Sinopse

Rio de Janeiro, 1856, pouco mais de trinta anos após a independência do Brasil. A jovem Pilar (Gabriela Medvedovski) enfrenta, desde pequena, o peso de ser uma mulher do século 19 e tenta convencer o pai Eudoro (José Dumont), fazendeiro e coronel da Bahia, a deixá-la estudar. No entanto, Eudoro promete casar sua filha com Tonico (Alexandre Nero), futuro candidato a deputado pela Bahia. A possibilidade de um casamento sem amor faz com que Pilar decida fugir, pois seu maior sonho é ser médica. Para trás, ela deixa sua irmã Dolores (Julia Freitas/Daphne Bozaski).

Em paralelo, o escravo Jorge (Michel Gomes), um homem corajoso e honesto que acredita na integração entre negros e brancos, luta para se tornar livre. Diante da realidade da escravidão, a única opção é fugir, mas antes que planeje algo, é obrigado a escapar. Durante a fuga, Pilar cruza seu caminho, um encontro que muda suas vidas. O casal vai lutar pelos seus sonhos, movido pela paixão que nutre um pelo outro, mas também deseja fazer a diferença na vida das pessoas. Ela acredita que vai se formar em Medicina e ele crê que pode mudar a sociedade.

Enquanto isso, na corte, o imperador Dom Pedro II (Selton Mello), querido pelo povo, trabalha pelo progresso do país e para ampliar os horizontes da população investindo na educação. Tem ao seu lado a Imperatriz Teresa Cristina (Letícia Sabatella), com quem tem as filhas Isabel (Any Maia/ Giulia Gayoso) e Leopoldina (Melissa Nóbrega/ Bruna Griphão), fruto de um casamento político. Além disso, o imperador precisa preparar as princesas para assumirem suas responsabilidades como membros da família real. Para isso, convida Luísa, a Condessa de Barral, para ser a preceptora das meninas.

Luísa é uma mulher moderna, educada na Europa. Ao conhecê-la, Dom Pedro II se encanta com sua força e beleza, o que provoca uma reviravolta em sua vida pessoal. Luísa também é a responsável por apresentar Pilar e Jorge – agora com uma nova identidade, Samuel – ao imperador. Dom Pedro II lutará para ajudar os dois na realização dos seus sonhos e vai igualmente lutar pelo Brasil, respeitando a Constituição, viajando pelo país disposto a atender aos anseios da população e mantendo um bom relacionamento com as províncias.

Globo – 18h
de 9 de agosto de 2021
a 5 de fevereiro de 2022

novela de Thereza Falcão e Alessandro Marson
escrita com Júlio Fischer, Duba Elia, Wendell Bendelack e Lalo Homrich
direção de Guto Arruda Botelho, Alexandre Macedo, Pablo Muller, Joana Antonaccio e Caio Campos
direção geral de João Paulo Jabur
direção artística de Vinícius Coimbra

Novela anterior no horário
Éramos Seis

Novela posterior
Além da Ilusão

SELTON MELLO – Dom Pedro II
LETÍCIA SABATELLA – Imperatriz Teresa Cristina
MARIANA XIMENES – Luísa Margarida de Barros Portugal, a Condessa de Barral
ALEXANDRE NERO – Tonico Rocha
GABRIELA MEDVEDOVSKI – Pilar
MICHEL GOMES – Jorge / Samuel
DAPHNE BOZASKI – Dolores
JOSÉ DUMONT – Coronel Eudoro
JOÃO PEDRO ZAPPA – Nélio Pindaíba
GIULIA GAYOSO – Princesa Isabel
BRUNA GRIPHÃO – Princesa Leopoldina
HESLAINE VIEIRA – Zayla
ROGÉRIO BRITO – Dom Olu
DANI ORNELLAS – Cândida
MAICON RODRIGUES – Guebo
ROBERTA RODRIGUES – Lupita
ERNANI MORAES – João Batista Pindaíba
PAULA COHEN – Lota (Carlota Maria Pindaíba)
GABRIEL FUENTES – Bernardo Pindaíba
AUGUSTO MADEIRA – Quinzinho
DANI BARROS – Clemência
MARIA CLARA GUEIROS – Vitória
DANIEL TORRES – Gastão (Conde D’Eu)
GIL COELHO – Augusto (Duque de Saxe-Coburgo)
DANIEL DAL FARRA – Lupicínio Borges
JACKSON ANTUNES – Luís Alves de Lima e Silva (Marquês de Caxias, depois Duque de Caxias)
BEL KUTNER – Celestina
CÁSSIO PANDOLFI – Nicolau
CINARA LEAL – Justina
RAFFAELLE CASUCCIO – Nino Sorrento
CHARLES FRICKS – Barão de Mauá
ALCEMAR VIEIRA – José de Alencar
MARCELO VALE – General Dumas
MOUHAMED HARFOUCH – Diego Valente
FLÁVIA GUEDES – Madre Zoé
LORENA DA SILVA – Madame Lambert
BLAISE MUSIPÈRE – Jamil
ROBERTO BIRINDELLI – General Solano López
LANA RHODES – Elisa Lynch
THOR BECKER – Dominique

