Sinopse

Rio de Janeiro, 1904. Laura (Marjorie Estiano) está prestes a se casar, mas sem muito entusiasmo. Ela e o noivo, Edgar (Thiago Fragoso), namoraram antes dele embarcar para Portugal, onde foi estudar Direito. Antes de ir, num impulso apaixonado, Edgar a pediu em casamento. Laura aceitou, porém, passados quatro anos, nenhum dos dois tem tanta certeza de seus sentimentos. O casamento se realizará mais por insistência das famílias do que dos noivos.

O casal não poderia ter sonhos mais diferentes. Ela, idealista, não quer se tornar dona-de-casa nem mulher de sociedade. Quer estudar, trabalhar, ser independente, apesar da oposição da família, principalmente, da mãe, Constância (Patrícia Pillar). Edgar preferia ter ficado mais tempo em Portugal, já que enveredou para o jornalismo. Mas seu pai, o senador Bonifácio (Cássio Gabus Mendes), quer o filho no Brasil, assumindo os negócios da família, no lugar do seu irmão mais velho, Fernando (Caio Blat), cujo trabalho lhe desagrada.

Bonifácio comprou terrenos de Alberto Assunção (Werner Schünemann) e Constância por um valor irrisório, aproveitando a crise financeira da família, sabendo de antemão que esses terrenos iriam se desvalorizar. Ele não hesita em tirar vantagem dos Assunção. O que não imagina é que Constância, ao descobrir que foi passada para trás, lhe cobrará algumas compensações, entre elas, um emprego público para o marido e o seu ingresso na carreira política. Assim, os dois vilões entram num jogo de gato e rato incrementado por uma forte atração física.

Outro casal, em outro ponto da cidade, tem outros rumos. Isabel (Camila Pitanga), doméstica, e Zé Maria (Lázaro Ramos), barbeiro, são apaixonados e cheios de sonhos. Mas estão prestes a viver um drama social, que influenciará para sempre suas vidas. No cortiço onde moram, crescem os boatos de que este pode ser invadido pela polícia e demolido em questão de semanas, ou de dias. Sinal dos tempos, de um novo Rio que está nascendo. Os ares insalubres das moradias coletivas não combinam com o novo ideal de uma cidade cosmopolita.

Apesar da tensão crescente no cortiço, Zé Maria e Isabel preferem adiar a preocupação. Querem curtir a felicidade do casamento, acreditar num futuro melhor. Desde que Isabel ficou órfã de mãe, Seu Afonso (Milton Gonçalves) criou a filha sozinho e não poupa sacrifícios para vê-la feliz. E não esconde o orgulho, sobretudo por gostar muito do genro. O que Seu Afonso e nem Isabel sabem é que José Maria, também conhecido como Zé Navalha, é capoeirista, o que esconde por uma boa razão: naquele tempo, a capoeira era marginalizada.

Isabel e Laura, essas duas moças de origens tão diferentes, vão se conhecer na igreja. O casamento de Isabel atrasa por um motivo inesperado: o noivo não aparece. Apesar de inconformada, ela é obrigada a desistir de esperar Zé Maria. Quem a pressiona e se mostra indignada com o atraso é Constância, já que o casamento de sua filha Laura está marcado para logo depois. Assim, Isabel, a noiva apaixonada, é abandonada no altar enquanto Laura se casa com pompa e circunstância, mas sem muita vontade.

Entretanto, Isabel não foi abandonada. A caminho da igreja, Zé Maria soube que o cortiço foi invadido pela polícia. Um grupo dos capoeiras tenta impedir, uma reação desesperada para algo que, naquele momento, parece tão somente uma perseguição aos pobres. Zé Maria acaba preso. Em meio à angústia da espera e a discussão com Constância, Isabel é vigiada por Albertinho (Rafael Cardoso), filho da megera e irmão de Laura. O rapaz, um jovem boêmio janota, ficou encantado pela beleza da moça do cortiço.

