Sinopse

Município de Albuquerque, interior de São Paulo, início da década de 1960. A população se agita para receber a visita da cantora Cely Campello e para a eleição da Miss Brasil, em que a conterrânea Maria Teresa, a Tetê, é uma das preferidas. Tetê é uma normalista que sonha morar na capital, mas entra em conflito com o namorado, o ciumento João, rapaz idealista que pretende seguir carreira jornalística. João é filho de Guima, viúvo que corteja a desquitada Olga, mãe de Tetê.

Mederix é um representante da juventude transviada local. Playboy e fã de Elvis Presley e James Dean, ele é líder de um conjunto de rock e está há sete anos no curso científico, para não perder a mesada paterna. O rapaz se envolve com a carioca Betina, moça de costumes mais avançados do que os das meninas de Albuquerque. É amigo de Carneirinho e Caniço. Este, namora escondido Glorinha, que tem um pai que é uma fera, Siqueira, o delegado da cidade, que a turma apelidou de Tom Mix.

O desmemoriado Belchior é uma figura folclórica em Albuquerque. Mendigo, ele passa os dias na praça da cidade, onde coloca no ar uma estação de rádio imaginária, com propagandas, anúncios de filmes em cartaz e um programa. As pessoas que se aproximam são prontamente entrevistadas por ele. Belchior também tem grandes conhecimentos de Matemática e Literatura. Alguns pensam em interná-lo, mas os rapazes, liderados por Mederix, e a doce Irmã Angélica protegem-no.

O dia a dia de Albuquerque é movimentado por outros tipos curiosos: o velho Guimão, pai de Guima, que tenta entrar em contato com os mortos; Acioli, geólogo da Petrobrás que vem à cidade para confirmar a existência de petróleo no solo, muito bem recebido pelo interesseiro prefeito Aquino; as freiras do colégio para moças em contraponto com os padres do colégio para rapazes; e a dupla de fofoqueiras Adelaide e Eulália, que passam o dia ao telefone falando da vida dos moradores da cidade.

Globo – 19h
de 25 de agosto de 1976
a 28 de fevereiro de 1977
160 capítulos

novela de Mário Prata
direção de Régis Cardoso

Novela anterior no horário
Anjo Mau

Novela posterior
Locomotivas

LEONARDO VILLAR – Guima (Alcides Guimarães Filho)
MARIA DELLA COSTA – Olga Mota
FRANÇOISE FORTON – Tetê (Maria Teresa Mota)
RICARDO BLAT – João (João Guimarães)
NEY LATORRACA – Mederix (Antônio Ney Medeiros)
LUIZ ARMANDO QUEIROZ – Belchior Neto
ELIZABETH SAVALA – Irmã Angélica
JOÃO CARLOS BARROSO – Caniço / Tavico (Joel Otávio Mota Jr.)
DJENANE MACHADO – Glorinha (Maria da Glória Siqueira)
MAURO MENDONÇA – Armando Siqueira (Tom Mix)
MARILU BUENO – Mariinha (Maria Antonieta Siqueira)
NUNO LEAL MAIA – Acioli (Ricardo Acioli)
HELOÍSA MILET – Betina
SÔNIA DE PAULA – Ciça (Maria Cecília Mota)
TIÃO D’AVILA – Carneirinho
HELOÍSA RASO – Aninha (Ana Maria)
OSWALDO LOUZADA – Guimão (Alcides Guimarães)
ÊNIO SANTOS – Prefeito Aquino
CÉLIA BIAR – Adelaide
KLEBER MACEDO – Eulália
IDA GOMES – Madre Encarnación
SUELY FRANCO – Irmã Consuelo
ANTÔNIO PATIÑO – Padre Batista (Batistão)
EMILIANO QUEIROZ – Padre Almerindo
CARLOS KROEBER – Frei Damasceno (Damassa)
VIC MILITELLO – Daquinha (Joana Darc da Silva)
TONY FERREIRA – Cabo Fidélis
LUÍS ORIONI – Miguel
CLÁUDIO FONTES – Godinho (Arthur Godinho)

o garoto RICARDO GARCIA – Zé Maria (José Maria Guimarães)