as crianças
MARIA CAROLINA BASÍLIO – Prisca (filha de Quinzinho e Clemência)
THÉO DE ALMEIDA – Hilário (filho de Quinzinho e Clemência)

e
ALEXANDRE BARILARI – Prudêncio (artista que se aproxima de Pilar durante a Guerra do Paraguai)
ANDERSON MELO – gosta do projeto de Samuel mas o rejeita quando descobre que foi feito por um negro
ANTÔNIO PINA – Juvenal (mestre de obras que boicota o trabalho de Samuel nas obras encomendadas pelo Barão de Mauá)
CARLOS BONOW – Alberto (músico do cassino com quem Clemência foge)
CYRIA COENTRO – Ana Néri (enfermeira baiana que prestou trabalho voluntário na Guerra do Paraguai)
CRISTIANO SAUMA – assedia as princesas quando elas estão no Cassino com Pierre, disfarçadas de plebeias
FERNANDA GABRIELA – Condessa de Iguaçú (encomenda um vestido no atelier de Madame Lambert)
GABRIEL FALCÃO – Piérre (pretendente das princesas)
GUILHERME WEBER – William Dougal Christie (diplomata britânico)
OSVALDO MIL – Coronel Paraguaçú (impede que Samuel comece as obras da barragem no Recôncavo)
PAULO BELLEI – tabelião que apresenta a Tonico o testamento de Coronel Eudoro
PAULO GIARDINI – bispo conversando na igreja com a imperatriz quando um reboco do teto cai e quase a acerta
ROSANA PRAZERES – mulher que se recusa a ser atendida por Pilar como médica

