Sinopse

Há dezoito anos, Jade ficou órfã e deixou o Brasil retornando para o Marrocos, onde passou a viver com sua família muçulmana, comandada com mãos de ferro pelo tio Ali. Ele está empenhando em fazer a sobrinha reconciliar-se com a religião islâmica. Jade conhece o brasileiro Lucas, que está de férias na região, e os dois se apaixonam. Porém, uma série de fatos impede essa união. O primeiro deles é a oposição de Ali, que, apesar da  rebeldia da sobrinha, a obriga a seguir os ensinamentos do Alcorão, livro sagrado islâmico, e lhe arranja um casamento com o conterrâneo Said.

Diogo, irmão gêmeo de Lucas, morreu em conseqüência da explosão de seu helicóptero no Rio de Janeiro. Antes da tragédia, Diogo estava no Marrocos com o irmão e havia brigado violentamente com o seu pai, o milionário Leônidas Ferraz, por este tê-lo preterido em favor de Yvete, mulher com quem o rapaz teve uma aventura amorosa sem saber que era a namorada de seu pai, na noite anterior à chegada dele ao Marrocos. O falecimento de Diogo causa um profundo remorso em Leônidas, que passa a fugir constantemente de Yvete, cujas intrigas causaram desentendimentos entre pai e filho.

Apesar das mágoas, Leônidas exige de Lucas que cuide de suas empresas. O rapaz, retraído e sonhador, bem diferente do falecido irmão, almeja ser músico. Porém, Leônidas não ouve os argumentos do filho e os projetos dele não são concretizados. Com as pressões do pai, Lucas é obrigado a abandonar Jade, o seu grande amor. A partir daí começa a se desenrolar a trajetória de sua infeliz união com Maysa, que foi namorada do Diogo anteriormente. Os dois viverão discutindo e, com isso, Mel, a filha do casal, se envolverá com drogas.

O padrinho de Diogo, o cientista Albieri, nunca se conformou com a sua morte e decide fazer um clone do gêmeo Lucas a partir de uma célula somática. A célula é introduzida em segredo nos óvulos colhidos em laboratório vindos de Deusa, uma manicure que almeja ter um filho por meio de inseminação artificial. Entretanto, ela desconhece a verdade: não houve fertilização de seus óvulos com o sêmen de um doador, e sim, a experiência genética de Albieri. Deusa serviu apenas como mãe de aluguel para o clone de Lucas, criado por Albieri, batizado de Leandro – o Léo.

Globo – 20h
de 1º de outubro de 2001
a 15 de junho de 2002
221 capítulos

novela de Glória Perez
direção de Teresa Lampreia e Marcelo Travesso
direção geral de Jayme Monjardim, Mário Márcio Bandarra e Marcos Schechtmann
núcleo Jayme Monjardim

