Sinopse

Século 18, Vila Rica, capitania de Minas Gerais, período da Inconfidência Mineira, antes da vinda da família real portuguesa para o Brasil. Esta não é uma trama sobre Tiradentes, figura que marcou a luta pela independência. É a história ficcional de Joaquina (Mel Maia/Andreia Horta), filha de Tiradentes (Thiago Lacerda) e Antônia (Leticia Sabatella). Após a morte de seus pais, a pequena Joaquina é resgatada por Raposo (Dalton Vigh), então simpatizante pela luta dos inconfidentes. Ao ver a pequena testemunhar a morte do próprio pai, ele se compadece de seu sofrimento e assume sua criação. Juntos, embarcam para Portugal.

Em terras lusitanas, Joaquina passa a se chamar Rosa, para despistar os que ainda perseguiam os inconfidentes e desprezavam seus descendentes. Raposo criou a menina como filha e lhe ensinou tudo o que sabe. Ele a vê se tornar sua imagem e semelhança: forte e decidida. Apesar de um dia ter apoiado a luta dos inconfidentes, Raposo deve tudo o que tem à coroa portuguesa. Tornou-se um importante fidalgo pelas riquezas que adquiriu ao longo dos anos junto à família real. Anos depois, quando os nobres vêm para terras brasileiras, ele se sente na obrigação de voltar ao país. A chegada de Raposo ao Rio de Janeiro chama a atenção de todos.

A comitiva de Raposo é formada por Rosa, o filho André (Caio Blat), e Bertoleza (Sheron Menezes), negra alforriada criada como filha, e que, portanto, é uma fidalga. Eles seguem para Vila Rica ao encontro de Dionísia (Maitê Proença), irmã de Raposo, responsável pela preservação dos bens dele no Brasil enquanto residia em Portugal. Dionísia ama a família, mas teme que eles atrapalhem o cotidiano tão bem estabelecido da residência. Não sem razão, pois a chegada de Rosa desperta a curiosidade de amigos e inimigos. Primeiro, pela beleza única. Segundo, pelas opiniões fortes e a coragem de ajudar o próximo sem distinção de cor ou classe social.

Virgínia (Lilia Cabral), dona do cabaré de Vila Rica, logo reconhece a menina que ajudou a salvar quando o pai foi condenado. A jovem Branca (Nathalia Dill) também sente a chegada de Rosa na cidade. Ela passou seis anos esperando o noivo Xavier (Bruno Ferrari) voltar dos estudos na Europa para realizar o sonho de se casar com o homem que ama desde criança. Porém, assim que o reencontra, testemunha os olhares atenciosos e curiosos do rapaz para a fidalga. Não sem retorno, pois Rosa se identifica com os ideais liberais e de justiça defendidos por Xavier.

O salteador Mão de Luva (Marco Ricca) reconhece em Rosa a criança que tentou, no passado, vender em troca de ouro. Agora mais velha, vale ainda mais ouro que antes. Para completar, Rubião (Mateus Solano), o intendente da cidade e defensor dos valores da família real portuguesa, encanta-se com a elegância de Rosa, e a admiração é recíproca. Mas esse sentimento pode não ter futuro pois ele é o responsável por seu infortúnio: foi Rubião quem entregou a luta de Tiradentes para a coroa e quem matou Antônia, a mãe de Rosa/Joaquina.

Globo – 23h
de 11 de abril a 4 de agosto de 2016
67 capítulos

novela de Mário Teixeira
baseada no argumento de Márcia Prates a partir do livro Joaquina, Filha do Tiradentes, de Maria José de Queiroz
colaboração de Sérgio Marques e Tarcísio Lara Puiati
direção de Vinícius Coimbra, André Câmara, Pedro Brenelli, João Paulo Jabur e Bruno Safadi
direção artística de Vinicius Coimbra

