Sinopse

É possível um homem nascer outra vez deixando para trás todo o passado? Para esquecer velhas lembranças e abandonar a vida de ontem, o jornalista baiano João Brasileiro Ferreira Leitão preferiu deixar sua terra natal e chegou a São Paulo esperando que o tempo, como melhor remédio, fizesse esse milagre. Com muitas desilusões, um casamento desfeito com a cantora Quitéria Ferreira, um amor frustrado na Bahia, ele preferiu essa fuga.

Da melhor sociedade baiana, João Brasileiro trocou um cinco-estrelas pela pensão de Dona Pina, uma “mamma” italiana sofrida e batalhadora. Na pensão, ele conheceu gente e aprendeu mais coisas da vida. Começou a escrever um livro pensando em mudar o destino de cada morador da pensão. E foi em Júlia que João Brasileiro encontrou tudo o que havia deixado na Bahia. E em outras mulheres também. Das muitas aventuras e mulheres, ficou um apelido carinhoso: o Bom Baiano.

Júlia é uma enfermeira retraída, que só pensa em trabalhar. Ela também tivera uma desilusão amorosa: às vésperas de seu casamento, descobriu que seu noivo, Mário, era casado e tinha filhos. Por isso, Júlia tem medo de se envolver emocionalmente com outra pessoa. À princípio, a relação entre ela e João Brasileiro não é das mais amistosas. Só com o tempo o dois se tornam amigos e nasce uma bonita paixão.

João também é a única pessoa que pode resolver o problema de Dona Pina: tirar seu filho Vitório da prisão. Acusado de roubo, ninguém sabe ao certo se ele cometeu mesmo o crime. Fora a mãe e João, só Sofia, a empregada confidente de Dona Pina, sabe da prisão do rapaz. Na pensão de Dona Pina também moram Dona Arminda, uma elegante velhinha cleptomaníaca, Farc, um judeu, imigrante alemão, Hilda, uma secretária trilíngue que é despedida da firma onde trabalhava, Rosa, uma moça feia e indiferente a tudo, e Paulo, um jovem sonhador que vive de bicos, tentando mostrar seu talento como músico.

Tupi – 19h
de 2 de janeiro a 9 de setembro de 1978

novela de Geraldo Vietri
direção de Geraldo Vietri e Duarte Gil Gouveia
supervisão de Geraldo Vietri

Novela anterior no horário
Éramos Seis

Novela posterior
Salário Mínimo

JONAS MELLO – João Brasileiro Ferreira Leitão
MÁRCIA MARIA – Júlia
NAIR BELLO – Dona Pina
LAURA CARDOSO – Arminda / Aminda
RODOLFO MAYER – Barão Aldo Lázaro de Brás e Bragança
YARA LINS – Palmira
ARLETE MONTENEGRO – Ivone
MARCOS PLONKA – Farc
ELIZABETH HARTMANN – Hilda
FLAMÍNEO FÁVERO – Vitório
REGIANE RITTER – Assunta
MÁRCIA REGINA – Lígia
EUNICE MENDES – Rosa
PAULO ILDEFONSO – Paulinho
LEONOR LAMBERTINI – Sofia
LUCY MEIRELLES – Glória
DENIS DERKIAN – Tarcísio
JOÃO FRANCISCO – Marcelo
WÁLTER SANTOS – Glauco
MARIA DO ROCIO – Íris
CARLOS ARENA – Alex
WILSON RABELO – Vilson
GÉSIO AMADEU – taxista
LUIZ ANTÔNIO PIVA – Delegado Piva
NORAH FONTES
MARISA SANCHES
WILSON FRAGOSO
NICOLE PUZZI
e
MARILU MARTINELLI – Quitéria Ferreira
NYDIA LÍCIA – Lúcia Gonzaga

João Brasileiro, o Bom Baiano foi a terceira das últimas três novelas do autor/diretor Geraldo Vietri na Tupi, em que o protagonista era interpretado por Jonas Mello, que contracenava com Márcia Maria – as outras foram Meu Rico Português (1975) e Os Apóstolos de Judas (1976).

O protagonista João Brasileiro – o “bom baiano” do título – tinha muito do memorável Antônio Maria, o português vivido por Sérgio Cardoso na novela que Vietri criara para a Tupi, em 1968.
A situação final, com a hipótese de que ele fosse casado, é semelhante. Mas o autor, com maestria, soube transformar as peripécias do baiano numa história à parte.
Também o próprio Jonas Mello havia interpretado outro personagem muito semelhante a Antônio Maria, em outra obra de Vietri: o também português Severo Salgado Sales de Meu Rico Português, em 1975.

