Sinopse

De passagem pela cidadezinha litorânea de Pontal D’Areia, onde sua família tem negócios, Marcos conhece e se apaixona pela doce Ruth, filha de pescadores. Mas acaba envolvido por Raquel, a irmã gêmea dela, que lhe rouba o namorado. As irmãs são idênticas fisicamente, mas de personalidades opostas. Enquanto Ruth ama Marcos, Raquel ambiciona sua fortuna e mantem um caso amoroso com Wanderley, um mau-caráter.

O único que percebe as reais intenções de Raquel é Tonho da Lua, um rapaz com problemas psíquicos, famoso por esculpir mulheres nas areias da praia. Tonho é protegido de Ruth, mas sofre com a perseguição e maldades de Raquel. Para atingir seus objetivos, Raquel terá que enfrentar o ardiloso Virgílio Assunção, pai de Marcos, que não aceita o namoro do filho com a caiçara – como ele se refere a ela.

Virgílio, um homem inescrupuloso, é o vice-prefeito e dono do maior hotel de Pontal D’Areia. Seu sonho é fazer da cidade um centro turístico. Porém, tem que lidar com o prefeito, o ambientalista Breno, seu cunhado, que proíbe banhos de mar ante à poluição perigosa. A população da cidade fica dividida. Para desmoralizar Breno, Virgílio manda colocar espantalhos nas praias, simbolizando o prefeito que assusta os turistas.

Virgílio ainda enfrenta problemas dentro de sua casa. Malu, a filha rebelde, o culpa pela morte do noivo e vive a provocá-lo em uma guerra declarada. Até que ela conhece o vaqueiro Alaor, um homem rústico, e muda temporariamente o seu alvo. Alaor tenta a todo custo domar as impetuosidades de Malu, o que faz nascer uma paixão marcada por altos e baixos por causa do temperamento explosivo dos dois.

Enquanto isso, Ruth sofre calada com o casamento da irmã Raquel, mesmo sabendo que ela está com Marcos apenas por interesse. A história tem uma reviravolta quando Raquel é dada como morta em um acidente no mar e Ruth assume a sua identidade para ficar ao lado do homem que ama. Mas Raquel não morreu e planeja a sua volta e a vingança contra a irmã que tomou o seu lugar e o seu marido.

Globo – 18h
de 1º de fevereiro a 25 de setembro de 1993
201 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
colaboração de Solange Castro Neves
direção de Wolf Maya, Carlos Magalhães e Ignácio Coqueiro
direção geral de Wolf Maya

