Sinopse

O prefeito Odorico Paraguaçu é um político demagogo e corrupto que ilude o povo simplório de pequena Sucupira, no litoral baiano, com seus discursos inflamados e verborrágicos. A meta prioritária de sua administração é a inauguração do cemitério local, criticada pela oposição ao seu governo, liderada pela delegada de polícia Donana Medrado, o dentista Lulu Gouveia e o jornalista Neco Pedreira, editor-chefe do jornal local.

Seu braço direto na prefeitura é o secretário Dirceu Borboleta, seu pau-mandado, homem tímido, gago e desastrado que só quer saber de caçar lepidópteros. E suas maiores correligionárias são as irmãs Cajazeiras: Dorotéia, Dulcinéia e Judicéia. Solteironas e falsas carolas, cada uma mantem um caso secreto com o prefeito, sem que uma saiba da outra. Até que Dulcinéia engravida e Odorico arma para que a culpa recaia sobre o desligado Dirceu Borboleta.

Maquiavelicamente, o prefeito arma tramas para que morra alguém na cidade, a fim de inaugurar seu cemitério. Mas acaba sempre mal sucedido. Nem as diversas tentativas de suicídio do depressivo farmacêutico Libório, todas frustradas, nem o desejo de Zelão de voar como um pássaro (e a expectativa de que ele se arrebente no chão), nem um tiroteio na praça, um crime e um moribundo da cidade vizinha, lhe proporcionam a realização de seu sonho.

Até que o prefeito tem a ideia de mandar trazer a Sucupira o famoso matador Zeca Diabo para encomendar o serviço, não importando a vítima. Só que ele não esperava que o assassino profissional, arrependido de seu passado de crimes, estivesse aposentado, se importando apenas com sua mãezinha velhinha, sua crença no Padre Cícero e no sonho de se tornar dentista.

Como se não bastasse, Odorico ainda tem que enfrentar os desaforos de Juarez Leão, médico humanista e alcoólatra, abalado pelo trauma de ter perdido a esposa em suas mãos durante uma cirurgia, mas que faz um bom trabalho em Sucupira, salvando vidas – para o desespero de Odorico. Juarez arrebata o coração de Telma, a personalística filha do prefeito, que vive a criticar os métodos do pai e a acusá-lo pela morte de sua mãe no passado.