Novela anterior no horário
Verdades Secretas

Supersérie posterior
Os Dias Eram Assim

ANDREIA HORTA – Joaquina / Rosa Raposo
BRUNO FERRARI – Xavier Almeida
MATEUS SOLANO – José Maria Rubião
DALTON VIGH – Raposo Viegas
LÍLIA CABRAL – Virgínia
MAITÊ PROENÇA – Dionísia
MARCO RICCA – Mão de Luva
NATHALIA DILL – Branca Farto
CAIO BLAT – André
ZEZÉ POLESSA – Ascenção
JULIANA CARNEIRO DA CUNHA – Alexandra
RICARDO PEREIRA – Capitão Tolentino
SHERON MENEZES – Bertoleza
VITOR THIRÉ – Ventura
YANNA LAVIGNE – Mimi
BUKASSA KABENGELE – Omar
MARCOS OLIVEIRA – Dimas (Padre Vizeu)
RÔMULO ESTRELA – Gaspar
JOANA SOLNADO – Anita
GENÉZIO DE BARROS – Diogo Farto
CHRIS COUTO – Luzia
MÁRIO BORGES – Matias Almeida
RITA CLEMENTE – Brites
HANNA ROMANAZZI – Gironda
YASMIN GOMLEVSKY – Vidinha
JAIRO MATTOS – Caldeira
LETÍCIA ISNARD – Simoa
NIKOLAS ANTUNES – Simão
BRUCE GOMLEVSKY – Malveiro
DANI ORNELLAS – Jacinta
OLÍVIA ARAÚJO – Celeste
MARIANA NUNES – Blandina
DAVID JÚNIOR – Saviano
HELOÍSA JORGE – Luanda
JU COLOMBO – Esméria
o menino GABRIEL PALHARES – Caju
e
ALEXANDRE BARBALHO – homem na feira de escravos
ALEXANDRE MOFFATTI – capitão a quem Gironda faz a denúncia sobre André
ANANDA ISMAIL – Rosaura (prostituta do bordel de Virgínia)
ANDRÉA DANTAS – Santusa (parteira levada por Luanda quando Branca tem um sangramento)
ANDRÉ SALVADOR – dono do gavião que Rubião se apropria
ARAMIS TRINDADE – Euládio (ferreiro de Vila Rica)
BETO VANDESTEEN – Dom João VI (rei de Portugal, maduro)
BRENNO DI FELLIPPO – empregado surdo-mudo de Branca que captura Mimi e é assassinado por Simão a mando de Mão de Luva
BRUNO NOGUEIRA – Dom João VI (rei de Portugal, jovem)
CLÁUDIO GARCIA – oficial de Vila Rica
DUDU VARELLO – Fuligem (menino da cidade baixa que conversa com Caju)
EDSON BONNADIL – Pedro
EVANDRO MELLO – meirinho que trabalha com Rubião e é torturado por ele
HENRIQUE TAXMAN – padre que fala no velório de Dom Raposo
GABRIEL BRAGA NUNES – Duque de Ega (interventor nomeado pela Coroa para comandar em Vila Rica, na verdade um conspirador)
GABRIEL CHADAN – José Joaquim Maia e Barbalho (Vendeck, traz para o Brasil o livro da Declaração de Independência da América)
GARCIA JÚNIOR – profere algumas palavras antes de Tiradentes ser enforcado
HENRIQUE NEVES – rival de Mão de Luva
JACK BARRAQUERO – morador da cidade baixa que conversa com Rosa
JACKSON ANTUNES – Terenciano (marido de Dionísia, morto por ela)
JACQUE MOURA – Erondina (prostituta do bordel de Virgínia)
JORGE EMIL – Tomás Antônio Gonzaga (poeta e ativista político que participou da Inconfidência Mineira)
JÚLIO LEVY – Taveira (guarda-livros de Raposo que o rouba e depois de preso é morto a mando de Rubião)
LETÍCIA SABATELLA – Antônia (mãe de Joaquina)
LUAN VIEIRA – Otto (amigo de André que vem visitá-lo em Vila Rica)
LUCY RAMOS – Malena (escrava que chantageava Branca)
LU GRIMALDI – Dona Maria I (rainha de Portugal)
MÁRIO CÉSAR CAMARGO – juiz de Vila Rica que torna oficial a paternidade de Tiradentes sobre Joaquina
MEL MAIA – Joaquina / Rosa (criança)
NELSON DINIZ – Marechal Porfírio Fluminense de Garrido (chega para debelar a rebelião, no último capítulo)
OTTO JÚNIOR – bandido que tenta estuprar Rosa quando ela está presa no acampamento de Mão de Luva
PAULA COHEN – feitora que trabalha para Gaspar, assassinada por Tolentino no bordel de Virginia
RAMÓN GONÇALVES – Guillermo (guarda-costas do Duque de Ega)
RICARDO DANTAS – Joaquim Silvério dos Reis (traidor de Tiradentes)
RICO GONÇALVES – Domigos de Abreu Vieira (comerciante e administrador dos contratos e coletas de imposto)
ROGÉRIO FREITAS – Padre Vizeu (assassinado por Dimas, que lhe rouba a identidade)
RONALDO REIS – comerciante que se recusa a atender Gironda
RONAN DE ANDRADE HORTA – soldado de Vila Rica
SAULO RODRIGUES – Bartolo (carcereiro da prisão de Vila Rica)
SUZANA RIBEIRO – Princesa Carlota Joaquina (mulher de Dom João VI)
THIAGO LACERDA – Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier, pai de Joaquina)
XANDO GRAÇA – Visconde de Barbacena (governador de Minas Gerais quando Tiradentes foi enforcado)
YASHAR ZAMBUZZI – José Caetano César Manitti (escrivão, ouvidor e corregedor da Comarca do Sabará)

