Sinopse

Na cidadezinha de Duas Barras, a jovem artista plástica Simone Marques é testemunha da briga entre Cristiano Vilhena, filho de um pobre pregador religioso, e o playboy Gastão Neves, morto no incidente. Sabendo que Cristiano é inocente, Simone encoberta o rapaz, por quem acaba se apaixonando. Receoso de seu destino, Cristiano parte para o Rio de Janeiro para trabalhar no estaleiro do tio rico, Aristides Vilhena. Simone vai também, vislumbrando um melhor futuro para sua carreira artística. Os dois se casam e vão morar na Pensão Palácio, onde já mora o malandro Miro, um sujeito carismático, mas de caráter duvidoso.

Em contato com o universo do tio, Cristiano se vê envolvido com a charmosa Fernanda, uma das acionistas do estaleiro e noiva de seu primo Caio. Dividido entre a vida simples ao lado de Simone e o poder e dinheiro com Fernanda, Cristiano se deixa levar pelas artimanhas de Miro, que lhe propõe o fim de seu relacionamento com Simone, nem que isso custe a vida da moça. Fernanda, completamente apaixonada por Cristiano, deixa Caio para se casar com ele enquanto Miro planeja a morte de Simone, viabilizando assim o casamento de Cristiano, o que o tornaria um dos principais acionistas do estaleiro.

Ao ser perseguida por Miro, Simone sofre um acidente e é dada como morta, enquanto Cristiano, sentindo-se responsável pela morte de sua mulher, não consegue se casar com Fernanda, abandonando-a no altar. Humilhada, Fernanda enlouquece e jura vingança contra Cristiano, atrapalhando-o em seus negócios no estaleiro. E Simone, que sobreviveu ao acidente, faz uma viagem e retorna disfarçada, sob a identidade da irmã falecida, Rosana Reis, consagrada como uma artista famosa. Em uma festa, Cristiano reconhece em Rosana sua mulher, mas ela nega tudo e o repudia, por responsabilizá-lo pelo seu acidente.

Enquanto isso, a polícia está no encalço de Cristiano Vilhena, acusado da morte de Gastão Neves. Simone, que odeia o marido, é a única que pode inocentá-lo. Porém, este ódio esconde o amor que ela ainda sente por ele.

Globo – 20h
de 24 de fevereiro a 22 de agosto de 1986
160 capítulos

novela de Janete Clair
adaptada por Regina Braga e Eloy Araújo
direção de Wálter Avancini (até o capítulo 20),
Denis Carvalho, Ricardo Waddington e José Carlos Pieri
direção geral de Denis Carvalho

