Sinopse

Nem o ódio entre duas famílias impediu o amor dos jovens Enrico e Giovanna. Os Mezenga e os Berdinazzi são vizinhos e, por causa de uma cerca no limite de suas propriedades, vivem uma guerra sem precedentes. As duas famílias proíbem o amor entre Enrico, filho de Antônio e Nena Mezenga, e Giovanna, filha de Giuseppe e Marieta Berdinazzi. Os dois se casam e fogem, porque não conseguem viver esse amor.

O filho de Enrico e Giovanna, Bruno Mezenga, se transformou num dos maiores criadores de gado do país, conhecido como o Rei do Gado. Ele sabe do ódio que separou as famílias de seus pais e nunca conheceu os parentes de sua mãe: os avós e os tios Bruno, que morreu na guerra, e Giácomo Guilherme, que morreu pobre. Só sabe que o terceiro tio, Jeremias, tornou-se um rico fazendeiro.

O velho Jeremias Berdinazzi é um homem solitário que não reconhece os Mezenga como membros de sua família. Já idoso e com peso na consciência por ter enganado os irmãos no passado, seu sonho é deixar sua fortuna para a única parenta que lhe restou, a sobrinha Marieta, filha do irmão Giácomo Guilherme, que nunca conheceu e que está desaparecida.

Bruno Mezenga, por sua vez, vive um casamento fracassado com Léa, uma esposa infiel que o trai com Ralf, um mau-caráter. O casal tem dois filhos: Lia, que apaixona-se pelo peão e violeiro Pirilampo; e Marcos, que vive um atribulado romance com Liliana, filha do incorruptível senador da República Roberto Caxias.

As vidas de Bruno Mezenga e Jeremias Berdinazzi mudam completamente com a chegada de duas mulheres. Marieta, que diz ser a sobrinha desaparecida de Jeremias; e Luana, uma bóia-fria sem passado por quem Bruno se apaixona. Mal imagina Bruno que Luana unirá o seu destino ao de seu tio Jeremias, já que ela é a verdadeira Marieta Berdinazzi.

Globo – 20h
de 17 de junho de 1996
a 15 de fevereiro de 1997
209 capítulos

novela de Benedito Ruy Barbosa
colaboração de Edmara Barbosa e Edilene Barbosa
direção de Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, Emílio Di Biase e José Luís Villamarim
direção geral de Luiz Fernando Carvalho

