Sinopse

Durante a ocupação nazista na França, o aventureiro sheik árabe Omar Ben Nazir viaja ao país para propor aos alemães uma aliança, tornando-se assim inimigo do capitão francês Maurice Dumont. Durante sua estadia, o sheik conhece e se apaixona pela aristocrata francesa Jeanette Legrand, noiva do capitão Dumont, que o repudia.

O sheik rapta Jeanette e a leva para Agadir, cidade do Marrocos na costa do Oceano Atlântico, com a intenção de transformá-la em odalisca. Prisioneira, ela tenta fugir várias vezes. A princesa árabe Eden de Bassora, apaixonada pelo sheik e louca de ciúmes, passa a fazer todo tipo de maldade contra Jeanette. O capitão Dumont não se dá por vencido e resolve resgatar a noiva partindo para o deserto e enfrentando os árabes ocultos em seu caminho.

Enquanto isso, os alemães destacam o terrível general Otto Von Lücken, acompanhado pelo tímido soldado Hans Stauben, para fazer a negociação com os árabes contra os franceses. Entre os alemães está a bela e educada Frieda, apaixonada pelo capitão Dumont e capaz de mudar de lado na guerra para ficar com ele. Também apaixonada por Dumont é a jovem Madelon, que age em favor dos franceses, traindo os árabes.

No acampamento árabe em Agadir, há dois espiões camuflados. Um agente da Gestapo disfarçado, que envia misteriosamente informações aos alemães e ninguém sabe como. E um agente francês conhecido como “o Rato”, por sua destreza ao correr à noite depois de estrangular sua vítima, sempre usando luvas pretas. Após o estrangulamento, o Rato deixava uma tarântula negra junto ao corpo do cadáver.

Ao final, os mistérios são desvendados. O Rato era a princesa Eden de Bassora, que fingia ser paralítica em uma cadeira de rodas para poder agir. Cada vez que percebia que o sheik estava em perigo, ela matava. E o agente da Gestapo era o soldado Stauber. Finalmente acontece o duelo entre o sheik e o capitão francês: quem vencer fica com Jeanette Legrand. O sheik de Agadir vence o capitão Dumont e ganha Jeanette, transformando-a em odalisca.

Globo – 21h30
de 18 de julho de 1966
a 17 de fevereiro de 1967
155 capítulos

novela de Glória Magadan
baseada no romance Taras Bulba de Nicolai Gógol
direção de Henrique Martins

Novela anterior no horário
Eu Compro Esta Mulher

Novela posterior
A Rainha Louca

HENRIQUE MARTINS – Sheik Omar Ben Nazir
YONÁ MAGALHÃES – Jeanette Legrand
AMILTON FERNANDES – Maurice Dumont
LEILA DINIZ – Madelon
MÁRIO LAGO – Otto Von Lücken
MÁRCIA DE WINDSOR – Frieda
YARA LINS – Valentina
SEBASTIÃO VASCONCELOS- Jean
EMILIANO QUEIRÓZ – Hans Stauben
MARIETA SEVERO – Éden de Bassora
CLÁUDIO MARZO – Marcel Delaporte
SÔNIA FERREIRA
SILVIO ROCHA – Ahmed
LUÍS ORIONI – Legrand
VANDA MARCHETTI – Julieta
ANGELITO MELLO – Ibrahim
PAULO GONÇALVES – Luciano
WALDIR SANTANA

Produção carioca, O Sheik de Agadir foi a primeira novela de sucesso da recém-inaugurada TV Globo.

Dentro do estilo peculiar da autora Glória Magadan, o louro de olhos azuis Henrique Martins foi transformado em um sheik árabe e ficou para sempre marcado pelo personagem. Ele os personagens de Nicolai Gógol passaram a caminhar nas dunas de Cabo Frio e na restinga da Marambaia (RJ), provisoriamente transformadas em deserto.

O primeiro serial killer da TV brasileira foi “o Rato”. O misterioso assassino reduziu consideravelmente o elenco de O Sheik de Agadir, eliminando cruelmente diversos personagens. Apenas um par de luvas negras aparecia em cena, geralmente estrangulando alguém. A TV Globo promoveu um concurso para o público tentar descobrir a identidade do criminoso. Ninguém conseguiu responder à pergunta que era repetida inúmeras vezes: “Quem matou? Quem matou?”. Ao final da novela, a surpreendente revelação: o Rato era, na verdade, uma mulher: a princesa árabe Éden de Bassora, interpretada por Marieta Severo.

Até então incógnito, o Rato já havia aparecido para todos os personagens masculinos e quase todos os femininos. Por isso, diz-se que Glória Magadan acabou encurralada por seu próprio roteiro e foi obrigada a definir a franzina atriz como a criminosa. Fotografias de Marieta Severo, de biquíni, na coluna de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) apregoavam com ironia: “Este é o Rato!”

A jovem atriz, de 19 anos, fazia sua estreia na televisão e comentou o episódio:
“O ano da novela [1966 para 1967] foi também o da minha estreia no teatro e no cinema. O maravilhoso das histórias de novelas dessa época é que não tinham qualquer compromisso com a realidade. Portanto, mesmo não tendo o menor físico para matar, por enforcamento, aqueles agentes nazistas, a minha personagem, Éden, foi a escolhida para ser o misterioso Rato. Antes da verdade ser revelada, ela já fazia todo tipo de maldade contra o personagem da Yoná Magalhães. Para completar, fingia que andava de cadeira de rodas pelas areias do deserto para poder agir. Esta foi a minha primeira vilã.”