– núcleo de ROSA RAPOSO (Andreia Horta), falso nome de JOAQUINA, filha de TIRADENTES (Thiago Lacerda), o Mártir da Independência, e ANTÔNIA (Letícia Sabatella). Quando menina, após testemunhar o enforcamento do pai, foi levada para Portugal por um fidalgo, que a criou como filha. Torna-se uma mulher à frente de seu tempo, repleta de ideais e senso de justiça. Volta para o Brasil e começa a descobrir mais sobre o passado de seu pai e sobre o sangue revolucionário que corre em suas veias:
o pai de criação RAPOSO (Dalton Vigh), a resgata ainda menina, após a morte de Tiradentes e Antônia, e leva para Portugal. Apesar de um dia ter apoiado a luta dos inconfidentes, deve tudo que tem à coroa portuguesa. Torna-se um importante fidalgo pelas riquezas que adquiriu. Anos depois, parte com a família para o Brasil, quando os nobres portugueses fogem das invasões napoleônicas
o irmão ANDRÉ (Caio Blat), filho de Raposo, seu amigo e confidente. Sabe de todo seu passado e teme pela sua vida com o retorno para o Brasil. Tenta esconder de todos a sua homossexualidade. Quer agradar o pai e tenta acompanhar seus hábitos, mas a sensibilidade do rapaz o mantém distante da brutalidade típica dos homens da época
a irmã BERTOLEZA (Sheron Menezzes), negra alforriada criada como filha por Raposo. Cresce como fidalga ao lado de André e Rosa e, ao vir para o Brasil com a família, se depara com um limbo social: não se encaixa na realidade dos fidalgos e nem na dos escravos.

– núcleo de DIONÍSIA (Maitê Proença), irmã de Raposo, responsável pela preservação dos bens dele no Brasil. Conservadora, se considera uma senhora de respeito e acaba tendo conflitos com Joaquina por causa da diferença de opiniões. Carrega marcas do passado: cicatrizes causadas pelas surras que levava do ex-marido:
o ex-marido TERENCIANO (Jackson Antunes), homem violento que a maltratava. Retorna para casa ameaçando-a. Acaba morto por ela
o feitor em sua fazenda MALVEIRO (Bruce Gomlevsky), garante o bom funcionamento da chácara onde a senhora mora e pune os escravos
os escravos: SAVIANO (David Junior), é constantemente assediado por ela,
LUANDA (Heloísa Jorge), envolve-se com Saviano às escondidas de sua senhora. Quando descobre o relacionamento, Dionísia pune os dois. Luanda detesta Bertoleza, pois não entende como uma negra, apesar de alforriada, vive na intimidade dos brancos,
e BLANDINA (Mariana Nunes), divertida, bem-humorada, vive sempre longe de encrencas. Não questiona nada, mas tem olho crítico, é observadora e perspicaz.