e
ALDO BUENO – policial
ANTÔNIO VICTOR – Olegário
ARTHUR COSTA FILHO – Padre Guido
CELLY CAMPELLO como ela mesma
CLÁUDIO AYRES DA MOTTA – Mr. Gordon / Duarte
DIRCEU RABELO – Zé Maria (adulto, no final)
HENRIQUETA BRIEBA – Vó Zinha
HILTON GOMES como ele mesmo (apresentador do concurso de miss)
JOSE AUGUSTO BRANCO
MARIA DA CONCEIÇÃO – Maria
MARIA GLÓRIA SOARES – Laura (casa-se com Miguel)
MÁRIO PRATA – Mário Alberto (colunista social, jurado no concurso Miss Albuquerque)
MARLY BUENO como ela mesma (apresentadora do concurso de miss)
MURILO NÉRI como ele mesmo (apresentador do concurso de miss)
NEUZA AMARAL
PATRÍCIA BUENO – Sueli
PATRÍCIA MENDES – Leila
PAULO PINHO – Paulo (marido de Glorinha, no final)
PAULO REZENDE
RENATO BASTOS – Orlando
SANDRO POLÔNIO – Comendador Giovanni Fanfani, o Rei do Cacau (casa-se com Aninha)
SILAS GREGÓRIO – Eládio
ZANONI FERRITE – Pepê (Pedro Paulo)
Didi (modelo que Ciça fotografa, no final)
Júnior (namorado que Regina apresenta a Siqueira e Mariinha, no final)
Maria Angélica (filha de Belchior, no final)
Paulo (primo de Mederix em seu apartamento, no final)
Pedro (filho de Guima e Olga, no final)
Regina (filha de Mariinha e Siqueira, no final)
Terê (filha de Glorinha e Caniço, no final)

– núcleo de GUIMA (Leonardo Villar), viúvo conservador, honesto e de moral rígida. Presidente do Albuquerque Tênis Club, onde se reúne a sociedade da pequena e pacata cidade de Albuquerque, no interior de São Paulo. Tenta concorrer à prefeitura nas próximas eleições:
os filhos: JOÃO (Ricardo Blat), rapaz idealista. Gosta de escrever e deseja ser jornalista, mas vive em conflito profissional, não só pelas pressões do pai, que sonha que ele seja médico ou engenheiro, mas também por acreditar que arrumando um trabalho imediato no Banco do Brasil conseguirá convencer a namorada a casar-se e abandonar a ideia de concorrer a um concurso de miss,
e ZÉ MARIA (Ricardo Garcia), o caçula. Garoto aficionado por futebol, está sempre ouvindo as transmissões dos jogos
o pai GUIMÃO (Oswaldo Louzada), idoso aposentado, tem uma permanente preocupação com a morte. Passa horas sobre uma aparelhagem de radioamador acreditando que pode gravar as vozes dos mortos
a empregada DAQUINHA (Vic Militello), na casa desde antes de Zé Maria nascer. Solteira aos 30, é uma moça romântica que sonha se casar. Procura um amor por meio de cartas para o correio sentimental e coleciona as respostas em um arquivo guardado a sete chaves.

– núcleo de OLGA (Maria Della Costa), mulher madura e bonita, sua única distração é acompanhar as filhas aos bailes e festas. Sente-se obrigada a uma vida solitária para evitar comentários dos moradores da cidade, que a olham torto pelo fato de ser desquitada, por isso está sempre preocupada em andar na linha para não dar motivos para falatório. Reluta em aceitar o flerte de Guima, mas acaba cedendo, ainda que às escondidas:
os filhos: MARIA TERESA, a TETÊ (Françoise Forton), bela estudante normalista, namorada de João. Sonha ser eleita miss Brasil, mais como desculpa para mudar-se para a cidade grande. Porém, o namorado ciumento se coloca contra seus planos,
CIÇA (Sônia de Paula), normalista mimada e voluntariosa. Dedica-se pouco aos estudos, estando mais preocupada em brigar com as colegas e conquistar a simpatia das freiras do colégio,
e JOEL OTÁVIO, o TAVICO, apelidado pelos amigos de CANIÇO (João Carlos Barroso), rapaz distraído e desajeitado, pouco afeito aos estudos, mais interessado em gazetear aula
a sobrinha BETINA (Heloísa Milet), bela carioca que chega a Albuquerque para fazer uma pesquisa de Sociologia. Por ser da cidade grande, tem costumes mais avançados que os das meninas locais, o que provoca alvoroço entre os jovens.