primeira fase
ADRIANO PETERMANN – Cerqueira Sobrinho (compra uma música de Samuel e a registra como sua)
ALANA CABRAL – Zayla (criança)
ALAN ROCHA – Balthazar (marido de Abena, pai de Guebo)
ALEXANDRE MOFATTI – delegado que prende Samuel
ALEXANDRE ZACCHIA – Salustiano (jagunço do Coronel Ambrósio, o matou por acidente e culpou Jorge)
ÂNGELA RABELO – Dona Magali (cafetina, mãe do coronel Floriano)
ANY MAIA – Princesa Isabel (criança)
ARAMIS TRINDADE – Tabelião Nonato (assediado por Lota e Batista para aumentar a marcação de suas terras)
ARIANE SOUZA – Minervina (escrava vendida para Lota e Batista)
BIA GUEDES – Lurdes (jovem, em flashback)
BRUNA CHIARADIA – Mariquinha (ex-amante de Dom Pedro II)
CAIO CASTRO – D. Pedro I (em flashback)
CAROLINA FERMAN – Jerusa (mulher do Coronel Floriano, o trai com Tonico)
CLOVYS TORRES – Piatã (índio que encontra, com Jacira, a comitiva do imperador perdida na mata)
EBER INÁCIO – padre no recôncavo, organiza a eleição em que Tonico sai vencedor
FELIPE DE PAULA – garçom na confeitaria que pede a Samuel que se retire
GILBERTO GAWRONSKI – padre que celebra o casamento de Isabel e Gastão
GIULLIA BUSCACIO – Jacira (jovem, em flashback)
GUILHERME PIVA – Licurgo (dono da Taberna dos Porcos, marido de Germana)
ISABELLE DRUMMOND – Anna Millman (em flashback)
JOÃO VICTOR MENEZES – Guebo (criança)
JOICE MARINHO – Alberica (mulher do tabelião Nonato)
JÚLIA FREITAS – Dolores (criança)
JULIANE CRUZ – Naiza (escrava do Coronel Eudoro)
LEANDRO SANTANA – homem do realejo, com quem Samuel tira o bilhetinho da sorte
LETÍCIA COLIN – Imperatriz Leopoldina (em flashback)
LUCCI FERREIRA – Coronel Floriano (marido de Jerusa, antagonista político de Tonico na Bahia)
LU GRIMALDI – Lurdes (governanta do palácio, foi babá de Dom Pedro)
MARCOS ACHER – professor das princesas que discorda do conteúdo oferecido pela Condessa às meninas
MARIO CARDONA JR. – Marco Ferrer (fotógrafo)
MARY SHEILA – Abena (mulher de Balthazar, mãe de Guebo)
MELISSA NÓBREGA – Princesa Leopoldina (criança)
RAYMUNDO DE SOUZA – entre os mestres que avaliam a candidatura de Pilar à faculdade de Medicina, no início
RENATO MACEDO – Victor Meirelles (pintor que leva Germana e Licurgo para posar para ele)
RICARDO GONÇALVES – Constantino Bezerra (um dos professores selecionados pela Condessa para ensinar as princesas)
ROBERTO BONFIM – Coronel Ambrósio Rocha (fazendeiro baiano, pai de Tonico e Jorge)
RODRIGO SIMAS – Piatã (jovem, em flashback)
VALÉRIA ALENCAR – Jacira (índia que encontra, com Piatã, a comitiva do imperador perdida na mata)
THIERRY TREMOUROUX – Eugênio de Barros Portugal, o Conde Barral (marido de Luísa)
VIVIANNE PASMANTER – Germana (dona da Taberna dos Porcos, mulher de Licurgo)
Nonarica (filha do tabelião Nonato e de Alberica, pretendente a casar-se com Nélio)

Nos Tempos do Imperador é continuação da novela Novo Mundo, que os autores Thereza Falcão e Alessandro Marson e o diretor artístico Vinícius Coimbra apresentaram em 2017. Se em Novo Mundo o foco era a chegada de Dona Leopoldina ao Brasil, em 1817, seu casamento com Dom Pedro e o Primeiro Reinado, na nova produção houve um salto no tempo, de mais ou menos 30 anos, com o filho do casal, Dom Pedro II, no Segundo Reinado. A primeira fase de Nos Tempos do Imperador se passou no ano de 1856. A segunda e definitiva fase, entre 1864 e 1870 (com o fim da Guerra dos Paraguai).

Em março de 2020, em virtude da pandemia de Covid-19, as emissoras de TV suspenderam temporariamente suas produções de dramaturgia, interrompendo a exibição de novelas e substituindo-as por reprises ou outros programas. Assim, Nos Tempos do Imperador, que já tinha chamadas de estreia no ar (para 30/03/2020), teve suas gravações paralisadas em 16/03. Em seu lugar, a Globo reprisou Novo Mundo, como um “esquenta” para Nos Tempos do Imperador. A pandemia estendeu-se além de 2020, forçando a emissora a reexibir mais duas novelas no horário: Flor do Caribe (de 2013) e A Vida da Gente (de 2011-2012).

As gravações de Nos Tempos do Imperador voltaram em novembro de 2020, com o núcleo jovem da primeira fase, e em janeiro de 2021, com o restante do elenco retornando aos poucos. Mesmo assim houve baixas. Por causa de suas idades, os atores Luís Mello e Vera Holtz deixaram a novela e foram substituídos por Ernani Moraes e Paula Cohen.

Para o retorno das gravações, foram seguidos rigorosos protocolos de segurança, sob a orientação de um médico infectologista. Nos protocolos constavam o uso de macacão higienizado para entrar no set, a aferição da temperatura corporal e testes clínicos semanais para detecção de Covid-19. Nas cenas com maior aproximação física entre os atores, a princípio, foi usado um separador de acrílico, eliminado eletronicamente na finalização das imagens. Os camarins passaram a ser individuais. Os atores residentes em outras cidades passaram a ser hospedados em hotel.