Novela anterior no horário
Roque Santeiro

Novela posterior
Roda de Fogo

FERNANDA TORRES – Simone Marques / Rosana Reis
TONY RAMOS – Cristiano Vilhena
CHRISTIANE TORLONI – Fernanda Arruda Campos
MIGUEL FALABELLA – Miro (Argemiro Tavares)
JOSÉ MAYER – Caio Márcio Vilhena
WALMOR CHAGAS – Aristides Vilhena (Tide)
MARIA ZILDA – Laura Vitória
SEBASTIÃO VASCONCELOS – Sebastião Vilhena (Sessé)
YARA LINS – Berenice Vilhena (Berê)
IARA JAMRA – Diva Vilhena
OTÁVIO AUGUSTO – Jorge Moreno
NICETTE BRUNO – Fanny Samar
STÊNIO GARCIA – Mestre Pedro
ROGÉRIO MÁRCICO – Seu Chico (Francisco Marques)
BETH GOULART – Cíntia Vilhena
REYNALDO GONZAGA – Marcelo Varela
MARILENA ANSALDI – Viví
JULIANA CARNEIRO DA CUNHA – Walkíria de Albuquerque Medeiros
DEBORAH EVELYN – Flávia
ANDRÉ FILLIPPI – Guido
TÁSSIA CAMARGO – Joana / Jane
MÁRCIA RODRIGUES – Katzuki
SURA BERDITCHEVSKY – Kátia
ÂNGELA FIGUEIREDO – Beatriz
ODILON WAGNER – Joseph
TÂNIA LOUREIRO – Olga
NEUSA CARIBÉ – Zelinha
ANDRÉ VALLI – Pipoca
ARACY CARDOSO – Irene
PAULO HESSE – Isaac
SÉRGIO ROPPERTO – Abud
REGINA MACEDO – Dona Maria Amélia
LIZA VIEIRA – Clarisse
ÊNIO SANTOS – José Neves
JOYCE DE OLIVEIRA – Sofia
STEPAN NERCESSIAN – Zé (José Ambrósio)
HENRI PAGNOCELLI – Horácio
GLÓRIA CHRISTAL – Terezinha
JACYRA SILVA – Marlene
SEBASTIÃO LEMOS – Pepe
NEUZA BORGES – Creusa
PAULO PINHEIRO – Vitório
DAVID MASSENA – Tonico
a menina ANA SOPHIA SARAH – Fátima
e
ADRIANO REYS – promotor no julgamento de Cristiano
ALFREDO MURPHY – bêbado que tenta assediar Diva quando ela vai trabalhar na boate, em Duas Barras
ANA CÉLIA GURGEL – empregada de Cristiano
ANA MARIA SAGRES – Jandira (empregada de Walkíria)
ANILZA LEONI como ela mesma, ex-vedete que participa do show de Fanny
AURICÉIA ARAÚJO – conhecida de Simone que vai em seu casamento
BEATRIZ VEIGA – Elisa Alves Ribeiro (amiga de Dona Maria Amélia, no início)
BETTY GOFMAN – Monique (filha de Katzuki)
CLÁUDIA WAGNER – auxiliar de cozinha na Pensão Palácio
DIANA MOREL como ela mesma, ex-vedete que participa do show de Fanny
ED HEATH – funcionário da companhia aérea que avisa Laura que sua viagem para Roma foi cancelada a mando de Tide
EDILÁSIO JÚNIOR – Carlos (médico de Fernanda)
ELIAS BREDA – entre os jovens no clube frequentado por Fernanda, Caio e Cíntia, no início
ELIZABETH GASPER – hóspede do hotel com quem Cristiano sai
FÁBIO PILLAR – Mauro
FRANCISCO DANTAS – Perez (ex-empresário de Fanny)
FRANCISCO NAGEN – Maneco (Manuel Lima, taxista que persegue Simone juntamente com Miro)
GUILHERME FONTES – Júnior (amigo de Flávia, namorado de Monique)
HEMÍLCIO FRÓES – médico que atende Laura quando ela finge que tomou remédios para se matar, no início
HILTON PRADO – Sampaio (advogado de Aristides)
IGOR ROBERTO LAGE – Tico (menino que Cíntia e Marcelo adotam)
INÊS GALVÃO como ela mesma, em uma festa na mansão dos Vilhena, acompanhada de Ney Latorraca, no início
ÍRIS BRUZZI como ela mesma, ex-vedete que participa do show de Fanny
IRMA ALVAREZ como ela mesma, ex-vedete que participa do show de Fanny
ISABELA REINERT – Lúcia Rangel (atriz amiga de Jorge que hospeda Simone em seu apartamento quando ela chega ao Rio)
JONAS BLOCH – Werner (tarólogo, amigo de Laura)
JOSÉ STEIMBERG – novo piloto do jatinho contratado por Aristides, no início
JULIANA REIS – Sônia (amiga de Diva)
KAKAO BALBINO – Almeida (funcionário do escritório da Celmu)
KAZÉ AGUIAR – João Paulo
KLEBER DRABLE – Bartolomeu (Bartô, um dos novos maridos de Laura)
LEONARDO JOSÉ – Fernando
LUCA DE CASTRO – Antunes
LUTERO LUIZ – Padre Jaime (da paróquia de Três Barras)
MARCELO GALDINO – Carlos (preso injustamente acusado da morte de Gastão, morre na prisão, no início)
MARCELO IBRAHIM – Gastão Neves (playboy que morre na briga com Cristiano, no início)
MARCOS POSSIDENTE – Nando
MARIA ALVES – Maria (zeladora no prédio onde Simone vai morar no início)
MARIA ZENAIDE – Araci (empregada de Laura)
MAURO RUSSO – motorista de Cristiano
MIGUEL ROSEMBERG – Poli (um dos novos maridos de Laura)
MIGUEL PROENÇA como ele mesmo, pianista no concerto do qual Aristides e Laura são enganados na saída por Cristiano e Miro
NARJARA TURETTA – Lena (Madalena Ribeiro, empregada de Simone, morre no acidente de carro)
NÉLIA PAULA como ela mesma, ex-vedete que participa do show de Fanny
NEY LATORRACA como ele mesmo, em uma festa na mansão dos Vilhena, acompanhado de Inês Galvão, no início
NICOLINO CUPELLO – Gino Ponte (tenor, morador da Pensão Palácio)
OTHON BASTOS – Orestes (delegado de Petrópolis que investiga o acidente de Simone)
PAULO GONÇALVES – Pápi (um dos novos maridos de Laura)
PAULO LEITE – gerente do hotel em que Miro trabalha, contrata Cristiano, no início
PAULO VILLAÇA – juiz no julgamento de Cristiano
RAUL GAZOLA – Oswaldo (motorista de Bartolomeu que se casa com Laura no final)
RICARDO BATISTA – Comissário Torres (da polícia de Duas Barras, investiga a morte de Gastão)
RICARDO WANICK – piloto do jatinho de Tide, com quem Laura tem um caso, é substituído por um piloto mais velho
ROBERTO BATAGLIN – César (irmão de Guido, namorado de Walkíria morto por ela, no início)
RONEY VILELA – Júnior (namorado de Flávia, no início)
SUZANA FAINI – Drª Ana (advogada de Cristiano)
TERESA DUARTE – enfermeira de Simone, no final
VICENTE BARCELLOS – Dr. Sérgio (médico de Flávia)
VICTOR LOPES – sósia de Cristiano
VIRGÍNIA LANE como ela mesma, ex-vedete que participa do show de Fanny
WANDA ALVES – feirante que discute com outra feirante enquanto Diva rouba verduras
WILSON FRAGOSO – Seu Túlio (cego para quem Cristiano trabalha como guia, no início)
YAÇANÃ MARTINS – enfermeira de Fernanda
YOKO SANTIAGO – Nina
ZENI PEREIRA – feirante de quem Diva rouba verduras
Laurinho (filho pequeno de Maria)
apoio
ADELAIDE PALETE
ANTÔNIO CELSO
EGBERTO ALCARY
ELY REIS
HAROLDO HALDY
IRENE ALVES
IVAN CORRÊA
LEONARDO HENRIQUE
LÍDIA IÓRIO
MARTHA MORTERÁ
MOACIR PRINA
RAYMUNDO NETTO
WAGNER VAZ