Novela anterior no horário
Despedida de Solteiro

Novela posterior
Sonho Meu

GLÓRIA PIRES – Ruth / Raquel
GUILHERME FONTES – Marcos
MARCOS FROTA – Tonho da Lua
RAUL CORTEZ – Virgílio Assunção
SUSANA VIEIRA – Clarita
VIVIANNE PASMANTER – Malu
HUMBERTO MARTINS – Alaor
SEBASTIÃO VASCONCELOS – Floriano
LAURA CARDOSO – Isaura
PAULO BETTI – Wanderley
PAULO GOULART – Donato
ANDRÉA BELTRÃO – Tônia
DANIEL DANTAS – Breno
ADRIANO REYS – Sampaio
THAÍS DE CAMPOS – Arlete
HENRI PAGNOCELLI – César
NICETTE BRUNO – Juju (Julieta Sampaio)
JONAS BLOCH – Alemão (Wálter Hartmann)
ISADORA RIBEIRO – Vera
EVANDRO MESQUITA – Joel
OSCAR MAGRINI – Vítor
EDWIN LUISI – Dr. Munhoz
IRVING SÃO PAULO – Zé Luís
ALEXANDRA MARZO – Carola
KARINA PEREZ – Andréia
GIOVANNA GOLD – Alzira
EDUARDO MOSCOVIS – Tito
GABRIELA ALVES – Glorinha
CARLOS ZARA – Zé Pedro
ELOÍSA MAFALDA – Manuela
ALÉXIA DESCHAMPS – Maria Helena
STEPAN NERCESSIAN – Delegado Rodrigo
RICARDO BLAT – Marujo
JOEL BARCELOS – Chico Belo
LU MENDONÇA – Do Carmo
ANTÔNIO POMPEO – Servílio
DENISE MILFONT – Vilma
SERAFIM GONZALEZ – Garnizé
SUELY FRANCO – Celina
CIBELE LARRAMA – Luzia
MARCO MIRANDA – Duarte
JOÃO CARLOS BARROSO – Daniel
MARCELO MANSFIELD – Santiago
MAURÍCIO FERRAZA – Vasco
TOI BRESSANE – Rosendo
CHICO TENREIRO – Mathias
LUCIANO VIANNA – Tavinho
THEREZA CASTRO – Cida
o menino
FABRÍCIO BITTAR – Reginho
e
ADELAIDE PALETE
ANDRÉ LUÍS KLEVENHUSEN – Tonho da Lua (criança)
CARMEM MELLO
CLÁUDIA BORIONI – Luzinete (empregada de Malu dispensada por Alaor)
CLÁUDIO AYRES DA MOTTA – pai de Tonho da Lua
CLÁUDIO BOECKEL – o espantalho nos devaneios de Virgílio
CLÁUDIO CAVALCANTI – Dr. Murilo (promotor no julgamento de Ruth disfarçada de Raquel)
CLEYDE BLOTA – Hilda
DARY REIS – Bastião (cúmplice de Donato no sequestro de Reginho)
DAYSE TENÓRIO – Alice (governanta na casa dos Assunção, nos primeiros capítulos)
ELISKA ALTMAN – Krika (da turma de Malu)
ELY REIS
ÊNIO SANTOS – Joaquim (escrivão na delegacia)
FELIPE CARONE – Comendador Jacomini (amigo de Virgílio, corteja Juju)
FERNANDO JOSÉ – Benvenutti (detetive contratado por Virgílio para seguir Raquel)
GERMANO FILHO – Ataliba (dono da mercearia, vítima das águas contaminadas)
GILDA NERY
GRAZIELA DI LAURENTIS – dublê de Glória Pires nas cenas em que as gêmeas contracenam
IGNÁCIO COQUEIRO – Gilberto (namorado de Malu que suicidou-se)
INGRID GUIMARÃES – Jurema (empregada de Malu dispensada por Alaor)
IVAN SENNA – médico
JORGE CHERQUES – Abílio (um dos namorados de Juju)
KLEBER DRABLE – Padre João (pároco de Pontal D´Areia)
LAFAYETTE GALVÃO – médico no hospital onde Tonho da Lua é internado
LEONARDO MIRANDA – Jota (da turma de Malu)
LÍVIA RAMOS
LUCIANO RABELO – Duda (da turma de Malu)
LUIZ SANTIAGO
MARCUS VINÍCIUS – policial
MOACYR DERIQUÉM – Jacomini (irmão do Comendador Jacomini que, assim como ele, corteja Juju)
NATHALIA TIMBERG – juíza no julgamento de Ruth disfarçada de Raquel
PASCHOAL VILLABOIM
PAULO BARBOSA – Júlio (enfermeiro no hospital onde Tonho da Lua ficou internado)
PAULO GRACINDO – padre que celebra o casamento de Carola e Zé Luís
RENATO RABELLO – editor da revista para a qual Malu posa nua
ROBERTO MORAES – policial na delegacia de Pontal D´Areia
RONALDO TASSO – Ígor (da turma de Malu)
RONEY VILELA – Carijó (pescador)
SÔNIA DE PAULA – Lurdes (empregada na casa dos Assunção em Pontal D´Areia)
SUZANA ABRANCHES – Mariah (da turma de Malu)
TOTIA MEIRELLES – Sônia (secretária de Sampaio)
VINÍCIUS MARQUES – Daniel (trabalha no escritório de Virgílio)
WOLF MAYA – Dr. Otacílio Galvão (advogado de defesa de Ruth disfarçada de Raquel)
Diva (governanta na casa dos Assunção)
Odete (secretária de Virgílio)
Olga (empregada na casa de Juju)
Regina (confidente telefônica de Juju)

– núcleo das gêmeas RUTH e RAQUEL (Glória Pires). Ruth, professora, moça simples e ajuizada, vive para ver o grande amor de sua vida feliz, mesmo que não seja ao seu lado. Ao contrário de Raquel, mulher ambiciosa que rouba o namorado da irmã para se dar bem na vida. As duas são vítimas de um acidente no mar no qual Raquel desaparece e Ruth é encontrada inconsciente. Ruth assume a identidade da irmã, enquanto Raquel, que sobreviveu e está escondida, planeja um retorno para desmascarar Ruth que tomou o seu lugar ao lado do marido:
os pais: FLORIANO (Sebastião Vasconcelos), pescador bom caráter que tem uma forte ligação com Ruth e vive criticando as atitudes de Raquel,
e ISAURA (Laura Cardoso), ambiciosa como Raquel, possui uma afinidade maior com ela. A única que sabe que Raquel não morreu
o amante de Raquel, WANDERLEY (Paulo Betti), um mau-caráter, cúmplice em suas armações. Acaba assassinado
o DELEGADO RODRIGO (Stepan Nercessian), corteja Ruth, investiga o assassinato de Wanderley.