Novela anterior no horário
O Fim do Mundo

Novela posterior
A Indomada

ANTÔNIO FAGUNDES – Bruno Mezenga
PATRÍCIA PILLAR – Luana (Marieta)
RAUL CORTEZ – Jeremias Berdinazzi
GLÓRIA PIRES – Rafaela / Marieta
FÁBIO ASSUNÇÃO – Marcos
SÍLVIA PFEIFER – Léa
CARLOS VEREZA – Senador Roberto Caxias
STÊNIO GARCIA – Zé do Araguaia
BETE MENDES – Donana
LAVÍNIA VLASAK – Lia
GUILHERME FONTES – Otávio
OSCAR MAGRINI – Ralph
JACKSON ANTUNES – Regino
ANA BEATRIZ NOGUEIRA – Jacira
ALMIR SATER – Aparício (Pirilampo)
SÉRGIO REIS – Zé Bento (Saracura)
WALDEREZ DE BARROS – Judite
MARIANA LIMA – Liliana
ANA ROSA – Maria Rosa
ARIETHA CORRÊA – Chiquita
EMÍLIO ORCIOLLO NETO – Giuseppe
MARA CARVALHO – Bia
IARA JAMRA – Lurdinha
MARIA HELENA PADER – Júlia
PAULO CORONATO – Dimas
LEILA LOPES – Suzane
LUIZ PARREIRAS – Orestes Couto Maia
LUCIANA VENDRAMINNI – Marita
AMILTON MONTEIRO – Detetive Clóvis
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Delegado Josimar
TADEU DI PIETRO – Delegado Valdir
FRANCISCO CARVALHO – Mauriti
ANTÔNIO POMPEO – Dominguinhos
COSME DOS SANTOS – Formiga
ADHENOR DE SOUZA – Lupércio
primeira fase
TARCÍSIO MEIRA – Giuseppe Berdinazzi
EVA WILMA – Marieta
ANTÔNIO FAGUNDES – Antônio Mezenga
VERA FISCHER – Nena
LEONARDO BRÍCIO – Enrico
LETÍCIA SPILLER – Giovanna
MARCELLO ANTONY – Bruno
CACO CIOCLER – Jeremias
MANOEL BOUCINHAS – Giácomo Guilherme
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Toni Vendacchio
OSMAR DI PIERI – Bepo
YAMAY KENICHE – Tetsuo
MII SAKI – mulher de Tetsuo
SÔNIA TOZZI – Gema (moça que Bruno conheceu na Itália)
ANTÔNIO CASTIGLIONE – Bruno Mezenga (criança)
e
ADILSON BARROS – motorista da fazenda de cana
ALTAMIRO MARTINS – tabelião
ARMANDO VALSANI – cantor
ÁTILA IÓRIO – caiçara
BETO BELLINI – jagunço
CARLOS TAKESHI – Olavo (piloto de Bruno Mezenga)
CAROLINA BRADA – sem-terra, do grupo de Regino
CELSO FRATESCHI – motorista
CHICA XAVIER – freira que cuida de Luana
CHICO EXPEDITO – Pedro Chiaramonte
CLARA GARCIA – recenseadora do Censo Agrícola na fazenda do Jeremias
CLÁUDIO CAPARICA – sacristão que avisa o Senador Caxias da ausência do noivo Marcos no seu casamento com Liliana
CLÁUDIO TOVAR – Fernandinho (costureiro do vestido de noiva de Liliana)
CYRIA COENTRO – Maria da Luz
DAN STULBACH – repórter no caso do desaparecimento de Bruno
DAVID Y. POND – líder do grupo extremista japonês
DAVIS OTANE – sem-terra do grupo de Regino
DÉCIO TROTA – tocador de bandolim
EDMILSON CAPELUPPI – violeiro
EMÍLIO FONTANA – delegado
ERALDO RIZZO – representante dos ingleses
FLÁVIO ANTÔNIO – Dr. Castanho
GENÉZIO DE BARROS – líder dos sem-terra
GILLES GWIZDEK – comprador do barco de Léa Mezenga
GISELE SUMMAR – empregada do Senador Caxias
GUILHERMINO DOMICIANO – policial
HÉLIO CÍCERO – Walfrido
HENRIQUE LISBOA – carteiro
IBERTO PEREZ – senador
ILVA NIÑO – Joana
JAIRO MATTOS – Fausto (advogado de Jeremias)
JOSÉ MARINHO – jagunço
JULIANA MONTEIRO – sem-terra do grupo de Regino
JULIO FERNANDO – policial Chico (trabalhava com o delegado Josimar, que investigava a morte de Ralph)
JURANDIR OLIVEIRA – líder dos sem-terra
LIANA DUVAL – Quitéria (empregada do Senador Caxias)
LUCÉLIA MACHIAVELLI – Geni (mulher de Mauriti)
LUÍSA FIORI – Gema
LUÍS DE LIMA – médico
LUIZ BACELLI – oficial
LUIZ CARLOS ROSSI – representante dos ingleses
LUIZ SERRA – fazendeiro
MALU VALLE – apresentadora de TV
MARCELO DECÁRIA – praça
MARCELO GALDINO – Geraldino (cuida do barco de Léa Mezenga)
MARCOS ANTÔNIO LAURO
MARCOS VINÍCIUS GOMES
MARIANA PEREIRA – Rafaela (criança)
MARIA RIBEIRO – prostituta
MERCEDES DE SOUZA – parteira
MILTON GONÇALVES
NELSON BASKERVILLE – repórter
NEUZA BORGES – Marta
NEWTON MORENO – sem-terra do grupo de Regino
NINO VALSANI – cantor
PAULO GOULART – juiz
PEDRO GABRIEL – Uerê (Rafael, filho de Magu e Zé do Araguaia)
POENA VIANNA – sem-terra do grupo de Regino
REGINA DOURADO – Magu (índia com quem Zé do Araguaia tivera um filho, Rafael)
RENATO MASTER – Delegado Bordon
RICARDO HOMUTH – piloto de helicóptero
ROGÉRIO MÁRCICO – Olegário (administrador das fazendas de Jeremias, pai de Otávio)
RONEY VILELA – Genivardo
SÉRGIO MILLETO – Dr. Arnaud
SILVIA ANDRO
SÍRIA BETTI – Inês (mãe de Gema)
TÁCITO ROCHA – promotor
TANAH CORRÊA – juiz
TONINHO FERRAGUTTI – acordeonista
VENERANDO RIBEIRO – delegado no Araguaia
WALD STERN – alemão
ZÉLUIZ PINHO – Jaú (peão velho)

