Sinopse

A pequena cidade de Resplendor, na Chapada Diamantina, é palco das disputas políticas entre as famílias Pontes e Batista. Murilo Pontes ia se casar com Pilar Farias, por quem o herdeiro dos Batista, Jerônimo, também era apaixonado. No dia do casamento, Pilar diz não em pleno altar, por desconfiar que Murilo era o pai da criança que Eliane, sua melhor amiga, estava esperando.

Desejando vingança, Pilar se casa com Jerônimo, inimigo de Murilo, enquanto este se casa com Hilda, uma jovem que sempre o amara. Dessa união nasce Leonardo, e Murilo vai seguir carreira política em Brasília, enquanto Pilar tem uma filha, Marina, e fica viúva. A filha de Eliane nasce, mas a mãe morre no parto, Pilar assume a educação da menina e a batiza com o nome da mãe, Eliane.

Vinte e cinco anos depois, Murilo está de volta a Resplendor e reencontra Pilar querendo fazer de sua filha Marina a prefeita da cidade, destino que ele reservara para seu filho Leonardo. Porém, os dois não contam que seus filhos, ao se conhecerem, se apaixonam e têm de esconder esse amor por causa da rivalidade entre seus pais. Rivalidade essa que esconde um amor mal resolvido.

Contudo, os Pontes e os Batista terão na briga pelo comando de Resplendor um adversário perigoso: Cândido Alegria, que enriqueceu roubando e matando o amigo português Benvindo Soares e que nutre uma paixão por Pilar. Para conseguir o que quer – a prefeitura e o coração da amada – Cândido conta com a ajuda da ambiciosa Eliane, a agregada dos Batista, que nem desconfia que ele é o seu verdadeiro pai.

Resplendor ainda recebe a visita do misterioso fotógrafo Jorge Tadeu, que se ocupa em fotografar a região e seduzir as mulheres casadas da cidade, entre elas, a esfuziante Rosemary e a abilolada Úrsula, respectivamente nora e filha da intransigente beata Gioconda Pontes; e a sempre eficiente delegada Francisquinha, que na verdade assumiu o cargo do marido Queiroz, que vive doente.

Também se fixa em Resplendor o grupo de ciganos liderado por Yago. A irmã dele, a bela Vida, se apaixona por Carlão Batista, mas tenta fugir dessa paixão por saber que o irmão não permitirá esse envolvimento. Carlão é cunhado de Pilar e proprietário do Grêmio Recreativo Resplendorino, dirigido por seu amigo Adamastor, no qual Murilo Pontes se encontra às escondidas com a prostituta Lola, sua amante.

Globo – 20h
de 6 de janeiro a 31 de julho de 1992
178 capítulos

novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares
colaboração de Márcia Prates e Flávio de Campos
direção de Paulo Ubiratan, Gonzaga Blota, Luiz Fernando Carvalho e Carlos Magalhães
direção geral de Paulo Ubiratan