– núcleo de MEDERIX (Ney Latorraca), típico playboy rebelde sem causa, fã de Elvis Presley e James Dean. Dono de uma lambreta que chama de Brigitte, em referência à sua ídola Brigitte Bardot. Está sempre mascando chiclete e usa gomalina no cabelo, blusão de couro preto, jeans apertado e botinas. Está há sete anos no curso científico (atual ensino médio) para não perder a mesada paterna. É líder do conjunto de rock Personélitis Bóis e mentor da turma de rapazes que arquiteta planos para agitar a cidade. Interessa-se por Betina assim que a conhece:
seus amigos: João, filho de Guima, Caniço, filho e Olga,
e CARNEIRINHO (Tião D’Ávila), seu braço-direito. Totalmente sem personalidade, é um entrega-recados.

– núcleo de SIQUEIRA (Mauro Mendonça), delegado da cidade. Autoritário, conservador e reacionário, preza pela ordem e pelas regras, agindo como quem tudo sabe. Gosta de contar piadas, das quais é o único a achar graça. Foi apelidado pela turma de Mederix de TOM MIX:
a mulher MARIINHA (Marilu Bueno), uma das dez mais elegantes de Albuquerque. Fútil e vaidosa, tem uma coleção de perucas. Dedicada ao marido e ao lar, aos poucos vai ganhando consciência feminista, passando a desafiar a caretice de Siqueira
a filha GLORINHA (Djenane Machado), garota esperta, espevitada e sonsa, tenta driblar a vigilância do pai. Fuma às escondidas e mantem um namoro com Caniço sob segredo, já que o pai a proíbe de namorar
a melhor amiga de Glorinha, ANINHA (Heloísa Raso), sua confidente, tão sonsa quanto ela. Namora Carneirinho, também escondida
o CABO FIDÉLIS (Tony Ferreira), seu ajudante na delegacia. Alto e forte, é metido a xerife. Além das funções normais, faz ainda o serviço de guarda de trânsito e fiscal da praça onde a turma de Mederix se reúne. É apaixonado por Daquinha.

– núcleo do colégio de freiras, onde estudam as moças de Albuquerque:
MADRE ENCARNACIÓN (Ida Gomes), a diretora. Asmática e meio surda. Muito austera na disciplina escolar, exige o máximo das alunas
IRMÃ CONSUELO (Suely Franco), professora de Ciências. Também a responsável pelas questões disciplinares do colégio, sendo que a sua preocupação maior é o comprimento das saias das alunas
IRMÃ ANGÉLICA (Elizabeth Savala), nova professora de Português, substituta de uma freira que faleceu. Tem várias ideias de incentivar as atividades artísticas entre as alunas, como a criação de um grupo de teatro amador, mas não encontra apoio da diretora, que a aconselha a se limitar às suas aulas
MIGUEL (Luís Orioni), antigazeteiro contratado pela diretora para vigiar as alunas. Sua função é surpreender quem mata aula ou usa uniforme colegial fora do horário.

– núcleo do colégio de padres, onde estudam os rapazes de Albuquerque:
PADRE BATISTA (Antonio Patiño), o diretor, chamado pelos alunos de BATISTÃO. Tipo conservador, resistente a novas ideias, procura manter o mesmo tipo de ensino do passado. Além das aulas de Biologia, se ocupa em ouvir as confissões dos demais padres
PADRE ALMERINDO (Emiliano Queiroz), professor de Latim e Espanhol. Responsável pela disciplina do colégio, é conhecido por suas frases de efeito. Apesar de toda a sua rigidez, os alunos estão sempre lhe pregando peças e colando em suas provas
FREI DAMASCENO, que os alunos apelidam de DAMASSA (Carlos Kroeber), novo professor de História que chega no decorrer da trama com ideias liberais sobre Educação e sobre a Igreja.