Globo – 22h
de 24 de janeiro a 9 de outubro de 1973
178 capítulos

novela de Dias Gomes
direção de Régis Cardoso
supervisão de Daniel Filho

Novela anterior no horário
O Bofe

Novela posterior
Os Ossos do Barão

PAULO GRACINDO – Odorico Paraguaçu
LIMA DUARTE – Zeca Diabo (José Tranquilino da Anunciação)
EMILIANO QUEIRÓZ – Dirceu Borboleta (Dirceu Pena)
JARDEL FILHO – Dr. Juarez Leão
SANDRA BRÉA – Telma Paraguaçu
IDA GOMES – Dorotéia Cajazeira
DORINHA DUVAL – Dulcinéia Cajazeira
DIRCE MIGLIACCIO – Judicéia Cajazeira
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Neco Pedreira
ZILKA SALABERRY – Donana Medrado
LUTERO LUIZ – Lulu Gouveia
MILTON GONÇALVES – Zelão das Asas
GRACINDO JÚNIOR – Jairo Portela
MARIA CLÁUDIA – Gisa (Adalgisa Portela)
DILMA LÓES – Anita Medrado
FERREIRA LEITE – Joca Medrado
ROGÉRIO FRÓES – Vigário
RUTH DE SOUZA – Chiquinha do Parto
JOÃO PAULO ADOUR – Cecéu
ANA ARIEL – Zora Paraguaçu
ARNALDO WEISS – Libório
WILSON AGUIAR – Nezinho do Jegue
ANGELITO MELO – Mestre Ambrósio
ANTÔNIO GANZAROLLI – Tião Moleza
DARTAGNAN MELLO – Carlito Medrado
AUGUSTO OLÍMPIO – Cabo Ananias
ANDRÉ VALLI – Ernesto Cajazeira
APOLO CORRÊA – Maestro Sabiá
SUZY ARRUDA – Dona Florzinha
ISOLDA CRESTA – Odete / Nanci
JUAN DANIEL – Pepito
NANAI – Demerval
JOÃO CARLOS BARROSO – Eustórgio
GUIOMAR GONÇALVES – Maria da Penha
VALÉRIA AMAR – Jaciara
TEREZA CRISTINA ARNAUD – Mariana
JORGE BOTELHO – Nadinho
ELIÉSER MOTTA – Quelé
NAIR PRESTES – Balbina
e
ADELAIDE CONCEIÇÃO – Sofia Cajazeira
ALCIRO CUNHA – Seu Minhoca
ÁLVARO AGUIAR – Coronel Hilário Cajazeira (tio das irmãs Cajazeiras, inimigo da família Medrado)
ANALY ALVAREZ – Lúcia Leão (mulher de Juarez que morreu durante uma cirurgia em que ele era o médico)
ANTÔNIO VICTOR – juiz de Sucupira
AURICÉIA ARAÚJO – Dona Hermínia (mãe de Zeca Diabo)
CLÁUDIO AYRES DA MOTA – jornalista
ESTELITA BELL – Cora Raimundo
FAUSTO FAMA – Vereador Minondas
GENY DO AMARAL – Rosa Paraguaçu (falecida mulher de Odorico)
IVAN DE ALMEIDA – pescador
JORGE CÂNDIDO – hoteleiro
JÚLIO CÉSAR – Cecéu (criança)
LÍDIA MATTOS – Dona Virgínia
MARGARIDA REY – Glória (irmã de Zeca Diabo)
MARIA LYGIA – Anália Gouveia
MARIA TERESA BARROSO – Cotinha Cajazeira (mulher do Coronel Hilário, tia das irmãs Cajazeiras)
MÁRIO LAGO – narrador no último capítulo
MÁRIO PETRAGLIA – Damião (amigo de Cecéu)
MARTA ANDERSON – Jerusa (cantora contratada para a inauguração da boate do hotel, envolve-se com Jairo)
MILENKA RANGAN – Telma (criança)
RAFAEL DE CARVALHO – Coronel Emiliano Medrado
RAINER WENDELL OLIVEIRA – amigo de Odorico
ROBERTO CESÁRIO DA SILVEIRA – Pé-de-Chumbo
SAMUEL BERTOLDO – amigo de Odorico
URBANO LÓES – médico
WANDA KOSMO – Ruth
Padre Inácio (confessor de Dirceu, de outra paróquia)
Juiz de Sucupira (no caso da anulação do casamaneto de Dirceu e Dulcinéia)

– núcleo de ODORICO PARAGUAÇU (Paulo Gracindo), prefeito de Sucupira que sonha em inaugurar o cemitério da cidade, sua maior obra. Apesar de corrupto e demagogo, é adorado pelos eleitores e exerce fascínio sobre as mulheres. Adora discursos inflamados e verborrágicos abusando de retórica vazia repleta de palavras pomposas e neologismos malucos:
os filhos TELMA (Sandra Bréa), rebelde, tem uma relação conflituosa com o pai, pois o acusa de responsável pela morte de sua mãe no passado,
e CECÉU (João Paulo Adour), playboy irresponsável, inconsequente e agressivo, só arruma confusão
a irmã ZORA (Ana Ariel), solteirona, cuida da casa e dos sobrinhos
o secretário DIRCEU BORBOLETA, a quem é fiel e ama como a um pai, embora seja tratado como um capacho. Tímido, gago, desastrado e ingênuo, facilmente manipulável. É um profundo conhecedor dos lepidópteros e seu maior passatempo é caçar borboletas no mato
a mãe de Dirceu, DONA FLORZINHA, carola, simpática e amável
o melhor amigo de Cecéu, NADINHO (Jorge Botelho), hippie inconsequente
o jagunço QUELÉ (Eliéser Motta)
a empregada BALBINA (Nair Prestes).

– núcleo de ZECA DIABO (Lima Duarte), matador profissional redimido que Odorico traz a Sucupira para que mate alguém e ele possa inaugurar seu cemitério. Temido, porém ingênuo e de impulsos generosos. No final, acaba por matar o prefeito, que lhe enganara:
a mãe DONA HERMÍNIA (Auricéia Araújo), velha centenária, cega, controla as vidas dos filhos
o irmão MESTRE AMBRÓSIO (Angelito Mello), velho pescador
a sobrinha adolescente MARIANA (Tereza Cristina Arnaud), filha do Mestre Ambrósio, alvo das investidas de Cecéu
a irmã JACIARA (Valéria Amar), foi para lavar sua honra, no passado, que Zeca começou a matar, e acabou pegando gosto pela coisa
o filho que desconhecia, EUSTÓRGIO (João Carlos Barroso), orgulha-se de ser filho de matador e sonha ir para o cangaço
a mãe de Eustórgio, MARIA DA PENHA (Guiomar Gonçalves).