primeira fase

– núcleo de ANTÔNIO MEZENGA (Antônio Fagundes):
a mulher NENA (Vera Fischer)
o filho ENRICO (Leonardo Brício).

– núcleo de GIUSEPPE BERDINAZZI (Tarcísio Meira), que vive às turras com Antônio Mezenga por causa de uma cerca além de suas propriedades:
a mulher MARIETA (Eva Wilma)
os filhos GIÁCOMO GUILHERME (Manoel Boucinhas), JEREMIAS (Caco Ciocler),
BRUNO (Marcello Antony), morto na guerra,
e GIOVANNA (Letícia Spiller), que vive um amor proibido por Enrico Mezenga – acaba engravidando do rapaz e batizando o filho com o nome do irmão morto na guerra.

segunda fase

– núcleo de BRUNO MEZENGA (Antônio Fagundes), filho de Enrico e Giovanna, hoje conhecido como “o rei do gado”. Nutre um ódio pela família da mãe, que o renegou como neto:
a esposa LÉA (Sílvia Pfeifer), mulher infiel que só quer saber do dinheiro do marido
os filhos MARCOS (Fábio Assunção) e LIA (Lavínia Vlasak)
o motorista DIMAS (Paulo Coronato)
as empregadas JÚLIA (Maria Helena Pader), que se envolve com Dimas, e LURDINHA (Iara Jamra)
a dupla de violeiros empresariados por Lia: APARÍCIO (o PIRILAMPO) (Almir Sater), que se envolve com Lia,
e ZÉ BENTO (o SARACURA) (Sérgio Reis), que se envolve com Lurdinha. A dupla faz sucesso ao gravar um CD.

– núcleo de JEREMIAS BERDINAZZI (Raul Cortez), único sobrevivente da família Berdinazzi. Sonha em reencontrar a sobrinha desaparecida, filha do falecido irmão Giácomo Guilherme:
a suposta sobrinha desaparecida MARIETA (Glória Pires), uma impostora que na verdade se chama RAFAELA. Envolve-se com Marcos Mezenga
o administrador de seus negócios OLEGÁRIO (Rogério Márcico), amigo de Berdinazzi, morre no decorrer da trama
o advogado FAUSTO (Jairo Mattos), que põe Rafaela dentro da casa de Jeremias. Mata Olegário porque ele descobre os planos dos dois, e acaba ele mesmo sendo morto
o filho de Olegário, OTÁVIO (Guilherme Fontes), aparece depois da morte do pai, apaixona-se por Rafaela
o sobrinho que ele desconhecia GIUSEPPE (Emílio Orciollo Neto), aparece no final da trama
a empregada JUDITE (Walderez de Barros), que se envolve com ele
o delegado VALDIR (Tadeu di Pietro), que investiga as mortes de Olegário e Fausto.

– núcleo do mau caráter RALPH (Oscar Magrini), o amante de Léa que está de olho no dinheiro do marido dela. Acaba misteriosamente assassinado:
a prostituta MARITA (Luciana Vendramini), com quem se envolvera
a amante SUZANE (Leila Lopes), jovem e bonita, mulher de um figurão
ORESTES (Luiz Parreiras), marido de Suzane, homem muito rico
o delegado JOSIMAR (José Augusto Branco), investiga a morte de Ralph
o detetive CLÓVIS (Amilton Monteiro), investiga os passos de Léa a mando de Bruno Mezenga e, mais tarde, junta-se a Josimar e tenta desvendar a morte de Ralph.