– núcleo de SIMONE MARQUES (Fernanda Torres), artista plástica moradora de Duas Barras, no interior do Rio de Janeiro. Está prestes a mudar-se para a capital quando conhece um rapaz que muda totalmente sua vida. Mais adiante, vítima de um acidente de carro, é dada como morta. Para esconder-se de todos, assume a identidade de uma falecida irmã, ROSANA REIS, e vai embora do país, até consagrar-se uma famosa artista plástica e retornar:
o pai CHICO (Rogério Márcico), viúvo, alfaiate em Duas Barras, homem severo, faz o possível para proteger a filha
a amiga CLARISSE (Liza Vieira), moradora de Duas Barras, sua confidente
a empregada LENA (Narjara Turetta), que trabalhou em sua casa em Petrópolis por um curto período de tempo. Estava com ela no desastre de carro e acabou morrendo. Simone fez com que confundissem Lena com ela.

– núcleo de CRISTIANO VILHENA (Tony Ramos), rapaz ambicioso. Filho de um pastor evangélico, tocava bumbo nas pregações do pai, na praça central de Duas Barras. Numa briga com um playboy, o rapaz acabou morto, mas Simone, testemunha de tudo, acobertou Cristiano, pois sabia que ele era inocente. Os dois se apaixonaram e ela o levou consigo para o Rio de Janeiro, onde a polícia não o encontraria. Casados, foram viver numa pensão:
os pais SEBASTIÃO (Sebastião Vasconcelos), pastor evangélico rígido que vive uma vida muito simples, quase na miséria, e BERENICE (Yara Lins), mulher submissa ao marido
as irmãs DIVA (Iara Jamra), espalhafatosa e cafona, tem o sonho de morar na cidade grande, e ZELINHA (Neuza Caribé), garota tímida
TONICO (David Massena), namorado de Zelinha que ela conheceu na pensão, quando a família mudou-se para o Rio
HORÁCIO (Henri Pagnocelli), homem abastado que apaixonou-se por Diva
a advogada DRª ANA (Suzana Faini), que o defende da acusação de ter matado o rapaz de Duas Barras
o mordomo VITÓRIO (Paulo Pinheiro), vai trabalhar para ele quando enriquece.