– demais personagens:
BELCHIOR (Luiz Armando Queiroz), mendigo desmemoriado que mora na praça principal da cidade. Aparentemente não apresenta qualquer desequilíbrio mental, afora o fato de colocar no ar uma estação de rádio imaginária, com propagandas, anúncios de filmes em cartaz e o programa Telefone Pedindo Bis, em que entrevista quem passa perto. Apareceu sem ninguém saber de onde e isso intriga muita gente, pois possui fartos conhecimentos de Matemática e Literatura. Alguns pensam em interná-lo, mas os rapazes, liderados por Mederix e pela Irmã Angélica, o protegem. Desenvolve por Angélica um amor lúdico. Ao longo da trama, é revelado que trata-se de um engenheiro que veio trabalhar em Albuquerque, mas que perdeu a memória assim que chegou à cidade
PREFEITO AQUINO (Ênio Santos), demagogo interessado apenas em sua reeleição. Solteirão, não perde chance de fazer um galanteio às moças em idade de casar. Com a chegada de Betina, entusiasma-se e passa a cortejá-la
ADELAIDE (Célia Biar) e EULÁLIA (Kleber Macedo), amigas de longa data, a primeira é viúva e a segunda é solteirona. A única distração e maior prazer da dupla é comentar a vida alheia. Quando não estão na janela vigiando o que acontece na rua, passam horas ao telefone fofocando
ACIOLI (Nuno Leal Maia), geólogo da Petrobrás que chega a Albuquerque para pesquisar a existência de petróleo sob o solo da cidade. Rapaz altivo, elegante e de fino trato, chama a atenção das mulheres. Interessa-se por Maria Teresa e passa a assediá-la, o que causa a ira de João. Ao longo da trama, descobre-se que está envolvido na perda de memória de Belchior
GODINHO (Cláudio Fontes), auxiliar e cúmplice de Acioli.

Volta aos anos 60

Um sucesso, Estúpido Cupido foi a primeira novela de Mário Prata, que a iniciou sem grande conhecimento do veículo. No entanto, o autor demonstrou convincente habilidade em armar diálogos, conduzir tramas e apresentar, à época, um passado muito próximo (início da década de 1960), mas extremamente diferente da geração daqueles meados dos anos 70.

Em 1976, o ano de 1961 (quando a trama da novela tem início) parecia um passado remoto. A década e meia que separa as duas datas foi repleta de acontecimentos que viraram o mundo do avesso: a liberação sexual, a Guerra Fria, os Beatles, as drogas, o Golpe Militar, etc. Para o Brasil do Governo Geisel, que marcou o fim do Milagre Econômico e o começo da abertura politica, o início dos anos 60 soava como uma infância encantada. (Tony Góes para a Folha de S. Paulo, 27/02/2016)

De acordo com Mário Prata, uma das inspirações para a novela foi o filme Loucuras de Verão (American Graffiti, de George Lucas, 1973), sobre o mesmo período da década de 1960 nos Estados Unidos: “Percebi que tudo havia acontecido da mesma forma no Brasil”, disse ao autor ao jornal O Estado de S. Paulo de 16/03/2003.

As tramas principais opunham um bando de adolescentes, fãs de lambretas e rock’n’roll, às opressões do mundo adulto. Porém, tudo leve, sem maiores conflitos, afinal, a novela era exibida às 19 horas sob a vigilância da censura do Regime Militar. Mesmo assim, algumas abordagens foram levantadas, como a emancipação da mulher: Maria Teresa (Françoise Forton) queria trabalhar e morar na capital, contrapondo o noivo João (Ricardo Blat), que preferia casar e permanecer no interior. (Tony Góes para a Folha de S. Paulo, 27/02/2016)
Ao longo da trama, o casal chega a um consenso: Tetê cede às pressões do amado e troca o concurso de Miss Universo pelo casamento, mas no final o casal está morando na cidade grande.

A censura do Regime Militar não percebeu, mas os nomes do principal casal romântico jovem eram uma referência ao ex-presidente João Goulart, deposto com o Golpe de 1964, e sua mulher Maria Thereza.

Com o sucesso da novela, todo o país voltou a dançar as músicas dos anos 60, os concursos de twist se multiplicaram em festas e colégios e as moças voltaram a usar saias rodadas e rabo-de-cavalo. Assim como as jaquetas de couro para os rapazes, retratando a geração “juventude transviada”.

Metalinguagem

Estúpido Cupido foi a última novela da Globo produzida em preto e branco. Os seus dois últimos capítulos foram gravados em cores. A novela substituta, Locomotivas, foi a primeira do horário das sete da noite gravada inteiramente colorida.

Os dois últimos capítulos serviram como epílogo da trama, mostrando na atualidade (no ano de 1977) o paradeiro dos personagens cuja história iniciara-se em 1961.