– núcleo de REGINO (Jackson Antunes), líder de um grupo de sem-terras:
a mulher JACIRA (Ana Beatriz Nogueira)
a bóia-fria LUANA (Patrícia Pillar), perdeu a memória após um acidente quando era criança. Envolve-se com Bruno Mezenga e mais tarde descobre-se que ela é Marieta, a sobrinha desaparecida de Jeremias Berdinazzi
a professora BIA (Mara Carvalho)
os sem-terra DOMINGUINHOS (Antônio Pompeo), FORMIGA (Cosme dos Santos) e LUPÉRCIO (Adhenor de Souza).

– núcleo de ZÉ DO ARAGUAIA (Stênio Garcia), amigo de Bruno Mezenga, caseiro de sua casa na região do Rio Araguaia:
a mulher DONANA (Bete Mendes)
a índia MAGU (Regina Dourado, numa participação), que teve um filho com Zé no passado
o indiozinho RAFAEL, o UERÊ (Paulo Gabriel), filho de Zé do Araguaia e Magu.

– núcleo de SENADOR ROBERTO CAXIAS (Carlos Vereza), político amigo de Bruno Mezenga. Incompreendido por ser um político honesto:
a mulher MARIA ROSA (Ana Rosa)
a filha LILIANA (Mariana Lima), apaixonada por Marcos
a empregada em Brasília CHIQUITA (Arietha Côrrea), apaixonada pelo senador.

Outro sucesso de Benedito Ruy Barbosa que cativou o público do início ao fim e marcou a história da televisão brasileira.
Última novela da trilogia do autor no horário nobre sobre o interior do Brasil, iniciada com Pantanal (1990) e Renascer (1993).

A emocionante primeira fase foi um dos melhores momentos de nossa Teledramaturgia. Ares operísticos juntando elementos do teatro e da narrativa audiovisual, conseguindo contrastes de luz em busca da ressonância do passado e mostrando-se a decadência do ciclo do café e a inserção do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A segunda fase mostrou a modernização e a riqueza do interior paulista através da cidade de Ribeirão Preto. A capital paulista e a região do Araguaia também serviram de cenário para a trama.

Antônio Fagundes, Raul Cortez e Carlos Vereza interpretaram personagens que marcaram suas carreiras: Bruno Mezenga, Jeremias Berdinazzi e o Senador Roberto Caxias, respectivamente. Patrícia Pillar passou dez dias entre os cortadores de cana para compor sua bela e forte Luana, personagem pela qual foi muito elogiada.

Com uma estrutura bem distante do maniqueísmo, tão comum aos folhetins, O Rei do Gado não tinha necessariamente vilões ou mocinhos, mas personagens tão bem construídos que ficava impossível para o público não se envolver com todos os ângulos da história proposta por Benedito Ruy Barbosa.
“Mezenga e Berdinazzi eram adversários e o telespectador gostava dos dois, nunca deles separados. Então o segredo do sucesso não era o ruim ou o bom, mas porque eles não se entendiam”, afirmou Antônio Fagundes a Flávio Ricco e José Armando Vannucci, para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.

O Rei do Gado deveria ter estreado após Explode Coração (em maio de 1996), mas houve um atraso em sua produção. A hipótese de espichar a trama de Glória Perez chegou a ser cogitada, mas a emissora a descartou, pois tinha assumido o compromisso de liberar a novelista em maio para o julgamento dos acusados do assassinato de sua filha, a atriz Daniela Perez (assassinato ocorrido em 1992). A solução foi um tapa-buraco: a mini-novela O Fim do Mundo, um texto que Dias Gomes havia escrito para ser lançado como uma minissérie. Assim, O Fim do Mundo foi exibida em 35 capítulos até que O Rei do Gado pudesse estrear com folga, em junho de 1996.

A Reforma Agrária, a vida dos trabalhadores do Movimento dos Sem Terra (MST) e a luta pela posse de terras foram amplamente discutidos na novela e tiveram grande repercussão na mídia e na sociedade em geral.
O Rei do Gado estreou dois meses após a morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), fato que tomou conta do noticiário da época e gerou muita discussão.
“Um dia, o Boni me ligou muito bravo porque eu coloquei os sem-terra na trama. Ele queria saber o porquê de não aparecer essa informação na sinopse”, disse Benedito Ruy Barbosa para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.
Depois de uma longa explicação e do compromisso de tratar da temática com cautela, o autor recebeu o sinal verde para continuar o trabalho nesse núcleo.
No auge da repercussão sobre o MST, Benedito recebeu um cartão em casa, sem assinatura, em tom de ameaça: “Parabéns pelo que você arranjou. Sou fazendeiro e se aparecer alguém aqui como os de sua novela, aumento o muro três metros para ninguém sair mais.”
O autor sabia que, ao abordar a questão das grandes propriedades destinadas à criação de gado, não poderia deixar de citar a tão sonhada reforma agrária.
“A novela ajudou a fazer as pessoas nos olharem de maneira diferente. Nos deu status de cidadãos”, disse o presidente do MST na época, João Pedro Stédile.