– núcleo de JOSÉ MARIA RUBIÃO (Mateus Solano), foi o braço direito de Tiradentes na luta pela independência, até ter a própria vida ameaçada. Entrega o amigo para a coroa e tem a vida poupada. Tenta resgatar um saco de ouro que deixou com Antônia e, após uma discussão, acaba a assassinando. Anos depois, torna-se intendente de Vila Rica e preserva os valores da coroa portuguesa no local. Quando Rosa chega à cidade, apaixona-se por ela, sem desconfiar que ela é filha de Tiradentes, a quem traiu, e Antônia, quem matou no passado. Sem saber do passado que o liga e seus pais, Rosa se deixa envolver por ele:
o irmão VENTURA (Vitor Thiré), cego de nascença. Apaixona-se por Bertoleza sem saber que ela é negra
a governanta ANITA (Joana Solnado), com quem tem uma relação bem íntima. Ela o ama mas ele apenas a usa. Ressente-se da aproximação dele com Rosa.

– núcleo de XAVIER ALMEIDA (Bruno Ferrari), recém-formado em Medicina, passou seis anos em Coimbra. Volta ao Brasil para atuar como médico e se casar com a noiva a quem foi prometido antes de viajar. Seus pais apostam no casamento para recuperarem a fortuna que um dia tiveram. Tem ideais revolucionários, quer um Brasil livre da coroa e direitos iguais para todos, homens e mulheres, brancos e negros. Se encanta por Rosa, com quem compartilha a mesma luta e ideais. Mas terá que enfrentar a ira de Rubião, com quem disputa Rosa:
os pais: MATIAS (Mário Borges), minerador, perde parte da fortuna da família quando as terras secam, e o pouco que ganha paga de impostos para a coroa portuguesa. Consegue mandar o filho para estudar em Coimbra e aposta no bom casamento dele para recuperar a boa vida da família,
e BRITES (Rita Clemente), se esforça para manter a casa em ordem, ama o filho incondicionalmente e pensa sempre no melhor para ele
a mucama CELESTE (Olívia Araújo), que seus pais tentam vender para conseguir algum lucro, mas ela é indolente, preguiçosa e sempre rejeitada.

– núcleo de BRANCA (Nathália Dill), o melhor partido de Vila Rica, a noiva prometida de Xavier, por quem ela esperou ansiosamente por seu retorno e com quem sonha se casar. Linda, tem valores e comportamento dignos de uma dama. Porém, tem uma personalidade insidiosa, calculista e dissimulada. Faz tudo para conseguir o que quer. Não vai desistir do homem que ama, mesmo percebendo a aproximação dele com Rosa:
os pais: DIOGO FARTO (Genézio de Barros), despreza a promessa de casamento da filha com Xavier, pois sabe que a família dele está falida. Com a chegada de Raposo, vê em André uma possibilidade de noivo muito mais interessante, afinal ele é rico,
e LUZIA (Chris Couto), cuida dos interesses da filha e tenta fazer o possível para controlar os seus ímpetos
a tia ALEXANDRA (Juliana Carneiro Da Cunha), irmã de Diogo, recém-chegada de Paris. Por trás da fachada de velha dama da sociedade, esconde de todos que é mecenas dos rebeldes, bancando suas rebeliões, como financiadora da causa.