Novela anterior no horário
O Dono do Mundo

Novela posterior
De Corpo e Alma

LIMA DUARTE – Murilo Pontes
RENATA SORRAH – Pilar Batista
ARMANDO BÓGUS – Cândido Alegria
EVA WILMA – Hilda Pontes
MAURÍCIO MATTAR – Leonardo
ADRIANA ESTEVES – Marina
ELOÍSA MAFALDA – Gioconda
FÁBIO JÚNIOR – Jorge Tadeu
ANDRÉA BELTRÃO – Úrsula
PAULO BETTI – Carlão
LUIZA TOMÉ – Vida
HUMBERTO MARTINS – Yago
CARLA MARINS – Eliane
ARLETE SALLES – Francisquinha
NELSON XAVIER – Delegado Queiróz
PEDRO PAULO RANGEL – Adamastor
TÂNIA ALVES – Lola
MARCO NANINI – Ivonaldo
ELIZÂNGELA – Rosemary
CARLOS DANIEL – Ernesto
SUZANA BORGES – Inês
OSMAR PRADO – Sérgio Cabeleira
CECIL THIRÉ – Kleber Vilares
NÍVEA MARIA – Ximena
ISADORA RIBEIRO – Suzana Frota
MÍRIAN PIRES – Dona Quirina
ÊNIO GONÇALVES – Diamantino
LÍLIA CABRAL – Alva
PAULA BURLAMAQUI – Nair
ANTÔNIO POMPEO – Padre Otoniel
NUNO LEAL MAIA – Laíre
REYNALDO GONZAGA – P.H. (Paulo Henrique)
LÚ MENDONÇA – Nice
RAYMUNDO DE SOUZA – Emanuel (Sete Estrelas)
SELTON MELLO – Bruno
MARIA MARIANA – Olímpia
EDUARDO MOSCOVIS – Tibor
PATRÍCIA FURTADO – Daniela
JACKSON COSTA – Ulisses
TEREZA SEIBLITZ – Jerusa
ROBERTO FROTA – Heraldo
THIAGO JUSTINO – Flô
ILVA NIÑO – Naninha
JOÃO CARLOS BARROSO – Arquibaldo
RICARDO PAVÃO – Seu Bilico
ROSANE GOFMAN – Zuleica
FERNANDO ALMEIDA – Lírio
DANIELA FARIA – Liz
THELMA RESTON – Romena

primeira fase
NELSON BASKERVILLE – Murilo (jovem)
CLÁUDIA SCHER – Pilar (jovem)
FELIPE CAMARGO – Jerônimo Batista (casou-se com Pilar)
FRANCISCO FARINELLI – Cândido (jovem)
BUZA FERRAZ – Benvindo Soares (português roubado pelo amigo Cândido Alegria)
ANDRÉA MURUCCI – Hilda (jovem)
RISA LANDAU – Gioconda (jovem)
DANIEL LOBO – Carlão (menino)
GERALDO DEL REY – pai de Pilar
LUCIANA BRAGA – mãe de Eliane
JACKSON SOUZA – primeiro padre
LEONARDO FERRANO – amigo de Murilo
JENA KOUL – parteira

e
ADELAIDE PALETTE (ADELAIDE CONCEIÇÃO)
AGUINALDO SILVA – entre os turistas que visitam Resplendor para a ver a estátua de pedra de Cândido Alegria, no último capítulo
ALEXANDRE BARBALHO – Donato
ANA MARIA MORETZSOHN – entre os turistas que visitam Resplendor para a ver a estátua de pedra de Cândido Alegria, no último capítulo
CARMEM SANTOS – tia dos portugueses
CHALTON OLIVEIRA
CONCY MADURO – Concy
EDWIGES GAMA
ELIAS GLEIZER – taxista que traz os portugueses a Resplendor
ELISA FREITAS
ÊNIO SANTOS – Dr. Cirilo
FERNANDA LOBO
FLOR DO PIAUÍ
GILDA NERY
KARLA SUITA
LUIZ SANTIAGO
MÁRCIA BARBOSA – Joice
NÉLIA DE ALMEIDA
NETE CABRAL
PAULO UBIRATAN – pretendente que Pilar conhece ao embarcar em uma viagem, no último capítulo
RICARDO FRÓES – Bóris (cigano)
RICARDO LINHARES – entre os turistas que visitam Resplendor para a ver a estátua de pedra de Cândido Alegria, no último capítulo
ROBERTO MORAES – Soldado Arquimedes
ROGÉRIO SAMORA – Miguel
SILVEIRINHA – garçom do grêmio
VIA NEGROMONTE – Feliciana
WALTER BABALU – Genival
Suíla (cigana)

– núcleo de MURILO PONTES (Lima Duarte), que está de volta a Resplendor depois de passar anos vivendo no Distrito Federal:
a mulher HILDA (Eva Wilma)
o filho LEONARDO (Maurício Mattar)
a irmã GIOCONDA (Eloísa Mafalda)
a sobrinha ÚRSULA (Andréa Beltrão), filha de Gioconda, considerada por ela uma “desmiolada”
o sobrinho IVONALDO (Marco Nanini), completamente dominado pela mãe Gioconda
a mulher de Ivonaldo, ROSEMARY (Elizângela), uma perua
a filha de Ivonaldo e Rosemary, DANIELA (Patrícia Furtado)
os empregados HERALDO (Roberto Frota) e sua filha JERUSA (Tereza Seiblitz).