– núcleo de MARCOS (Guilherme Fontes), rapaz rico e educado. Apaixona-se por Ruth mas, envolvido e seduzido por Raquel, casa-se com ela e fica preso a essa relação:
os pais: VIRGÍLIO ASSUNÇÃO (Raul Cortez), empresário inescrupuloso, vice-prefeito da cidadezinha litorânea de Pontal D´Areia, onde mora a família das gêmeas. É dono do maior hotel da região e ambiciona a prefeitura para expandir os seus negócios. Odeia Raquel e sempre foi contra o casamento do filho,
e CLARITA (Susana Vieira), mulher pacífica, cordata, justa e generosa. Mantém-se presa ao casamento fracassado e acata os desmandos do marido autoritário. Aos poucos vai se libertar do jugo de Virgílio
a irmã MALU (Vivianne Pasmanter), garota rebelde, de temperamento forte e esquentado. Acusa o pai pela morte do namorado e por isso vive para atormentá-lo
a prima ARLETE (Thais de Campos), sobrinha de Virgílio, amiga de Ruth. Mulher doce e generosa
o motorista DUARTE (Marco Miranda), pau-mandado de Virgílio
a governanta DIVA
os funcionários do hotel de Virgílio: SANTIAGO (Marcelo Mansfield), ROSENDO (Toi Bressane) e VASCO (Maurício Ferraza), que morre de medo do patrão.

– núcleo de TONHO DA LUA (Marcos Frota), rapaz com problemas psíquicos conhecido por esculpir mulheres nas areias da praia. Seus problemas foram agravados depois de presenciar a morte do pai, quando era criança. Também órfão de mãe, sonha em lembrar do rosto do pai, que tenta esculpir. De alma e atitudes infantis, tem uma paixão platônica por Ruth. É alvo constante da implicância e maldades de Raquel:
a irmã GLORINHA (Gabriela Alves), moça bondosa que tenta proteger o irmão e ele a ela
o padrasto DONATO (Paulo Goulart), um mau-caráter. Dono dos barcos de pesca da região, faz de tudo para que os pescadores dependam dele. Odeia Tonho por este saber que foi ele quem matou seu pai. Mas Tonho não consegue se lembrar pelo trauma que sofreu. Sente atração pela enteada e deseja desposá-la
a empregada ALZIRA (Giovanna Gold), apaixonada por Tonho, sente ciúmes de Ruth. É uma moça simplória e sem instrução que faz tudo por ele.

– núcleo de ALAOR (Humberto Martins), peão na fazenda de Virgílio. No princípio, amava Ruth, mas, ao perder as esperanças, e, envolvendo-se com Malu em uma relação tempestuosa, descobre-se apaixonado pela filha do patrão:
a irmã CELINA (Suely Franco), apaziguadora, tenta arrefecer os ânimos entre ele e Malu
a empregada na fazenda de Virgílio, LUZIA (Cibele Larrama), que ama Alaor desde criança e não perde as esperanças de casar-se com ele.

– núcleo de BRENO (Daniel Dantas), prefeito de Pontal D´Areia. Irmão de Clarita, é alvo das intrigas do cunhado Virgílio, o vice-prefeito. Breno interdita os banhos de mar nas praias que estão poluídas, provocando a ira de Virgílio, que lucra com o turismo local. Anonimamente, Virgílio instiga a população contra Breno e coloca espantalhos nas praias, simbolizando o prefeito que espanta os turistas:
a bela mulher VERA (Isadora Ribeiro), sofre com seu ciúme doentio. É chantageada por Virgílio quando este descobre seu passado como dançarina de cabaré e ameaça revelar seu segredo para o marido
a falsa amiga de Vera, MARIA HELENA (Alexia Dechamps), que alia-se a Virgílio contra Breno, por ele sempre implicar com ela
o funcionário na prefeitura, DANIEL (João Carlos Barroso), seu aliado
o dono de imobiliária MATHIAS (Chico Tenreiro), o critica porque se sente prejudicado pela interdição das praias
e empregada CIDA (Thereza Castro), torce pelo casamento dos patrões.