Novela anterior no horário
Porto dos Milagres

Novela posterior
Esperança

MURILO BENÍCIO – Lucas / Diogo / Léo (Leandro)
GIOVANNA ANTONELLI – Jade
JUCA DE OLIVEIRA – Dr. Augusto Albieri
STÊNIO GARCIA – Tio Ali
REGINALDO FARIA – Leônidas Ferraz
VERA FISCHER – Yvete
DALTON VIGH – Said
DANIELA ESCOBAR – Maysa
ADRIANA LESSA – Deusa
NÍVEA MARIA – Edna
ANTÔNIO CALLONI – Mohammed
LETÍCIA SABATELLA – Latiffa
ELIANE GIARDINI – Nazira
JANDIRA MARTINI – Zoraide
DÉBORA FALABELLA – Mel
MARCELLO NOVAES – Xande
SOLANGE COUTO – Dona Jura
NEUZA BORGES – Dalva
CRISTIANA OLIVEIRA – Alicinha
CISSA GUIMARÃES – Clarisse
MARCOS FROTA – Escobar
OSMAR PRADO – Lobato
VICTOR FASANO – Tavinho
BETH GOULART – Lidiane
LUCIANO SZAFIR – Zein
NÍVEA STELMANN – Ranya
RAUL GAZOLA – Miro
JULIANA PAES – Karla “com K”
MARA MANZAN – Odete
ROBERTO BONFIM – Edvaldo
TOTIA MEIRELLES – Laurinda
ELIZÂNGELA – Noêmia
PERRY SALLES – Mustafá
SEBASTIÃO VASCONCELOS – Tio Abdul
STEPHANY BRITO – Samira
ERI JOHNSON – Ligeiro
GUILHERME KARAN – Raposão
THAÍS FERSOZA – Telminha
SÉRGIO MARONE – Cecéu
THIAGO FRAGOSO – Nando
VIVIANE VICTORETE – Regininha
MARIA JOÃO – Amália
MYRIAN RIOS – Anita
FRANCISCO CUOCO – Padre Matiolli
MURILO GROSSI – Júlio
FRANÇOISE FORTON – Simone
THALMA DE FREITAS – Carol
SÍLVIO GUINDANE – Basílio
CHRISTIANA KALACHE – Aninha
ANTÔNIO PITANGA – Tião
RUTH DE SOUZA – Dona Mocinha
LÉA GARCIA – Lola
ANDRESSA KOETZ – Soninha
INGRA LIBERATO – Amina
JAYME PERIARD – Rogê
MARCELO BROU – Pitoco
FRANCYELE FREDUZESKY – Beta
EDUARDO CANUTO – Gasolina
PAULA PEREIRA – Creuza
MARIA CLARA GUEIROS – Graça
MICHELE FRANCO – Michele
CAROLINA MACIEIRA – Sumaya
YURI XAVIER – Zé Roberto
as crianças
CARLA DIAZ – Khadija
THIAGO DE OLIVEIRA – Amin
e
AHMED EL MAATAOVI – Ahmed
AIMÉE UBACKER – Aimée
ALESSANDRO SAFINA como ele mesmo
ANGELITA FEIJÓ
BEATRIZ SEGALL – Miss Penélope Brown (discute clonagem humana com Albieri)
CAIO JUNQUEIRA – Pedrinho (filho de Lobato)
CARLA REGINA – Dora (namorada de Xande)
CÁSSIA LINHARES – Elba
CLEMENTE VISCAÍNO – médico de Mel
CYNTHIA FALABELLA – Monique (filha de Lobato)
DANIELLE WINITS – Shirley (nova namorada de Escobar, no final)
EDUARDA SILVA SOARES – Mel (com 3 anos)
EDUARDO GALVÃO – Alex (pretendente de Yvete)
EDUARDO MARTINI – Cotia (parceiro de dança de Deusa na gafieira)
ELOÍSA MAFALDA – vizinha de Sálua e Jade no Rio de Janeiro, no início
FABIANA ALVAREZ – Zuleika
FÁBIO JUNQUEIRA – Chuvas
GUILHERME VERLING – Léo (com 1 ano)
GUSTAVO MORAES – namorado jovem de Clarice
GUSTAVO OTTONI – Detetive Ramos
HAYLTON FARIAS – Haylton
HENRI PAGNOCELLI – José Victor (novo patrão de Alicinha, no final)
HUMBERTO MARTINS – Aurélio (ex de Alicinha)
JOANA FOMM – Drª Cecília
JOÃO CARLOS BARROSO – Severino (amigo de Edvaldo)
JONAS BLOCH – juiz no processo entre Tavinho e Karla
KARIMA EL MAATAOVI – Karima
KARINA BACCHI – Muna
LUÃ UBACKER – Duda
LUIZ NICOLAU – traficante
MARIA CLARA MENDONÇA – Mel (com 6 anos)
MÁRIO LAGO – Dr. Molina (discute clonagem humana com Albieri)
MILENA PAULA – Milena
MÔNICA BRAHIM – uma das mulheres de Ali
NÓRIS BARTH – Tetê
NUNO LEAL MAIA – Jorge Luís
PAULO BETTI – Armando
PEDRO CRAVO – Diogo / Lucas (crianças)
ROBERTO PIRILO – advogado no processo entre Tavinho e Karla
ROSIMAR DE MELO – Lurdes
SAMARA FELIPPO – namorada de Diogo / Lucas
SÉRGIO MAMBERTI – Dr. Vilela
SILVIA PFEIFER – Cinira
TÁCITO ROCHA – juiz
TADEU DI PIETRO – médico de Mel
TÂNIA ALVES – Norma (frequentadora da gafieira, amiga de Deusa e Edvaldo)
TONY RAMOS – namorado de Maysa, no final
VANDA ASSAF TRAVASSOS – uma das mulheres de Ali
VICTOR HUGO CURGULA – Léo (com 5 anos)
WALDEREZ DE BARROS – Sálua (mãe de Jade, morre no início)
ZEINA ABDOU – uma das mulheres de Ali

– núcleo de JADE (Giovanna Antonelli), jovem muçulmana criada no Brasil que, após a morte da mãe, parte para o Marrocos. De espírito rebelde e livre. Conhece um brasileiro e os dois se apaixonam, mas acabam separados. É obrigada a casar-se com um rico muçulmano, com quem tem uma filha, mas o casamento fracassa:
o tio ALI (Stênio Garcia), o grande patriarca. Sábio muçulmano, apegado às tradições de seu povo e à religião islâmica. Tenta podar a rebeldia da sobrinha
a governanta ZORAIDE (Jandira Martini), de quem é muito amiga. Acoberta as suas impulsividades
a filha KHADIJA (Carla Diaz)
o pretendente ZEIN (Luciano Szafir), egípcio, empresário da noite.