Thereza Falcão e Alessandro Marson começaram a trabalhar na trama de Nos Temos do Imperador em fevereiro de 2018, alguns meses após o término de Novo Mundo. Em março de 2020, com o adiamento dos trabalhos por causa da pandemia, os autores tiveram que se adaptar e fazer ajustes no texto para seguir o novo protocolo de gravações. “Restringimos a quantidade de cenas de beijos e contato físico”, disse o diretor Vinícius Coimbra.

A novela estreou (em 09/08/2021) com todos os capítulos escritos, faltando poucos para serem gravados e finalizados.

Cinco personagens de Novo Mundo retornaram em Nos Tempos do Imperador, mais velhos, pois houve um salto no tempo da trama.
A dupla de trapaceiros Licurgo e Germana, interpretados por Guilherme Piva e Vivianne Pasmanter, voltou idosa.
O personagem Quinzinho, que era um menino, apareceu adulto, vivido pelo ator Augusto Madeira.
Vitória, filha de Joaquim Martinho e Anna Millman, bebê no último capítulo de Novo Mundo, retornou adulta, na pele de Maria Clara Gueiros.
Por fim Lurdes, dama de companhia de Dona Leopoldina na primeira novela, vivida por Bia Guedes, voltou velha, como governanta do palácio, vivida desta vez por Lu Grimaldi.

O ator Selton Mello estava 21 anos afastado das novelas: a última foi Força de um Desejo, em 1999-2000.

O diretor artístico Vinícius Coimbra comentou sobre a proposta estética da novela, sua cores e abertura: Nos Tempos do Imperador tem um conceito estético forte, muito inspirado no nascimento da cor no cinema. Fizemos pesquisa em cima do conceito do cinema Technicolor, laboratório que desenvolveu uma técnica de colorizar os filmes, do final dos anos 30 até os anos 80. A gente se inspirou nessa época com o filme …E o Vento Levou, de 1939. Vimos muitos filmes de Hitchcock, entre outros, desse momento, que eram bem marcantes e tinham um tratamento da cor e da natureza da luz um pouco mais dura. Além disso, o pintor austríaco Thomas Ender foi uma inspiração para a abertura da novela, e o quadro “Batalha do Avaí”, de Pedro Américo, uma referência nas cenas da Guerra do Paraguai.”

Nos Tempos do Imperador manteve alguns dos cenários utilizados na novela Novo Mundo, mas que sofreram as ações do tempo, já que três décadas separam as duas novelas. Além de novos ambientes, criados para retratar os avanços do Brasil. O cenógrafo Paulo Renato, que também assinou a cenografia da primeira trama, foi o responsável pelo trabalho, ao lado de Paula Salles.
Com uma área de 8,2 mil metros quadrados nos Estúdios Globo, a cidade cenográfica reproduziu as regiões cariocas da Rua do Ouvidor, da Pequena África, interligada com o Cais do Valongo, além do Passeio Público e a orla, que foi urbanizada e passou a ser frequentada na época. A cidade foi separada em dois espaços distintos visualmente: o novo, urbanizado, comercial; e o da Pequena África, empobrecido, antigo e colonial.
Na trama, a estrutura urbana era ladeada por calçadas de pedra e caixa coletora do esgoto pluvial e doméstico. A época foi marcada pelo início das edificações grandes e, por isso, na Rua do Ouvidor havia construções de três andares, com uso misto: comércio embaixo e residência em cima, com dimensão bem próxima do real e reprodução das imperfeições encontradas nas referências.

A Pequena África era um núcleo culturalmente rico. “Estamos fugindo da imagem simples do negro escravizado, porque a diversidade da cultura negra nesse período da cidade era imensa. Poetas, advogados, uma pequena parcela que frequentou faculdade e teve espaço na sociedade viviam na região. As pessoas que circulavam na rua tinham uma identidade cultural muito forte, com origens em diversos locais da África”, contou o cenógrafo Paulo Renato.
Na região, o cenário foi caracterizado com uma pintura mais degradada, com pouca manutenção. Os detalhes da arte é o que mostrava a riqueza da cultura africana.
“A ancestralidade vai estar nos objetos, no altar, na religião”, disse a produtora de arte Flávia Cristófaro, que destacou o trabalho do artista plástico de Pernambuco Luís Benício, convidado para ser o ghost sculpture que desenvolveu as máscaras em madeira de Dom Olu (Rogério Brito).