– núcleo de TÔNIA (Andréa Beltrão), comerciante local, aliada de Breno. Objeto de desejo de Virgílio que vive assediando-a, por isso ela o odeia. Moça esfuziante e de temperamento forte, sem papas na língua:
o pai ZÉ PEDRO (Carlos Zara), homem simplório que se deixa influenciar por Virgílio
o irmão pequeno REGINHO (Fabrício Bittar), que, ao longo da trama, morre vítima das águas poluídas
a amiga MANUELA (Eloísa Mafalda), comerciante também aliada do prefeito. Amiga de Zé Pedro, os dois possuem barracas na praia
o namorado no início JOEL (Evandro Mesquita) com quem mantinha uma relação tumultuada. Aliado de Virgílio contra Breno. Ao ficar sabendo que o primo, dono de seu restaurante, está a caminho, some de Pontal D´Areia sem deixar vestígio
o primo de Joel, VITOR (Oscar Magrini), foi o primeiro namorado de Tônia e a trata como se ela fosse uma criança. Mas os dois, apesar dos desentendimentos, voltam a ficar juntos
o médico DR. MUNHOZ (Edwin Luisi), apaixonado por Tônia, luta com ela e Breno contra Virgílio.

– núcleo de SAMPAIO (Adriano Reys), sócio de Virgílio, mantém um casamento infeliz com a mulher e uma paixão por Arlete:
a esposa JUJU (Nicette Bruno), mulher fútil, vaidosa, fofoqueira e deslumbrada. Detesta ser chamada por seu nome, JULIETA. Trata o marido com desdém e acha que ele é doente e tem pouco tempo de vida, o que não é verdade. Sampaio se diverte com isso, enquanto ela tenta arrumar possíveis substitutos para o marido após a morte dele
as filhas: a ambiciosa ANDRÉIA (Karina Perez), ex-namorada de Marcos que não mede esforços para reconquistá-lo, sendo aliada de Virgílio contra Raquel,
e a doce CAROLA (Alexandra Marzo), moça romântica e simples
a secretária SÔNIA (Totia Meirelles).

– núcleo de CÉSAR (Henri Pagnocelli), namorado de Arlete, amigo de Virgílio. De caráter duvidoso, esconde de todos que no passado engravidou Ruth e a fez abortar:
o irmão ZÉ LUÍS (Irving São Paulo), jovem médico que se envolve com Carola. Fora um antigo namorado de Vera e conhece o seu passado. Quando Raquel lhe conta que César engravidou Ruth e ela perdeu o bebê, Zé Luís sai desorientado e é atropelado, morrendo. Para vingar-se, César força um acidente de carro que vitima Raquel.

– núcleo dos pescadores:
o amigo dos pescadores, WÁLTER, o ALEMÃO (Jonas Bloch), dono de um bar. Fora um antigo namorado de Clarita. Após se reencontrarem, lutam para ficar juntos, provocando o fim definitivo do casamento dela e a ira de Virgílio
MARUJO (Ricardo Blat), pescador aposentado que perdeu um braço ao ser atacado por um tubarão. De caráter duvidoso, auxilia Donato em suas falcatruas
o jovem TITO (Eduardo Moscovis), namorado de Glorinha. Odeia Donato por ele explorar os pescadores e por ele ser uma ameaça constante a Glorinha
os pais de Tito, CHICO BELO (Joel Barcelos), pescador mulherengo, e DO CARMO (Lu Mendonça), que acaba por se separar do marido
SERVÍLIO (Antônio Pompeo), que tem ciúme da bela mulher, VILMA (Denise Milfont), que tem um caso com Wanderley. Após ser humilhada pelo amante, Wilma o mata
GARNIZÉ (Serafim Gonzales).

– núcleo da turma de Malu, um bando de jovens desocupados que a acompanha em suas festas e bagunças. São considerados delinquentes por Virgílio:
TAVINHO (Luciano Vianna), fotógrafo
ÍGOR (Ronaldo Tasso)
MARIAH (Suzana Abranches)
DUDA (Luciano Rabelo)
JOTA (Leonardo Miranda)
KRIKA (Eliska Altman).