– núcleo de LEÔNIDAS FERRAZ (Reginaldo Faria), rico empresário brasileiro com negócios no Marrocos:
os filhos gêmeos: LUCAS (Murilo Benício), rapaz retraído e sonhador. Conheceu Jade no Marrocos e os dois se apaixonaram, mas acabaram se separando. É obrigado pelo pai a assumir os negócios da família,
e DIOGO (Murilo Benício), de temperamento forte, completamente diferente do irmão. Morre no início
a nora MAYSA (Daniela Escoba), quando jovem namorou Diogo, e, após a morte dele, casou-se com Lucas. Faz de tudo para manter o casamento, que vai ruindo com o passar dos anos, já que Lucas nunca esqueceu Jade
a neta MEL (Débora Falabella), filha de Maysa e Lucas. Jovem estudiosa que acaba se envolvendo com drogas
a governanta DALVA (Neuza Borges) e a empregada MICHELE (Michele Franco)
os empregados na empresa: a secretária CAROL (Thalma de Freitas) e LOBATO (Osmar Prado), que sofre com alcoolismo
a jornalista portuguesa AMÁLIA (Maria João), com quem acaba se envolvendo.

– núcleo do DR. ALBIERI (Juca de Oliveira), cientista que estuda clonagem humana. Amigo de Ali e da família Ferraz. Sem que ninguém saiba, cria um clone de Lucas:
a mulher EDNA (Nívea Maria), companheira, mas sofre com a distância do marido
a sobrinha de Edna, ALICINHA (Cristiana Oliveira) que vai morar na casa do casal. Ambiciosa, não mede esforços para subir na vida
a secretária ANITA (Miriam Rios), amiga de Edna
os colegas cientistas JÚLIO (Murilo Grossi) e SIMONE (Françoise Forton)
o amigo PADRE MATIOLLI (Francisco Cuoco).

– núcleo de DEUSA (Adriana Lessa), manicure, de origem humilde, adora dançar na gafieira. Paciente do Dr. Albieri em sua pesquisa. Por meio de inseminação artificial vai gerar o clone criado pelo cientista, que acredita ser seu filho biológico:
o filho LEANDRO, ou LÉO (Murilo Benício), clone de Lucas
o namorado EDVALDO (Roberto Bonfim), um tipo bonachão e mulherengo
a mãe DONA MOCINHA (Ruth de Souza)
a tia LOLA (Léa Garcia)
o parceiro de dança na gafieira COTIA (Eduardo Martini).

– núcleo de YVETE (Vera Fischer), mulher sensual, exuberante e impulsiva. Namorada de Leônidas, que lhe dá muita dor de cabeça, o que faz com que a relação passe por altos e baixos:
a amiga e confidente LAURINDA (Totia Meirelles)
a funcionária de sua loja SONINHA (Andressa Koetz).

– núcleo de SAID (Dalton Vigh), muçulmano rico, casa-se com Jade, com quem tem Khadija, mas o casamento fracassa:
os irmãos: NAZIRA (Eliane Giardini), a mais velha, ajudou a criá-lo. Solteirona, mas ainda bela. Muito apegada às tradições de seu povo. Exagerada e passional,
e MOHAMMED (Antônio Calloni), comerciante que muda-se para o Brasil. Entra em choque com a cultura local e tem resistência a aceitar os costumes do povo brasileiro
a cunhada LATIFFA (Letícia Sabatella), mulher de Mohammed, apaixonada pelo marido. Prima de Jade, sua amiga e cúmplice
os sobrinhos, filhos de Mohammed e Latiffa: SAMIRA (Sthefany Brito), adolescente rebelde, e AMIM (Thiago Oliveira)
o tio ABDUL (Sebastião Vasconcelos), velho conservador, cobra de todos a retidão nos costumes e na religião. Assombra-se com os modos dos brasileiros
a segunda mulher RANYA (Nívea Stelmann), não gosta de Jade, com quem não quer dividir o marido
a irmã de Ranya, AMINA (Ingra Liberato)
o amigo e conterrâneo MUSTAFÁ (Perry Salles)
a amiga de Samira, SUMAYA (Carolina Macieira)
o namorado brasileiro de Samira, ZÉ ROBERTO (Yuri Xavier).

– núcleo de ESCOBAR (Marcos Frota), trabalha com Albieri:
a mulher CLARISSE (Cissa Guimarães), trabalha no escritório de Leônidas. Vê o casamento ruir quando descobre que o marido tem um caso com a interesseira Alicinha, e o envolvimento do filho com drogas
o filho NANDO (Thiago Fragoso), amigo de Mel, a inicia no mundo das drogas
a amiga de Nando, REGININHA (Viviane Victorete), também viciada.

