MARIA MACHADÃO (Eloísa Mafalda), autoritária no trato com suas meninas, conhece a fundo os poderosos de Ilhéus
a prostituta ZAROLHA (Dina Sfat), amiga de Maria Machadão. É a preferida de Nacib, até a chegada de Gabriela. Deixa Ilhéus logo no início
as demais prostitutas, ORORA (Natália do Valle), filha de Maria Machadão, JANDAIA (Maria Lucia Dahl), exímia jogadora de cartas, e NEUSONA (Maria Angélica)
a menina MARIQUINHA (Margarethe Boury), protegida de Maria Machadão
o bandido CHICO CHICÃO (Roberto Bomfim), com quem Orora foge.

– demais personagens:
PADRE BASÍLIO (Jorge Cherques), pároco de Ilhéus, sacerdote submisso que sofre com a pressão das beatas contra as prostitutas do Bataclan
MAURÍCIO CAIRES (Paulo Gonçalves), diretor do colégio, puxa-saco e pau mandado do Coronel Ramiro Bastos
PRÍNCIPE SANDRA (Paulo César Pereio), ilusionista vigarista que chega a Ilhéus com Mundinho Falcão
ANABELA (Neila Tavares), comparsa de Príncipe em seus golpes, usa a beleza para enganar os homens
FILÓ (Milton Gonçalves), irmão mais velho de Tuísca, tornou-se ladrão de cavalos por forças das circunstâncias. Preso inúmeras vezes, nunca se conformou com o cativeiro, sempre alerta para uma fuga
ARGILEU PALMEIRA (Hugo Carvana), poeta e bacharel, apresenta-se a todos com seu cartão de visitas
JOÃO PIMENTEL (Rubens de Falco), pai do Dr. Osmundo, vem a Ilhéus por causa do assassinato do filho. Encanta-se por Gabriela
FELISMINO (Stênio Garcia), antigo morador de Ilhéus que entregou a mulher traidora ao amante dela e, portanto, foi ridicularizado pela população local
CORONEL ARISTÓTELES PIRES (Alciro Cunha) político da região, alia-se a Mundinho
SALMA (Regina Viana) e SAAD (Samir de Montemor), respectivamente irmã e tio de Nacib, tentam arranjar-lhe um casamento com a prima solteirona ZOBAIDA (Marilena Cury).

A TV Globo se esmerou no lançamento da novela, com a qual comemorava seus dez anos de existência e cinco de liderança nacional.
Gabriela proporcionou momentos artísticos relevantes para a história da televisão brasileira. A adaptação de Wálter George Durst e a direção de Wálter Avancini valorizaram, ampliaram e explicaram a obra de Jorge Amado (o romance foi lançado em 1958), principalmente no aspecto político – em que se deteve maior parte de sua criação.
A preparação teve o aspecto “hollywoodiano” das super produções. O elenco foi escolhido a dedo. Criou-se até um clima para saber quem seria a Gabriela – ao estilo de Selznick à procura de sua Scarlett O’Hara de …E o Vento Levou. Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

Sobre a escalação de Sônia Braga, Daniel Filho narrou em seu livro “O Circo Eletrônico”:
“Quem faria o papel-título de Gabriela? Pensei em algo inusitado, afinal tínhamos uma Gabriela no imaginário do público brasileiro: Gal Costa. Ela não aceitou. ‘Sei representar não’, disse com aquela malícia baiana e olhar de Gal/Gabriela. Boni pediu testes. Testamos incontáveis mulheres por dia, modelos e mulatas exportação, o diabo a quatro. Mas eu tinha esse trunfo na manga que era esse Caso Especial com a Sônia. (…) Mas Boni não concordava com aquela escolha: via a Sônia de Selva de Pedra e Fogo Sobre Terra. E eu obcecado: Sônia ia ser Gabriela. Mostrei ao Avancini, que comprou a ideia mas com reservas. (…) Acho que ninguém no mundo poderia sugerir outra Gabriela, senão aquela inesquecível que subiu no telhado com a garotada lá embaixo.”

Muitos foram os destaques no elenco. Sônia Braga foi elevada à categoria de estrela depois de sua Gabriela. Dina Sfat fez uma participação inesquecível como a prostituta Zarolha. Fúlvio Stefanini esteve impagável como Tonico Bastos. Paulo Gracindo foi envelhecido para viver o Coronel Ramiro Bastos. José Wilker consagrou-se como Mundinho Falcão. Além da novela ter revelado a talentosa atriz Elizabeth Savala em sua estreia na TV. Foi também a estreia da atriz Natália do Valle.

Além da icônica sequência em que Gabriela sobe no telhado para pegar uma pipa, outras cenas entraram para a história da TV, como o flagrante que Nacib (Armando Bógus) dá em Gabriela, na cama com Tonico Bastos; a surra do Coronel Melk Tavares (Gilberto Martinho) em sua filha Malvina (Elizabeth Savala); e o Coronel Guedes Mendonça (Francisco Dantas) “lavando sua honra com sangue” ao matar a esposa (Maria Fernanda) e o amante (João Paulo Adour) em um flagrante de adultério.

