Sinopse

Fugindo da guerra civil na Síria, a família do engenheiro Elias Faiek (Marco Ricca) – a mulher Missade (Ana Cecília Costa) e os filhos Laila (Julia Dalavia) e Khaléd (Rodrigo Vidal) – atravessam a fronteira a pé em direção ao Líbano, onde buscam abrigo em um campo de refugiados em Beirute. Sem perspectiva de futuro e lamentando o que deixou para trás, a família tem planos de comprar passagens para São Paulo, no Brasil, onde mora Rania (Eliane Giardini), prima de Missade.

Em Beirute, mora Aziz Abdallah (Herson Capri), sheik árabe radicado no Líbano. Multimilionário, ele vive com três mulheres: Soraia (Letícia Sabatella), a primeira, mãe de Dalila (Alice Wegmann), e Fairouz (Yasmin Garcez) e Áida (Darília Oliveira), que têm menos importância no harém por terem vindo depois e, assim como Soraia, por nenhuma ter dado ao sheik um filho homem. Na falta de um herdeiro varão, Aziz elege Dalila como a filha preferida. Ele a vê como sua sucessora na presidência das empresas.

Na mansão Abdallah também vivem empregados e homens de confiança do sheik, como o afilhado Jamil Zariff (Renato Góes), regatado em um orfanato ainda criança, com seu primo Houssein (Bruno Cabrerizo), para ter abrigo e estudos em troca de lealdade e dedicação. Por ser leal, Houssein esconde a paixão que sente por Soraia. Jamil é escolhido para se casar com Dalila, que o deseja em segredo desde sempre. O rapaz, no entanto, sonha se casar por amor, rechaçando Dalila, cujo rosto jamais viu.

No campo de refugiados, Aziz Abdallah se encanta por Laila e resolve tomá-la como sua quarta esposa. O sheik propõe um acordo financeiro ao pai da moça em troca de sua mão. Mesmo em uma situação difícil, Elias recusa a proposta. Jamil também se encanta por Laila, em outro momento, e é correspondido. Apesar do interesse por Jamil e da negativa do pai à proposta de Aziz, Laila é forçada a casar-se com o sheik para salvar seu irmão Kháled, mortalmente ferido, e parte para a mansão do sheik.

Soraia se compadece de Laila, já que viveu a mesma situação no passado. Ela anuncia a morte de Kháled, ocorrida logo depois de uma cirurgia de emergência. Sem motivos para seguir adiante no sacrifício de se casar com Aziz, Laila foge da mansão do sheik, com a ajuda de Soraia. Inicia-se então a jornada da moça para escapar da perseguição de Aziz Abdallah. De volta ao campo de refugiados, ela se junta aos seus pais e a família segue para a Grécia, de onde embarca, em um navio, rumo ao Brasil.

Ciente da fuga, Aziz encarrega Jamil de trazer Laila de volta. Ao descobrir que a mulher que deve capturar, a esposa de seu patrão, é a mesma por quem se apaixonou, Jamil decide aceitar a incumbência a fim de protegê-la. Os dois se encontram no navio e combinam de se verem dentro de alguns dias em São Paulo. Ao chegar ao Brasil, sem renda nem o endereço de Rania, a família Faiek é encaminhada para o Instituto Boas-Vindas, uma instituição que apoia e acolhe pessoas em situação de refúgio.

Para ir ao encontro de Jamil, Laila sai do instituto de bicicleta, rumo ao restaurante onde os dois combinaram de se ver, mas é quase atropelada pelo fotógrafo Bruno (Rodrigo Simas). Laila é levada por ele para o hospital. Não tarda para Bruno se apaixonar e ficar impactado com as histórias que ouve de Laila, o que vai mudar sua vida. Interesseira e manipuladora, a namorada de Bruno, Valéria (Bia Arantes), logo percebe que o relacionamento deles estremece com a chegada de Laila.