– núcleo de PILAR BATISTA (Renata Sorrah), antiga paixão de Murilo Pontes, hoje inimigos:
a filha MARINA (Adriana Esteves), que se apaixona por Leonardo
o cunhado boa-vida CARLÃO (Paulo Betti)
a bisavó de Marina, DONA QUIRINA (Mírian Pires)
a agregada ELIANE (Carla Marins), garota ambiciosa
o médico de Dona Quirina e amigo de Pilar, DIAMANTINO (Ênio Gonçalves), apaixonado por ela
os empregados da casa NANINHA (Ilva Niño) e FLÔ (Thiago Justino).

– núcleo de CÂNDIDO ALEGRIA (Armando Bógus), dono do hotel fazenda da cidade. Homem perigoso que almeja a prefeitura de Resplendor e o coração de Pilar Batista. Eliane se une a ele para conseguir o que quer:
os empregados do hotel fazenda NICE (Lú Mendonça) e seu filho BRUNO (Selton Mello)
o pistoleiro EMANUEL, conhecido como SETE ESTRELAS (Raymundo de Souza), torna-se capanga de Cândido Alegria. É o pai de Bruno e tenta se aproximar do filho, contra a vontade de Nice.

– núcleo do Grêmio Recreativo Resplendorino, de propriedade de Carlão:
o administrador ADAMASTOR (Pedro Paulo Rangel), amigo e confidente de Carlão
as prostitutas LOLA (Tânia Alves), a preferida de Murilo Pontes,
ALVA (Lília Cabral), NAIR (Paula Burlamaqui) e CONCY (Concy Maduro)
o irmão de Lola, SÉRGIO CABELEIRA (Osmar Prado), que se sente atraído pela lua em noites de lua cheia.

– núcleo do acampamento cigano:
o chefe dos ciganos YAGO (Humberto Martins), que envolve-se com Eliane
sua irmã VIDA (Luiza Tomé), que apaixona-se por Carlão desafiando as tradições ciganas
os demais ciganos TIBOR (Eduardo Moscovis), que apaixona-se por Daniela,
ROMENA (Thelma Reston), BÓRIS (Ricardo Fróes) e SUÍLA.

– núcleo de DONA FRANCISQUINHA (Arlete Salles), que comanda a delegacia de Resplendor:
o marido QUEIRÓZ (Nelson Xavier), o delegado, que deixa a mulher exercer sua função em seu lugar por ela considerá-lo muito doente
o filho ULISSES (Jackson Costa), apaixona-se por Jerusa
o ajudante na delegacia ARQUIBALDO (João Carlos Barroso)
a amante de Queiróz, ZULEICA (Rosane Gofman), com quem ele tem outra família – aparece no final da novela.

– núcleo do prefeito KLEBER VILARES (Cecil Thiré), dentista de Resplendor:
a mulher XIMENA (Nívea Maria)
a filha OLÍMPIA (Marina Mariana), apaixona-se por Bruno
os amigos de Olímpia, LIZ (Daniela Faria) e LÍRIO (Fernando Almeida).

– núcleo de SUZANA FROTA (Isadora Ribeiro), cujo marido (que nunca aparece) vive trancado no quarto, moribundo:
o enfermeiro de seu marido, BILICO (Ricardo Pavão).

– núcleo dos irmãos portugueses que vêm a Resplendor reaver a fortuna do pai, BENVINDO SOARES (Buza Ferraz), que morreu misteriosamente no passado. Na realidade ele fora morto por Cândido Alegria, que roubou a fortuna do português:
os irmãos ERNESTO (Carlos Daniel) e INÊS (Suzana Borges).