A novela de Mário Prata era autobiográfica, tendo o personagem João Guimarães (Ricardo Blat) como o alter ego do autor. No final da trama, João, que tornara-se conhecido como escritor e dramaturgo, estava ansioso por sua estreia na televisão como autor de novelas (tal qual Prata). No último capítulo de Estúpido Cupido, os personagens se reúnem para assistir à estreia de… Estúpido Cupido – a novela dentro da novela – sobre a qual João baseara-se em sua juventude em Albuquerque, com personagens inspirados em moradores da cidade. Teriam os personagens da novela real sido inspirados em conhecidos de Mário Prata de sua juventude na cidade de Lins, interior de São Paulo (que serviu de inspiração para a fictícia Albuquerque)?

Na última cena, João faz um comentário olhando para a câmera, ouve-se o “Corta!” do diretor e a imagem abre revelando os bastidores de gravação de Estúpido Cupido. Uma metalinguagem que a Globo explorou com mais amplitude na próxima atração das oito, Espelho Mágico, de Lauro César Muniz, que revelava as gravações de uma novela fictícia, Coquetel de Amor – a novela dentro da novela.

Miss Brasil

A produção de Estúpido Cupido reergueu com fidelidade o que fora o concurso Miss Brasil em 1961, gravado no Maracanãzinho com um público de dez mil pessoas, sem que o elenco soubesse o que o roteiro revelaria no final. Nem a atriz Françoise Forton. Manteve-se assim a surpresa exata de Maria Teresa (personagem de Françoise, candidata a miss) como a vencedora.

O diretor Régis Cardoso contou em seu livro “No Princípio Era o Som”:
“Na história em que Françoise Forton é eleita Miss Albuquerque, Miss São Paulo e depois Miss Brasil, eu armei um truque para obter dela como atriz uma reação bem positiva e altamente dramática. (…) Convidei o eterno apresentador Hilton Gomes e a charmosa e eterna apresentadora Marly Bueno, meus amigos. Com pouca publicidade conseguimos colocar dentro do Maracanãzinho cerca de dez mil pessoas (…) Para não se tornar maçante a gravação, eu combinei com todos que deveríamos gravar direto, sem pausas (…) Ninguém sabia o desfecho (…) Antes de começar a gravação das cinco finalistas, fiz uma pequena pausa na gravação, fui pessoalmente ao ouvido de Françoise e disse que ela tiraria segundo lugar porque senão não poderia casar com o galã. Claro que era mentira. (…) Preparei uma câmera dela e quando o Hilton Gomes anunciou o segundo lugar, e que não era ela, a partir de então comecei a gravar seu close de aflição. Se ela não era a segunda, então seria a vencedora. E foi o que aconteceu. Obtive dela uma reação realista ao extremo, até lágrimas de emoção ela deixou cair.”

Elenco

Ney Latorraca caiu no gosto popular com o seu Mederix, personalizando o “rebelde sem causa” dos anos 1960. Com 32 anos na época, o ator viveu um personagem bem mais jovem. Foi ele quem batizou de Brigitte a lambreta de seu personagem, uma referência à atriz francesa Brigitte Bardot, símbolo sexual daquela década.

Ney Latorraca – cujo nome completo é Antônio Ney Latorraca – contou em seu livro “Muito Além do Script”:
“Meu personagem se chamava Antônio Ney Medeiros e o apelido era Mederix. Quando vi as chamadas no ar, não gostei do visual – era um personagem muito maquiado – e resolvi sair da novela. Guta [diretora de elenco da Globo na época] foi lá em casa e me impediu: ‘Que bobagem é essa? Você vai voltar, fazer o trabalho e, se não está satisfeito com o resultado, invente outra maneira de fazer o papel’.
Aí mudei tudo. Fiz o Mederix sem a peruca, sem a maquiagem, com calças pretas super apertadas, botas bem grandes. (…) E Mederix acabou virando um grande sucesso dentro da novela.”

Leonardo Villar e Maria Della Costa viveram um casal romântico maduro, contrastando assim com os demais casaizinhos de jovens namorados.

Célia Biar e Kleber Macedo estiveram impagáveis como Adelaide e Eulália, uma dupla de fofoqueiras de língua afiada que passava o dia trocando telefonemas: o vídeo era dividido ao meio (recurso conhecido como split screen) e o público se divertia com as caretas daquela que contava a fofoca e da outra que ouvia a novidade. O bordões da dupla ficaram populares na época: “Fala danadinha, fala!” e “Pecado! Pecado!”