Remake de um dos maiores sucessos de Ivani Ribeiro vinte anos depois. Às tramas da nova Mulheres de Areia foi incorporada a espinha dorsal de outra novela da autora: O Espantalho (de 1977). Ou seja, o prefeito de uma cidadezinha litorânea que proíbe banhos de mar nas praias poluídas. Todavia foi o confronto das gêmeas Ruth e Raquel que conduziu a versão da Globo à mesma repercussão que a história atingiu na Tupi, em 1973.

Para escrever Mulheres de Areia, Ivani Ribeiro baseou-se em uma antiga radionovela de sua autoria, As Noivas Morrem no Mar, de 1965, com Maria Fernanda emprestando a voz (afinal era rádio). A radionovela, por sua vez, foi inspirada no filme Uma Vida Roubada (Stolen Life, 1946, de Curtis Bernhardt, com Bette Davis no papel das gêmeas), que trazia praticamente a mesma história até o ponto em que acontece o acidente no mar e a irmã sobrevivente ocupa a vida da falecida. Para render uma novela de televisão, Ivani deu continuidade à trama com um gancho irresistível: uma das gêmeas não morreu e prepara uma vingança contra a irmã que lhe tomou seu lugar – ou, que lhe roubou a vida, como sugere o título do filme original.

Uma produção vitoriosa sob todos os aspectos. Elenco vigoroso, bem escalado, e a direção competente de Wolf Maya.

A ideia de regravar Mulheres de Areia surgiu em 1990, porém o projeto foi arquivado e retomado pouco tempo depois. Cláudia Abreu foi cogitada para o papel das gêmeas, mas chegou-se a um consenso de que deveria ser Glória Pires. O nascimento de uma filha de Glória (Antônia) ainda adiou a produção em quase um ano: a novela deveria substituir Felicidade, em junho de 1992. Em seu lugar foi produzida Despedida de Solteiro para que só depois Mulheres de Areia pudesse estrear.

Glória Pires, marcada pelos papeis das gêmeas, lembra da novela como “uma das mais trabalhosas”. Conseguiu viver praticamente quatro personagens e estabelecer diferenças que dispensavam avisos ao público. Além de ser Ruth e Raquel, foi “Raquel imitando Ruth” e “Ruth imitando Raquel”.
Por seu trabalho, Glória foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor atriz de televisão do ano de 1993 e premiada com o Troféu Imprensa.

A aceitação de Mulheres de Areia pelo público foi tanta que a novela registrou uma média final de audiência de 50 pontos no Ibope da Grande São Paulo, um fenômeno para a época. Dava mais audiência que a novela das sete contemporânea, O Mapa da Mina. Cogitou-se inclusive a transferência de horário das 18 para as 19 horas, já que O Mapa da Mina teve seus capítulos encurtados por causa do estado de saúde do autor, Cassiano Gabus Mendes (que veio a falecer). A ideia foi abandonada e uma nova produção substituiu O Mapa da Mina: Olho no Olho.

Diversos países compraram a novela. Mulheres de Areia fez tanto sucesso na Rússia que o governo exibiu o último capítulo em um dia de eleição, evitando que os eleitores viajassem no feriado e, assim, aumentando a frequência das zonas eleitorais. No país, a novela foi batizada de Sekret Tropikanki, que significa “o segredo de uma mulher tropical” em russo. Também era conhecida como Tropikanka 2, porque a atração anterior foi outra novela global, Tropicaliente, batizada na Rússia de Tropikanka. Em comum, as duas novelas têm apenas a ambientação praiana, exótica aos olhos do povo russo.

Equipamentos de alta tecnologia foram importados para dar mais realismo às cenas em que as gêmeas contracenavam.

Três atores escalados para o elenco fizeram testes para interpretar o Tonho da Lua: Eduardo Moscovis, Irving São Paulo e Marcos Frota, que acabou ficando com o papel. Tonho foi o grande destaque da novela, marcou a carreira de Frota e o ator é lembrado pelo personagem até hoje. Eduardo Moscovis e Irving São Paulo ficaram com outros personagens: Tito e Zé Luís, respectivamente.

Destaque ainda para as interpretações inesquecíveis de Raul Cortez (Virgílio Assunção), Laura Cardoso (Dona Isaura), Sebastião Vasconcelos (Seu Floriano), Paulo Goulart (Seu Donato) e o casal vivido por Vivianne Pasmanter e Humberto Martins (Malu e Alaor).

O codiretor da novela, Ignácio Coqueiro, namorado de Vivianne Pasmanter na época, apareceu em Mulheres de Areia como Gilberto (em flashback), o falecido namorado de Malu, personagem de Vivianne.