– demais personagens:
o misterioso fotógrafo JORGE TADEU (Fábio Jr.), que mesmo depois de morto enlouquece de paixão as mulheres de Resplendor, em especial Úrsula, Francisquinha, Rosemary, Ximena e Suzana
o PADRE OTONIEL (Antônio Pompeo), novo pároco de Resplendor que sofre com a resistência de Gioconda que não aceita um padre negro na paróquia da cidade
os policiais LAÍRE (Nuno Leal Maia) e PAULO HENRIQUE, o P.H. (Reynaldo Gonzaga) que chegam na fase final da novela para investigar a morte de Jorge Tadeu.

Segunda coprodução da TV Globo com uma emissora europeia. A primeira foi Lua Cheia de Amor, em 1990-1991. Dessa vez, a RTP, televisão estatal portuguesa, financiou 20% da produção. Algumas cenas foram gravadas em Lisboa e dois atores portugueses vieram especialmente para o Brasil para fazer parte do elenco: Carlos Daniel e Suzana Borges, que surgiram na história no capítulo 30, como os irmãos Ernesto e Inês.

Aguinaldo Silva dividiu a autoria da novela com Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. Outra obra do autor marcada pelo realismo fantástico, em entrechos curiosos e divertidos, como a flor de Jorge Tadeu (Fábio Jr.), que enlouquecia de desejo as mulheres que a comiam; a figura de Sérgio Cabeleira (Osmar Prado), homem que sofria a cada lua cheia por se sentir fortemente atraído por ela, a ponto de ter que ficar preso ou amarrado; e Dona Quirina (Mírian Pires), mulher de 120 anos de idade e memória prodigiosa.

A princípio, Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn apresentaram Pedra Sobre Pedra ao diretor Paulo Ubiratan como minissérie, em 1990. Avaliada como “vasta demais para uma minissérie” pelo diretor, a ideia foi engavetada e a dupla optou, na ocasião, por adaptar o romance Riacho Doce (de José Lins do Rêgo) para a faixa das 22h30. (**)

Um momento marcante foi a encenação do Auto de Nossa Senhora da Luz (padroeira da fictícia cidadezinha de Resplendor, onde acontecia a trama), em um capítulo especial (o 152). A produção envolveu 700 pessoas e a participação de todo o elenco. Esse capítulo foi transformado em especial de fim de ano, exibido em 23/12/1992 (cinco meses após o término da novela), logo após o capítulo da novela das oito da época, De Corpo e Alma.
Flávio de Campos, colaborador de Aguinaldo Silva e seus parceiros, responsável pelo texto deste especial, introduziu dois novos personagens, dentre eles, um menino de rua, que deu o gancho para a exibição das cenas da novela, editadas para um programa de 50 minutos. (**)

Muitos foram os destaques no elenco, com personagens marcantes. Armando Bógus fechou sua carreira em novelas com uma de suas melhores interpretações: o vilão Cândido Alegria, pelo qual foi eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor ator de televisão em 1992. Cândido Alegria protagonizou, no último capítulo, uma das melhores sequências da novela, quando, derrotado e praguejando, se transforma em uma estátua de pedra.
Bógus ficou muito doente durante a produção e Aguinaldo Silva decidiu diminuir as entradas e falas do ator para poupá-lo. Porém, ele reclamou, alegando que suportaria as gravações em ritmo normal e levou o papel até o fim brilhantemente. Essa foi a última novela do ator, que faleceu no ano seguinte, em 02/05/1993, aos 63 anos, vítima de leucemia.

Lima Duarte foi premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1992. Pedra Sobre Pedra levou o prêmio de melhor novela.

O personagem de Lima Duarte, Murilo Pontes, retornou em uma participação especial em outro trabalho de Aguinaldo Silva: em A Indomada (1997), ele apareceu em uma partida de pôquer em Greenville, cenário dessa trama.