Elizabeth Savala se recorda dos cortes da censura que sua personagem, a freira Angélica, sofreu e que levou a atriz algumas vezes a Brasília. Na trama, a religiosa de ideias revolucionárias decide montar a peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna. Porém, segundo Savala, a cena foi proibida de ir ao ar por ter um Cristo negro na história. (Site Memória Globo)

Primeira novela das atrizes Vic Militello, Heloísa Milet e Kleber Macedo e dos atores Nuno Leal Maia, Tião D´Avila e Carlos Kroeber.
Primeiro trabalho na Globo da atriz Maria Della Costa e do ator Ricardo Blat.

O ator Joel Barcelos foi escalado e começou a gravar como o mendigo Belchior. Seria sua primeira novela. Porém, pediu demissão logo no início, após um mal-entendido com a produção. Foi substituído por Luiz Armando Queiroz, cuja interpretação de Belchior lhe marcou a carreira. (“No Princípio Era o Som”, Régis Cardoso)

Mário Prata – o autor – chegou a participar em 4 capítulos da novela, como o colunista social Mário Alberto, jurado no concurso Miss Albuquerque. (Revista Contigo nº 210)

Locação

A cidade de Itaboraí, no Rio de Janeiro, foi escolhida para representar a fictícia Albuquerque, já que sua praça lembrava muito uma típica cidade do interior paulista. (“No Princípio Era o Som”, Régis Cardoso)

O nome Albuquerque é uma referência à cidade onde o autor Mário Prata cresceu, Lins (no interior paulista), antigamente chamada de Albuquerque Lins. Prata é mineiro de Uberaba, mas cresceu em Lins. O autor voltou a usar o nome Albuquerque para ambientar outra novela: Bang Bang, em 2005.

Abertura e trilha sonora

A abertura (a última gravada em preto e branco) marcou época: cartões recortados com fotos de jovens ou ícones dos anos 1960 (como Elvis Presley, o Papa João XXIII, concurso de miss, jaquetas de couro, lambretas e carrões) que se movimentavam, dançavam ou interagiam.

Mário Prata idealizou sua novela com o título Parece Que Foi Ontem. Os personagens, inclusive, repetem algumas vezes a frase “Parece que foi ontem!” em suas falas, nos primeiros e últimos capítulos. Mário Prata queria a música homônima, interpretada por Caetano Veloso, na abertura. Porém, a direção e o departamento artístico da emissora preferiram a música de Celly Campelo, que deu nome à novela.

O sucesso da música na abertura foi tanto que Celly Campelo saiu do ostracismo e relançou outras canções de sua época áurea como cantora. Celly gravou uma participação especial para a novela, cantando seu sucesso para os jovens de Albuquerque. Ela teve de emagrecer para ficar com o corpo da época na qual era a cantora preferida da juventude.

A trilha sonora nacional de Estúpido Cupido foi a primeira trilha de novela a ultrapassar a marca de 750 mil cópias vendidas. A trilha internacional ficou em segundo lugar entre as campeãs de venda da época. Este recorde foi quebrado dois anos depois, com a trilha internacional de O Astro, que vendeu mais de 850 mil cópias.
O disco Estúpido Cupido Nacional figura em quarto lugar no ranking das trilhas mais vendidas entre as novelas do horário das sete, com 753.062 cópias, perdendo apenas para as trilhas Cambalacho Internacional (3º lugar), Top Model Nacional (2º lugar) e Hipertensão Internacional (1º lugar). (fonte: Vincent Villari)

Em 2001, a Som Livre relançou a trilha sonora nacional de Estúpido Cupido, em CD, na coleção “Campeões de Audiência”, 20 trilhas nacionais de novelas campeãs de vendagem nunca antes lançadas em CD (títulos até 1988, pois no ano seguinte foram lançados os primeiros CDs de novelas).

Exibição

Estúpido Cupido estreou em uma quarta-feira (25/08/1976). Devido ao calendário dos Jogos Olímpicos de 1976 (de Montreal), a TV Globo teve de reeditar os capítulos finais da novela anterior no horário, Anjo Mau, para que o último fosse exibido na terça-feira do dia 24/08/1976, empurrando a estreia de Estúpido Cupido para o dia seguinte, quarta-feira. Seu último capítulo foi ao ar em 28/02/1977, uma segunda-feira.