– núcleo de TAVINHO (Victor Fasano), advogado da empresa de Leônidas. Bonitão e atlético:
a mulher LIDIANE (Beth Goulart), extremamente ciumenta, amiga de Maysa
os filhos: TELMINHA (Thaís Fersoza), amiga de Mel, e CECÉU (Sérgio Marone), amigo de Nando
as empregadas GRAÇA (Maria Clara Gueiros) e CREUZA (Paula Pereira).

– núcleo de DONA JURA (Solange Couto), dona do bar mais famoso no subúrbio de São Cristóvão. Figura simpática, carismática, despachada, sem papas na língua:
o filho XANDE (Marcelo Novaes), rapaz responsável, namora Mel e faz de tudo para livrá-la da dependência química
o namorado TIÃO (Antônio Pitanga), um tipo boa-praça
a amiga NOÊMIA (Elizângela), massagista, aceita a corte de Mustafá e os dois acabam se casando
os funcionários de seu bar: BASÍLIO (Sílvio Guindane) e ANINHA (Christiana Kalache)
os amigos de Xande: MIRO (Raul Gazola), BETA (Francyele Freduzesky) e PITOCO (Marcelo Brou).

– núcleo de ODETE (Mara Mazan), moradora de São Cristóvão, amiga de Dona Jura e Noêmia, assídua frequentadora do Piscinão de Ramos. Arrivista, incentiva a filha a aplicar um golpe em um ricaço da Zona Sul:
a filha KARLA (Juliana Paes), “com K”, como gosta de ressaltar. Alpinista social, bela e sedutora. Tenta dar um golpe em Tavinho.

– núcleo do ferro-velho de São Cristóvão:
o dono RAPOSÃO (Guilherme Karan), sujeito dúbio
os funcionários: LIGEIRO (Eri Jonhson), malandro, falastrão, vive engabelando as pessoas,
e GASOLINA (Eduardo Canuto).

Um grande sucesso, O Clone superou o êxito das novelas antecessoras e registrou a maior audiência do horário das oito/nove da Globo desde 1997, quando a emissora exibiu A Indomada. Foi, portanto, a maior audiência dos últimos seis anos, quando a medição do Ibope passou aos moldes de sua época.

A trama de Glória Perez, esticada em um mês pela Globo, não foi apenas o maior Ibope da “era Marluce” (Dias da Silva, diretora-geral). Foi o porto seguro da emissora quando sofreu um dos maiores baques de sua história: o fenômeno Casa dos Artistas, que o SBT estreou de surpresa em 28/10/2001, 27 dias após a estreia de O Clone. O forte impacto do reality show da concorrente só não foi mais trágico porque O Clone, mesmo no início, conseguia manter a audiência da Globo.

Clonagem, islamismo e drogas foram os pilares da novela e muito bem-sucedidos no prosseguimento da narrativa. Toda essa repercussão foi resultado de um elenco bem escalado, da direção cinematográfica de Jayme Monjardim e, é claro, do ineditismo dos temas desenvolvidos por Glória Perez.

Sobre a ideia de sua novela, Glória Perez narrou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“Eu acompanhava pela televisão as guerras no Oriente Médio e ficava curiosa para saber mais sobre aquelas pessoas, como viviam, como era seu cotidiano. Na mesma época, fiquei muito impressionada com a clonagem da ovelha Dolly. (…) Esses dois temas – clonagem e cultura muçulmana – se uniam através da ideia de Deus: de um lado, o universo muçulmano, inteiramente submisso a Deus. De outro, o Ocidente, que declarava, com Nietzsche, ‘Deus está morto’, e buscava substituí-lo, instituindo novos deuses, os geneticistas, que, em seus laboratórios, tomavam para si a criação da vida.”

Quando a autora entregou a sinopse da novela à direção da Globo, muita gente dentro da emissora achou que seria uma insensatez produzir uma novela como essa, centrada em temas complexos como islamismo, clonagem humana, drogas e alcoolismo. Pouco antes da estreia, com os atentados terroristas nos EUA em 11/09/2001 – que colocaram em evidência o fanatismo muçulmano -, essa impressão se reforçou. Glória, no entanto, manteve a certeza de que o folhetim seria um sucesso.
“O mundo islâmico tem o mistério, a dança. Eu sabia que esses elementos funcionariam”, disse.
E a mistura de drogas, clonagem e cultura árabe passou a ser ainda mais questionada com o advento da guerra contra o terror.