O encantamento de Albertinho por Isabel, bem como a destruição de sua casa, trarão diversas reviravoltas na vida da moça. O casamento de Edgar e Laura também enfrentará diversos empecilhos. Não só os diferentes desejos profissionais de ambos, mas a chegada de Catarina (Alessandra Negrini), antigo amor português do rapaz, abalará a vida do jovem casal. Passados seis anos, Isabel foi trabalhar em uma companhia teatral, enquanto Laura mudou-se para o interior do estado, onde tornou-se professora.

Globo – 18h
de 10 de setembro de 2012
a 9 de março de 2013
154 capítulos

novela de João Ximenes Braga e Cláudia Lage
escrita com Chico Soares, Douglas Tourinho, Fernando Rebello, Jackie Vellego, Maria Camargo e Nina Crintzs
supervisão de texto de Gilberto Braga
direção de Cristiano Marques, André Câmara e Noa Bressane
direção geral de Denis Carvalho e Vinícius Coimbra
núcleo Denis Carvalho

Novela anterior no horário
Amor Eterno Amor

Novela posterior
Flor do Caribe

CAMILA PITANGA – Isabel
LÁZARO RAMOS – Zé Maria / Zé Navalha
MARJORIE ESTIANO – Laura (Paulo Lima)
THIAGO FRAGOSO – Edgar (Antônio Ferreira)
PATRÍCIA PILLAR – Constância Assunção (Baronesa da Boa Vista)
ALESSANDRA NEGRINI – Catarina Ribeiro
RAFAEL CARDOSO – Albertinho
CAIO BLAT – Fernando
CÁSSIO GABUS MENDES – Bonifácio Vieira
BIA SEIDL – Margarida
WERNER SCHÜNEMANN – Alberto Assunção
CHRISTIANA GUINLE – Carlota Passos
ISABELA GARCIA – Celinha
MILTON GONÇALVES – Afonso
ZEZÉH BARBOSA – Jurema
SHERON MENEZES – Berenice
MARCELLO MELO JR. – Caniço
MARIA PADILHA – Diva Celeste
PAULO BETTI – Mário Cavalcanti
TUCA ANDRADA – Frederico Martins
MARIA CLARA GUEIROS – Neusinha (Neusa Soares / Jacqueline Duvivier)
ÁLAMO FACÓ – Quequé (Vasco Queiroz)
ANDRÉ ARTECHE – Luciano
GUILHERME PIVA – Delegado Heráclito Praxedes
SUSANA RIBEIRO – Tereza
DÉBORA DUARTE – Dona Eulália
PRISCILA SOL – Sandra
EMÍLIO DE MELLO – Carlos Guerra
GEORGE SAUMA – Jonas
JULIANE ARAÚJO – Alice
KLEBBER TOLEDO – Umberto
DANIEL DALCIN – Teodoro
RHAISSA BATISTA – Esther
JUREMA REIS – Gilda
ANA CARBATTI – Zenaide
TIÃO D´AVILA – Isidoro
CÉSAR MELLO – Chico
LAÍS VIEIRA – Etelvina
RUI RICARDO DIAZ – Percival
CLÁUDIO TOVAR – Padre Olegário
ROMIS FERREIRA – Luiz Neto
LUÍSA FRIESI – Matilde
ANA PAULA LOPES – Luzia
ROGÉRIO FREITAS – Haroldo
MARCOS ASHER – Rodrigues
DANIEL MARQUES – Paiva
as crianças
CAUÊ CAMPOS – Elias
ELIZ DAVID – Melissa
MÁRCIO RANGEL – Vilmar
JORGE AMORIM – Olavo
ZECA GURGEL – Tião
ANA LUIZA ABREU – Madá
e
ADY SALGADO – Dona Dionísia (bruxa procurada por Constância)
ANA SOPHIA FOLCH – Heloísa (conhecida de Edgar)
ANDRÉA CAVALCANTI – Hilda (enfermeira que cuida de Laura e Judite)
ANTÔNIO PITANGA – Túlio (alfaiate, novo morador do Morro da Providência, interessa-se por Jurema)
BEATRIZ SEGALL – Madame Besançon (patroa de Isabel, no início)
CRISTÓVAN NETTO – Ciço (dá uma entrevista a Edgar sobre o carnaval no Rio)
DAISY DONOVAN – jornalista britânica
DUDU SANDRONI – Senador Laranjeiras (amigo da família de Laura, para quem ela vai trabalhar, e que a assedia)
ELISA LUCINDA – Norma (mãe biológica de Fernando)