– núcleo de MÃO DE LUVA (Marco Ricca), grande salteador da região de Vila Rica, líder de um bando. Pegam itens de valor que podem revender. Sequestra Joaquina ainda criança e tenta trocá-la por ouro, mas ela consegue fugir. Ao ver Rosa, reconhece nela a menina Joaquina, e tenta um novo golpe, afinal, agora ela vale ainda mais:
o braço-direito no bando SIMÃO (Nikolas Antunes), fiel a ele
o menino CAJU (Gabriel Palhares), bandoleiro-mirim, muito esperto, fica de olho na movimentação das estradas para alertar o grupo sobre lucro a caminho

– núcleo de VIRGÍNIA (Lília Cabral), dona do cabaré de Vila Rica, encanta os homens por sua sensualidade e inteligência. Promove os encontros dos rebeldes em seu estabelecimento, sendo ela um dos pilares do movimento. No passado, ajudou Raposo a fugir com Joaquina. Ao ver Rosa pela primeira vez, reconhece no olhar a menina que ajudara a salvar. Poucos sabem, mas ela é mãe de Rubião e se ressente do caminho que o filho escolheu:
as prostitutas: MIMI (Yanna Lavigne) , sonha em se casar com um príncipe. Tem preguiça dos afazeres domésticos e por isso discute frequentemente com as outras prostitutas. Apaixona-se por André, mas esse é um amor impossível, por ele ser homossexual,
GIRONDA (Hanna Romanazzi), não tem habilidades para costurar e cozinhar. É uma falsa virgem. Sua suposta virgindade será leiloada entre os clientes,
e VIDINHA (Yasmin Gomlevsky), seu braço-direito no cabaré. É fiel ela e a ajuda em tudo que é possível. A única entre as prostitutas que sabe ler e escrever.

– demais personagens:
ASCENSÃO (Zezé Polessa), mulher que vive à margem da sociedade. Entende de remédios naturais e curas e conhece os segredos de muita gente da cidade, pois já prestou serviços a muitas delas. Como tem grande conhecimento de práticas médicas, tem fama de bruxa
TOLENTINO (Ricardo Pereira), capitão que no passado capturou Tiradentes. Fiel à coroa portuguesa. Quando Rubião se torna intendente, passam a trabalhar como parceiros na tentativa de manter a ordem de acordo com os interesses de Portugal. Assíduo no cabaré de Virgínia, vive tomando porres. Encanta-se pela prostituta Gironda. Torna-se amigo de André, que se apaixona por ele
GASPAR (Romulo Estrela), arruaceiro de Vila Rica, espera a chance de enriquecer com facilidade. Torna-se um suposto negociante de escravos, quando na verdade é traficante e contrabandista
OMAR (Bukassa Kabengele), vem para o Brasil para ser o espião da coroa portuguesa e identificar focos de rebelião. Só quem sabe suas reais intenções são Rubião e Tolentino. Para vigiar as atividades dos rebeldes, procura emprego no cabaré de Virginia. Por ser negro, é discriminado por muitos e, em meio a uma confusão, é resgatado por Xavier. Ao descobrir que Xavier é um dos rebeldes, entra em conflito: preserva a vida do homem que o salvou ou cumpre suas obrigações?
CALDEIRA (Jairo Mattos), dono da taverna e estalagem local. Respeita os mandos e desmandos da coroa portuguesa na cidade, pois não quer problemas. Guarda um segredo: é judeu, cristão-novo
SIMOA (Leticia Isnard), mulher de Caldeira, sonha em ter uma boa vida, com escravos e dinheiro. Acha-se boa demais para trabalhar na taverna do marido
DIMAS (Marcos Oliveira), rebelde, matou o PADRE VIZEU que se dirigia a Vila Rica para tomar a identidade dele
ESMÉRIA (Ju Colombo), garimpeira velha da Mina da Travessia, de propriedade de Raposo. Idosa para a lida no garimpo, agora é lavadeira
JACINTA (Dani Ornellas), a melhor garimpeira da Mina da Travessia. Encontra um enorme diamante capaz de comprar sua liberdade, mas ele é roubado pelo feitor Malveiro. Por causa dessa injustiça, foge e ajuda a fundar um quilombo.