– núcleo de ARISTIDES VILHENA (Walmor Chagas), irmão de Sebastião, tio de Cristiano. Diferente de seu irmão pastor, prosperou na vida e é um homem rico e poderoso, acionista majoritário do estaleiro Celmu. Perdeu o contato com a família do irmão e ficou feliz quando Cristiano o procurou no Rio, contra a vontade de Sebastião, que nunca quis essa aproximação. Aristides arruma um cargo para Cristiano em seu estaleiro e ele ascende profissionalmente. Morre no decorrer da trama:
a segunda mulher, LAURA (Maria Zilda Bethlém), bem mais jovem que ele, dondoca fútil só interessada em luxo, mas alegre e divertida. Com a morte do marido, casa-se outras vezes, sempre com homens mais velhos que acabam falecendo, deixando-a cada vez mais rica com os bens que herda deles
os filhos do primeiro casamento CAIO (José Mayer), rapaz a princípio rude, não aceita a presença de Cristiano e tem ciúmes de sua ascensão dentro da empresa do pai,
e CÍNTIA (Beth Goulart), moça de personalidade forte que tem uma difícil relação com Laura, a quem acusa de ser interesseira
MARCELO (Reynaldo Gonzaga), executivo do estaleiro que casa-se com Cíntia
a secretária OLGA (Tânia Loureiro), tem um caso com Caio no início.

– núcleo de FERNANDA ARRUDA CAMPOS (Christiane Torloni), filha do falecido amigo e sócio de Aristides, é uma das acionistas do estaleiro Celmu, com ações herdadas de seu pai. Noiva de Caio, acaba apaixonando-se perdidamente por Cristiano quando o conhece. Encantado com o universo sofisticado do tio e de Fernanda, Cristiano esconde que já é casado, alimentando as esperanças dela e a antipatia de Caio pelo primo. Mais adiante, achando que Simone está morta, Cristiano marca seu casamento com Fernanda. Porém, sentindo-se culpado pela morte de sua mulher, abandona Fernanda no altar. Ela então enlouquece e passa a nutrir um ódio doentio por ele:
a mãe VIVI (Marilena Ansaldi), que já fora apaixonada por Aristides
a avó MARIA AMÉLIA (Regina Macedo), mãe de Vivi, mora em um sítio em Teresópolis
a amiga KÁTIA (Sura Berditchevsky)
a secretária TEREZINHA (Glória Christal).

– núcleo da Pensão Palácio, onde Cristiano e Simone vão morar quando chegam ao Rio de Janeiro:
a proprietária FANNY (Nicette Bruno), ex-vedete de teatro de revista, mulher alegre e expansiva
os moradores:
MIRO (Miguel Falabella), rapaz de caráter duvidoso mas muito carismático, torna-se amigo de Cristiano com a intenção de tirar proveito. Incentiva ele a procurar o tio rico e, mais tarde, o incita a livrar-se de Simone para casar-se com Fernanda, que é rica. É por causa dele que acontece o acidente que vitima Simone. Fica amigo de Fernanda, mas acaba morrendo no decorrer da trama
IRENE (Aracy Cardoso), viúva que vive com a filha pequena FÁTIMA (Ana Sophia Sarah)
os irmãos ISAAC (Paulo Hesse) e ABUD (Sérgio Ropperto), de origem libanesa, disputavam a atenção e o coração de Irene
o funcionário PIPOCA (André Valli), rapaz sonhador, com alma de artista, ama platonicamente Simone
MARLENE (Jacyra Silva), PEPE (Sebastião Lemos) e CREUZA (Neuza Borges).