FLÁVIA TOLLEDO – Judite (interna do sanatório que ajuda Laura a fugir)
GUSTAVO GENTON
GUSTAVO MACHADO – Suzano (filho de Dona Dionísia)
GUTO SILVA
GUTTEMBERG SANTOS
HÉLIO RIBEIRO – Sr. Conrado
HUGO MAIA
HERBERT RICHERS JR. – D´Ambroise
ÍTALO SASSO – Almeidinha (colega de trabalho de Gilda)
JHE OLIVEIRA – Inácio (marinheiro que lutou junto a Zé Maria na Revolta da Chibata)
JOANA SEIBEL – Gisele (mulher do Senador Laranjeiras, amiga de Constância)
JULIANA KNUST – Fátima (médica que se envolve com Zé Maria, no final)
JÚLIO LEVY – Veronese (patrão de Laura na loja de sapatos)
LIONEL FISCHER – Dr. Coutinho (médico do sanatório onde Constância internou Laura, no final)
LOLÔ DE SOUZA PINTO – Emília Lopes de Freitas (mãe de Teodoro)
LUCCA DE CASTRO – médico do sanatório que impede Constância de ver Laura
LUCIANO CHIROLLI – Oswaldo Cavallera (jornalista que publica as calúnias de Catarina)
MÁRCIO ERLISCH – Temístocles Lopes de Freitas (pai de Teodoro)
MARCOS FRANÇA – jornalista que recusa uma matéria de Laura)
MARIA EDUARDA – Eliete (atriz de teatro)
MARIA FERNANDA CÂNDIDO – Madame Jeanette Dórleac (artista francesa de passagem pelo Rio, leva Isabel para a França)
MARIA PINNA – Geisa (moça contratada por Constância para seduzir Edgar)
MARIA SÍLVIA GODOY RADOMILLE – Hortência (criada de Carlota)
MELINA DAMASCENO – Melissa (bebê)
MYRIAN PÉRSIA – madre do colégio onde Laura lecionou
RENATA TOBELEM – babá de Ângelo, filho de Sandra
RODRIGO OIYE – Jun Murakami (lutador de jiu-jitsu)
ROGÉRIA – Alzira Celeste (mãe de Diva)
THIAGO AMARAL – Gustavo Nóbrega de Medeiros
ZÉ VICTOR CASTIEL – Comendador Xavier Pessoa (interessa-se por Jacqueline Duvivier)

– núcleo de ISABEL (Camila Pitanga), moça batalhadora, sonha com o amor e com a liberdade. Trabalha desde a adolescência na casa de uma madame e mora no cortiço com o pai. Mulher à frente do seu tempo, vai se tornar atriz:
o pai AFONSO (Milton Gonçalves), ex-escravo, homem trabalhador, ainda muito preso aos valores antigos. É barbeiro e gosta muito de tocar modinhas em seu violão
o seu amor JOSÉ MARIA (Lázaro Ramos), rapaz simples, trabalha na barbearia com Seu Afonso, por isso tem o apelido de ZÉ NAVALHA. Ciente de seus direitos, com coragem suficiente para defendê-los. Capoeirista, se envolverá em algumas confusões e injustiças, já que capoeira na época era sinônimo de bandidagem e proibida por lei. Apesar do amor por Isabel, os dois enfrentam muitos desafios
o filho ELIAS (Cauê Campos), que ela achava que tivesse morrido, mas era criado por uma vizinha sem desconfiar que tratava-se de seu filho
a vizinha e amiga JUREMA (Zezeh Barbosa), carinhosa e amiga de todos, uma espécie de segunda mãe de Isabel. Líder na comunidade e empreendedora. Com o dinheiro que economizou ao longo de anos lavando roupa e vendendo acarajé, constrói uma casa grande no morro onde todos se reúnem para comer e festejar. Seu quintal simboliza os celeiros do samba da época
o amigo de Afonso, ISIDORO (Tião D´Ávila)
o funcionário da barbearia HAROLDO (Rogério Freitas), trabalha com Afonso e Zé Maria.