A estreia de Pedra Sobre Pedra reacendeu a briga entre os autores Dias Gomes e Aguinaldo Silva da época da novela Roque Santeiro (1985-1986), escrita pelos dois. Em dezembro de 1991, quando começaram as chamadas de Pedra Sobre Pedra, Roque Santeiro estava sendo reprisada à tarde. As semelhanças entre as duas tramas não passaram despercebidas pelo público e pela mídia. Aguinaldo Silva se justificou: “Resplendor é uma cidade pequena que tem delegado, padre, beatas. É o meu universo ficcional, o que não significa que esteja me repetindo.”
A Globo precipitou o término da reprise de Roque Santeiro, finalizada na semana anterior à estreia de Pedra Sobre Pedra (em 06/01/1992).
Aguinaldo Silva, em entrevista ao Jornal do Brasil após o início de sua novela, revelou que Dias Gomes enviara a um dos diretores da Globo um exemplar de sua peça, “O Berço do Herói”, que serviu de base para Roque Santeiro, acompanhado de um recado irônico: “Se era para copiar, que copiassem do original.”
Aguinaldo declarou: “Se eu tivesse que copiar algum dramaturgo da família Gomes, escolheria, claro, o melhor, a Janete Clair.”
Pouco tempo depois, o Jornal do Brasil deu voz a Dias Gomes, que classificou Aguinaldo como megalômano e disse considerar a declaração sobre Janete Clair um desrespeito à memória da novelista: “Tendo sido ela uma pessoa de muito bom gosto, não iria reencarnar em pessoa tão feia por dentro e por fora.”
Em meio ao imbróglio, Aguinaldo Silva criou uma cena recheada de ironia, unindo Roque Santeiro e Pedra Sobre Pedra. A empregada Naninha (Ilva Niño) exclamava ao ouvirem chamar Pilar Batista (Renata Sorrah), sua patroa, de “viúva”: “Não chama ela de viúva que ela detesta. Viúva era a outra”, em uma alusão a Porcina (Regina Duarte), protagonista de Roque Santeiro e patroa de Mina, também vivida por Ilva Niño. (**)
A paz entre os autores foi selada em 1999, pouco antes da morte de Dias Gomes.

O “retratista” Jorge Tadeu tornou-se um dos personagens mais lembrados de Fábio Júnior na televisão. O cantor e ator estava de volta à TV, com um papel em novelas, após um hiato de seis anos (a última novela completa havia sido Roque Santeiro, em 1986). Fábio havia decidido dar um tempo na carreira de ator para dedicar-se à música e só aceitou retornar porque pôde conciliar sua agenda de cantor às gravações da novela. Entre suas exigências, estavam um roteiro de gravações que lhe ocupasse por apenas dois dias a cada quinzena e a divulgação dos shows de sua turnê “Intuição” na programação da Globo. (**)

A morte de Jorge Tadeu rendeu outro momento inesquecível de Pedra Sobre Pedra. A cena, de três minutos de duração, demorou seis horas para ser executada. Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, com colaboração de Antônio Jayro Fagundes, psicólogo especialista em animais, a tomada contou com 146 borboletas monarcas, que pousavam sobre o corpo do dublê de Fábio Júnior, besuntado com mel.
Em entrevista sobre os bastidores da gravação, o diretor traduziu a essência da cena: “As borboletas são atraídas pelo cheiro desprendido pelo corpo de Jorge Tadeu. Bebem o sangue de seu peito e levantam voo, como se levassem a alma do fotógrafo.” (**)

Na trama fantástica de Pedra Sobre Pedra, Jorge Tadeu urinava constantemente em um arbusto, na praça central de Resplendor, que se contorcia e dava risada. O especialista em efeitos especiais Domingos Utimura concebeu um molde de silicone de um arbusto de fícus e, posteriormente, o reproduziu em resina. Substituiu o miolo do tronco por cabos de aço flexíveis que, acionados por controle remoto, movimentavam as folhas, sendo estas verdadeiras.
Para a sequência em que a pequena planta cresce e torna-se uma árvore frondosa, quatro homens, munidos de balões de oxigênio, entraram em um buraco, para dentro do qual puxaram a árvore de fícus. A cena foi exibida ao contrário, passando a impressão de que a planta estava brotando. Câmeras de ar infladas permitiram o efeito da calçada sendo destruída pela raiz da árvore e um plástico no entorno, coberto com terra, passava a impressão de que havia um tremor no momento em que surgira a planta. (**)