Ao ser convidado para representar o Brasil em um congresso internacional de teledramaturgia em Berlim, Benedito discursou sobre reforma agrária.
“O presidente da Fundação Konrad Adenauer havia assistido a alguns trechos de O Rei do Gado e me convidou para falar sobre o tema na Alemanha. Pedi a ele que convidasse o então ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann. Aí ele respondeu: ‘Mas eu não quero o Jungmann, quero você!’ Foi então que eu fiz uma palestra sobre reforma agrária. Levei 45 minutos de O Rei do Gado só com a participação dos sem-terra. As pessoas ficaram maravilhadas. Pensaram que fosse cinema”, disse o autor a André Bernardo e Cíntia Lopes para o livro “A Seguir Cenas do Próximo Capítulo”.

Numa marcante cena da novela, o Senador Caxias (Carlos Vereza) fez um discurso emocionado sobre os sem-terra enquanto no plenário havia apenas três senadores: um cochilando, outro lendo jornal e o terceiro falando ao celular. No dia seguinte, o então senador Ney Suassuna subiu à tribuna do senado para protestar contra o que classificou como “distorção da realidade”. Segundo ele, a cena induzia a população a acreditar que não havia senadores honestos no país. Benedito Ruy Barbosa recebeu inúmeras críticas de políticos por causa da forma como mostrava ao telespectador o trabalho dos parlamentares.

As cenas em que Ralf (Oscar Magrini) espanca Léa Mezenga (Silvia Pfeifer) chamaram a atenção dos telespectadores para um tema até então pouco explorado em telenovelas: a violência doméstica, contra a mulher.

O Rei do Gado recebeu o Certificado de Honra ao Mérito no San Francisco International Film Festival, concorrendo com 1525 produções de 62 países. A primeira fase da novela foi especialmente transformada em minissérie para o Festival Banff, do Canadá, onde foi selecionada como obra hors-concours.

Por suas atuações, Raul Cortez foi eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor ator na TV em 1996, Leonardo Brício o melhor ator coadjuvante, Walderez de Barros a melhor atriz coadjuvante, Caco Ciocler a revelação masculina na televisão, e Tarcísio Meira ganhou um prêmio especial.
O Rei do Gado foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1996. Raul Cortez levou o prêmio de melhor ator.

O Rei do Gado foi a primeira novela inteira, com uma personagem fixa, da veterana atriz Walderez de Barros na Globo. Ela aceitou o convite do diretor Luiz Fernando Carvalho para viver Judite, a empregada de Jeremias Berdinazzi (Raul Cortez), com quem ele se envolve no final. A personagem começou pequena na trama e foi crescendo aos poucos e ganhando a simpatia e a torcida do público.

Já Ana Rosa, que interpretou Maria Rosa, mulher do Senador Caxias (Carlos Vereza), quase não entrou na novela. A atriz enfrentava o luto de sua filha, Ana Luísa, que faleceu em novembro de 1995, às vésperas de completar 19 anos.
“Meu mundo ruiu. Eu não tinha vontade de trabalhar. Recusei o primeiro convite feito pelo Luiz Fernando Carvalho, mas a produção me ligou mais duas vezes”, contou a atriz ao livro “Biografia da Televisão Brasileira”.
O diretor insistiu e ficou impossível recusar a proposta.

Primeira novela na Globo de Marcello Antony, Caco Ciocler, Lavínia Vlasak e Emílio Orciollo Neto.