– núcleo de LAURA (Marjorie Estiano), jovem apaixonada pelos livros e pelas artes, dá aulas como voluntária, indo contra às ideias reacionárias da mãe, com quem está sempre em conflito. Quer ser independente e trabalhar, algo impensável para uma mulher de sua classe social na época, mas não hesita em enfrentar o preconceito da sociedade em nome de seus ideais. Conhece Isabel no dia de seus casamentos, na igreja, e tornam-se grandes amigas, apesar de cada uma seguir o seu destino:
os pais: ALBERTO ASSUNÇÃO (Werner Schünemann), barão do café, entrou em decadência financeira com a abolição e perdeu prestígio com a República. Instruído pela mulher, faz de tudo para que a família recupere sua importância neste novo tempo,
e CONSTÂNCIA, a BARONESA DA BOA VISTA (Patrícia Pillar), título que traz do período da Monarquia, mas que ainda faz questão de ostentar. Não hesita em conceber os piores ardis para recuperar o prestígio de outrora, mesmo que, para isso, tenha que passar por cima dos outros. Uma mulher preconceituosa, arrogante, retrógrada e ardilosa. Torna-se inimiga de Isabel, que envolve-se com seu filho, e faz o que está ao seu alcance para impedir a independência da filha. Quando Isabel dá à luz a Elias, seu neto, some com o menino
o irmão ALBERTINHO (Rafael Cardoso), o típico playboy, sedutor, não quer saber de trabalho e compromissos. Pratica um novo esporte recém-chegado no país, o foot-ball. Apaixona-se por Isabel, com quem terá um filho, Elias, mas nunca soube do paradeiro do menino
os amigos de Albertinho: UMBERTO (Klebber Toledo), jovem playboy, estudante de Direito, joga críquete e futebol. Sedutor por natureza, com especialização em mulheres mais velhas. Envolve-se com Constância,
e TEODORO (Daniel Dalcin), diferentemente dos outros, é tímido e romântico
a empregada na casa dos Assunção, LUZIA (Ana Paula Lopes), fiel a Constância, a ajuda em suas armações
a empregada de Laura, MATILDE (Luísa Friese).

– núcleo de EDGAR (Thiago Fragoso), filho de família rica, foi estudar Direito em Portugal. Na volta ao Brasil, vai ajudar o pai, senador da República, em seus negócios. Mas sua grande paixão sempre foi o jornalismo. Um jovem preocupado com as injustiças sociais. Para cumprir um compromisso firmado no passado, casa-se com Laura. Com o convívio, os dois acabam apaixonados:
os pais: BONIFÁCIO VIEIRA (Cássio Gabus Mendes), senador da República e um poderoso industrial. Aproveita de seu cargo político para conseguir benefícios e vantagens em seus negócios pessoais. Terá uma ligação escusa com Constância,
e MARGARIDA (Bia Seidl), típica senhora do início do século 20, submissa ao marido e sempre cheia de boas intenções
o irmão FERNANDO (Caio Blat), jovem que não quer saber de estudos e trabalho. Sua vocação é jogar futebol. Trabalha na indústria do pai, com quem tem péssimo relacionamento, e por isso sente inveja do irmão. É amigo de Albertinho. Preconceituoso e de caráter duvidoso, no decorrer da trama descobre que é filho bastardo de Bonifácio com uma escrava alforriada
a prima ESTHER (Rhaissa Batista), sobrinha de Margarida
a ex-amante CATARINA RIBEIRO (Alessandra Negrini), cantora lírica brasileira, que fez sucesso em Portugal. Envolveram-se quando ele morou na Europa e tiveram uma filha. Interessada em dinheiro, volta ao Brasil em seu encalço e arma vários planos para separá-lo de Laura
a filha com Catarina, MELISSA (Eliz Davi).