O Sheik de Agadir foi a primeira novela de Mário Lago. Comunista assumido, o ator teve que contornar a resistência de Glória Magadan para ser admitido e viver o coronel nazista Otto von Lücken. A autora, uma exilada cubana, era anticastrista (opositora ao regime de Fidel Castro). Mário Lago só foi mantido no elenco por insistência de Walter Clark, então executivo da TV Globo. (Site Memória Globo)

Já o ator Sebastião Vasconcelos não teve a mesma sorte. Ostentando vasta barba e bigode, acabou fora da novela (o personagem foi uma das vítimas do Rato) porque Glória Magadan o achou parecido com Fidel Castro.

Os personagens nazistas ganharam a antipatia do público. Emiliano Queiroz, que vivia o soldado Hans Stauben, foi agredido por uma espectadora enfurecida em uma loja de departamentos em Copacabana, Rio de Janeiro, um dia depois da exibição da cena em que seu vilão assassinou Marcel, o personagem de Cláudio Marzo. (Site Memória Globo)

Henrique Martins, o ator e diretor da novela, comentou:
“Vivemos todos, durante dez dias, na restinga da Marambaia, local escolhido para simular o deserto. E parecia um deserto mesmo, com temperatura de 40 graus durante o dia e um frio terrível à noite. Além disso, faltou água… Uma forte disenteria atacou todo mundo. O que salvou foi o bom humor da equipe e o espírito de solidariedade que existia entre todos. Amilton Fernandes, por exemplo, que era o grande astro, ensaiava figurantes nos intervalos das gravações, sem nenhum estrelismo. Foi ele, inclusive, que me dublou nas cenas em que o sheik cavalgava. Gostei muito de dirigir a novela e interpretar o sheik, apesar de não acreditar em sheik louro de olho azul… Era o texto certo para a época certa. Mas, se formos avaliar com os olhos de hoje, então vamos achar tudo um folhetim, um dramalhão.”

Régis Cardoso, então diretor de imagens de O Sheik de Agadir, mencionou em seu livro “No Princípio Era o Som”:
“Como resolver o problema do deserto? [A produtora] Tatiana Memória nos convidou para visitarmos a Restinga da Marambaia, que era o local mais próximo do Rio, deserto e que poderia representar o Sahara. (…) Eu só poderia trabalhar com as câmeras em determinadas posições, para que não aparecesse o mar que estava ao lado. Optamos então por trabalhar com câmeras baixas, fora dos tripés, para que não se visse o mar ao fundo. (…) Eram 40 tuaregues a cavalo que vinham, iam, brigavam, espadiavam, morriam, guerreavam, depois cada um voltava para a escola. Por que escola? Porque na realidade eram todos garotos de 16 e 17 anos, amigos dos filhos de Tatiana Memória, que, como produtora, os requisitava para facilitar o custo de produção na escola da hípica. Claro que aqueles meninos, com roupas pretas, de longe, pareciam bandidos. Tatiana Memória conseguiu todo um equipamento militar e barracas do exército e autorização para acamparmos durante uma semana no meio da Restinga da Marambaia”.

Segundo Carlos Villa Nova, então chefe do controle mestre da TV Globo, havia uma área do local de gravação que só podia ser acessada em determinados períodos do dia, quando a maré ainda estava baixa. Muitas vezes, quando as gravações atrasavam, a maré subia, e os envolvidos na cena ficavam isolados do resto da equipe durante horas. Quando a maré descia, o trecho tinha que ser atravessado rápido ou havia o perigo de os jipes usados pela produção ficarem atolados na areia. Certa vez, um câmera parou seu jipe para tirar fotos da paisagem marítima. Quando se deu conta, metade do veículo havia afundado na areia. No dia seguinte, o jipe foi resgatado por um guincho do Exército. Devido a incidentes como esse, a iniciativa da emissora de gravar a novela na Restinga de Marambaia foi considerada insana na época. (Site Memória Globo)

Uma das cenas escritas por Glória Magadan mencionava uma metralhadora nazista. Não havia nada parecido à disposição da produção. A solução foi improvisar e construir uma usando três pedaços de cabo de vassoura, três rolos de papel higiênico, fita banana, graxa de sapato preta e cápsula de bala. (Site Memória Globo)

Além de Marieta Severo e Mário Lago, esta foi também a estreia na Globo do ator Amilton Fernandes, muito popular na época por seu trabalho como Albertinho Limonta em O Direito de Nascer, exibida pela TV Tupi e TV Rio, entre 1964 e 1965.

Única novela na Globo da atriz Márcia de Windsor.

Trilha Sonora: LP Panicali e as Novelas
panicalit
01. PONTE DOS SUSPIROS – Lyrio Panicali
02. A ÚLTIMA VALSA – Lyrio Panicali
03. A GRANDE MENTIRA – Lyrio Panicali
04. A GATA DE VISON – Lyrio Panicali
05. O HOMEM PROIBIDO – Lyrio Panicali (tema de Demian)
06. TEMA DE AMOR EM FORMA DE PRELÚDIUO – Manuel Marques (da novela Antônio Maria)
07. A RAINHA LOUCA – Lyrio Panicali
08. O PASSO DOS VENTOS – Lyrio Panicali
09. CABANA DO PAI TOMÁS – Lyrio Panicali
10. A ROSA REBELDE – Lyrio Panicali
11. A SOMBRA DE REBECA – Lyrio Panicali
12. UM DIA SABERÁS (SOMEDAY YOU´LL KNOW) – Erlon Chaves (da novela O Sheik de Agadir)
13. SANGUE E AREIA – Lyrio Panicali
14. MAGIA – Lyrio Panicali e Raymundo Lopes

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