Sinopse

Cinco casais de diferentes gerações se entrechocam com suas histórias: Alice e Jorge, Júlia e Chico, Laura e Raul, Odete e Fonseca, Dona Carmem e o General Flores.

Alice e Jorge vivem felizes após oito anos de um casamento que todos consideram perfeito. Entretanto, a dificuldade de ter um filho traz à tona apreensões que o casal não consegue superar. Como os dois não discutem os problemas, a situação se torna insustentável, com a supervalorização de pequenos incidentes que causam irritação e acabam por levar à violência.

Laura, irmã de Alice, tenta manter sua independência a todo preço, mesmo sacrificando sua relação com Raul. Ele, por sua vez, considera o casamento a única opção possível para os dois. Enquanto isso o General Flores e Dona Carmem, pais de Alice e Laura, mantêm há muitos anos um relacionamento tranquilo, e o jovem casal Júlia e Chico decidem abrir a relação na tentativa de salvar o casamento.

Globo – 22h
de 12 de julho a 6 de agosto de 1982
20 capítulos

minissérie de Euclydes Marinho
concepção de Euclydes Marinho e Daniel Filho
colaboração de Denise Bandeira e Tânia Lamarca
direção de Daniel Filho e Denis Carvalho

CLÁUDIO MARZO – Jorge Camargo
MARÍLIA PÊRA – Alice Flores Camargo
DENISE DUMONT – Júlia
DANIEL DANTAS – Chico
SUSANA VIEIRA – Laura
DIONÍSIO AZEVEDO – General Aurélio Flores
NORMA GERALDY – Dona Carmem
HUGO CARVANA – Fonseca
TÂNIA SCHER – Odete
BUZA FERRAZ – Luca Santhiago
PAULO VILLAÇA – Raul
a menina MONIQUE CURY – Ângela
e
ANA MARIA NASCIMENTO E SILVA – Sandra Vergueiro (vizinha de Jorge na Barra, com quem ele tem um caso)
ÂNGELA LEAL – Yara (namorada do passado de Jorge que ele achava que tivesse engravidado)
EUCLYDES MARINHO – bandido que assalta Alice
FELIPE PINHEIRO – Bruno (colega de trabalho de Chico)
FELIPE WAGNER – chefe de Júlia no jornal
GIOVANNA GOLD – Renata (namorada de Chico)
GRACINDO JÚNIOR – Marcelo Gusmão (antigo colega de colégio de Alice)
ILVA NIÑO – Helena (empregada de Dona Carmem)
JOHN HERBERT – Marianinho (amigo de Fonseca com quem ele, Odete, Jorge e Alice fazem um passeio de barco)
JOSÉ DE ABREU – médico que faz o aborto em Alice
LUCA DE CASTRO – amigo de Chico
MARLENE FIGUEIRÓ – Sueli (empregada de Alice no apartamento da Barra)
NINA DE PÁDUA – médica que dignostica a gravidez de Alice
PAULO RAMOS – Davi (marido de Sandra)
PAULO VILLANUEVA – Cláudio (colega de trabalho de Alice)
ROBERTO FROTA – delegado que localiza o carro abandonado de Jorge
SÍLVIA BANDEIRA – mulher de Marianinho
VERA HOLTZ – atendente na livraria do aeroporto
Glória (vizinha grávida de Dona Carmem)
Ivete (empregada de Alice no início)
Léa (recepcionista na clínica de Jorge)
apoio
CLÁUDIO EUDES
ELSA ANDRADE
FÁTIMA CAMATTA
FLÁVIO FREITAS
GENIVAL DIAS
LETÍCIA MARQUES
MÁRCIO BANDARRA
MÔNICA ALVES
OTHON NETO
WILMA DE LEONAH