– núcleo de BERENICE (Sheron Menezzes), inveja Isabel em tudo e ressente-se da beleza dela. Quer conquistar Zé Maria, mais movida pela inveja de Isabel que por paixão. Une-se a Constância para prejudicar Isabel:
o amante CANIÇO (Marcello Melo Jr.), capoeirista de má índole, é um dos responsáveis por difamar a capoeira, sempre se utilizando dela para fins marginais. De amigos, Caniço e Zé Maria se tornam inimigos declarados
a irmã ZENAIDE (Ana Carbatti), mancomunada com ela, cria Elias, o filho que Isabel pensava ter morrido, e maltrata o menino. Mulher amarga e má
os filhos biológicos de Zenaide: VILMAR (Márcio Rangel), tem inveja e ciúmes de Elias, e OLAVO (Jorge Amorim), amigo de Elias.

– núcleo das irmãs de Constância:
CELINHA (Isabela Garcia), a mais nova. Solteirona com um espírito cômico e charmoso. É desprezada pelas irmãs por nunca ter tido marido e por ser bem atrapalhada
CARLOTA (Christiana Guinle), a mais velha. É uma viúva amarga. Com Constância, alimenta uma relação de inveja, mas ao mesmo tempo é sua grande cúmplice
a filha de Carlota, ALICE (Juliane Araújo), apesar de amiga de Laura, tem um perfil diferente da prima: é obediente às ordens da mãe, que controla cada passo de sua vida.

– núcleo de CARLOS GUERRA (Emílio de Mello), dono do Correio da República, um jornal de oposição. É amigo e grande incentivador de Edgar no jornalismo. Envolve-se com Celinha:
o amigo LUIZ NETO (Romis Ferreira), intelectual, companheiro da boemia, escreve no jornal, mas tem posições conservadoras sobre política, artes e comportamento social
o tipógrafo JONAS (George Sauma), sonha em ser jornalista. Está sempre com Guerra. Apaixona-se por Alice.

– núcleo de DIVA CELESTE (Maria Padilha), apesar de ser de família de grandes atores dramáticos, é uma famosa atriz cômica, a grande estrela do Teatro Alheira. Ainda assim, sempre tenta mostrar seu talento no drama, o que causa confusões entre os atores e o diretor:
o diretor do Teatro Alheira MÁRIO CAVALCANTI (Paulo Betti), se esforça para tornar seu projeto rentável. Conhecido por seu mau humor, seu ponto fraco é a paixão por Diva Celeste
o ator FREDERICO MARTINS (Tuca Andrada), egocêntrico como Diva , de quem já foi amante. Os dois se envolvem em disputas hilárias, deixando Mario enlouquecido
a aspirante a atriz NEUSINHA (Maria Clara Gueiros), entra no teatro como camareira e faz de tudo para tomar o lugar de Diva Celeste
o contrarregra QUEQUÉ (Álamo Facó), atrapalhado e desastrado, tem uma queda por Neusinha, por isso a ajuda
o ator LUCIANO (André Arteche), canastrão, seu sonho, na verdade, é ter um emprego comum, uma vida normal. Será o interesse amoroso de Neusinha. Passa parte da trama achando que é filho de Diva com Mário, até descobrir que seu pai é Frederico.