Globo – 18h
estreia: 2 de abril de 2019

novela de Thelma Guedes e Duca Rachid
escrita com Dora Castellar, Aimar Labaki e Carolina Ziskind
colaboração de Cristina Biscaia
direção de Pedro Peregrino, Alexandre Macedo e Lúcio Tavares
direção geral de André Câmara
direção artística de Gustavo Fernández

Novela anterior no horário
Espelho da Vida

JÚLIA DALAVIA – Laila Faiek
RENATO GÓES – Jamil Zarif
ALICE WEGMANN – Dalila Abdallah
HERSON CAPRI – Aziz Abdallah
LETÍCIA SABATELLA – Soraya Abdallah
BRUNO CABRERIZO – Houssein Zarif
MARCO RICCA – Elias Faiek
ANA CECÍLIA COSTA – Missade Faiek
ELIANE GIARDINI – Rania Anssarah Nasser
PAULO BETTI – Miguel Nasser
RODRIGO SIMAS – Bruno Monte Castelli
MARCELO MÉDICI – Abner Blum
VERÔNICA DEBOM – Sara Roth Fischer
MOUHAMED HARFOUCH – Ali
FLÁVIO MIGLIACCIO – Mamede Al Aud
OSMAR PRADO – Bóris Fischer
BETTY GOFMAN – Eva
NICETTE BRUNO – Ester Blum
DANTON MELLO – Almeidinha (Antonio Carlos Almeida)
EMANUELLE ARAÚJO – Zuleika
ANAJU DORIGON – Camila
GUILHERMINA LIBÂNIO – Cibele
FILIPE BRAGANÇA – Benjamin
BIA ABRANTES – Valéria Augustin
GUILHERME FONTES – Norberto Monte Castelli
LEONA CAVALLI – Teresa
CARMO DALLA VECCHIA – Paul Abbás
CAROL CASTRO – Helena Torquato
LUANA MARTAU – Latifa
ÂNGELO COIMBRA – Padre Zoran
PAULA BURLAMAQUI – Drª Letícia Monteiro
EDUARDO MOSSRI – Faruq Murad
ALLAN SOUZA LIMA – Youssef Abdallah
LOLA FANUCCI – Muna
SIMONE GUTIERREZ – Aline
GLICÉRIO DO ROSÁRIO – Caetano
LEANDRO FIRMINO – Tomás
VITOR THIRÉ – Davi Roth Fischer
ELI FERREIRA – Marie Patchou
BLAISE MUSIPÈRE – Jean-Baptiste Enfant
KAYSAR DADOUR – Fauze
YASMIN GARCEZ – Fairouz
DARÍLIA OLIVEIRA – Áida
CRISTIANE AMORIM – Santinha
LUCIANO SALLES – Dr. Rogério Pessoa
o menino RAFAEL SUN – Arturzinho
e
ÁLVARO BRANDÃO – Ahmed (garoto, filho de Samira)
AMIR HADDAD – Tito (avô de Laila)
BEATRICE SAYD – Samira (ajuda Laila a fugir dos capangas de Aziz, no início)
BETH BERARDO – Nádia (tia de Laila)
CLAIRE DIGONN – Zaira (avó de Laila)
RAFAEL SIEG – Rodrigo Torquato
RAQUEL FABBRI – Estela (garçonete amiga de Laila)
RODRIGO VIDAL – Khaled Faiek
THALES MIRANDA – Arturzinho (primeira fase)

A dupla Thelma Guedes e Duca Rachid iria estrear no horário das nove em 2017, após A Força do Querer, com uma novela que tinha O Homem Errado como título de trabalho. Ainda em 2016, depois dos primeiros blocos de capítulos entregues para a avaliação da Globo, a produção foi cancelada. As autoras então prepararam uma nova trama para as 18 horas, Órfãos da TerraSal da Terra era o título provisório -, que, a princípio, sucederia Orgulho e Paixão em 2018, mas foi protelada para depois de Espelho da Vida, e estreou em abril de 2019.