Glória enfrentou adversidades com a diretora reservada para a trama, Denise Saraceni, que não gostava do tema sobre muçulmanos e não tinha afinidades com a autora. Outro diretor, Luiz Fernando Carvalho, leu a sinopse, mas não conseguiu se adequar ao texto dinâmico de Glória. Jayme Monjardim foi então o escolhido, adiando um pouco mais a novela, já que ele estava no comando da minissérie Aquarela do Brasil. Jayme e Mário Lúcio Vaz – então diretor-geral da Central Globo de Controle de Qualidade e único membro da direção que comprou a ideia da autora desde o início – apostaram no projeto.
“Me apaixonei na mesma hora e ainda estou apaixonado. Quem tinha que fazer a novela, fez. Acredito muito nessa coisa do destino”, disse Jayme.
Glória concordou: “Não lamento a ausência de ninguém. O Jayme diz e eu acredito piamente que Alá interferiu na escalação deste elenco.”

Giovanna Antonelli surpreendeu pela desenvoltura com que se desvencilhou de sua personagem anterior, a Capitu, de Laços de Família (2000-2001).
“Ela vinha de uma personagem muito marcante e a Jade tinha que ter muita personalidade”, disse a autora.

Murilo Benício recebeu muitas críticas durante a primeira fase da trama. O ator justificou a composição de seus personagens:
“Em primeiro lugar, gostaria de falar que a crítica aconteceu porque as pessoas sempre associaram meu trabalho de ator a uma mudança radical. Ou eu tinha que pintar o cabelo, raspar um dente… Para fazer um trabalho de gêmeos não existe a possibilidade dos dois serem completamente diferentes. Duas pessoas que recebem a mesma educação, têm a mesma idade, quase tudo acaba sendo absorvido da mesma forma. Estudei muito sobre este assunto e não deixei me abalar com críticas.”

Antes da estreia de O Clone, o programa Domingão do Faustão realizou um concurso que escolheu um sósia de Murilo Benício para fazer o papel do clone na novela. Porém, a ideia não vingou, pois este “clone” não era suficientemente parecido e com dons artísticos para o trabalho. Por fim, o próprio Benício fez o papel tanto de Lucas quanto do clone Léo (além de Diogo, o gêmeo de Lucas), cabendo à equipe de maquiagem e figurino ajudar a diferenciar os personagens vividos pelo mesmo ator.

Os personagens secundários dos núcleos árabe e de São Cristóvão fizeram sucesso, com destaque para Solange Couto, que brilhou no papel da despachada Dona Jura. E seu bar virou um ponto de atração à parte com convidados especiais que iam de Pelé a Martinho da Vila, passando por outros grandes nomes do samba.

O bordão da Dona Jura, “né brinquedo não!”, entre outros bordões (“cada mergulho é um flash!”, “bom te ver!”) e expressões do núcleo árabe, como “Maktub”, “Insch’Allah”, “mulher espetaculosa”, “arder no mármore do inferno”, “fazer a exposição da figura” e “jogar ao vento”, se popularizaram.

Além de Giovanna Antonelli, Murilo Benício e Solange Couto, ficaram marcados por seus personagens também Juca de Oliveira (Albieri), Stênio Garcia (Tio Ali), Eliane Giardini (Nazira), Jandira Martini (Zoraide), Débora Falabella (Mel), Adriana Lessa (Deusa) e Vera Fischer (Yvete).

A repercussão de O Clone se tornou ainda mais forte quando Glória Perez resolveu tratar corajosamente do tema das drogas. Tabu para a TV, o assunto costumava ser evitado nas novelas. Quando retratado, só trazia o lado ruim. A novidade de O Clone foi ter admitido que a droga também causa prazer ao usuário. A campanha de conscientização da novela, que usou depoimentos reais de usuários de drogas e seus familiares, rendeu prêmios à emissora. Pessoas famosas, como Carlos Vereza e Nana Caymmi, também participaram, dando depoimentos verídicos sobre o assunto. Mel (Débora Falabella), a personagem viciada em cocaína, passou a dividir o papel de protagonista com a mocinha Jade (Giovanna Antonelli).

A autora foi homenageada pela Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad) e recebeu o prêmio Personalidade do Ano 2002 concedido pelo Conselho Estadual Antidrogas (Cead/RJ). Em fevereiro de 2003, Glória Perez e o diretor Jayme Monjardim, pela campanha antidrogas promovida pela novela, receberam um prêmio concedido pelo FBI e pela Drug Enforcement Administration (DEA) – os dois principais órgãos do governo norte-americano responsáveis pelo controle do tráfico de drogas.

Por suas atuações na novela, Eliane Giardini foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor atriz na televisão em 2002, e Stephany Brito a revelação na TV naquele ano.
O Clone foi ainda premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 2001.

Para a composição dos personagens, o elenco assistiu a vários filmes árabes e iranianos, leram livros sobre os dois temas principais da história, tiveram aulas de árabe, de dança, expressão corporal e prática de orações, além de leituras de textos.