– núcleo do delegado HERÁCLITO PRAXEDES (Guilherme Piva), um tipo risível, é autoritário no trabalho, mas em casa fica perdido entre as mulheres:
a mulher TEREZA (Susana Ribeiro), bibliotecária, vive às turras com a sogra
a filha SANDRA (Priscila Sol), amiga de Laura, as duas se conheceram no curso Normal. É uma jovem que também sonha com a liberdade e a independência
a mãe DONA EULÁLIA (Débora Duarte), conservadora, só pensa em fazer o enxoval da neta e não aceita o fato da nora trabalhar fora. Com isso, está sempre causando confusões na casa da família.

– núcleo de PERCIVAL (Rui Ricardo Diaz), é quem recebe o povo que perde suas casas do cortiço. Simboliza os primeiros ocupantes do Morro da Providência: os soldados que voltaram da Guerra de Canudos com a promessa, nunca cumprida pelo governo, de ganhar casas. Amigo de Zé Maria, Isabel e Afonso:
a mulher ETELVINA (Lais Vieira), forma com ele uma família estável e batalhadora. Os dois exercem certa liderança no morro
os filhos: TIÃO (Zeca Gurgel), trabalha como engraxate para ajudar na renda da família,
e MADÁ (Ana Luiza Abreu), amiga de brincadeiras Elias e Olavo.

– demais personagens:
PADRE OLEGÁRIO (Claudio Tovar), da igreja frequentada pela elite do Rio de Janeiro. De bom coração, compreende e perdoa com facilidade
GILDA (Jurema Reis), vai trabalhar no Bar Guimarães. Impressiona a todos com sua beleza
CHICO (César Mello), amigo de Zé Maria, jogador de futebol, apaixonado por Gilda
RODRIGUES (Marcos Asher), gerente da Confeitaria Colonial
PAIVA (Daniel Marques), garçom na Confeitaria Colonial.

Lado a Lado foi escrita por João Ximenes Braga e Cláudia Lage, estreando como autores-solo, tendo o experiente Gilberto Braga como supervisor de texto. João Ximenes Braga já havia sido colaborador de Gilberto em Paraíso Tropical (2007) e Insensato Coração (2011). E Cláudia Lage colaborou com Manoel Carlos em Viver a Vida (2009-2010).

Amargando uma baixa audiência desde sua estreia, a novela foi prejudicada pelo Horário Político e Horário de Verão. Com média em torno de 18 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande SP), o seu resultado foi muito inferior ao das últimas sete produções do horário, que tiveram médias entre 22 e 26 pontos – apesar de bons números em algumas praças. A produção requintada e o elenco afiado foram pouco para despertar a atenção do público paulistano.

A novela foi ambientada no Rio de Janeiro em um período pouco explorado por nossa Teledramaturgia, o início do século 20, mas rico em acontecimentos, como o advento do futebol e do samba, o fim dos cortiços e o processo de favelização do Rio – movimento conhecido como Bota Abaixo, no governo do prefeito Pereira Passos (1902 a 1906) -, a influência francesa na construção da Avenida Rio Branco, as revoltas da Vacina (1904) e da Chibata (1910), o nascimento da mulher moderna na sociedade brasileira e a luta por sua emancipação, e o preconceito (contra o negro, a mulher descasada, os “capoeiras”, as religiões africanas e os artistas).
O personagem Zé Maria (Lázaro Ramos) foi uma espécie de Forrest Gump (Tom Hanks no filme homônimo) que acompanhou ou protagonizou os fatos históricos narrados na novela. Ele foi também testemunha do episódio em que um negro, seu amigo, aceitou passar pó-de-arroz para jogar futebol num clube da elite carioca – fato que ocorreu de verdade.

Por outro lado, a novela desviou-se do foco histórico ao desenhar um estilo que dialogou muito com o nosso tempo. Para o seu bem – como a excelente trilha sonora contemporânea – e para o seu mal – como gírias e expressões atuais e personagens muito fincados em 2013 – como a espevitada Neusinha, de Maria Clara Gueiros, que abusou dos “adoooro!” e só faltou soltar um “vem cá, eu te conheço?” (bordão da atriz no humorístico Zorra Total).