Outro entrecho envolvendo Jorge Tadeu que divertiu o público era a sua flor, o antúrio, que trazia de volta o personagem falecido quando comido pelas mulheres que haviam sido suas amantes em vida. O antúrio entrou moda por causa da novela. Até então muito usada para decorar igrejas, a flor passou a figurar entre as mais vendidas nas floriculturas, e servia como brincadeira, já que quem a recebia era associado ao simbolismo erótico denotado na novela. (**)

Para dar vida a Francisquinha, mulher valente que assumiu a delegacia de Resplendor substituindo o marido delegado, a atriz Arlete Salles teve de aprender a andar de lambreta, veículo usado pela personagem. (*)

Para interpretar Sérgio Cabeleira, Osmar Prado teve como primeira referência o filme Kaos (1984), dos Irmãos Taviani, indicação do diretor Luiz Fernando Carvalho para ajudá-lo na composição de seu personagem. (*)

Nívea Maria homenageou a mãe com sua interpretação de Ximena, a primeira-dama de Resplendor. Fazer da personagem uma portuguesa inserida em um contexto nordestino foi uma sugestão da própria atriz ao diretor Paulo Ubiratan, que aprovou a ideia. (*)

O diretor Paulo Ubiratan fez uma participação no último capítulo da novela, como um pretendente que Pilar Batista (Renata Sorrah) conhece ao embarcar em uma viagem.

Primeira novela da atriz Daniela Faria e dos atores Eduardo Moscovis, Jackson Costa e Nelson Baskerville.
Primeira novela na Globo do veterano ator Ênio Gonçalves.

Curiosamente, o nome da atriz Andrea Avancini apareceu creditado na abertura durante toda a novela, apesar de ela nunca ter atuado. Provavelmente foi escalada, mas não chegou a participar.

Pedra Sobre Pedra fez sucesso em Cuba, onde foi exibida com o título Te Odio Mi Amor. Por conta do personagem Murilo Pontes, que fumava charutos, Lima Duarte, em visita ao país, esteve em uma tradicional fábrica de charutos, onde foi bem recebido pelos funcionários. Segundo o ator, o que conquistou o público cubano foi a relação de amor e ódio entre seu personagem e o de Renata Sorrah. Daí o título da novela. (*)

Pedra Sobre Pedra teve a maior cidade cenográfica construída até então, na qual foi utilizado, pela primeira vez, um calçamento em pé-de-moleque de verdade, colocado sobre uma base de concreto, para não ser danificado por chuva ou lama.
A construção do acampamento cigano, com três tendas de 60 m², exigiu um rigoroso trabalho de pesquisa. Na construção da gruta de 1.500 m², onde os personagens de Adriana Esteves (Marina) e Maurício Mattar (Leonardo) se encontravam às escondidas, a produção fez uso de fibra de vidro e materiais naturais, como pedra e areia.
Uma das dificuldades da produção foi o número de locais de gravação: a cidade de Lençóis (BA), onde a equipe teve de escalar despenhadeiros com equipamento às costas; os municípios fluminenses de Volta Redonda, Valença e Vassouras; e o Alto da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro. (*)

A equipe de produção mobilizou 70 pessoas, entre atores, técnicos e produtores, para as tomadas no Parque Nacional da Chapada Diamantina, região central da Bahia. Dois caminhões com 80 toneladas de equipamento deram suporte às gravações, em locais inóspitos como a gruta da Pratinha, no distrito de Santa Rita, e na cachoeira Poço do Diabo, a 20km de Lençóis. (**)

João Neto, responsável pelos efeitos especiais da novela, utilizou 120 mil litros de água, de nove carros-pipas, para simular a forte chuva que marcara a primeira noite de amor de Carlão (Paulo Betti) e Vida (Luiza Tomé). Três caminhões de terra vermelha foram utilizados para criar a lama que tomara as ruas de Resplendor após o temporal. (**)

Para a abertura da novela, o designer gráfico Hans Donner misturou elementos naturais com a forma feminina, em imagens que se encaixavam, ou se fundiam, como já fizera na abertura de Tieta, em 1989. Fez uso da computação gráfica e transformou o corpo nu da modelo Mônica Fraga em rochas e montanhas. As gravações da abertura foram feitas em Lençóis, na Chapada Diamantina (BA), onde a paisagem natural era ideal para a montagem desejada. Depois, em computador, as pernas de Mônica se transformavam nas margens de um rio, e seu rosto e colo ganharam o contorno da chapada, coberta por vegetação. (*)
Posteriormente, Mônica Fraga participou como atriz em algumas novelas.