A novela vinha sendo escrita por Márcia Prates – que já trabalhou com Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro, Walther Negrão e outros – a partir do livro “Joaquina, Filha do Tiradentes”, de Maria José de Queiroz. Esta seria sua primeira novela solo.
Mas a direção da Globo, insatisfeita com a qualidade artística e histórica do roteiro, afastou a novelista e a substituiu por Mário Teixeira, que reescreveu os primeiros capítulos e assumiu a autoria da produção.

Inicialmente, Euclydes Marinho era o supervisor do texto de Márcia Prates, mas foi afastado depois que a Globo recebeu os primeiros capítulos e os considerou “insatisfatórios”. Glória Perez foi então nomeada supervisora, mas abandonou o projeto para se dedicar à sua próxima novela (A Força do Querer). Mário Teixeira, recém saído de I Love Paraisópolis, foi então acionado.

Uma história ficcional embasada em fatos e personagens reais. Boa parte dos personagens é fictícia, inclusive a protagonista Joaquina na fase adulta (vivida por Andreia Horta), filha de Tiradentes, já que só existem registros dela até a adolescência.

No roteiro inicial de Márcia Prates, a trama seria ambientada em um arraial do século 18. Quando a autora foi substituída, a ambientação foi redimensionada. Virou Vila Rica, antigo nome de Ouro Preto, onde se deu a Inconfidência Mineira. Para a Globo, a produção era muito grandiosa para se ambientar apenas em um arraial.

Liberdade Liberdade começou modorrenta e levou um tempo até se estabelecer. A trama vinha andando em círculos, dando destaques momentâneos a personagens e núcleos isolados. Enquanto se desenvolvia lentamente a trama principal, foram apresentados o rapto de Bertoleza (Sheron Menezes), a volta do marido (Jackson Antunes) de Dionísia (Maitê Proença), o drama do cego Ventura (Vitor Thiré), etc. A luta pela Independência serviu apenas de pano de fundo a uma trama que, ao final, concluiu-se: poderia ter se passado em qualquer época e lugar.

Entretanto, apesar de seu roteiro um tanto quanto enviesado, a novela tinha a seu favor ótimos trunfos que faziam valer a pena a audiência. O maior deles: o excelente elenco em ótimos personagens, todos ricamente construídos, com destaque para Mateus Solano (como o vilão Rubião), Marco Ricca (o bandoleiro Mão de Luva, um de seus melhores momentos na televisão), Maitê Proença (a amarga Dionísia), Lília Cabral (a sofrida Virgínia), Zezé Polessa (a comedida Ascenção), Nathalia Dill (a mimada Branca), Juliana Carneiro da Cunha (como Alexandra), Caio Blat (na medida certa como o sensível André, fugindo da caricatura do “gay de época”) e Ricardo Pereira (como o Capitão Tolentino).

Andreia Horta também desenvolveu um bom trabalho como a heroína Joaquina/Rosa Raposo. Heroína não, mocinha! Aqui cabe uma crítica à personagem (não à atriz). A novela vendeu Joaquina, a filha de Tiradentes, como uma espécie de grande revolucionária. Mas o que se viu na maior parte da trama foi pouca luta (logo, pouco foco na História) e uma mocinha de melodrama que sucumbiu às armadilhas e à gratidão pelo vilão Rubião (Mateus Solano), caindo muito facilmente em sua rede, assim pouco condizente com o perfil de heroína. Andreia Horta fez o que pôde, mas Joaquina/Rosa poderia ter sido bem mais, em concordância com a proposta inicial da novela.

Independentemente da trama arrastada até mais de sua metade, a novela apresentou uma reta final de perder o fôlego – fechou com uma média geral de 18 pontos no Ibope da Grande São Paulo, dois pontos a menos que a atração do ano anterior (2015), Verdades Secretas. Ainda que o autor tenha apelado para nudez e cenas de violência física para chamar a atenção do público (enforcamento, emparedamento, membro decepado, olho arrancado, etc), tudo coube na proposta da novela e no horário de exibição.