– núcleo de JORGE MORENO (Otávio Augusto), diretor de teatro, amigo de Simone, apaixonado por ela. É ele quem a leva para o Rio para que ela se estabeleça na cidade com sua arte:
a ex-mulher WALKÍRIA (Juliana Carneiro da Cunha), fútil e mundana
a filha FLÁVIA (Deborah Evelyn), tem problemas psicológicos, causados por um trauma na infância. A mãe a trata com indiferença
o namorado de Walkíria, CÉSAR (Roberto Bataglin), rapaz bem mais jovem, de caráter duvidoso, sustentado por ela. Walkíria presencia um momento em que César assedia Flávia, e acaba matando-o. Mas não consegue assumir o crime, fazendo com que a culpa recaia sobre a filha, com a justificativa de que ela tem problemas mentais
o irmão de César, GUIDO (André Fillippi), que tenta por a limpo a morte do irmão. Não acredita na culpa de Flávia e os dois acabam apaixonados.

– núcleo de MESTRE PEDRO (Stênio Garcia), funcionário do estaleiro que torna-se amigo de Cristiano. Viúvo, homem simplório e de princípios rígidos:
a filha JOANA (Tássia Camargo), que vive em conflito com o pai, que poda sua liberdade. Sai para divertir-se usando o nome de JANE. Foi namorada de Miro, que exercia forte influência sobre ela
o colega de trabalho (Stepan Nercessian), que acabou envolvendo-se com Joana, com quem casou-se.

– núcleo dos amigos de Rosana Reis, envolvidos com o universo das artes plásticas:
a secretária BEATRIZ (Ângela Figueiredo)
o marchand JOSEPH (Odilon Wagner)
a dona de galeria KATZUKI (Márcia Rodrigues).

– núcleo de GASTÃO NEVES (Marcelo Ibrahim), playboy rico de Duas Barras que acabou morto na briga com Cristiano, no início. A polícia investiga sua morte, já que os pais acreditam que ele foi vítima de assassinato:
os pais JOSÉ NEVES (Ênio Santos) e SOFIA (Joyce de Oliveira).

Remake da novela de sucesso que Janete Clair escreveu em 1972. Na primeira versão, Regina Duarte, Francisco Cuoco e Dina Sfat viveram os papeis principais Simone, Cristiano e Fernanda – personagens interpretados por Fernanda Torres, Tony Ramos e Christiane Torloni nessa regravação.

Embora não registrasse os altos índices de audiência da versão anterior, essa atualização conseguiu manter o Ibope esperado para o horário.

A trama central era inspirada no romance “Uma Tragédia Americana”, de Theodore Dreiser (publicado em 1925), que já havia rendido duas versões cinematográficas: o filme, com o mesmo título do romance original, de Joseph Von Sternberg (1931), com Sylvia Sidney, Philips Holmes e Frances Dee; e o filme Um Lugar ao Sol, de George Stevens (1951), com Shelley Winters, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor.

Os maiores destaques no elenco foram Miguel Falabella, que fez de seu Miro um malandro inesquecível (com direito a um bordão de sucesso: “nhém-nhém”), e Christiane Torloni, brilhante como a vilã Fernanda – prêmio pela repercussão de sua personagem anterior, Jô Penteado de A Gata Comeu.

Ney Latorraca foi convidado pelo diretor Walter Avancini para viver Miro, mas o ator não aceitou. Miguel Falabella ganhou o papel que lhe marcou a carreira. Em depoimento ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo), Falabella afirmou que Avancini queria um Miro diferente do vivido por Carlos Vereza na primeira versão, uma figura gótica e angustiada que ficara no inconsciente coletivo do público. O diretor teria lhe dito:
“Você é louro de olho azul. Não parece um malandro carioca, embora seja carioca. (…) Eu não quero um Miro gótico, quero um Miro anjo, um Miro solar, porque o mau também se mascara de várias formas. Vamos aproveitar esse seu jeito carioca de São Cristóvão e da Ilha do Governador, que tem um dialeto pronto.”
E Falabella complementou: “E eu fiz um Miro alegre, brincalhão, que foi um sucesso imenso.”