Para os assuntos referentes à cultura muçulmana, a autora contou com a consultoria dos irmãos Karima e Ahmed El Maataovi, que também tiveram uma participação na novela, e dos xeques Jihad Hassan Hammadeh, então vice-presidente da World Assembly of Muslim Youth (Wamy), e Abdelbagi Sidahmed Osman.
Para tratar da questão da clonagem humana, foram consultados o geneticista Wálter Pinto e a doutora Aline Chaves Alexandrino.

Para o rejuvenescimento e envelhecimento dos atores, a equipe de maquiagem contou da ajuda da americana Lynn Barber, ganhadora do Oscar de 1989 por seu trabalho no filme Conduzindo Miss Daisy.

As primeiras cenas da novela foram gravadas no Marrocos, em cinco cidades do país, durante um período de 40 dias. Algumas das locações foram as ruínas do kasbah Ait Ben Hadou, em Ouarzazate, o mercado de camelos de Marrakech, a cisterna portuguesa de El Jadida e a milenar Medina de Fez, que serviu de referência para a cidade cenográfica marroquina no Projac. A diretora de arte Tiza de Oliveira, que esteve em Fez, adquiriu muitos produtos locais para usar depois nas gravações no Rio.

Em um dos muitos pontos que poderiam colocar em risco a credibilidade narrativa de O Clone, estava o fato de os personagens transitarem entre o Marrocos e o Brasil como se fossem duas cidades de um mesmo estado, com poucas horas de distância.
Sobre suas liberdades de criação, Glória Perez explicou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“O Marrocos que retratamos na novela reunia costumes de todo o universo muçulmano. Não tinha a pretensão de ser o Marrocos real, porque o trabalho ficcional precisa de uma certa distorção para transmitir a realidade. Tivemos até que falsear a geografia. O deserto não é ao lado da Medina, claro, mas não poderíamos fazer as pessoas viajarem dias para chegar ao deserto. Então, prevaleceram os interesses da dramaturgia. O que importava era compor aquele universo de forma que o deserto e a Medina estivessem representados, porque eram os cenários em que a história de vida dos personagens se passava.”

O diretor Jayme Monjardim já tinha uma solução quase pronta quando Débora Falabella foi internada com meningite. Chamou a irmã mais velha da atriz para dublar Mel, sua personagem. Cynthia Falabella, que também é atriz, aproveitou a chance (felizmente a doença da irmã não era grave).
Cynthia mesma, mais tarde, ganhou um papel na novela, em uma participação, como filha de Lobato (Osmar Prado).

Doente, Stênio Garcia, cujo personagem Tio Ali, um patriarca muçulmano, representava o ponto de vista da ética religiosa diante do feito científico do geneticista Albieri (Juca de Oliveira), foi substituído por Francisco Cuoco na pele de Matiolli, um padre católico, mas de mesma função no enredo. Recuperado, Stênio voltou, mas Cuoco não saiu.
Ruth de Souza vivia Dona Mocinha e, em um afastamento, foi substituída por Léa Garcia, que entrou na trama como Lola, irmã de Mocinha. Léa continuou na novela após o retorno de Ruth aos trabalhos. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)

A atriz Françoise Forton participou da novela em sua primeira fase como a médica Simone. Sua personagem saiu da trama e a atriz foi então escalada para a minissérie O Quinto dos Infernos, cujo último dia de gravação foi uma sexta-feira. No sábado, Françoise já estava no set de gravação de O Clone, pois Simone voltava à cena na novela.

Glória Perez trouxe à novela, em uma participação especial, dois personagens de outro trabalho: Dr. Molina (Mário Lago) e Miss Penélope Brown (Beatriz Segall), de Barriga de Aluguel (1990-1991), em uma discussão ética e científica sobre a clonagem humana.

O Clone foi o último trabalho na TV do ator, compositor e poeta Mário Lago, que, como o Dr. Molina, fez uma pequena participação na novela. Ele faleceu em maio de 2002, antes da produção ser encerrada. Tinha 90 anos de idade e foi vítima de uma enfisema pulmonar.
A novela também marcou a despedida do empresário e radialista Oswaldo Sargentelli, que faleceu após gravar uma participação no Bar de Dona Jura.

Primeira novela dos atores Maria Clara Gueiros, Murilo Grossi, Christiana Kalache e Francyele Freduzesky.
Estreia na Globo de Paula Pereira e da portuguesa Maria João Bastos.

Giovanna Antonelli ditou moda com seu figurino, maquiagem e bijuterias árabes. Caíram no gosto popular os tecidos vaporosos inspirados nas “Mil e Uma Noites”, anéis com correntinha e o kajal negro bem forte delineando os olhos. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Segunda Chance e Começar de Novo foram títulos cogitados para a novela. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

A partir de janeiro de 2002, a Telemundo passou a transmitir O Clone para a comunidade hispânica nos Estados Unidos e em países da língua espanhola, tendo a audiência aumentada em 60%.