Perguntada como surgiu a inspiração para escrever Órfãos da Terra, contou Duca Rachid:
“Ao pesquisar sobre esse assunto, tivemos contato com histórias de pessoas de vários lugares, ouvimos relatos impactantes, e isso foi nos comovendo muito. A gente foi pensando em como contar essa história do ponto de vista do folhetim, da influência cultural e da história de superação dessas pessoas, que é muito bonita.”

O diretor artístico Gustavo Fernández comentou sobre a proposta realista da novela:
“Temos a preocupação de não reforçar estereótipos. A maneira como o tema vem sendo tratado é muito consistente. Para nos aproximarmos dessa realidade, teremos, por exemplo, refugiados reais em cena, tanto na figuração quanto no elenco, como é o caso de Kaysar Dadour e também o Blaise Musipère, ator congolês que faz um haitiano.”
Kaysar Dadour, refugiado sírio, ficou conhecido no Brasil quando participou do BBB 18, em 2018.

Sobre a estética da novela, assim definiu Gustavo Fernández:
“Nós definimos uma linguagem muito própria para os primeiros momentos marcantes da trama. No campo de refugiados, optamos por uma imagem mais sépia e dramática. Já no núcleo de Aziz, o tom predominante é o branco e verde oliva, deixando o ar mais sóbrio, com muita influência mediterrânea. Já quando o núcleo protagonista desembarca no Brasil, a novela ganha mais cor com uma paleta plural e diversificada, retratando esse país que acolhe as diferentes culturas.

Além da pesquisa em livros especializados, as áreas de produção de arte e de cenografia contaram com o auxílio de consultores das etnias retratadas na história, que trouxeram uma rica referência sobre objetos típicos dessas culturas. Na casa dos Fischer e da família Blum, o núcleo judaico da trama, a produtora de arte Nininha de Médicis investiu nos principais itens desse povo.
“Em geral, no lar dessas famílias temos a Hamsá, uma espécie de escudo contra o mau-olhado, e também a Menorá, um castiçal que representa a luz de Torá. Outros símbolos, como a Estrela de Davi, também compõem os ambientes”, contou ela.

Segundo a cenógrafa Danielly Ramos, a principal referência para o núcleo sírio-libanês é Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes, com sua riqueza e modernidade. Em São Paulo, o destaque é a Vila Mariana, bairro conhecido por abrigar diferentes culturas e atrair públicos de diferentes estilos. Construída nos Estúdios da Globo, a cidade cenográfica de seis mil metros quadrados é formada por um centro comercial, com acesso ao metrô e ao trem; a Importadora Nasser, comandada por Miguel (Paulo Betti), que comercializa itens do Oriente Médio; a casa de chá Aletria, de propriedade de Ali (Mohammed Harfouch); além das residências das famílias que ali vivem. O estilo arquitetônico do bairro é eclético, já que cada casa se molda ao estilo de sua cultura.

Outro lar de destaque é a residência do sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que, na história, fica em Beirute. Para representá-lo, foi escolhido o Palácio Quitandinha, um marco arquitetônico de Petrópolis, no Rio de Janeiro. O antigo hotel-cassino, construído nos anos 1940, em estilo normando, tem salões grandiosos espalhados por seus 50 mil metros quadrados.
“A novela vai apresentar esse universo do sheik de uma forma moderna e minimalista. Muitos tons de dourado, bege e ouro velho compõem a decoração da mansão de Aziz, além de flores em tons discretos como branco e verde”, afirmou Nininha de Médicis.

