Sinopse

Na Hungria do século 19, Samuel Mayer, um judeu que salvou a fortuna do pai após seu suicídio, conhece num baile a bela Valéria, filha do conde Egon. Apaixona-se por ela e não sabe como se aproximar. Valéria é fútil, mimada e defensora do catolicismo.

No castelo do conde, Valéria sonha com bailes e um príncipe encantado que a levará ao altar. Ao mesmo tempo, sofre com o irmão, o conde Rodolfo, que passa as noites no carteado e bebendo. Numa noite, a tormenta desce sobre a família cristã. Rodolfo, noivo da bela e nobre Antonieta, chega arrasado e bêbado. Acabara de perder toda a fortuna da família em jogo de cartas. É a ruína se abatendo sobre eles. O conde Egon tenta de todas as maneiras levantar o dinheiro e saldar as dívidas, mas o murmúrio da derrocada já se espalhou pela Hungria. Estão falidos.

A novidade chega aos ouvidos de Samuel Mayer, que resolve fazer uma visita ao castelo. O conde tenta desmentir as fofocas, mas Samuel é incisivo. Imediatamente propõe saldar as dívidas da família em troca da mão de Valéria em casamento. O conde aceita e Valéria repugna a idéia por causa da religião. Obediente ao pai, ela aceita a corte do judeu que passa a visitá-la quase todos os dias. Valéria passa a descobrir em Samuel um homem de caráter bom, nobre e romântico e acaba apaixonada. Marcam o casamento, mas o conde Egon continua inconformado com o que tivera de fazer à filha, casá-la com um judeu!

Durante a primavera, o conde recebe o convite para passar uns dias com a princesa Odila, sua velha amiga. Leva seu filho Rodolfo, de casamento marcado com Antonieta, e a filha Valéria. No castelo da princesa, eles ficam conhecendo o filho dela, o príncipe Raul, nobre e elegante. O príncipe se encanta com Valéria e, junto à mãe, pede a mão dela em casamento. Imediatamente o conde expõe a situação pela qual a família passa. Raul não se importa e resolve pagar todo o dinheiro a Samuel. O conde aceita e livra a filha do vexame de casá-la com um judeu. Mas Valéria não aceita – está apaixonada por Samuel. Por exigência do pai e pela fé cristã, ela acaba cedendo e o casamento é marcado.

Samuel enche-se de ódio e rancor e jura vingança. Na colônia judaica, durante uma festa, conhece Ruth, uma moça oportunista e de caráter duvidoso. Ruth descobre a mágoa de Samuel e resolve aliviá-la entregando-se a ele. Samuel, por vingança, casa-se com Ruth, ao mesmo tempo em que Raul casa-se com Valéria. Coincidentemente, Valéria e Ruth têm filhos no mesmo dia. Samuel providencia a troca das crianças, com a ajuda de seu capanga Estevão. Assim, os cristãos criam o menino judeu, enquanto os judeus criam a filha dos cristãos.

O tempo passa. Rodolfo se casou com Antonieta e tomou juizo, passando a cuidar dos negócios da família dela. Enquanto Valéria vive um casamento feliz com Raul, que é apaixonado pelo filho Egon Jr., Samuel vive infeliz ao lado da filha e de Ruth, que tem um amante, tão inescrupuloso quanto ela. Quando Samuel descobre que Ruth o trai, ela foge de casa levando as jóias da família. Ruth vai morar com o amante que lhe rouba todas as jóias e ateia fogo na casa. Ruth é dada como morta.

Samuel abate-se novamente em tristeza. Tudo vai mudar quando ele conversa com o pai, já falecido, que lhe revela a existência da vida após a morte. Samuel sente-se renascer e resolve estudar o Kardecismo, transformando-se num novo homem: quer fazer o bem. Ruth é descoberta viva e pede que Samuel a visite – ela está à beira da morte, atacada pela febre amarela. Ruth conseguiu fugir no incêndio e conheceu Raul, com quem teve um caso amoroso e uma filha. Mas ele a abandonara. Depois da morte de Ruth, Samuel leva a filha dela para sua casa e resolve cuidar da menina.