Os vinte primeiros capítulos foram gravados com uma câmera fixa. Isso só mudou com a entrada na trama de Mundinho Falcão (José Wilker), personagem que simbolizava a modernidade e a mudança, em contraponto aos padrões arcaicos do coronelismo. Já na primeira cena com Mundinho, as câmeras ganham mobilidade e acompanham a trajetória do barco que traz o personagem a Ilhéus. Site Memória Globo.

O capítulo do dia 12/05/1975 mostrou os atores Pedro Paulo Rangel e Cidinha Milan nus. Ele era Juca Viana e ela, Chiquinha, uma das “raparigas” do Coronel Coriolano (Rafael de Carvalho). Flagrados na cama, Chiquinha e Juca foram atirados na rua sem roupas, debaixo de chuva, escorraçados pelos jagunços e humilhados pelo povo. Para passar pela Censura, o diretor Avancini gravou as tomadas à distância, como pedia o roteiro de Durst no capítulo 21: “O casal, de fato, aparentemente nu, mas não se vendo nada por causa da distância do plano.”

O trabalho dos cenógrafos Mário Monteiro e Gilberto Vigna, auxiliados pela Divisão de Engenharia da emissora, montaram em Guaratiba, nos arredores do Rio de Janeiro, uma reprodução de Ilhéus baseada em desenhos do artista plástico baiano Carybé.

Para a construção dos cenários, um dos mais trabalhosos da televisão brasileira até então, foi preciso aterrar uma área de 1.200m2, instalar uma caixa d´água com capacidade de 16 mil litros e um transformador de 50kw, imprescindíveis à iluminação e geração de energia para as gravações. As cenas de caatinga foram feitas em Maricá (RJ).

Em um antigo livro de gravuras, a figurinista Marília Carneiro encontrou inspiração para o corte de cabelo de Malvina, interpretada por Elizabeth Savala. Então com 19 anos, a atriz usava o cabelo comprido, até a cintura, quando lhe informaram que sua personagem, uma jovem de comportamento transgressor, devia ter cabelos muito curtos, a la chanel, um visual muito avançado para a época. A atriz saiu do cabeleireiro aos prantos, mas acabou gostando do resultado e até adotou o corte depois da novela. O penteado virou moda e foi copiado no Brasil inteiro. Site Memória Globo.

A bengala usada pelo personagem Rômulo Vieira, interpretado por Marcos Paulo, não era um mero acessório da caracterização. Ela foi incorporada ao personagem por conta de uma necessidade do ator, que sofrera um grave acidente de moto em janeiro de 1975. Site Memória Globo.

Jardel Filho foi o nome inicialmente pensado para viver Nacib.

Fúlvio Stefanini contou a Flávio Ricco e José Armando Vannucci para o livro “Biografia da Televisão Brasileira” que estava cotado para viver Mundinho Falcão. Mas tanto ele quanto o diretor Wálter Avancini preferiram o conquistador Tonico Bastos, um tipo caricato, com trejeitos marcantes e uma caracterização única. O bigodinho (à la Clarck Gable) era sempre penteado, como um tique nervoso do personagem, uma ideia do ator ao diretor.

O artista plástico Aldemir Martins, que já ilustrava os livros de Jorge Amado, foi o responsável pela abertura da novela, que apresentava suas belas aquarelas. Ele voltaria a fazer a abertura de outra adaptação de obra de Jorge Amado para a TV: a novela Terras do Sem Fim, em 1981.

A trilha sonora encomendada especialmente para a novela marcou época. Produzida pelo maestro Guto Graça Mello, a trilha reuniu doze músicas inéditas, entre elas, Alegre Menina, composta por Dori Caymmi a partir de um poema de Jorge Amado, e interpretada pelo então iniciante Djavan, e Filho da Bahia, canção que projetou Fafá de Belém para o sucesso. O tema de abertura, Modinha para Gabriela, foi composto especialmente por Dorival Caymmi e interpretado por Gal Costa.

Mal terminadas as gravações de Gabriela, alguns atores já emendaram com a próxima produção da Globo, A Moreninha, a nova novela das seis. Durante a semana de 20 a 24/10/1975, os atores Marco Nanini e Nívea Maria puderam ser vistos, simultaneamente, na última semana de exibição de Gabriela, na qual viviam Professor Josué e Jerusa, e na primeira de A Moreninha, em que eram Felipe e Carolina.
Em comum, as duas novelas também tinham em seus elencos os atores Jaime Barcelos, Luís Orioni, Sérgio de Oliveira, Ana Ariel e Natália do Valle.

Gabriela foi a primeira telenovela vendida para Portugal, abrindo caminho à exportação para outros continentes. Na data de seu lançamento, em 16/05/1977, através da RTP (Rádiotelevisão Portuguesa), foi organizada uma “noite brasileira”, com show de Vinícius de Moraes, Toquinho e Maria Creuza.