Criou-se expectativa para a escolha da atriz que interpretaria a protagonista Simone. O papel ficou com Fernanda Torres, em evidência na época por sua atuação no cinema, em filmes como A Marvada Carne (de André Klotzel), Com Licença, Eu Vou à Luta (de Lui Farias) e Eu Sei Que Vou Te Amar (de Arnaldo Jabor) – pelo qual foi premiada com a Palma de Ouro de melhor atriz em Cannes, em maio de 1986, enquanto atuava em Selva de Pedra.
Entretanto, ao longo da novela, percebeu-se que a escolha não havia sido a mais acertada. Fernanda era jovem demais para o papel (20 anos na época), quando comparada aos seus principais parceiros de cena, Tony Ramos e Christiane Torloni. A atriz parecia pouco à vontade na pele de Simone e acabou “engolida” pela antagonista, Fernanda, vivida com mais estofo por Christiane Torloni. Ao longo do tempo, Fernanda Torres deu várias declarações externando seu desagrado com este trabalho. O fato é que a atriz nunca mais voltou a fazer uma novela inteira.

Na primeira versão da novela, o artifício usado por Simone para disfarçar-se de Rosana Reis foi uma peruca loura, na moda em 1972. Neste remake, Simone apenas mudou o penteado e passou a se vestir com mais sofisticação e a usar lentes de contato azuis, em voga em 1986.

Alguns personagens da primeira versão foram substituídos por outros na regravação, como o Dr. Feliciano D’Avilla (Urbano Lóes), advogado de Cristiano em 1972, que passou a ser a Drª Ana (Suzana Faini) em 1986.
Também foram trocados os nomes de alguns personagens entre uma versão e outra. Em 1972, o namorado de Walkíria (Neuza Amaral) era Sérgio (Eliano de Souza) – no remake o personagem chamou-se César (Roberto Bataglin).

Os adaptadores tiveram de alterar o rumo previsto ao personagem Almeida devido à insatisfação com o desempenho de seu intérprete, Kakao Balbino. Almeida trabalhava no estaleiro da trama e se envolvia com Diva (Iara Jamra). Outro personagem, Horácio (Henri Pagnoncelli), apenas teria como função tumultuar o casamento de Cíntia e Marcelo (Beth Goulart e Reynaldo Gonzaga), mas teve transferidas para si as funções de Almeida em relação a Diva na trama, chegando inclusive a terminar a história ao lado da moça. Na versão original da novela, Diva (Dorinha Duval) terminou ao lado de Hélio Sales (Francisco Milani), funcionário do estaleiro, o papel correspondente a Almeida no remake. (“Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fábio Costa)

Suzana Faini, que viveu Ana, a advogada de Cristiano, havia participado da primeira versão, como Olga, a secretária de Caio. E o ator Francisco Dantas também voltou: em 1972 foi Neves, pai de Gastão, o rapaz assassinado; e em 1986 foi Perez, ex-empresário de Fanny (Nicette Bruno).

Uma das inspirações de Stênio Garcia para a interpretação do pescador Mestre Pedro foi a sua própria experiência na novela Final Feliz (1983), em que viveu Mestre Antônio, também um simplório homem do mar. (Site Memória Globo)

Wálter Avancini dirigiu os vinte primeiros capítulos e foi substituído por Daniel Filho, que finalmente deixou a novela sob a direção geral de Denis Carvalho. A atriz Silvia Bandeira gravou quase um mês como a personagem Laura e foi substituída por Maria Zilda. Silvia tinha sido convidada por Avancini. Quando Daniel Filho assumiu a direção, chamou Maria Zilda, a intérprete que ele queria no papel desde o início.
“Na época, as pessoas diziam que eu tinha sido demitida. Mas era mentira, eu estava envaidecida de ter sido chamada pelo Avancini, mas entendi que o Daniel quisesse a escolhida dele”, disse Silvia. “Claro que é uma decepção para o ator que estuda, se prepara e grava. Mas são águas passadas…”

A Censura Federal proibiu algumas cenas e diálogos e recomendou moderação nas cenas de amor. Havia sequências que sugeriam lesbianismo entre as personagens Fernanda e Cíntia (Christiane Torloni e Beth Goulart), o que provocou reações negativas nos telespectadores, fazendo com que a emissora e os autores reformulassem as cenas.