Atormentado pelo remorso, Samuel procura Raul e lhe revela a verdade, inclusive a troca de seus filhos. Raul não se conforma em ter criado e amar um menino que é judeu. Transtornado, Raul saca uma pistola e atira em Samuel, mas acaba acertando o filho. Ele fica desesperado, mas aos poucos é convencido por Samuel da vida após a morte e se reconforta estudando a doutrina Kardecista. Raul acaba morrendo e deixa uma carta para Valéria.

Ainda apaixonado, Samuel passa a visitar Valéria tendo sua amizade, não seu amor. Ela ainda o ama, mas acha que ficar com ele é traição ao marido. Valéria lembra-se da carta do marido e a lê. Nela, Raul perde perdão por tudo, fala do amor ao próximo e do quanto ele foi errado na vida. Por fim, abençoa o amor de Valéria e Samuel. Sentindo-se livre da culpa, a cristã procura o judeu e, enfim, o casal podem se amar.

Tupi – 20h
de maio a outubro de 1966

novela de Benedito Ruy Barbosa
baseada no romance A Vingança do Judeu de J. W. Rochester
direção de Wanda Kosmo

Novela anterior no horário
Calúnia

Novela posterior
O Anjo e o Vagabundo

SÉRGIO CARDOSO – Samuel Mayer
ROSAMARIA MURTINHO – Condessa Valéria
WILSON FRAGOSO – Conde Raul
GUY LOUP – Ruth
ELÍSIO DE ALBUQUERQUE – Conde Egon
RILDO GONÇALVES – Conde Rodolfo
LISA NEGRI – Antonieta
CACILDA LANUZA – Princesa Odila
XISTO GUZZI – Barão Kirschberg
TELCY PEREZ – Leib Silberstein
ALEXANDRE SANDRINI – Padre Martinho
RUY REZENDE – Levy
NELLO PINHEIRO – Estêvão (empregado de Samuel)
JÚLIA GREY – Marta (empregada de Valéria)
OLINDO DIAS – Abrahão Mayer (pai de Samuel)
ÊNIO GONÇALVES – Maurício
MARCOS AFONSO – Amadeu
GEORGE COSMO – Egon (neto)
PATRÍCIA AIRES – Violeta (filha de Raul e Ruth)

Um dramalhão transformado em sucesso graças à união no vídeo de Sérgio Cardoso e Rosamaria Murtinho – juntos pela primeira vez em novelas -, que se tornaram os campeões de cartas na emissora, tamanha a popularidade obtida através da novela.

A TV ainda era em preto e branco, mas Sérgio Cardoso usou lentes de contato azuis para viver o judeu Samuel Mayer, de olhos claros.

Wálter George Durst seria o autor mas sua sinopse não foi aprovada pela Colgate-Palmolive, responsável pela produção. A colônia judaica se manifestou contra seu texto dizendo ser anti-semita e exigiu que a novela não fosse ao ar com o mesmo título do romance que a originou, A Vingança do Judeu. O então estreante Benedito Ruy Barbosa assumiu a história, escrevendo sob um outro ponto de vista e com novo título: Somos Todos Irmãos.

Como contratado da Colgate-Palmolive, Benedito Ruy Barbosa, enquanto assinava Somos Todos Irmãos, exibida pela Tupi, supervisionava o texto de Eu Compro Esta Mulher, escrita por Glória Magadan, exibida pela Globo e também produzida pela Colgate-Palmolive.
Até a década de 1960, as novelas (texto, elenco, autores e diretores) eram de responsabilidade dos patrocinadores, e não das emissoras, que apenas entravam com estúdios e parte técnica e as exibiam com exclusividade.

No ano anterior, a TV Record já havia levado ao ar uma novela com o mesmo título. Mas nada tinha a ver com essa produção da Tupi.

Primeira novela da menina Patrícia Aires, filha do ator Percy Aires, de apenas 3 anos na época. Patrícia ganhou notoriedade com seus personagens infantis em novelas, principalmente com A Pequena Órfã, dois anos depois. Desgostosa com o excesso de trabalho e a fama, a atriz mirim logo desistiu da carreira.

Trilha Sonora
somos_tupit
ROUMANIA, ROUMANIA – Leeds Music
I LOVE YOU TOO MUCH – Leeds Music

Veja também

  • anjoeovagabundo

O Anjo e o Vagabundo

  • decimomandamento

O Décimo Mandamento

  • ultimatestemunha

A Última Testemunha

  • algemasdeouro

Algemas de Ouro