– núcleo das irmãs Cajazeiras, correligionárias de Odorico. Solteironas e falsas carolas, são apaixonadas pelo prefeito, que mantem um caso secreto com cada uma delas, sem que uma desconfie da outra:
DOROTÉIA (Ida Gomes), a mais velha, recalcada e geniosa. Líder na Câmara de Vereadores de Sucupira. Professora, tenta alfabetizar Zeca Diabo
DULCINÉIA (Dorinha Duval), a do meio, romântica e submissa. Seduzida por Odorico, engravida e o prefeito força o seu casamento com Dirceu Borboleta, que assume a criança imaginando ser seu filho
JUDICÉIA (Dirce Migliaccio), a caçula, tagarela e animada
o primo ERNESTO (André Valli), desenganado pelos médicos, Odorico manda buscá-lo na esperança de que morra em Sucupira, mas sobrevive e foge da cidade
o tio CORONEL HILÁRIO CAJAZEIRA (Álvaro Aguiar).

– núcleo de DONANA MEDRADO, mulher do delegado, assume seu posto extraoficialmente quando ele fica paraplégico. Do partido de oposição, é inimiga política de Odorico, a quem acusa de ter mandado matar seu único filho, no passado:
o marido JOCA (Ferreira Leite), delegado de Sucupira, incapacitado de cumprir sua profissão por ficar preso a uma cadeira de rodas. Ainda tem voz ativa e auxilia a mulher nas tomadas de decisão da delegacia e no partido opositor ao governo de Odorico
os netos, órfãos, ANITA (Dilma Lóes), funcionária do posto dos Correios, e CARLITO (D’Artagnan Mello)
o CABO ANANIAS (Augusto Olímpio), seu faz-tudo na delegacia.

– núcleo da partido opositor ao governo de Odorico:
a delegada Donana Medrado
o jornalista NECO PEDREIRA, dono do jornal A Trombeta, onde noticia as falcatruas do prefeito, a quem se refere como demagogo e esbanjador de dinheiro público. Ironicamente, fica noivo de Telma, a filha do prefeito, mas também se envolve com Anita Medrado
o dentista LULU GOUVEIA (Lutero Luiz), candidato a prefeito de Sucupira pela oposição. Zeca Diabo fica amigo dele, pois acalenta o sonho de tornar-se dentista, como ele
o barbeiro DEMERVAL (Nanai), que morre no decorrer da trama, mas Odorico não consegue enterrá-lo no cemitério, pois seus inimigos políticos roubam o corpo e o enterram na cidade vizinha.

– demais moradores de Sucupira:
JUAREZ LEÃO (Jardel Filho), por quem Telma se apaixona, mas ele foge desse envolvimento. Médico do posto de saúde da cidade, um dos inimigos de Odorico. Mudou-se para Sucupira após a morte prematura da esposa em uma cirurgia comandada por ele. Amargurado, bebe muito e tem raiva da vida
JAIRO PORTELA (Gracindo Jr.), forasteiro que vai morar em Sucupira. Vigarista e mau-caráter, aplica golpes no povo
GISA (Maria Cláudia), mulher de Jairo. Bela e charmosa, ele a usa em seus golpes. Infeliz com os métodos do marido, que vive a ameaçá-la. Atrai a atenção de Odorico
ZELÃO DAS ASAS (Milton Gonçalves), simplório pescador que após escapar de uma tormenta tenta cumprir uma promessa feita a Bom Jesus dos Navegantes: voar para provar que tem fé. Constrói pares de asas feitas com pano, metal e madeira e faz várias tentativas de alçar voo, sem sucesso. No último capítulo, consegue voar finalmente
CHIQUINHA DO PARTO (Ruth de Souza), mulher de Zelão, a parteira da cidade, enfermeira do posto de saúde onde o Dr. Juarez é médico
VIGÁRIO (Rogério Fróes), pároco de Sucupira
NEZINHO DO JEGUE (Wilson Aguiar), homem falastrão que vive a passear pela cidade com seu único ente querido: o burro Rodrigo. Quando está sóbrio, é defensor fervoroso de Odorico, mas quando bêbado, ataca o prefeito, xingando-o
LIBÓRIO (Arnaldo Weiss), farmacêutico depressivo com tendências suicidas. Tenta se matar várias vezes, sem sucesso. O motivo é a aversão que sua mulher tem por ele
ODETE (Isolda Cresta), mulher de Libório, detesta o marido e os dois vivem brigando, até que sai de casa. Mas retorna quando precisa de dinheiro
TIÃO MOLEZA (Antônio Carlos Ganzarolli), sacristão da igreja e coveiro do cemitério. Prepara uma cova todo dia, como não morre ninguém, usa o local como dormitório
MAESTRO SABIÁ (Apolo Corrêa), regente da banda local
PEPITO (Juan Daniel), dono do boteco da cidade.