Evandro Mesquita interpretava Joel, o namorado de Tônia (Andréa Beltrão), um sujeito de caráter duvidoso, quase um vilão, um personagem importante dentro da trama de O Espantalho. Mas Ivani Ribeiro não gostou do tom cômico que Evandro deu a Joel. O ator não se adequou ao personagem e foi afastado. E assim a autora criou um outro interesse amoroso para Tônia: Vitor (Oscar Magrini).

Carlos Zara, que interpretou o Zé Pedro, pai de Tônia, havia vivido o mocinho Marcos Assunção na primeira versão. A novela original consagrou a atriz Eva Wilma, que interpretou as gêmeas. E Gianfrancesco Guarnieri fez muito sucesso com o seu Tonho da Lua.

Serafim Gonzalez – que também participou na primeira versão, vivendo o Alemão – foi o responsável pelas esculturas de areia nas duas novelas. E ganhou um novo personagem dentro da nova trama, o pescador Garnizé.
Serafim e seu filho, Daniel, que o auxiliava, chegavam a fazer quatro esculturas por dia, para atender a demanda das cenas, e estavam a postos, em média, três horas antes da chegada da equipe. Alguns detalhes das esculturas eram finalizados por Marcos Frota, em cena. (*)

A fictícia cidade de Pontal D´Areia serviu de cenário para a introdução do tema da poluição ambiental, mais especificamente na questão da interdição das praias poluídas. Através da história, foram veiculadas informações sobre doenças relacionadas à poluição das praias, como hepatite e cólera.

Telespectadores questionaram os motivos pelos quais os turistas de Pontal D’Areia não podiam frequentar a praia poluída (tema extraído de O Espantalho), enquanto os pescadores continuavam suas atividades tranquilamente (tema extraído de Mulheres de Areia). Solange Castro Neves, que colaborava com Ivani Ribeiro no roteiro, veio a público explicar que o fato de uma praia estar poluída não implica, necessariamente, na poluição de toda a orla. E que a pesca, em alto-mar, era permitida, porque os riscos de contaminação por doenças como cólera eram menores.
Por fim, a poluição das águas, que parecia jogar contra a verossimilhança do roteiro, contribuiu para o merchandising social de Mulheres de Areia. Na época, o país vivia um surto de cólera, o que levou a veiculação de uma campanha de conscientização na grade da Globo, estrelada por Renato Aragão, ensinando a prevenir e diagnosticar a doença. Oportunamente, Ivani Ribeiro inseriu o tema em cenas da novela. (*)

As cenas externas foram gravadas em três lugares diferentes: na cidade cenográfica de Jacarepaguá, em Angra dos Reis e em Tarituba, no litoral sul fluminense.
Uma casa alugada no Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, serviu de locação para o núcleo dos Assunção. Já a fazenda de Virgílio, uma propriedade de 103 alqueires, ficava em Massambará, distrito de Vassouras, também no Rio, e havia abrigado, anteriormente, cenas da novela O Salvador da Pátria (1989). (*)

As gravações da lua de mel de Marcos e Raquel em Nova York tiveram cenas no Central Park, na Quinta Avenida e no Hotel Plaza. Glória Pires aproveitou a viagem de trabalho para se divertir com o marido, Orlando Morais e as filhas Cléo (ainda menina) e Antônia (aos seis meses de idade). Cléo, aliás, aparece em um dos capítulos, patinando no gelo, sob os olhares de Raquel e Marcos. (*)

A cidade cenográfica apresentava uma novidade: ela foi inserida por newsmate – recurso que permite o recorte de imagens gravadas sobre o chromakey – sobre a imagem da praia de Angra dos Reis, com a fachada do hotel usado como locação, permitindo a continuidade das gravações.

O ator Ricardo Blat, cujo personagem, Marujo, teve um dos braços decepado por um tubarão, também cortou um dobrado em suas cenas. A princípio, a equipe de caracterização confeccionou um colete de algodão que não cumpriu bem a função de esconder o braço “amputado”. Optaram então por uma cinta de emagrecimento, na qual o braço, posto para trás, ficava rente ao corpo. Ricardo se submetia a uma série de alongamentos para evitar a sensação de dormência no membro. E suas cenas, por orientação médica, eram gravadas em apenas vinte minutos, para evitar prejuízos à musculatura. (*)