A novela teve também cenários grandiosos, como o Palácio da Quinta, onde Dom Pedro II viveu com a família. Os imperadores tinham um acervo próprio dentro do palácio. Para reproduzir as peças, foram realizadas pesquisas em documentos da Biblioteca Nacional, onde estão as descrições do museu. Muitos objetos foram reproduzidos na fábrica de cenários dos Estúdios Globo.
No cenário da Condessa de Barral (Mariana Ximenes), um palacete, a nobreza foi misturada com simplicidade. Ao contrário da Condessa, Tonico (Alexandre Nero) era o personagem que tentava ostentar, mas não sabia usar peças caras e típicas da nobreza.
O cenário da Taberna dos Porcos já existia em Novo Mundo e também foi pontuado pela passagem dos anos entre as duas novelas. Continuou sendo uma taberna muito antiga e em ruínas, por isso houve reaproveitamento de utensílios do cenário anterior.

Além dos cenários nos Estúdios Globo, a trama teve gravações, antes do início da pandemia, em locações externas na Chapada Diamantina, na Bahia, para as cenas das expedições de Dom Pedro II e Teresa Cristina, e em fazendas em Barra do Piraí e Rio de Flores, no Rio de Janeiro. Lá, em três fazendas grandiosas, foram gravadas cenas dos núcleos das famílias de Luísa (Mariana Ximenes), Tonico (Alexandre Nero) e Pilar (Gabriela Medvedovski). Nas propriedades, originalmente produtoras de café, a cenografia fez pequenas interferências para retratar uma realidade do Nordeste, em uma época mais colonial.
“Fizemos pequenas alterações em função do technicolor, tratamento que será usado na novela. Retiramos esquadrilhas modernas e alteramos alguns tons para ficar mais adequado. Pintamos paredes e fachadas para dar um toque de vivência. Foi um desafio e uma escolha muito acertada para a questão estética da obra”, contou Paulo Renato.

Beth Filipecki assinou, com Renaldo Machado, o rico figurino de Nos Tempos do Imperador. A produção das roupas foi toda feita nos Estúdios Globo, sendo 70% do material oriundo do acervo, que passou por uma customização em função dos tons da novela. Uma curiosidade: cada personagem feminina tinha uma cor predominante nas roupas, de acordo com seu perfil.

Em parceria com o figurino, a caracterização foi conduzida por Lucila Robirosa, responsável por manter o tom épico e realista dos personagens. Dom Pedro II foi um homem que não priorizava a roupa ou o visual. Sua caracterização foi inspirada em fotos históricas.
“Selton usa lentes azuis claras e terá momentos diferentes a cada passagem de tempo. Mais novo, estará com a sobrancelha marcada e barba castanha. Na fase seguinte, Selton quase não usa caracterizações. Após a Guerra do Paraguai, se perceberá um envelhecimento, com o cabelo branco e uma longa barba branca, que demora quatro horas para ser preparada”, detalhou Lucila.
Beth Filipecki complementou: “Dom Pedro II tinha uma aparência mais austera, sem interesse na competição da moda, mas cultuava barbas, bigode, um símbolo de masculinidade. Fazia questão de ter um traje puído e conquistar seu lugar através do trabalho”.
Já a Imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella) seguia o estilo comedido do Imperador, com vestidos em tom azul e diferentes perucas, que variavam o penteado. Para a princesa Leopoldina (Melissa Nóbrega/Bruna Griphao), foi escolhido tons lilases e, para Isabel (Any Maia/Giulia Gayoso), tons azuis claros.

A Condessa de Barral, por sua vez, foi criada para que tivesse muita distinção, vivesse e soubesse se portar em qualquer lugar, assim como se vestir em diferentes ocasiões, sem exageros. Mariana Ximenes escureceu o cabelo, usou lentes escuras e contou com cinco perucas diferentes, que mudavam de acordo com os penteados. Seus vestidos eram de seda pura, mais sofisticados, em tons predominantemente verdes.
A jovem Pilar (Gabriela Medvedovski), mais despojada, não usava espartilhos. Sua cor era o amarelo, em tecidos mais rústicos e com elementos masculinos, simbolizando sua luta por espaços, que, na época, não eram das mulheres.
“Ela representa a luz solar, a ideia da esperança, o que reproduz a liberdade. É progressista, está com a cabeça voltada para ser a primeira médica do Brasil. Junto com a irmã Dolores (Daphne Bozaski) foi criada sem mãe e sem afeto, por isso construímos um figurino mais seco, sem bordados, enquanto estão na fazenda”, contou Beth.