Em novembro de 2009, começou a ser gravada El Clon, versão hispânica da novela. Gravada em Bogotá, na Colômbia, ambientada em Miami e com protagonistas mexicanos, em uma coprodução Globo e Telemundo, braço da rede norte-americana NBC. A viagem do elenco para o Marrocos – onde se passa parte da trama – começou no final do mês de novembro.
Foi a primeira coprodução da emissora brasileira feita fora do país. Em 2002, Globo e Telemundo gravaram Vale Tudo em espanhol (Vale Todo), mas a trama foi refeita no Projac, com 28 atores estrangeiros. O formato final não agradou a Globo, que decidiu reformular a parceria.
Em O Clone, a Globo vendeu a marca, o roteiro e um pacote de consultoria para cenários, figurinos, texto e direção. A Telemundo adaptou o texto, escalou o elenco e comandou a produção. Os custos do projeto foram estimados em R$ 20 bilhões. A Globo ficou com 35% do retorno comercial.
A atriz Sandra Echeverría era Jade e o jovem ator Maurício Ochmann viveu os gêmeos Lucas e Diego e o clone Léo.
A estreia de El Clon nos EUA aconteceu dia 15/02/2010. Os 210 capítulos caíram para 150, com redução de personagens e adaptações à cultura local.
“O bar da dona Jura [ponto de encontro dos moradores de São Cristóvão] foi substituído por um clube de salsa”, exemplificou Ricardo Scalamandré, então diretor de negócios Internacionais da Globo.

O Clone foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 10/01 e 09/09/2011.
Também no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), a partir de 09/12/2019, às 23 horas com reprise às 13h30 do dia seguinte.

Trilha Sonora Nacional

01. A MIRAGEM – Marcus Viana (tema de Jade e Lucas)
02. MEU GRANDE AMOR – Lara Fabian (tema de Maysa)
03. LOVE IN THE AFTERNOON – Legião Urbana (tema de Diogo)
04. NO BALANÇO DO BUZÃO – Miltinho Edilberto (tema de locação)
05. ESCÂNDALO – Caetano Veloso (tema de Xande)
06. ALMA – Zélia Duncan (tema de Clarisse)
07. TARDE TRISTE – Nana Caymmi (tema de Yvete)
08. MODERNIDADE – Lulo (tema de Cecéu)
09. EU SÓ SEI AMAR ASSIM – Zizi Possi (tema de Edna)
10. ALTO LÁ – Zeca Pagodinho (tema de Deusa e Edvaldo)
11. NO ESCURO – Marina (tema de Karla)
12. O SILÊNCIO DAS ESTRELAS – Lenine (tema do Dr. Albieri)
13. SOB O SOL – Sagrado Coração da Terra (tema de abertura)
14. MAKTUB – Marcus Viana (tema de locação: Marrocos)

Trilha Sonora Internacional

01. ALL FOR LOVE (A MIRAGEM) – Michael Bolton (tema de Jade e Lucas)
02. MI GRAN AMOR LE DI (AND I LOVE HER) – Jose Alberto “El Canario” (tema de Yvete)
03. LUNA – Alessandro Safina (tema de Yvete e Leônidas)
04. ADARGHAL (THE BLIND IN SPIRIT) – Abdelli (tema de Latiffa e Mohammed)
05. BIR GUNAH GIBI (NATHALIE) – Ajda Pekkan (tema de Nazira)
06. DESERT ROSE – Sting (tema de Said)
07. MY LOVER’S GONE – Dido (tema de Mel)
08. WHENEVER, WHEREVER – Shakira (tema de Karla)
09. EL ALEM ALAH – Amr Diab (tema de Zein)
10. MARCAS DE AYER – Adriana Mezzadri (tema de Léo)
11. I WANT LOVE – Elton John (tema de Cecéu e Amália)
12. MELODRAMMA – Andrea Boccelli (tema de Anita)
13. NOUR EL AIN – Amr Diab (tema do núcleo muçulmano)
14. DANS LA NUIT – Sarah Brightman (tema de Samira)
15. AZEZ ALAYA – Tony Mousayek (tema do núcleo muçulmano)
16. MY FRIEND – Groove Armada (tema de locação: boate Nefertiti)
17. URGA – Badema (tema de Jade)
18. THINGS ABOUT ME – Ayres Viana (tema de locação: Rio de Janeiro)
19. MIRACLE – Jazzy