Na época, ficou notória a frustração de Glória Pires com sua personagem em O Rei do Gado, Rafaela, que fingia ser Marieta Berdinazzi, a sobrinha desaparecida de Jeremias (Raul Cortez).
“Eu aceitei confiando plenamente em Benedito, porque tínhamos trabalhado em Cabocla. Houve algum problema, porque ele não desenvolveu a personagem como havia falado. É horrível quando você espera algo que não vem”, desabafou a atriz em sua biografia.
Totalmente sem rumo na trama, a personagem teve um desfecho medíocre, terminando desnorteada em uma fazenda doada pelo tio.
“Arregacei as mangas e levei a missão até o fim, dignamente. Foi o que me restou fazer.”
Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti em “40 Anos de Glória”.

Luiz Fernando Carvalho dirigiu sozinho toda a primeira fase. Só na segunda, passou a dividir o trabalho com Carlos Araújo, Emílio di Biasi e José Luiz Villamarim.
Reforçando o estilo cinematográfico do diretor, a novela contou com a fotografia de Walter Carvalho, um dos mais prestigiados fotógrafos de cinema do país.
Para dar o tratamento da luz na primeira fase da novela, Luiz Fernando contou que se inspirou em pinturas italianas, do final do século 19 até a Era Romântica. A intenção era captar a atmosfera dos imigrantes do interior de São Paulo na década de 1940. Segundo o diretor, em vez da luz dilacerada, de cores fortes e altos contrastes de Renascer (1993), quando estudou pintores baianos, em O Rei do Gado a luz criava uma atmosfera mais tênue, clara, sem muitos claros e escuros.
“Tinha que passar a impressão de que a luz tem cheiro, um perfume, não é ardida, não bate no rosto da pessoa, mas perfuma, como se estivesse em volta dela, e não sobre ela”, afirmou ele na época do lançamento da novela.

Na primeira fase da história, foram exibidas cenas passadas durante a Segunda Guerra Mundial. A equipe da novela viajou à cidade de Craco, uma das regiões mais pobres da Itália. Lá, foram reconstituídas cenas de batalhas, com cerca de 300 figurantes. As cenas foram filmadas em película 16mm, própria para cinema, e em preto-e-branco. Na Itália, também foram feitas algumas sequências em Guardiã Perticara e no monumento dos pracinhas brasileiros, na Toscana.

Alguns atores se submeteram a laboratórios intensos antes da novela. Letícia Spiller e Patrícia Pillar, por exemplo, foram trabalhadas por Gisela Rodrigues, atriz e bailarina, professora e pesquisadora do Departamento de Artes Corporais da Unicamp, para comporem suas personagens. Leonardo Brício, Caco Ciocler, Manoel Boucinhas e Marcello Antony também fizeram laboratórios, sob coordenação do diretor Emílio di Biase. Eles foram para a região de Amparo e tiveram várias aulas com os colonos locais. Aprenderam a montar, cavalgar, bater feijão, colher café e tudo mais que precisavam para interpretar rapazes da roça.

Para as gravações de O Rei do Gado, além da cidade cenográfica construída no Projac, foram utilizados pelo menos cinco polos de produção: Itapira, Ribeirão Preto e Amparo (SP), Guaxupé (MG) e Aruanã (GO), por onde se espalhavam as fazendas usadas como locação.

A sede da maior fazenda de Bruno Mezenga foi construída na cidade cenográfica, no Projac. Era, até então, a maior casa já feita pelo cenógrafo Raul Travassos, idealizada para gravações externas e internas. Contava com dois pavimentos de 600m² de construção. Só as paredes eram cenográficas, mesmo assim ganharam revestimento de argamassa. O chão era de pedra e tijolo, as vigas de maçaranduba, o teto de pau do mato e eucalipto, e portas e janelas foram feitos com madeira de demolição.
As paisagens bucólicas da região do Araguaia, onde ficava uma das fazendas de Bruno Mezenga, encantaram os telespectadores. A área é formada por ecossistemas típicos do Pantanal, da Floresta Amazônica e do Cerrado, abrigando extensa diversidade de flora e fauna. Fonte: site Memória Globo.

Participação do senadores Eduardo Suplicy e Benedita da Silva, que gravaram para o funeral do Senador Caxias (Carlos Vereza).

A primeira trilha sonora da novela bateu um recorde: o disco O Rei do Gado 1 vendeu mais de 1,5 milhões de cópias (entre LP´s e CD´s).

“Rei do Gado” já era um apelido que Benedito Ruy Barbosa ouvia há muito tempo, de suas viagens pelo interior do país, sempre se referindo a grandes criadores de gado. O autor já havia usado para designar José Leôncio, protagonista de sua novela Pantanal (1990), da TV Manchete.