A dupla Chitãozinho e Xororó, a jogadora de vôlei Isabel e o locutor de rodeios Asa Branca participaram na novela como membros do júri da competição de esculturas na areia, da qual Tonho da Lua foi sagrado vencedor. (*)

Participaram ainda os artistas do Grande Circo Popular do Brasil, de propriedade de Marcos Frota. O espetáculo, promovido na trama pela primeira-dama Vera (Isadora Ribeiro), visava a arrecadação de agasalhos. Alguns figurantes, desavisados, levaram peças, que foram doadas para uma campanha liderada por Herbert de Souza, o Betinho. (*)

A banda Easy Rider, que cantava um dos temas de Malu, Dirty Game, também participou da novela. Na sequência, Malu organizava a gravação de um clipe da música, assessorando os integrantes da banda durante as tomadas. (*)

A então modelo Mônica Carvalho, antes de começar a atuar em novelas, esparramava água e areia na abertura de Mulheres de Areia. A atriz revelou posteriormente que foi usada farinha para a gravação, e não areia.

A atriz Graziela Di Laurentis era a dublê de Glória Pires nas cenas em que as gêmeas contracenavam. Graziela foi também a noiva que aparecia na abertura de Anjo Mau, em 1997, também estrelada por Glória Pires.

Dayse Tenório foi escalada para viver a personagem Alice, governanta na casa da família Assunção. Mas a atriz faleceu antes da novela estrear, em 20/01/1993, aos 33 anos de idade, vítima de um aneurisma cerebral (fonte: Jornal do Brasil, 21/01/1993). Algumas cenas haviam sido gravadas mas não foram substituídas. Alice apareceu nos primeiros capítulos e uma nova governanta surgiu: Diva.

Um “quem matou” movimentou a trama de Mulheres de Areia: o mau caráter Wanderley (Paulo Betti) morreu assassinado. Ele era o amante de Raquel. O público achava que Wanderley havia sido morto por ela, já que foi ao ar a cena em que Raquel atirou em Wanderley enquanto ele dormia. Mas na verdade, Wanderley já estava morto quando Raquel entrou em seu quarto. Ao final da novela foi revelado o autor do crime, que teve assassinos diferentes nas duas versões da novela. Em 1973 foi a secretária Luiza (Carmem Marinho), e em 1993 foi Vilma (Denise Milfont), mulher de um pescador. A razão do crime foi a mesma: as mulheres se envolveram com Wanderley e se sentiram humilhadas por ele. Wanderley acabou morto com um golpe na cabeça, e seu corpo foi deixado sobre a cama antes de Raquel chegar e atirar nele.

A própria Raquel foi morta, ainda que indiretamente, pelo mau caráter César (Henri Pagnocelli). Raquel revela a Zé Luís (Irving São Paulo) que seu irmão César engravidou Ruth no passado e ela perdeu o bebê. Zé Luís sai desorientado e sofre um acidente. Para vingar-se, César vai atrás de Raquel, numa perseguição automobilística, quando acontece um acidente fatal.

Outro mistério dentro da novela envolvia a trama de O Espantalho. Na novela original, o vilão Rafael (Jardel Filho) era assassinado por alguém fantasiado de espantalho. Nesta versão, Virgílio (Raul Cortez) morre de susto – vítima de um enfarto fulminante – ao se deparar com o espantalho. Ao final da novela descobre-se que “o espantalho” era Tônia (Andrea Beltrão), filha de Zé Pedro (Carlos Zara), que assombrava Virgílio por responsabilizá-lo pela morte de seu irmão caçula, Reginho (Fabrício Bittar), intoxicado pelas águas da praia. Na novela original, o espantalho era o próprio Zé Pedro (Wálter Stuart), e o motivo, o mesmo: a morte do menino Reginho (Wálter Magalhães).

A partir de 1993, o tema de abertura das novelas apresentadas naquele ano (Mulheres de Areia às 6, O Mapa da Mina às 7, e Renascer às 8) deixou de ser apresentado no encerramento, sendo substituído por alguma outra música de sua trilha sonora. Esse expediente foi usado até 2001, em O Clone.

Curiosamente, os temas musicais internacionais de Mulheres de Areia tiveram pouco espaço dentro da novela. Poucas músicas tocaram, em poucas cenas, ficando mais restritas ao encerramento da atração. Mesmo assim, o LP internacional da novela, repleto de hits das FMs da época, vendeu bem.