Escrita, dirigida e editada pelo centralizador Geraldo Vietri, as gravações da novela costumeiramente atrasavam. Os atores eram obrigados a gravar, durante o dia, o capítulo que seria exibido à noite. Muitas vezes, Vietri ensaiava os blocos inteiros, de comercial a comercial, e gravava tudo em seguida, para dar tempo de o capítulo, que na época durava 30 minutos, ficar pronto. Se algum ator errasse, era uma tragédia. Portanto, era proibido errar. Quando isso acontecia, ele soltava os seus famosos palavrões. Era preciso pressa, pois na Tupi gravavam no mesmo estúdio uma novela às segundas, terças e quartas e outra às quintas, sextas e sábados. Jornal O Globo, 29/08/2004, TV Pesquisa PUC-Rio

Para compor seu personagem, Jonas Mello passou alguns meses morando em Salvador, para pegar o sotaque local. (*)

João Brasileiro gostava muito de doutrinar as pessoas, de dizer qual era o caminho certo, e refletia uma característica de Geraldo Vietri: educar as pessoas por meio da televisão. (*)

Marcos Plonka e Elizabeth Hartmann deram um saudável toque de alegria à novela através do casal Farc, um mascate judeu, e Hilda, uma secretária católica fervorosa.

Nair Bello realizou o sonho de interpretar uma “mamma” italiana escrita por Vietri, um tipo humano que a atriz era especialista em fazer.

Primeira novela do ator Denis Derkian.

Quando a novela estreou, Carlos Augusto de Oliveira, o Guga, era o diretor artístico da Tupi. Com três meses da novela no ar, ele saiu da emissora e uma nota na coluna da Helena Silveira, cronista de TV da Folha de São Paulo na época, causou a maior saia justa com Geraldo Vietri. Ela publicou que na queda do Guga, o elenco de João Brasileiro “brindava o evento bebendo chope e comendo empadinha na padaria ao lado da emissora”.
Uma carta de Vietri desmentindo tudo, logo chegou às mãos da jornalista que publicou trechos do que chamou de “ofício em estilo bem vietriano” em sua coluna:
“Por isso, ao mesmo tempo em que solicitamos à senhora um pouquinho mais de zelo ao divulgar notícias que possam ferir a dignidade alheia (como aconteceu no episódio referido), cuidasse de selecionar melhor o nível de seus informantes, pois certamente, ele anda muito baixo, para ser útil a uma criatura de sua grandeza moral.”
A crítica voltou à tona poucos dias depois, com uma carta de João Dória Jr, diretor de divulgação e comunicação da Tupi, endereçada a Vietri, declarando-se o informante da colunista, confirmando e ratificando todo o episódio:
“(…) ou o senhor foi mal-informado sobre o acontecido, ou não dá o direito do festejo ao seu elenco, ou procura encobrir os praticantes da sórdida comemoração.”
Esse epísódio é bastante revelador do clima de final dos tempos que reinava na Tupi na época, em crise financeira, com constantes mudanças de diretoria, grandes atrasos de salários e ameaças de intevenção federal. (*)

Chamada de estreia da novela: “Seu nome é João Brasileiro. Mas as mulheres preferem chamá-lo de O Bom Baiano. Você precisa conhecê-lo!”

(*) “Geraldo Vietri, Disciplina é Liberdade”, Vilmar Ledesma.

Trilha Sonora Nacional
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01. FILHO DA BAHIA – Wálter Queiróz (tema de abertura)
02. FOI VOCÊ – Beth Maia
03. CARO RAUL – Toquinho
04. EU PREFIRO DANÇAR – Lady Zu
05. ONDE ANDA VOCÊ – Vinícius de Moraes e Toquinho
06. ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA – Peninha
07. SOLITUDE – Gal Costa
08. O GRUDE – Janaína
09. AMANTE LATINO – Sidney Magal
10. BATATA DOCE, COLAR DE CONTAS E PATUÁ (MERCADO MODELO) – Edson Conceição (tema de locação: Salvador)
11. EU QUERO AMANHECER A MADRUGADA – Luiz de Lucas
12. MINHA ESQUINA – Emílio Santiago (tema de João Brasileiro)

Trilha Sonora Internacional
joaobrasileirot2
01. TRECENTO VOLTE MIA – Enzo Guido
02. CERCHI IL PARADISO – Enzo Guido
03. SOMETIMES WHEN WE TOUCH – Dan Hill
04. … E VOGLIO TE – D.M. System Orchestra

Sonoplastia: Ismael Pelegrinelli

Tema de Abertura: FILHO DA BAHIA – Wálter Queiróz

Ah, morena! Ah, morena!
Ah, meu amor!
Ah, morena!

Saia dessa roda
Venha descansar
Venha pro meu colo
Venha namorar
Ah, morena!

Inda sou menino
Mas já sei amar
Aprendi mais cedo
Só pra lhe ensinar
Ah, morena!

Filho da Bahia
Se você não vem
Não lhe faço dengo
Não vou lhe ninar
Ah, morena!

Viver não é fácil, não
Pergunte pra meu coração
Sei perder na valentia
Sei amar o meu amor
Ah, morena!

Sei beber no varandá
Foi Sandoval quem me ensinou
Ah, morena!…

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