Na última cena, sobe – sobre milhares de pés de café, lavouras de soja, milho e cana de açúcar – um letreiro que diz:
“Deus, quando fez o mundo, não deu terra pra ninguém, porque todos os que aqui nascem são seus filhos. Mas só merece a terra aquele que a faz produzir, para si e para os seus semelhantes. O melhor adubo da terra é o suor daqueles que trabalham nela.”
E a câmera volta em Bruno Mezenga e Jeremias Berdinazzi, em meio àquele imenso cafezal, como se os dois estivessem discutindo, e deixa a pergunta: “vai começar tudo de novo?”

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo duas vezes: entre 15/03 e 13/08/1999, e entre 12/01 e 07/08/2015.
Reprisada também entre 09/02 e 30/11/2011, às 16h30, no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo).

Trilha Sonora 1

reidogadot1
01. REI DO GADO – Orquestra da Terra (tema de abertura)
02. CORAÇÃO SERTANEJO – Chitãozinho & Xororó (tema de Bruno Mezenga)
03. ADMIRÁVEL GADO NOVO – Zé Ramalho (tema do núcleo dos sem-terra)
04. LA FORZA DELLA VITA – Renato Russo (tema do Senador Caxias)
05. EU TE AMO, TE AMO, TE AMO – Roberta Miranda (tema de Léa Mezenga)
06. CORRENTEZA – Djavan (tema de Luana)
07. À PRIMEIRA VISTA – Daniela Mercury (tema de Marcos e Liliana)
08. SEM MEDO DE SER FELIZ – Zezé Di Camargo & Luciano (tema de Ralf)
09. DOCE MISTÉRIO – Leandro & Leonardo (tema de Lia e Pirilampo)
10. VAQUEIRO DE PROFISSÃO – Jair Rodrigues (tema de Zé do Araguaia)
11. THE WOMAN IN ME (NEEDS THE MAN IN YOU) – Shania Twain (tema de Suzane)
12. O QUE VEM A SER FELICIDADE – Orlando Moraes (participação de Dominguinhos) (tema de Rafaela)
13. CIDADE GRANDE – Metrópole
14. CAMINHANDO SÓ – Evara Zan

Trilha Sonora 2

reidogadot2
01. CABECINHA NO OMBRO – Pirilampo & Saracura
02. MIA GIOCONDA – Chrystian & Ralf (participação de Agnaldo Rayol) (tema de Jeremias Berdinazzi)
03. PIRILUME – João Paulo & Daniel
04. NO FIM DO ASFALTO – Orquestra da Terra
05. CORTANDO ESTRADÃO – Pirilampo & Saracura
06. VAGABUNDO – Pirilampo & Saracura
07. SIA MARIQUINHA – Dominguinhos
08. BRASIL POEIRA – Pirilampo & Saracura
09. BOIADEIRO ERRANTE – Pirilampo & Saracura
10. TRAVESSIA DO RIO ARAGUAIA – Pirilampo & Saracura
11. VOCÊ VAI GOSTAR – Pirilampo & Saracura
12. REI DO GADO – Pirilampo & Saracura

Sonoplastia: Aroldo Barros
Produção Musical: André Sperling
Direção Musical: Mariozinho Rocha

Tema de Abertura: REI DO GADO – Orquestra da Terra

Sou desse chão
Onde o rei é peão
Com um laço na mão
Luta, fere, marca
Deixando a ilusão
De que tudo é seu
Com coragem de quem
Vive, luta, sonha

Ser mais feliz e quem sabe será
Voam livres pensamentos seus
Que vão pelo ar ou fazem sonhar
E sentir-se um Deus

Sou desse chão
Sou da terra a raiz
Sou a relva do campo
E prá sempre serei
Sou esse rei
Sou peão laçador
Do sertão sou senhor
Mas por força da lei

Ser mais feliz e quem sabe serei
Voam livres pensamentos meus
Que vão pelo ar ou fazem sonhar
E sentir-me um Deus…

Veja também

  • pantanal_logo

Pantanal

  • renascer_logo

Renascer

  • terranostra_logo

Terra Nostra

  • esperanca_logo

Esperança