Resplendor e Garimpo foram títulos cogitados para Pedra Sobre Pedra. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 10/04 e 11/08/1995.
Também ganhou uma reprise no Viva (canal de TV por assinatura pertencente ao Grupo Globo), de 26/01 a 22/08/2015, às 14h30.

(*) Site Memória Globo
(**) Pesquisa: Duh Secco

Trilha Sonora 1

01. ENTRE A SERPENTE E A ESTRELA (AMARILLO BY MORNING) – Zé Ramalho (tema de Murilo Pontes)
02. O HOMEM QUE AMEI (SOMEONE THAT I USED TO LOVE) – Fafá de Belém (tema de Pilar Batista)
03. CABECINHA NO OMBRO – Fagner e Roberta Miranda (tema de Jorge Tadeu)
04. DONA DE MIM – 14 Bis (tema de Sérgio Cabeleira)
05. REGRA DO JOGO – Sá & Guarabira (tema de Cândido Alegria)
06. MADANA MOHANA MURARI – Homem de Bem (tema de Úrsula)
07. PEDRAS QUE CANTAM – Fagner (tema de abertura)
08. RESPLENDOR – André Sperling (tema do Delegado Queiróz)
09. O QUE A NOITE FAZ – Elba Ramalho (tema de Lola)
10. ESSE AMOR – Danilo Caymmi (tema de Leonardo)
11. MEDO – André Sperling
12. HERDEIRA DA NOITE – Itamara Koorax (tema de Marina)
13. COMO SE FOSSE – Jim Porto (tema de Daniela e Tibor)
14. VIDA CIGANA – Instrumental (tema dos ciganos)

Trilha Sonora 2

01. PERGUNTE PRO SEU CORAÇÃO – Roberto Carlos (tema de Leonardo e Marina)
02. OUTONO – Djavan (tema de Leonardo e Marina)
03. PASSION – Gipsy Kings (tema de Eliane e Yago)
04. TOMARA – Alceu Valença (tema de Resplendor)
05. NEGRINHO DO PASTOREIRO – Be Happy (tema de Alva)
06. NOTURNO EM MI BEMOL MAIOR, OP. 9, Nº 2 – The Philadelphia Orchestra (tema de Hilda)
07. FAZ DE MIM – Dominguinhos (tema de Carlão e Vida)
08. BRINCAR DE SER FELIZ – Chitãozinho & Xororó (tema de Daniela e Tibor)
09. TE AMO – Wanderléa (tema de Ulisses e Jerusa)
10. FANTASIA – André Sperling (tema de Vida)
11. VALSA – Carlos Paredes (tema de Inês e Ernesto)
12. RITMO DO CORAÇÃO (TRACK OF SPEED) – Instrumental

Sonoplastia: Aroldo Barros
Produção Musical: André Sperling
Direção Musical: Mariozinho Rocha

tema de Abertura: PEDRAS QUE CANTAM – Fagner

Quem é rico mora na praia
Mas quem trabalha nem tem onde morar
Quem não chora dorme com fome
Mas quem tem nome joga a prata no ar

Oh, tempo duro no oriente
Oh, tempo escuro na memória
O tempo é quente e o dragão é voraz
Vamos embora de repente
Vamos embora sem demora
Vamos pra frente que pra trás não dá mais

Pra ser feliz num lugar
Pra sorrir e cantar
Tanta coisa a gente inventa
Mas no dia em que a poesia se arrebenta
É que as pedras vão cantar…

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