A abertura foi uma das mais criativas já produzidas pela equipe do artista gráfico Hans Donner: vários prédios brotavam de um chão árido e refletiam em suas vidraças personagens da trama. Ao final, vistos de cima, formavam o rosto de Tony Ramos.
“Na cena final da abertura de Selva de Pedra, duas mil e oitocentas maquetes de prédios formavam o rosto do Tony Ramos – todas feitas a mão. Quem consegue imaginar que a cena foi produzida assim, e não por um computador?”, disse Donner em seu livro “Hans Donner e seu Universo”.

O capítulo de estreia exibiu na abertura a música “Demais”, gravada por Verônica Sabino. O próprio Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) pediu ao produtor musical Mariozinho Rocha que ela fosse substituída por “Rock And Roll Lullaby”, canção que marcou a versão clássica de Selva de Pedra. No remake, a música entrou na versão instrumental, em um arranjo com teclados eletrônicos. Em depoimento ao livro “Teletema, a História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira” (de Guilherme Bryan e Vincent Villari), Mariozinho explicou que, primeiro, Boni não queria “Rock And Roll Lullaby” e, depois, mudou de ideia:
“O Boni disse: ‘Faça o que você quiser, a única coisa que eu não quero é Rock And Roll Lullaby. Isso é da primeira versão de Selva de Pedra e não quero repetir.’ A novela começou (…) e, no dia seguinte, ele mandou tirar e encomendou o instrumental de ‘Rock And Roll Lullaby’. (…) Aí o Geraldo Vespar entrou e fez o arranjo em cima da hora.”
A música “Rock And Roll Lullaby”, gravada por B. J. Thomas em 1972, marcou definitivamente a novela original como o tema romântico de Cristiano e Simone. Até hoje, a canção é associada a Selva de Pedra. A romântica “Demais”, versão de “Yes, It Is”, dos Beatles, gravada por Verônica Sabino, fez sucesso por causa da novela, tocando para as cenas de Simone (Fernanda Torres).

Outro grande sucesso popular advindo da trilha de Selva de Pedra foi “Perigo”, gravado por Zizi Possi. Ao livro “Teletema”, a cantora reclamou que a música tocava demais na novela: “Acabou sendo uma overexposure. Teve um momento que eu não aguentava mais!”
Na trama, era o tema de Fernanda (Christiane Torloni) e, no início, embalava o seu suposto romance homossexual com Cíntia (Beth Goulart).
“Paulinho Lima compôs a letra como sendo uma cantada gay. No começo da novela, antes de se apaixonar por Cristiano, Fernanda tinha um affair com Cíntia. A relação era subentendida: apenas olhares e sorrisos. Porém, quando entravam os versos insinuantes de ‘Perigo’ (‘Nem quero saber / Se o clima é pra romance eu vou deixar correr / De onde isso vem? / Se eu tenho alguma chance a noite vai dizer’) a sonorizar tais olhares e sorrisos, era impossível ao telespectador adulto não entender o que havia ali. (“Teletema”)

Da trilha internacional, repleta de hits das FMs da época, uma curiosidade envolve “Yes”, baba romântica do cantor norte-americano Tim Moore: a música só teve repercussão no Brasil, fazendo com que o cantor passasse três meses por aqui colhendo os louros desse sucesso momentâneo. (“Teletema”)

Primeira novela da atriz Iara Jamra e da atriz e bailarina Marilena Ansaldi. Primeira novela na Globo do ator Paulo Hesse.

O ator Marcelo Ibrahim – que viveu no início da trama Gastão, o rapaz morto em uma briga com o protagonista Cristiano – já havia encerrado sua participação na novela quando faleceu em 03/07/1986, enquanto a produção ainda estava no ar. Vítima de infecção generalizada, ele estava prestes a completar 24 anos de idade.
Após Selva de Pedra, Marcelo Ibrahim participou do episódio “Jambo para Matar” da série Armação Ilimitada – que foi dedicado à memória do ator, já que foi exibido após a sua morte.