Transposição para a TV da peça Odorico, O Bem Amado, e os Mistérios do Amor e da Morte, que o autor, Dias Gomes, só conseguiu encenar em 1969, depois de sete anos engavetada.
A inspiração partiu de um fato ocorrido no Espírito Santo, onde um candidato a prefeito se elegeu com a promessa de construir um cemitério.

Primeira novela da TV brasileira gravada em cores. E a consolidação do horário das 22 horas para novelas.

Foi uma das primeiras narrativas a buscar seus entrechos em coisas genuinamente brasileiras. Perfeita em diálogos, em criação de tipos e no seguimento de capítulos. Em nenhum momento sua expectativa se esvaiu na falta de assunto. Até o caso Watergate teve uma versão nacional em Sucupira, quando se gravaram confissões íntimas no confessionário, levando Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) a descobrir que o pai de seu filho com Dulcinéia Cajazeira (Dorinha Duval) era o prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira”.

A magnífica criação de Paulo Gracindo, como Odorico Paraguaçu, tornou-se antológica para a televisão brasileira. Assim como o Zeca Diabo, de Lima Duarte, e o Dirceu Borboleta, de Emiliano Queiróz.

Memoráveis também eram as expressões usadas por Odorico: “os cachacistas juramentados”, “as donzelas praticantes”, ou “vamos botar de lado os entretanto e partir pros finalmente”.
Segundo depoimento (ao projeto Memória Globo) do ator Gracindo Júnior, filho de Paulo Gracindo e intérprete do personagem Jairo na novela, seu pai tinha a liberdade de interferir no texto de Dias Gomes, criando muitos cacos, como algumas pérolas do linguajar do prefeito. O ator ressalta, ainda, que Paulo Gracindo era muito bem-humorado.

De acordo com Dias Gomes, no livro “Odorico Paraguaçu, o Bem-Amado de Dias Gomes: História de um Personagem Larapista e Maquiavelento”, de José Dias (da coleção Aplauso da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), ele buscou inspiração para Odorico Paraguaçu na figura do político Carlos Lacerda:
“Odorico era um Lacerda exagerado. Mas depois reescrevi a peça e o Lacerda já estava cassado, na oposição, enfim, por baixo, então, não faria mais nenhum sentido aquela sátira que eu fazia dele. Trabalhei o personagem daí no sentido de mais um protótipo de um político demagogo do interior. Ele cresceu e se distanciou do Lacerda: adquiriu uma paisagem mais ampla. Desenvolvi um trabalho mais em cima do seu linguajar, o que lhe rendeu uma fisionomia muito forte.”

O personagem Zeca Diabo foi criado 30 anos antes de entrar para a novela. O nome do matador deu título a uma peça escrita por Dias Gomes, em 1943. Encenada no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, a obra abordava o cangaço e tinha como protagonista Procópio Ferreira. Site Memória Globo.

O Bem Amado representou a primeira abertura de produção nacional para o exterior (o que se fazia antes era comercializar o texto). Primeiramente, foi exibida no México (em 1976) e aos poucos foi sendo negociada com todos os países da América Latina.
O “baianês” de Odorico Paraguaçu também foi adaptado para diversos países hispano-americanos, além dos Estados Unidos, através da Spanish International Network.

A Censura Federal, à época, implicou com as palavras “coronel”, que vinha sendo usada para se referir ao prefeito Odorico Paraguaçu, e “capitão”, como era chamado Zeca Diabo. Os militares do Regime se sentiram atingidos, já que os apelidos eram usados para personagens “negativos”.
Em julho de 1973, a produção teve que “apagar” o áudio de dezenas de citações ao coronel em 15 capítulos já gravados. Também Zeca Diabo não poderia mais ser chamado de capitão. Palavras como “ódio” e “vingança” também foram vetadas.
Pouco depois, essas orientações foram esquecidas pelos censores. Ou desprezadas pela emissora.