Um dos mais bem elaborados produtos da Rede Globo, em que tudo atingiu a tônica certa. Texto, elenco, produção e direção, em um verdadeiro acerto de contas. Um brilhante exercício de fazer televisão e mais uma exibição do amor assumido ao veículo pelo diretor Daniel Filho.
Nenhum gigantismo, nem arroubos de imaginação, muito menos a pretensão de impor um modelo de vida no enfoque central. Tão criterioso em sua concepção que em nenhum momento o autor e o diretor resvalam em falar sobre machismo e feminismo, tentando defender essa ou aquela ideia. (“Memória da Telenovela Brasileira”, Ismael Fernandes)

A inspiração para a minissérie surgiu da ampla repercussão do caso Doca Street, playboy que, em 1976, assassinou a tiros a socialite mineira Ângela Diniz, que ele alegou ter matado por amor. Seu julgamento mobilizou a opinião pública na época. O título da minissérie veio da frase que apareceu pichada em muros de Belo Horizonte: “Quem ama não mata”.

No primeiro capítulo fica evidente que alguém morreu – Jorge (Cláudio Marzo) ou Alice (Marília Pêra). Permanecem no ar duas perguntas: “quem matou?” e “quem morreu?”. A sombra do crime é o elemento de ligação entre as várias histórias de amor. Gravaram-se e editaram-se dois finais – cada um com um assassino diferente. Somente na hora de ir ao ar, o diretor Daniel Filho decidiu qual deles apresentar. O escolhido foi aquele em que Jorge assassina Alice. O outro desfecho foi exibido depois, no Fantástico.

Sobre o desfecho da trama, o autor Euclydes Marinho contou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“Eu sempre quis o final que acabou indo ao ar, o final mais próximo à realidade, porque, normalmente, é o homem que mata a mulher. Na maioria dos casos passionais, é o homem que mata. Por isso eu era a favor do final em que o Jorge era o assassino, porque era o mais real.”

Por seu trabalho em Quem Ama Não Mata, Marília Pêra foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor atriz de 1982 (juntamente com Irene Ravache, pela novela Sol de Verão, Cleyde Yáconis, pela novela Ninho da Serpente e Tânia Alves, pela minissérie Lampião e Maria Bonita).

Daniel Filho mencionou em seu livro “O Circo Eletrônico”:
Quem Ama Não Mata é uma história que contém, tanto para mim quanto para Euclydes Marinho, momentos quase autobiográficos. A ideia era de nós dois, tínhamos o que falar sobre esse assunto.(…) Na minha opinião, os dois eram culpados por aquela morte, um passivamente e outro ativamente, tanto é que gravamos dois finais totalmente plausíveis.”

Euclydes Marinho considera Quem Ama Não Mata o seu melhor trabalho, o mais bem realizado. Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, o autor confidenciou o quanto foi autobiográfico em sua trama:
“Uma das histórias eu havia acabado de viver com minha mulher na época. Ela era atriz e me disse que tinha se apaixonado pelo ator com o qual contracenava em um filme que estava fazendo. Eu perguntei: ‘E agora, como é que se faz?’. E ela me disse: ‘Eu te amo’. Durante algum tempo, eu banquei aquela história. Falei: ‘Ok, você está apaixonada por ele. Está comigo, mas está com ele também. Vamos ver no que isso vai dar’. Até que, uma hora, não aguentei, porque tudo tem limite.”
O autor reproduziu essa situação na minissérie, por meio do casal Júlia e Chico, interpretado por Denise Dumont e Daniel Dantas. Buza Ferraz fez o ator com quem Júlia se envolve. Denise Dumont era a mulher de Euclydes Marinho na época, que inspirou a personagem Júlia. Ou seja, ela viveu na ficção o que havia passado na realidade, estava fazendo o papel dela própria.
Perguntado sobre como conseguiu transpor para a ficção um drama tão íntimo, Euclydes respondeu: “Foram litros de uísque, quilos de substâncias tóxicas. Foi muita rasgação de coração. Escrevi com sangue mesmo.”