Em 1984, a TV Manchete levou ao ar a minissérie Viver a Vida, de Manoel Carlos (nada a ver com a novela homônima, da Globo, de 2009), que também tinha como ponto de partida o romance “Uma Tragédia Americana”, o mesmo usado para Selva de Pedra. No elenco da produção da Manchete, o trio central foi vivido por Louise Cardoso, Paulo Castelli e Cláudia Magno.

Outros três sucessos de Janete Clair também foram reeditados: Irmãos Coragem (de 1970-1971), em 1995; Pecado Capital (de 1975-1976), em 1998; e O Astro (de 1977-1978), em 2011.

Reprisada no Viva (canal de TV a cabo pertencente à Rede Globo) a partir de 22/08/2019.

Trilha Sonora Nacional
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01. PERIGO – Zizi Possi (tema de Fernanda)
02. NA SELVA DAS CIDADES – Joe (tema de Cristiano)
03. DEMAIS – Verônica Sabino (tema de Simone)
04. MATE-ME DEPRESSA – Marina (tema de Laura)
05. SEDE DOS MARUJOS – Ivan Lins (tema de Joseph e Beatriz)
06. TUDO EM VOCÊ – Beto Guedes (tema de Diva)
07. TUDO BEM – Lulu Santos (tema de Cíntia)
08. NÁUFRAGOS DO AMOR – Cheque Especial (tema de Caio)
09. MALANDRO AGULHA – Blitz (tema de Miro)
10. MAMÃO COM MEL – Gonzaguinha (tema de Jorge Moreno)
11. A GAROTA DO TEATRO REBOLADO – Zé Rodrix (tema de Fanny)
12. TODA MADRUGADA – Renato Terra
13. ROCK AND ROLL LULLABY – Freesounds (tema de abertura*)

Trilha Sonora Internacional
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01. I’LL NEVER BE (MARIA MAGDALENA) – Sandra (tema de Rosana Reis)
02. BROKEN WINGS – Mr. Mister (tema de Caio e Fernanda)
03. ON THE RUN – Billy Ocean (tema de Miro)
04. THE SWEETEST TABOO – Sade
05. YES – Tim Moore (tema de Cristiano)
06. WEST END GIRLS – Pet Shop Boys
07. ONLY LOVE – Nana Mouskouri (tema de Diva)
08. INBETWEEN DAYS – The Cure (tema de locação)
09. NIKITA – Elton John (tema de Laura)
10. DUEL – Propaganda (tema de locação)
11. DIGUIDIGIT UP – French Connection (featuring Claude Vallois and Judy Kael) (tema de Flávia e Guido)
12. WHEN THE NIGHT CLOSES IN – Secret Service
13. TAKE IN – Mike & The Mechanics (tema de Jane)
14. ROCK AND ROLL LULLABY – B. J. Thomas (tema de Simone e Cristiano)

* O tema de abertura era uma versão instrumental da música

Sonoplastia: José Sobral e Aroldo Barros
Seleção de repertório na trilha internacional: Sérgio Motta
Produção musical: Mariozinho Rocha

Tema de Abertura: ROCK AND ROLL LULLABY – Freesounds*

She was just sixteen and all alone
When I came to be
So we grew up together
My mama child and me
Now things were bad and she was scared
But whenever I would cry
She’d calm my fears and dry my tears
With a rock and roll lullaby

And she’d sing
Sha-la-la-la-la-la-la-la-la
It’ll be alright
Sha-la-la-la-la-la-la-la
Now just hold on tight
Sing it to me mama (my, my, my, my mama)
Sing it sweet and clear
Oh mama, let me hear that old
Rock and roll lullaby

Now we made it through the lonely days
But, Lord, the nights were long
And we’d dream of better mornings
When mama sang the song
Now I can’t recall the words at all
It don’t make sense to try
‘Cause I just knew lots of love came through
In that rock and roll lullaby

And she’d sing
Sha-la-la-la-la-la-la-la-la
It’ll be alright
Sha-la-la-la-la-la-la-la
Now just hold on tight
I can hear you mama (my, my, my, my mama)
Nothing heals my soul
Like the sound of the good old
Rock and roll lullaby…

Veja também

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Selva de Pedra (1972)

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Irmãos Coragem (1995)

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Pecado Capital (1998)

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O Astro (2011)