A música da abertura da novela também foi vetada. Era Paiol de Pólvora, interpretada por Toquinho e Vinícius de Moraes: “estamos sentados num paiol de pólvora…”
Foi então substituída por O Bem Amado, gravada pelo Coral Som Livre.

Por ser a primeira novela a cores da televisão brasileira, O Bem Amado enfrentou dificuldades técnicas no uso dos novos equipamentos e no ajuste das tonalidades. As cores do figurino eram, geralmente, berrantes. A atriz Ida Gomes narrou em entrevista que até mesmo a brancura excessiva de suas pernas saturava no vídeo. Emiliano Queiróz não podia usar óculos, porque o reflexo das lentes “rasgava” a imagem.
“Descobri que podia ficar vermelho feito um peru”, revelou o ator a Flávio Ricco e José Armando Vannucci para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.
O livro ainda destaca: foi a partir daí que Boni determinou a utilização de tons pastel, proibiu listrados e xadrez nas vestimentas e qualquer objeto que tirasse o foco do telespectador da história que estava no ar. As mesmas orientações passaram a valer para o jornalismo e a linha de shows.

As cenas externas foram gravadas em Sepetiba, na zona oeste do Rio de Janeiro. O elenco chegava às 7 horas na sede da emissora e, de lá, ia de ônibus para Sepetiba. A equipe de produção da novela alugou uma casa na região para servir de camarim aos atores. As gravações em estúdio aconteceram no prédio da TV Globo, no Jardim Botânico, também no Rio. Site Memória Globo.

O terreno escolhido e construído para ser o cemitério da novela não conseguiu, até hoje, ser vendido, porque as pessoas pensam que realmente ali era um cemitério.

Lima Duarte, então diretor e ator das novelas da Tupi, havia sido contratado pela TV Globo para dirigir a novela anterior no horário, O Bofe, de Bráulio Pedroso. Seu contrato estava quase no fim quando foi chamado para interpretar Zeca Diabo, seu primeiro trabalho como ator na emissora. Como o personagem cresceu em importância, o ator acabou ficando até o final e nunca mais desligou-se da Globo.

Para seu papel, Lima Duarte criou seu próprio figurino usando um terno adquirido numa das tinturarias próximas à Estação da Luz, em São Paulo, onde os imigrantes nordestinos abandonavam as roupas que deixavam para lavar, sem dinheiro para apanhá-las.

Certo dia, a atriz Dilma Lóes apareceu na gravação, ensaiou e, na hora de gravar, sumiu. Seu contrato com a emissora havia sido encerrado e ela não havia renovado. Por conta disso, o autor foi obrigado a matar a personagem colocando uma dublê para levar um tiro nas costas.

Telma Paraguaçu, a filha de Odorico, era para ser interpretada por Dina Sfat, mas o papel ficou com Sandra Bréa. E Oswaldo Louzada seria o farmacêutico Libório, que na novela foi vivido pelo ator Arnaldo Weiss.

A trilha sonora de O Bem Amado foi encomendada à dupla Toquinho e Vinicius de Moraes, que compuseram 11 canções especialmente para a novela. (na época, as trilhas eram encomendadas, e não elaboradas a partir de seleções aleatórias de músicas previamente gravadas).

Em 1980, o prefeito Odorico Paraguaçu ressuscitou (ele morria no último capítulo da novela, inaugurando o cemitério de Sucupira) para o seriado que ficou cinco anos no ar. Dias Gomes voltou à sua criação maior em episódios semanais, exibidos entre 1980 e 1984. Nesta nova produção, parte do elenco original foi aproveitada, outra parte foi substituída por novos atores, e novos personagens foram criados.

Em 1994, o personagem Dirceu Borboleta, de Emiliano Queiroz, se tornou integrante fixo da Escolinha do Professor Raimundo, humorístico apresentado por Chico Anysio.

Primeira novela dos atores João Carlos Barroso, Augusto Olímpio, Jorge Botelho e Teresa Cristina Arnaud.
Além de Lima Duarte, essa foi também a estreia na Globo do ator Lutero Luiz.
Único trabalho na Globo da atriz Dilma Lóes (filha dos atores Urbano Lóes e Lídia Mattos, mãe da também atriz Vanessa Lóes).

O Bem Amado, a novela, foi reapresentada no mesmo horário, entre 03/01 e 24/06/1977 (como tapa-buraco para a censura da novela Despedida de Casado).
Reapresentada também num compacto de uma hora e meia, em 06/03/1980, como atração do Festival 15 Anos da TV Globo (com apresentação de Zilka Salaberry).