Estúpido Cupido foi reapresentada entre 21/05/1979 a 04/01/1980, às 13h30 – época em que a faixa Vale a Pena Ver de Novo ainda não tinha esse nome.

Em janeiro de 2024, o Globoplay lançou o Projeto Fragmentos, que disponibiliza novelas incompletas do acervo da Globo, de até 20 capítulos. Nesta primeira leva, foram liberadas O Rebu (1974-1975), Chega Mais (1980), Coração Alado (1980-1981) e Estúpido Cupido – da qual, os capítulos 1, 2, 80, 81, 159 e 160, os únicos disponíveis.

Trilha sonora nacional

01. BANHO DE LUA – Celly Campello (tema de Glorinha)
02. QUEM É? – Osmar Navarro (tema de Belchior)
03. DIANA – Carlos Gonzaga
04. MEU MUNDO CAIU – Maysa (tema de Guima e Olga)
05. BROTO LEGAL – Sérgio Murilo (tema de Mederix, Caniço e Carneirinho)
06. ALGUÉM É BOBO DE ALGUÉM – Wilson Miranda
07. POR UMA NOITE – Stradivarius (tema de Irmã Angélica)
08. RITMO DA CHUVA – Demétrius (tema de Guima e Olga)
09. BOOGIE DO BEBÊ – Tony Campello (tema de Zé Maria)
10. SERENO – Paulo Molin (tema de Belchior)
11. NEURASTÊNICO – Betinho e Seu Conjunto (tema de Guimão)
12. BIQUINI AMARELO – Ronnie Cord (tema de Aninha)
13. TETÊ – Sílvia Telles (tema de Tetê)
14. BATA BABY – Wilson Miranda
15. ELA É CARIOCA – Os Cariocas (tema de Betina)
16. ESTÚPIDO CUPIDO – Celly Campello (tema de abertura)

Sonoplastia: Nestor de Almeida
Coordenação geral: João Araújo
Produção musical: Guto Graça Mello

Trilha sonora internacional

01. BREAKING UP IS HARD TO DO – Neil Sedaka (tema de Mederix)
02. LOVE ME FOREVER – The Playing’s (tema de Daquinha e Cabo Fidélis)
03. BE BOP A LULA – Gene Vincent (tema de Caniço)
04. TUTTI FRUTTI – Little Richard
05. RUBY – Ray Charles (tema de Guima e Olga)
06. TWILIGHT TIME – The Platters (tema de Tetê)
07. AMERICA – Trini Lopez
08. THE TWIST – Chubby Checker
09. SECRETELY – Jimmy Rodgers (tema de Irmã Angélica)
10. TEARS ON MY PILLOW – Little Anthony & The Imperials (tema de Ciça)
11. MISTY – Johnny Mathis (tema de Mederix e Betina)
12. APRIL LOVE – Pat Boone
13. MULTIPLICATION – Bob Darin
14. DON’T BE CRUEL – Elvis Presley
15. PETIT FLEUR – Bob Crosby (tema de Guima e Olga)
16. THE GREEN LEAVES OF SUMMER – The Brothers Four (tema de Belchior)
17. PUPPY LOVE – Paul Anka (tema de Glorinha e Caniço)
18. AL DI LÁ – Emilio Pericoli
19. EVERYBODY LOVES SOMEBODY – Dean Martin
20. BYE BYE LOVE – The Everly Brothers

Coordenação geral: João Araújo
Seleção de repertório: Toninho Paladino e Nestor de Almeida

Tema de abertura: ESTÚPIDO CUPIDO – Celly Campello

Oh Cupido, vê se deixa em paz
Meu coração que já não pode amar
Eu amei há muito tempo atrás
Já cansei de tanto soluçar
Hey, hey, é o fim
Oh Cupido, vá longe de mim

Eu dei meu coração a um belo rapaz
Que prometeu me amar e me fazer feliz
Porém ele me passou pra trás
Meu beijo recusou e meu amor não quis
Hey, hey, é o fim
Oh Cupido, vá longe de mim

Eu vi um coração cansado de chorar
A flecha do amor só traz angústia e a dor

Ai seu Cupido, o meu coração
Não quer saber de mais uma paixão
Por favor, vê se me deixa em paz
Meu pobre coração já não aguenta mais
Hey, hey, é o fim
Oh Cupido, vá longe de mim…

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