Liberdade Liberdade ficou marcada por um ineditismo: a primeira cena de sexo entre dois homens – André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) – na TV aberta brasileira, exibida em 12/07/2016. Uma sequência marcada pela delicadeza e bom gosto, com beijos, algumas carícias e corpos nus. E só.
Uma semana antes, protestos de entidades religiosas começaram a circular na internet. Antes da cena ir ao ar, a Bancada Evangélica da Câmara dos Deputados em Brasília condenou fazendo uma campanha contra a exibição, levando alguns evangélicos a fazerem uma passeata contra as cenas.

A novela brindou o público com produção e direção de arte esmeradas que retrataram sem maquiagens Vila Rica (atual Ouro Preto, Minas Gerais) entre o final do século 18 e início do 19. A fotografia escura tonificou a aparência encardida de cenários, figurinos e atores, impregnando um realismo poucas vezes visto em produções de época na TV brasileira.

A preparação do elenco contou com aulas de esgrima, equitação, leituras com a direção e workshops, para entrar no clima do Brasil do século 18. Na sequência, cerca de 90 pessoas viajaram para Diamantina (Minas Gerais) onde deram início às gravações da novela. Para a viagem, três caminhões e quatro vans saíram do Rio de Janeiro com equipamentos técnicos e itens de cenografia e produção de arte. A equipe de figurino, liderada por Paula Carneiro, levou oito araras e quatro caixas grandes com roupas e acessórios como luvas, chapéus e botas. Já a equipe de caracterização, comandada por Lucila Robirosa, transportou cinco cases repletos de itens para ajudar a “conduzir” o elenco e figuração para o século 18, época do Brasil Colônia.

Para reconstruir o Brasil de 1792 e 1808, as equipes de cenografia, produção de arte, caracterização e figurino tiveram de embarcar em uma viagem por meio de livros, pinturas e filmes rumo aos tempos da colônia.
A preocupação em conferir um alto grau de realismo às cenas foi verificada nas roupas, no cenário, na caracterização e nos elementos cenográficos. Paula Carneiro, contou que houve muitas pesquisas sobre as vestimentas da época:
“Fizemos um trabalho muito forte de envelhecimento e tingimento dos tecidos, para passar a impressão de roupas gastas e para existir uma harmonia com as cores da novela”.

Lucila Robirosa revelou que todos os atores se “sujaram” para gravar, já que a época e o lugar não favoreciam a limpeza e a higiene:
“Sujamos todos os personagens, pobres e ricos. As unhas são escurecidas e os dentes são amarelados. Com exceção dos escravos, que eram valorizados pela brancura dos dentes.”
Em vez de maquiar os atores, a preocupação foi naturalizar a todos e unificar: sujeira nos dentes e próteses, glicerina para o suor, base solúvel em álcool para criar manchas e tirar a uniformidade da pele, cicatrizes aplicadas em um sistema de carimbo, entre outros recursos. As cicatrizes não ficaram só para os escravos. A personagem de Maitê Proença, Dionísia, sofria abusos do marido e tinha diversas marcas dessa história. Na busca por um visual natural do período, elenco e figuração precisaram remover química e tintura dos cabelos, que, em sua maioria, ganharam apliques para parecerem mais longos. Ainda foi preciso evitar unhas feitas e depilação.

A novela também teve cenas gravadas na Fortaleza de São João, no bairro carioca da Urca, que voltou no tempo e se transformou no Rio de Janeiro do final do século 18 e início do 19.

Para reconstruir Vila Rica, onde se passavam os principais acontecimentos, nos Estúdios Globo, as equipes de cenografia e produção de arte precisaram resgatar a arquitetura mineira em cerca de 30 prédios que compunham o espaço de 4 mil metros quadrados. Paredes com acabamento primário, tons terrosos em todas as suas variações, madeira de demolição, telhas de cerâmica, esteiras de forração de teto feitas de palha de taquara e reproduções de pedra pé-de-moleque foram algumas das características que remetiam à época.