Gêmeos e sósias, que trocam personalidades ou são confundidos, é um tema recorrente em novelas: Alma Cigana (Tupi, 1964), Vidas Cruzadas (Excelsior, 1965) – ambas escritas por Ivani Ribeiro -, O Semideus (Globo, 1973), Maria Maria (Globo, 1978), Baila Comigo (Globo, 1981), O Outro (Globo, 1987), Cara e Coroa (Globo, 1995), Paraíso Tropical (Globo, 2007) e tantas outras.

Mulheres de Areia foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo em duas ocasiões: entre 25/11/1996 e 25/04/1997, e entre 12/09/2011 e 09/03/2012.
Na reprise de 2011, a Globo providenciou uma alteração na abertura para minimizar a nudez de Mônica Carvalho. Oficialmente, a emissora avaliou que a abertura de 1993 não era “compatível com os padrões morais atuais do país”. Entretanto, especula-se que a mudança tenha ocorrido pelo temor de que a novela sofresse uma reclassificação de horário e não pudesse ser exibida no início da tarde.
A novela ganhou uma terceira reprise, pelo Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 29/02 e 21/10/2016, às 15h30 (com repeteco à 1h45 da manhã).

* pesquisa de Duh Secco para o portal TV História.

Trilha Sonora Nacional
mulheres93t1
01. AI AI AI AI AI – Ivan Lins (tema de Raquel)
02. PENSANDO EM MINHA AMADA – Chitãozinho e Xororó (tema de Alaor)
03. SEXY IEMANJÁ – Pepeu Gomes (tema de abertura)
04. ENCONTRO DAS ÁGUAS – Maurício Mattar (tema de Marcos)
05. CAMINHOS CRUZADOS – Gal Costa (tema de Clarita)
06. OVELHA NEGRA – Os Fantasmas (tema de Malu)
07. PARAÍSO – Mariana Leporace (tema de locação: Pontal d’Areia)
08. DOWN – T Set Squad
09. TOQUE DE EMOÇÃO – Joanna (tema de Andréia)
10. A VIDA É FESTA – Banda Beijo (tema da aldeia de pescadores)
11. DESAFIOS – Simone (tema de Arlete)
12. FIGURA – Orlando Morais (tema de Ruth)
13. FANTASIA REAL – Biafra (tema de Tonho da Lua)
14. GITA – Raul Seixas (tema de Tônia)
15. DIRTY GAME – Easy Rider (tema dos amigos de Malu)
16. VOYAGER – Franco Perini

Trilha Sonora Internacional
mulheres93t2
01. EASY – Faith No More (tema de Ruth e Marcos)
02. SWEAT (A LA LA LA LA LONG) – Inner Circle
03. BED OF ROSES – Bon Jovi (tema de Malu e Alaor)
04. SEE THE LIGHT – Snap
05. LET IT BE ME – Ouriel (tema de Marcos)
06. CLOSE ENCOUNTERS – Closeau
07. FOREVER IN LOVE – Kenny G.
08. BAD BAD BOYS – Midi, Maxi & Efti
09. WILD THING – Tone Loc
10. SIMPLE LIFE – Elton John
11. LOOKING AT MY GIRL – Double You
12. NO ORDINARY LOVE – Sade (tema de Raquel)
13. LATIN MOTION – Frank Shadow
14. GROOVIN’ IN THE MIDNIGHT – Max Priest
15. THE COLOUR OF THE RISK – Franco Perini

Sonoplastia: Júlio César
Produção Musical: Roger Henri
Direção Musical: Mariozinho Rocha
Seleção Musical da Trilha Internacional: Sérgio Motta

Tema de Abertura: SEXY IEMANJÁ – Pepeu Gomes

À noite vai ter lua cheia
Tudo pode acontecer
À noite vai ter lua cheia
Quem eu amo vem me ver

Venha ver com o mar
O luar, o solar
É o amor que me incendeia
Vou sair de mim
Leve como o ar
E agradar minha sereia

Se ela me chamar
E quiser me amar
Eu vou, vou, vou
Sexy Iemanjá
Tudo a ver com o mar
À noite vai ter lua cheia

À noite vai ter lua cheia
Tudo pode acontecer
À noite vai ter lua cheia
Quem eu amo vem me ver

Vou me preparar
Banho de mar
Pronto pra ser todo seu
Vou amar demais
Quero estar em paz
Entre nós, só sexo e Deus

Se ela me chamar
E quiser me amar
Eu vou, vou, vou
Sexy Iemanjá
Tudo a ver com o mar
À noite vai ter lua cheia

À noite vai ter lua cheia…

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