No núcleo da Pequena África, o conceito de liberdade passava por todos os personagens. Segundo a figurinista, o trançado do cabelo e nos tecidos representava a prisão. Quando as personagens se tornam livres, soltam as tranças, os nós e usam roupas mais soltas.

A mudança de visual ganhou ares cômicos na interpretação do casal João Batista (Ernani Moraes) e Lota (Paula Cohen). Recém-chegados do interior, eles compravam tudo o que era novidade, mas tinham de aprender a usar, sempre buscando seguir o exemplo da nobreza.
“Lota vai ter perucas e apliques diferentes. Era a época do cabelo dividido ao meio e os cachos. Ela usa roupas com recortes em andares, crinolina, armação de baixo, mas toda caracterização da Família Pindaíba representa o exagero”, completou Beth.

Outro núcleo que chamou a atenção pelo figurino e caracterização é o de Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter), que, naturalmente, herdaram as roupas da produção anterior.
“Eles estão mais velhos, enrugados, maltratados, mas continuam porcos, sujos. Representam o que resta, mas com muita energia. A gente manteve tudo o que trouxeram, mas com adaptações. No lugar da roupa de cima, agora Germana está de ceroula”, explicou Beth.
Para dar vida aos personagens idosos, Guilherme e Vivianne passavam cerca de três horas na caracterização a fim de conseguir o resultado ideal. Além de próteses no nariz, boca e queixo, as marcas de idade foram feitas com pintura.
Vivianne Pasmanter usou uma peruca inteira e grisalha, diferente dos apliques da novela anterior. Além disso, teve manchas, pelos no rosto e verruga. Já Licurgo (Guilherme Piva) ficou careca e com psoríase na cabeça. Ambos estavam quase sem dentes, com dentaduras.

Milton Nascimento foi a estúdio regravar “Cais” exclusivamente para a abertura de Nos Tempos do Imperador. A música já havia embalado a novela Água Viva, em 1980, em sua gravação original.

Músicas tocadas na novela:

AMOR – Ney Matogrosso e Nação Zumbi
A VALSA – Maria Gadú e Marco Rodrigues
CAIS – Milton Nascimento (tema de abertura)
CROSSROADS BLUES – Jake Matson
ERA PRA SER – Adriana Calcanhotto
EU SEI QUE VOU TE AMAR – Tom Jobim (tema de Pilar e Samuel)
JUST IN TIME – Frank Sinatra
MADAME BOVARY – Estação 77
MORENINHA, SE EU TE PEDISSE – Roberto Corrêa
NÃO – Tim Bernardes
O CANTO DE OXUM – Toquinho e Vinícius
ODEKOMORODE – Grupo Ofa e Alcione
O FADO DA PROCURA – Ana Moura
SABIÁ – Elis Regina (tema de Pedro e Luísa)
SÓ UMA VEZ – ABQNE e Augusto Licks

Trilha sonora instrumental: Rafael Langoni e Sacha Amback

01. Pedro Segundo
02. Thereza Cristina
03. Brasil Imperial
04. Jorge
05. Real Majestade
06. O Coração de Pedro
07. Valsa da Imperatriz
08. Morrendo de Amor
09. Doces Lábios (com Karina Zeviani)
10. Pequena África
11. Fonte do Amor
12. Condessa Piano
13. Amor Solitário
14. A Família Imperial
15. A Terra Anno 856
16. Borges
17. Quinzinho e Clemência
18. Princesa Isabel
19. Infantes
20. Pedro E Thereza

Tema de Abertura: – CAIS – Milton Nascimento

Para quem quer se soltar
Invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor
E sei a dor de encontrar.

Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador.

Para quem quer me seguir
Eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar.

Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador…

Veja também

  • novomundo_logo

Novo Mundo

  • alemdotempo2

Além do Tempo

  • tempodeamar

Tempo de Amar

  • etamundobom

Eta Mundo Bom!