Para móveis e peças do cenário, a busca em antiquários mineiros e o contato com colecionadores de antiguidades foi essencial. Com isso, a equipe de produção conseguiu garimpar artefatos como cadeiras, camas, carruagens, liteiras, entre outros, para compor o espaço. Como as peças deste período eram raras, nem todos os tipos de móveis foram encontrados, e os profissionais tiveram de reproduzir grandes peças como armários e mesas de acordo com a arquitetura da época. Papéis de parede, tecidos, maçanetas e peças aproveitadas do acervo da cenografia passaram por um processo de envelhecimento para reproduzir com mais fidelidade o período histórico.

O realismo ganhou liberdade de criação com as mulheres mais nobres e o cabaré de Virgínia (Lília Cabral). Joaquina/Rosa (Andreia Horta), exibiu uma mistura de referências contemporâneas com o período da novela: bordados atuais, tipos de manga e tecidos. Como ela foi criada em Portugal, trouxe para o Brasil trajes que até então as mulheres não conheciam, como os cortes com cintura alta. Rosa tinha uma leveza na maquiagem que reforçava a imagem dessa mulher que impressiona todos a sua volta e penteados mais “modernos” para o momento histórico. Já Virgínia usava corseletes, anáguas, vestidos e robes longos para exaltar sua beleza.

Na personagem de Nathalia Dill, Branca, tudo combinava: formatos de vestidos bem brasileiros, com a cintura baixa da época, peças todas da mesma cor, bordados tom-sobre-tom em cores diferenciadas como berinjela e azul petróleo. Ascenção (Zezé Polessa), mulher que vivia pelas florestas e tinha uma cicatriz misteriosa no rosto para reforçar tudo que já viveu, tinha um figurino em tom medieval. Maitê Proença, a Dionísia, usava do estilo da aristocracia para mostrar que era uma mulher forte e elegante, com cortes bem tradicionais e tons de preto, cinza e carbono.

O personagem Mão de Luva (Marco Ricca) ganhou um spin-off após o término da novela, oferecido na internet (Gshow) e na Globoplay (plataforma on demand): a webserie As Aventuras de Mão de Luva, em 8 episódios, que contou com alguns integrantes do elenco da novela e as participações do atores Mouhamed Harfouch (Visconde), Miguel Roncato (Caju adulto), Carol Castro (Selena) e Felipe Camargo (Casco de Boi).

Outra novela que teve a Inconfidência Mineira como pano de fundo foi Dez Vidas, de Ivani Ribeiro, exibida pela TV Excelsior em 1969.

Tema de Abertura: FRANCISCO – Milton Nascimento

Trilha Sonora Instrumental: música original de Sacha Amback

01. JOAQUINA (featuring Julio Moretzsohn)
02. JOAQUINA (versão triste)
03. JOAQUINA (versão 2)
04. JOAQUINA (versão piano 3)
05. LIBERDADE (versão original)
06. SAUDADE (versão original) (tema de Rubião)
07. LIBERDADE LIBERDADE (versão original)
08. REX TREMENDAE (featuring Julio Moretzsohn, versão original)
09. SUSPENSE (versão original)
10. TENSÃO 1 (versão original)
11. TENSÃO 2 (versão A)
12. TENSÃO 3 (versão original)
13. A COROA (versão original)
14. HARPA (versão original) (tema de Virgínia)
15. DEVANEIO (versão original) (tema de Dionísia)
16. MINAS CLARINETE (versão original) (tema de Bertoleza)
17. PIANO 1 (versão A) (tema de André)
18. PIANO 1 (versão C) (tema de André)
19. PIANO 1 (versão F) (tema de André)
20. TOADA (versão original)
21. AÇÃO 1 (versão original)
22. BANDO 1 (versão original)

Veja também

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Tempos Modernos

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O Cravo e a Rosa

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A Padroeira

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Dez Vidas