Após Petrópolis, a equipe da novela aterrissou com cerca de 100 figurantes em São Paulo, cidade que ambienta a história. No topo do edifício Martinelli, construção dos anos 1920, foram feitas as cenas do reencontro do casal protagonista, Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia), no Brasil. Outras sequências foram produzidas em regiões como o Centro, Vila Mariana, Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e no bairro da Liberdade, onde uma mesquita foi usada como locação. A equipe da novela ainda gravou as cenas que marcam a travessia feita pela família Faiek, em Arraial do Cabo, na região litorânea do Rio de Janeiro, e a bordo de um transatlântico, no percurso entre o Rio e São Paulo.

Para as cenas do campo de refugiados, para onde a família Faiek foge depois do bombardeio, a equipe de cenografia e produção de arte construiu um campo cenográfico em uma área de 15 mil metros quadrados, no bairro de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro. As gravações duraram uma semana e envolveram mais de 300 figurantes, sendo 30 de origem árabe. A novela selou um acordo de parceria técnica com o ACNUR – Agência da ONU para Refugiados, que contou com a colaboração de uma arquiteta da agência para a montagem do campo cenográfico, com a disponibilização de uniformes e tendas reais de operações humanitárias e com o compartilhamento de informações sobre o contexto de deslocamento forçado e integração sociocultural das pessoas refugiadas.

A caracterizadora Gilvete Santos compôs o conceito visual de personagens de diferentes culturas retratadas na novela. Ela destacou o visual da libanesa Dalila (Alice Wegmann) como um dos mais elaborados, clean, porém marcante.
“Dalila vem com uma pele linda, muito rímel e um traço roxo no delineador, além de muito blush em tons terrosos ou rosa, e uma boca natural”, definiu.
A tatuagem de Dalila é sua marca registrada e também foi idealizada por Gilvete: “A inscrição em árabe no seu pulso esquerdo significa “vida e fogo”, o que traduz a personalidade da herdeira do sheik”.
Todas as tatuagens são produzidas pelo departamento de efeitos especiais dos Estúdios da Globo e aplicadas com o método de estêncil, de fácil remoção.
Em relação à ala masculina da novela, Gilvete apostou em barba e cabelos mais curtos. A ideia veio do visual dos jogadores de futebol árabes, adotado pelos capangas do sheik, como Fauze (Kaysar Dadour) e Houssein (Bruno Cabrerizo).
O hijab, lenço marcante da cultura árabe, tem protagonismo no conceito definido pela equipe de figurino liderada por Mariana Sued. A figurinista apostou também em batas bordadas e com aplicações de pedras.

AINDA AQUI SONHANDO – Léo Cavalcanti
ALGO PARECIDO – Skank
AS MINA DE SAMPA – Rita Lee
DIÁSPORA – Tribalistas
ONDE DEUS POSSA ME OUVIR – Ana Vilela
SÃO PAULO – Mallu Magalhães
TÔ – Tom Zé
TODO DIA – Roberta Campos
LA BEL HAKI – Adonis
LA DEMOISELLE – Musipere
LIFNEY SHE´YIGAMER – Idan Raichel
QUÉ VENDRÁ – Zaz
RAKSIT LEILA – Mashrou’ Leila
SATURDAY SUN – Vance Joy
SISTER – Tracey Thorn e Corinne Bailey Rae

Tema de Abertura: DIÁSPORA – Tribalistas

Acalmou a tormenta, pereceram
O que a estes mares ontem se arriscaram
E vivem os que por um amor tremeram
E dos céus os destinos esperaram

Atravessamos o mar Egeu
Um barco cheio de fariseus
Com os cubanos, sírios, ciganos
Como romanos sem coliseu
Atravessamos pro outro lado
No rio vermelho do mar sagrado
Os center shoppings superlotados
De retirantes refugiados

Where are you?

Onde está
Meu irmão sem irmã
O meu filho sem pai
Minha mãe sem avó
Dando a mão pra ninguém
Sem lugar pra ficar
Os meninos sem paz
Onde estás meu Senhor
Onde estás? Onde estás?

Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito
Que embalde desde então corre o infinito
Onde estás, Senhor Deus?

Where are you?

Veja também

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