Dentro de sua proposta histórica, o didatismo de Lado a Lado incomodou apenas nos momentos em que o folhetim falhou. As idas e vindas das amigas Laura e Isabel (Marjorie Estiano e Camila Pitanga) se arrastaram pelos seis meses da novela e refletiu na baixa audiência. O horário e a época pediam uma trama mais ágil.

Patrícia Pillar brilhou com sua Constância, a grande vilã da novela. No elenco, destacaram-se também Marjorie Estiano, Camila Pitanga, Caio Blat, Milton Gonçalves, Christiana Guinle, Isabela Garcia, Débora Duarte e o novato em televisão Álamo Facó (o Quequé).

Os atores gravaram os primeiros capítulos em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
Depois, a produção transformou as ruas do centro histórico de São Luís, no Maranhão, no Rio de Janeiro do início do século 20, para as gravações que aconteceram na cidade durante dez dias, num trabalho de aproximadamente 100 profissionais, envolvendo equipes de produção, cenografia, figurino, caracterização, arte, direção, técnica e elenco. A capital maranhense foi escolhida por sua arquitetura ser muito semelhante com a do Rio do início do século passado.

Três caminhões, aproximadamente 20 toneladas, foram necessários para levar todo o material de cenografia e produção de arte, inclusive uma carroça, do Rio para São Luís. Mais de mil cartazes com propagandas de época foram feitos para serem espalhados pelos cenários.
“Ainda que o centro histórico de São Luís tenha essa arquitetura colonial, foi necessário transformar algumas partes em ‘cidade antiga’. Para isso, usamos 50 plotagens no piso para cobrir bueiros e, ainda, cerca de 25 portas frias, em madeira para cobrir vãos”, disse Paulo Renato, cenógrafo que acompanhou as gravações.

Para compor as cenas que remetiam ao universo da época, o cineasta e fotógrafo Walter Carvalho foi convidado para assinar a direção de fotografia.
O excesso de fumaça nos ambientes causou estranheza no início. A explicação era o uso de velas, comum na época. Com o surgimento da energia elétrica – retratado na trama – o efeito de fumaça foi desaparecendo.

A cidade cenográfica – construída no Projac – reproduziu um trecho da Rua do Ouvidor do início do século 20. Através de efeitos visuais – a cargo de Gustavo Garnier – o público viu uma extensão da Rua do Ouvidor, com pedestres caminhando, e, do outro lado, o Largo de São Francisco – tudo por computação.

O figurino era Belle Époque e a inspiração veio do Impressionismo, de nomes como Boldini e Renoir, como explicou a figurinista Beth Filipeck:
“Todo esse trabalho é feito por uma equipe que vem da Escola de Belas Artes. Nós pigmentamos chapéus, roupas, sobressaias e elementos decorativos para que tudo tenha esse sentido da beleza etérea, celestial.”

Profissionais de esportes, capoeira, dança e música prepararam do elenco e 700 figurantes.
O ator Daniel Dalcin teve aulas de críquete, um esporte inglês, por causa de seu personagem, que fazia parte do grupo de pessoas que trouxeram o futebol para o Brasil. Para se preparar para as cenas em que jogava críquete, Daniel fez aulas no Projac com o professor Craig Allison.
Para as cenas com futebol, além dele, também Rafael Cardoso, Caio Blat e Klebber Toledo tiveram aulas de futebol.
Já os atores Marcello Melo Jr., Milton Gonçalves, Camila Pitanga, Zezé Barbosa e Tião D’Ávila tiveram aulas de samba com o professor Jaime Arrouxa, em sua academia no Rio de Janeiro. Os atores fizeram parte do núcleo do Morro da Providência. Camila Pitanga era Isabel, uma mulher de origem humilde e que não perdia uma roda de samba.