Por causa de sua reprise em 1977, a Som Livre relançou nas lojas o LP com a trilha nacional da novela.

O Bem Amado foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor novela de 1973 e deu a Paulo Gracindo o prêmio de melhor ator (juntamente a Gianfrancesco Guarnieri por sua atuação em Mulheres de Areia, da Tupi.).
Também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1973. Paulo Gracindo levou o prêmio de melhor ator, Lima Duarte, de revelação masculina na televisão naquele ano, e Sandra Bréa, a revelação feminina.

Em 2010, chegou aos cinemas uma nova versão da história, no filme de Guel Arraes, com Marco Nanini como Odorico Paraguaçu, José Wilker como Zeca Diabo e Matheus Nachtergaele como Dirceu Borboleta, entre outros. O filme foi apresentado na Globo como microssérie, em janeiro de 2011.

Em 2012, chegou às lojas o DVD da novela, num box com 10 discos.

Esse era o texto narrado na apresentação das cenas do próximo capítulo da novela (prática comum na época):
“Só fala quem sabe. Não vale promessa. Pague pra ver. A vida é um jogo, um quebra-cabeça… O Bem Amado!”

Trilha Sonora Nacional
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01. PAIOL DE PÓLVORA – Toquinho e Vinícius
02. PATOTA DE IPANEMA – Maria Creusa (tema de Gisa)
03. VEJA VOCÊ – Toquinho e Maria Creusa
04. COTIDIANO Nº 2 – Toquinho e Vinícius
05. O BEM AMADO – Coral Som Livre (tema de abertura)
06. MEU PAI OXALÁ – Toquinho e Vinícius (tema de Zelão das Asas)
07. SE O AMOR QUISER VOLTAR – Maria Creusa
08. UM POUCO MAIS DE CONSIDERAÇÃO – Toquinho (tema de Dirceu Borboleta)
09. QUEM ÉS? – Nora Ney
10. SE O AMOR QUISER VOLTAR – Orquestra Som Livre (tema de Telma)
11. NO COLO DA SERRA – Toquinho e Vinícius (tema de Telma e Juarez Leão)

Trilha Sonora Internacional
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01. ALSO SPREACH ZARATHUSTRA – Eumir Deodato (tema de Odorico Paraguaçu)
02. FLEUR DE LUNE – Françoise Hardy
03. LISTEN – Paul Bryan (tema de Cecéu)
04. MASTERPIECE – The Temptations
05. I’VE BEEN AROUND – Nathan Jones Group (tema de Neco Pedreira)
06. POOR DEVIL – Free Sound Orchestra
07. DANCING IN THE MOONLIGHT – David Jones
08. SHINE SHINE – David Hill (tema de Telma e Juarez Leão)
09. HARMONY – Ben Thomas
10. TAKE TIME TO LOVE – The John Wagner Coalition
11. DANCING TO YOUR MUSIC – Archie Bell
12. I COULD NEVER IMAGINE – Chrystian
13. GIVE ME YOUR LOVE – The Sister Love
14. DADDY’S HOME – Jermaine Jackson

ainda:
MALARIA FEVER – El Chicles (tema de Jairo Portela)
LIBRIUM – El Chicles (tema de Nadinho e tema de Cecéu)
CREEK – Airto Moreira (tema de Nezinho do Jegue)
FREE – Airto Moreira (tema de Zeca Diabo)
SEPTEMBER 13TH – Eumir Deodato (tema de suspense)
PRELUDE TO AFTERNOON OF A FAUN (tema de Juarez Leão)

Sonoplastia: Paulo Ribeiro
Coordenação Geral: João Araújo
Produção Musical: João Mello

Tema de Abertura: O BEM AMADO – Coral Som Livre

A noite, o dia
A vida na morte, o céu e o chão
Pra ele vingança
Dizia muito mais que o perdão
O riso no pranto
A sorte, o azar, o sim e o não
Pra ele o poder
Valia muito mais que a razão

Quando o sol da manhã vem nos dizer
Que o dia que vem pode trazer
O remédio da nossa ferida
Do meu coração
Logo o vento da noite vem lembrar
Que a morte está sempre a esperar
Em um canto qualquer desta vida
Quer queira, quer não

O espanto na calma
A coragem, o medo, o vai-e-vem
O corpo sem alma
A ida pra morte o mal contem…

Veja também

  • bandeira2_logo

Bandeira Dois

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O Espigão

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Saramandaia (1976)

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O Bem Amado (a série)