Euclydes Marinho revelou ainda (ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”) que a escalação do elenco foi complicada. Sônia Braga faria o papel que Marília Pêra acabou fazendo, mas a atriz largou tudo uma semana antes de começar as gravações.
Já Daniel Filho queria o casal de atores José Wilker e Renée de Vielmond para o casal protagonista, com quem o diretor havia recém trabalhado na novela Brilhante. Porém, Euclydes insistiu no nome de Cláudio Marzo:
“Eu queria um ator que passasse a imagem de uma pessoa comum. O Wilker, quando era mais jovem, tinha um distanciamento dos personagens, ele os criticava. (…) É uma característica do pessoal que teve sua formação nos anos 1960, 1970, em um teatro brechtiano, no qual existia a questão do distanciamento, de se separar do personagem. Mas eu precisava de um ator que entrasse na história, não um que ficasse de fora. E o Daniel, boquirroto, falou para o Wilker: ‘O Euclydes não quis você!’ Conclusão, o cara ficou vinte anos com bronca de mim. Só fomos nos falar em Desejos de Mulher (2002,).”

Como no início da minissérie a narrativa enfatizava a rotina dos personagens, Daniel Filho criou um recurso para reforçar a expectativa do público em torno do assassinato. A vinheta que fechava cada bloco, antes dos comerciais, terminava com o impacto de um tiro, acentuando a ideia de uma tragédia que viria a acontecer.

O principal cenário era o apartamento do casal protagonista, que ia se formando à medida que a história se desenrolava e se desfazendo enquanto o desenlace acontecia. Daniel Filho explicou no livro “O Circo Eletrônico”:
“O apartamento começava vazio e ia se mobiliando à medida que aquele casal conseguia se equilibrar financeiramente e ia se estabelecendo. Depois, quando vem a crise conjugal, ocorre o inverso, aquilo vai decaindo, vai desmanchando. Acho interessante porque ficou uma cenografia dinâmica, que acompanhava a história. Talvez as pessoas nem percebessem, mas acho que isso valorizou a dramaturgia.”

O apartamento de Jorge e Alice se interligava, como se fizesse parte de um apartamento de verdade. O quarto, o corredor, a sala, o banheiro, todos os cômodos se comunicavam, com câmeras instaladas por toda a parte. Assim, era possível gravar uma cena em que o personagem saía do quarto, ia para o banheiro, entrava pelo corredor e aparecia na sala, sem cortes. (Site Memória Globo)

De acordo com o “Almanaque da TV” (de Bia Braune e Rixa), o primeiro par de seios a aparecer na televisão, em toda sua plenitude, foi o da atriz Denise Dumont em Quem Ama Não Mata: Júlia, sua personagem, tirou a blusa no último capítulo da minissérie.

Em uma época que o vocábulo “porrada” era considerado um palavrão de mau gosto, ele foi proferido, pela primeira vez na TV, no último capítulo de Quem Ama Não Mata, na fala do personagem Jorge (Cláudio Marzo) em uma discussão com sua mulher Alice (Marília Pêra): “Eu não sei por que eu não te dou uma surra! Acho que é porque nem porrada você merece!” (“Almanaque da TV”)

Editada em 15 capítulos, a minissérie foi reapresentada, por três semanas, em setembro de 1985, às 22h15.

Em 2015, Euclydes Marinho apresentou a minissérie Felizes Para Sempre?, uma adaptação atualizada de Quem Ama Não Mata.

THE SEDUCTION (“AMERICAN GIGOLO” LOVE THEME) – Giorgio Moroder (tema das chamadas)

Tema de Abertura: SE QUERES SABER – Nana Caymmi

Se queres saber
Se eu te amo ainda
Procura entender
A minha mágoa infinda
Olha bem nos meus olhos
Quando eu falo contigo
E vê quanta coisa
Eles dizem que eu não digo
O olhar de quem ama diz
O que o coração não quer
Nunca mais eu serei feliz
Enquanto vida eu tiver
Se queres saber
Se eu te amo ainda
Procura entender
A minha mágoa infinda
Olha bem nos meus olhos
Quando eu falo contigo
E vê quanta coisa
Eles dizem que eu não digo
O olhar de quem ama diz
O que o coração não quer
Nunca mais eu serei feliz
Enquanto vida eu tiver
Se queres saber
Se eu te amo ainda…

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