A novela teve título provisório de Novo Tempo, mas foi trocado por Lado a Lado – que, por sua vez, foi o título provisório de Insensato Coração, de Gilberto Braga, exibida no ano anterior, que teve João Ximenes Braga como colaborador.

Lado a Lado ganhou o Emmy (prêmio norte-americano de televisão) de melhor telenovela de 2012, desbancando assim sua principal concorrente, Avenida Brasil.

Trilha Sonora

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01. A FLOR E O ESPINHO – Sururu na Roda (tema de Neusinha)
02. GRANDE AMOR – Martinho da Vila (tema de Diva)
03. DE ONDE VEM A CALMA – Los Hermanos (tema de Albertinho)
04. NAMORA COMIGO – Mart’nália (participação especial de Djavan) (tema de Isabel e Zé Maria)
05. QUARTO DE DORMIR – Marcelo Jeneci (tema de Alice e Jonas)
06. SEI – Nando Reis e Os Infernais (tema de Laura e Edgar)
07. INFERNO – Nação Zumbi (tema geral)
08. SAMBA DE PRIMEIRA – Marcelo D2 (tema das partidas de ‘football’)
09. A VOZ DO MORRO – Diogo Nogueira (tema do núcleo dos sambistas)
10. LIBERDADE, LIBERDADE, ABRA AS ASAS SOBRE NÓS – Dominguinhos do Estácio (tema de abertura)
11. O MUNDO É UM MOINHO – Beth Carvalho (tema de Isabel)
12. ME DEIXA EM PAZ – Milton Nascimento e Alaíde Costa (tema de Isabel e Zé Maria)
13. POUT-POURRI: O ORVALHO VEM CAINDO / FITA AMARELA / ATÉ AMANHÃ / PALPITE INFELIZ – Gal Costa (tema de locação: Rio de Janeiro)
14. ISTO É BOM – Mariene de Castro
15. OLHOS CASTANHOS – Daniel Peixoto (participação especial de George M) (tema de Berenice)
16. PARA USO EXCLUSIVO DA CASA – Dhi Ribeiro (tema de Celinha e Carlos Guerra)

Trilha Sonora Instrumental

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01. MUDANÇA DO TEMPO (Sinfonia nº 3)
02. NOVA EMBOSCADA
03. SOMBRAS
04. CALÇADA ESCURA
05. DISFARÇANDO
06. DELICADA SEDUÇÃO
07. ACONTECENDO
08. A GRANDE PAIXÃO (Stürmisch bewegt, mit grösster)
09. NA SERRA
10. ATAQUE NO ESCURO
11. GINGA DO AMOR
12. A RETIRADA
13. AS ÁRVORES DO LAGO
14. JANELA DO ALTO
15. LADO A LADO (Larghetto da sinfonia do novo mundo)
16. CAMINHO DO MAR
17. FADOS E FOTOS
18. CAPRICHO DA DANÇARINA
19. COMEÇO DE TUDO (Largo da sinfonia do novo mundo)
20. OUTRA PAISAGEM
21. A VISTA DO LAGO
22. AUDACIOSA
23. VONTADE
24. CERCANDO
25. MINHA SAUDADE
26. BATUQUE SENSUAL
27. ESCONDIDINHO
28. NA RUA
29. O FUTURO LIVRE
30. O INESPERADO
31. NA CALADA
32. LEVEZA DO RIO

Tema de Abertura: LIBERDADE, LIBERDADE! ABRA AS ASAS SOBRE NÓS!
Samba Enredo de 1989 do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense (RJ)

Seja sempre a nossa voz, mas eu digo que vem
Vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O império decadente, muito rico incoerente
Era fidalguia e por isso que surgem
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem, no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão, vem viver
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí e da guerra
Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu, de cultura o Brasil
A música encanta, e o povo canta assim e da princesa
Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina
Negro dançou, comemorou, o fim da sina
Na noite quinze e reluzente
Com a bravura, finalmente
O Marechal que proclamou foi presidente
Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz,
Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade…

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