Trilha Sonora Complementar: Maktub – Trilha e Temas de O Clone – Marcus Viana

01. MAKTUB I
02. A MIRAGEM
03. ORAÇÃO DA MANHÃ
04. KYRIE
05. AREIAS
06. O ESPELHO
07. SETE VÉUS
08. ENTRE DOIS MUNDOS
09. MAKTUB II
10. JORNADA DA ALMA
11. ESPIRITUAL
12. ÍSIS
13. A VIAGEM PELO RIO SAGRADO
14. KHEOPS
15. HINO AO SOL
16. KANA MAKTUBEN
17. DANÇAS SAGRADAS DE ÍSIS
18. O ESPÍRITO DO DESERTO
19. A BARCA DE RÁ
20. MAKTUB III
21. SOB O SOL

Trilha Sonora Complementar: O Melhor do Bar da Dona Jura

01. NÉ BRINQUEDO NÃO – Molejo
02. DEIXA A VIDA ME LEVAR – Zeca Pagodinho
03. VOCÊ ABUSOU – Jorge Aragão
04. HOJE TEM SAMBA – Arlindo Cruz e Sombrinha
05. LAMBADA DE SERPENTE (ao vivo) – Belo
06. 1800 COLINAS (ao vivo) – Zélia Duncan e Beth Carvalho
07. FINAL FELIZ – Caetano Veloso e Só Pra Contrariar
08. DEPOIS DO PRAZER (ao vivo) – Alcione
09. QUERO UM CAFUNÉ – Dudu Nobre
10. TÔ TE FILMANDO (SORRIA) – Os Travessos
11. MULHER BRASILEIRA – Benito Di Paula
12. SE VOCÊ JURAR – Fundo de Quintal
13. MULHERES – Martinho da Vila
14. EM BUSCA DO PENTA – Pelé

Trilha Sonora Complementar: O Melhor da Dança do Ventre

01. AZEZ ALAYA – Tony Mouzayek
02. WRAAL AL CHAJAR – The Mousayek Arab Ensemble
03. MABRUK – Gisele Bomentre
04. YA HELOU YA ZEIN – Tony Mouzayek
05. MAKTUB – Transfõnica Orkestra
06. LATSADIGUI – Tony Mouzayek
07. DANÇAS SAGRADAS DE ÍSIS – Transfônica Orkestra e Marcus Viana
08. SHAMS SU SAHARA – Sagrado Coração da Terra
09. YA HABIB TA ALA – Gisele Bomentre
10. KHEOPS – Marcus Viana e Transfônica Orkestra
11. LAGUETEK – Tony Mouzayek
12. INTA AOMRI – Gisele Bomentre
13. DANÇAS SAGRADAS DE ÍSIS Nº 2 – Transfônica Orkestra e Marcus Viana
14. ZAHMA YA DUNIA – Tony Mouzayek

Trilha Sonora Complementar: Isis Lounge Temple of Dance – músicas da boate Nefertiti

01. GOPI JAM
02. SHAMS SU SABARA
03. LIFE FLOWS
04. CORPUS ET ESPIRITUS
05. GITANO DÈJA VU
06. RIO-DELBI
07. ALBINIONI´S DREAM
08. TURQUOISE BLUE
09. TAKA TIKATUM
10. DIVINA
11. TRANSPARÊNCIA
12. BAROQUE RITUAL

Trilha Sonora Complementar: Trilhas e Temas Volume 5 – Marcus Viana
Obras inéditas de O Clone, Aquarela do Brasil, A Sonata e Serras Azuis

01. PARA TODO O SEMPRE de Aquarela do Brasil
02. AS DUNAS INFNITAS de O Clone
03 COMO UMA NUVEM de O Clone
04. SOB O SOL (instrumental) de O Clone
05. IRMÃOS de O Clone
06. O MISTÉRIO DA VIDA de O Clone
07. SOB O SOL (instrumental) de O Clone
08. A MIRAGEM (instrumental) de O Clone
09. OSÍRIS de O Clone
10. UMA VISÃO DE LÁ de O Clone
11. BAJO EL SOL de O Clone
12. ADÁGIO DE FEZ de O Clone
13. A SONATA EM LÁ MENOR de A Sonata
14. TEMA DE SERRAS AZUIS de Seras Azuis

Sonoplastia: Júlio César, Humberto Donghia e Pedro Belo
Produção Musical: Marcus Viana
Direção Musical: Mariozinho Rocha
Seleção Musical da Trilha Internacional: Jayme Monjardim, Hélio Costa Manso e André Werneck

Tema de abertura: SOB O SOL – Sagrado Coração da Terra – cantora: Malu Ayres

Sobre as nossas cabeças o sol
Sobre as nossas cabeças a luz
Sobre as nossas mãos a criação
Sobretudo o que vem do coração

Dançamos a dança da vida
No palco do tempo
Teatro de Deus
Árvore santa dos sonhos
Os frutos da mente
São meus e são teus

Nossos segredos guardados
Enfim revelados nus sob o sol
Nossos segredos guardados
Enfim revelados nus sob o sol…

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