Em 1983, a história foi filmada pelo diretor Bruno Barreto. Com locações em Parati, o filme manteve Sônia Braga como protagonista, uma vez que ela já desfrutava de reconhecimento estrangeiro. Mas importou o astro italiano Marcello Mastroianni para o papel de Nacib, contratando ainda Tom Jobim para a trilha sonora, ambos os nomes com vistas ao mercado internacional.

O romance de Jorge Amado já tivera uma versão para a TV, produzida em 1960 por Maurício Shermann, com Janete Vollu (Gabriela) e Paulo Autran (Mundinho Falcão).

Em 2012, a Globo levou ao ar uma nova adaptação de “Gabriela Cravo e Canela”, escrita por Walcyr Carrasco, com Juliana Paes como Gabriela e Humberto Martins como Nacib.
José Wilker e Ary Fontoura – do elenco da versão de 1975 – participaram também deste remake.
Na novela original, Wilker foi Mundinho Falcão e, em 2012, o Coronel Jesuíno (personagem que era de Francisco Dantas).
Ary Fontoura, por sua vez, foi o Doutor Pelópidas em 1975 e, no remake, o Coronel Coriolano (Rafael de Carvalho na década de 70).

Jorge Amado foi o romancista mais adaptado para a televisão brasileira. Além de Gabriela: Terras do Sem Fim (1981), Tenda dos Milagres (1985), Tieta (1989), Capitães de Areia (1989), Tereza Batista (1992), Tocaia Grande (1995), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998), Porto dos Milagres (2001 – adaptação dos romances Mar Morto e A Descoberta da América pelos Turcos), e Pastores da Noite (2002).

Gabriela foi reapresentada em um compacto de 90 capítulos em duas ocasiões:
de 29/01 a 04/05/1979, após terminar a última novela do horário das 22 horas (Sinal de Alerta);
e entre 24/10/1988 e 24/02/1989, no Vale a Pena Ver de Novo.
Em junho de 1982, a novela foi reprisada em 12 capítulos, exibidos às 22h15.
Reapresentada também em um compacto de uma hora e meia em 18/03/1980, como atração do Festival 15 Anos da TV Globo (apresentação de Aldemir Martins).

Por causa de sua reprise em 1979, a Som Livre relançou nas lojas o LP com a trilha da novela.

Gabriela ganhou da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o Grande Prêmio da Crítica de 1975.
E Elizabeth Savala e Jaime Barcelos foram premiados como revelação de intérpretes.
Gabriela também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1975. Paulo Gracindo levou dois prêmios: melhor ator e “destaque masculino” na televisão naquele ano. E Elizabeth Savala foi o “destaque feminino”.

Trilha Sonora
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01. CORAÇÃO ATEU – Maria Bethânia (tema de Jerusa e Mundinho)
02. GUITARRA BAIANA – Moraes Moreira (tema de locação: Ilhéus)
03. ALEGRE MENINA – Djavan (tema de Gabriela e Nacib)
04. QUERO VER SUBIR QUERO VER DESCER – Wálter Queiróz (tema do Dr. Maurício)
05. HORAS – Quarteto Em Cy (tema de Malvina)
06. SÃO JORGE DOS ILHÉUS – Alceu Valença (tema de Ramiro Bastos)
07. MODINHA PARA GABRIELA – Gal Costa (tema de abertura e tema de Gabriela)
08. FILHO DA BAHIA – Fafá de Belém (tema de Glorinha)
09. CARAVANA – Geraldo Azevedo (tema de Mundinho)
10. PORTO – MPB4 (tema geral)
11. RETIRADA – Elomar (tema dos retirantes)
12. DOCES OLHEIRAS – João Bosco (tema de Tonico Bastos)
13. ADEUS – Walker

Trilha Complementar: Uma Noite no Bataclan
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01. A VOLTA DO BOÊMIO – Nelson Gonçalves
02. MALAGUEÑA – Los Índios
03. VINGANÇA – Linda Batista
04. SIBONEY – Orquestra Serenata Tropical
05. BIGORRILHO – Jorge Veiga
06. MANO A MANO – Carlos Lombardi
07. O MEU BOI MORREU – Cravo & Canela
08. BAR DA NOITE – Nora Ney
09. HISTÓRIA DE UN AMOR – Pepe Avila y Los Bronces
10. CASTIGO – Roberto Luna
11. MAMBO JAMBO – Perez Prado
12. TORTURA DE AMOR – Waldick Soriano
13. PERFURME DE GARDÊNIA – Bienvenido Granda
14. JURA – Altamir Carrilho

Produção Musical: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: MODINHA PARA GABRIELA – Gal Costa

Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela e meus camaradas

Eu nasci assim
Eu cresci assim
E sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela
Sempre Gabriela

Quem me batizou
Quem me nomeou
Pouco me importou
É assim que eu sou
Gabriela
Sempre Gabriela

Eu sou sempre igual
Não desejo o mal
Amo natural
Etc e tal
Gabriela
Sempre Gabriela…

Veja também

  • tocaiagrande_logo

Tocaia Grande

  • terrasdosemfim_logo

Terras do Sem Fim

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Tieta

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Gabriela (2012)