Sinopse

Ao chegar à cidade mineira de Poços de Caldas, o misterioso Pardal esconde seu nome verdadeiro e seu passado. Fica amigo de Pedrão, maquinista da estação ferroviária, e faz de um velho vagão de trem a sua residência. Na viagem, conheceu Gibi, garoto fugitivo de um orfanato, e o levou para morar consigo no vagão.

Enquanto exerce sua arte fazendo esculturas de ferro-velho, Pardal conhece e se apaixona pela doce Cristina, simples copeira em uma fábrica de cristais. Porém, Pardal não desconfia que Cristina não é quem realmente diz. Disfarçada, a moça esconde sua verdadeira identidade: Bebel, filha de J. J., o dono da fábrica.

Após a morte do pai, Bebel retornou ao Brasil para tomar conta dos negócios. Desconhecida de todos, infiltrou-se na empresa como copeira para testar a integridade dos funcionários. Enquanto Bebel se apaixona por Pardal, é assediada pelo inescrupuloso Danilo, que tem um relacionamento doentio com Helena, amiga de infância de Bebel.

Ao descobrir a verdadeira identidade de Cristina, Pardal a rejeita, esquecendo-se que ele mesmo tem muito a esconder: é na verdade um arquiteto que, perseguido por  um crime que pensa ter cometido, refugiou-se em Poços de Caldas.

Globo – 18h
de 17 de setembro de 1984
a 13 de abril de 1985
184 capítulos escritos, 179 exibidos

novela de Walther Negrão
colaboração de Alcides Nogueira
direção de Wolf Maya e Fred Confalonieri
direção geral de Wolf Maya

Novela anterior no horário
Amor com Amor se Paga

Novela posterior
A Gata Comeu

TONY RAMOS – Pardal (Paulo Alberto Ramos de Almeida Lima)
CARLA CAMURATTI – Bebel (Maria Isabel Jardim Julião) / Cristina Rocha
CARLOS AUGUSTO STRAZZER – Danilo Nogueira Botelho
DORA PELEGRINO – Helena Porto
ELIAS GLEIZER – Pedrão
LAURA CARDOSO – Carolina
NÍVEA MARIA – Bia (Beatriz Nogueira Botelho)
EDNEY GIOVENAZZI – Álvaro Porto
SUZANA FAINI – Marta Porto
ABRAHÃO FARC – Seu Lau (Wenceslau)
CÁSSIO GABUS MENDES – Edu (Luiz Eduardo)
THAÍS DE CAMPOS – Julinha
JOÃO CARLOS BARROSO – Alvinho (Álvaro Porto Filho)
RODOLFO BOTTINO – Jajá (Jair)
CÁSSIA KISS – Verona (Vera)
VERA GIMENEZ – Lígia
JORGE CHERQUES – Max Pires
ÉLIDA L’ASTORINA – Tuca
DENISE MILFONT – Janda (Jandira)
CÁSSIA FOUREAUX – Rô (Maria do Rosário)
DEBORAH FUCHS – Suzana
TIAGO SANTIAGO – Quim (Joaquim)
ALEXANDRE FROTA – Cecílio
ELIZABETH HENREID – Dona Xida (Maria Aparecida Nogueira Botelho)
OSWALDO CAMPOZANA – Eurico
CLÉA SIMÕES – Cema
GUIDA VIANA – Divina
PAULO CÉSAR GRANDE – Calil
ELIANE MAIA – Ivone
TONY VERMONT – Tio
BETO SUTTER – Caniço

o menino FERNANDO ALMEIDA – Gibi (Gilberto de Souza)

e
AFRÂNIO GAMA – carcereiro na delegacia onde Pardal fica preso
ALFREDO MURPHY – Ernesto (amigo de Álvaro na clínica de reabilitação, no início)
CHICO TENREIRO – Dr. Mauro (médico de Álvaro na clínica de reabilitação, no início)
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Dr. Mário (obstetra de Bebel, substituído pelo Dr. Sérgio)
DAVID PINHEIRO – Macedo (homem para quem Danilo deve dinheiro de jogo)
EDYR DE CASTRO – mãe do menino supostamente atropelado por Pardal, subornada por Max
FELIPE WAGNER – promotor no julgamento de Pardal
FERNANDA CASTRO – Cristina (filhinha de Bebel e Pardal)
GILDA SARMENTO – Jurema (dona da pensão onde Edu vai morar)
JONAS BLOCH – Comandante Ferrari (do navio onde Beatriz embarca para uma viagem à Europa)
JORGE DE SALLES como ele mesmo, entre os artistas plásticos na vernissage de Pardal em São Paulo
JORGE DÓRIA – J. J. (Julião Jardim, pai de Bebel, morre no primeiro capítulo)
JOSÉ PLÍNIO – Carlos (gerente do banco onde Helena faz um empréstimo para Danilo em nome da empresa)
JUAREZ MACHADO como ele mesmo, entre os artistas plásticos na vernissage de Pardal em São Paulo
LUIZ VERRI como ele mesmo, entre os artistas plásticos na vernissage de Pardal em São Paulo
MARCO MIRANDA – delegado quando Pardal é preso em São Paulo
MARCUS VINÍCIUS – um dos companheiros de cela de Pardal, quando ele vai preso
MARIA ALICE MIRANDA – dona da galeria em São Paulo onde Pardal expõe suas obras
MÁRIO MARGUTTI como ele mesmo, entre os artistas plásticos na vernissage de Pardal em São Paulo
MARY DANIEL – Cilica (amiga de Marta e Zuzu, da Liga das Damas Beneméritas)
MIGUEL FALABELLA – Dr. Sérgio (novo obstetra de Bebel, em substituição ao Dr. Mário, no final)
MIGUEL ROSEMBERG – Dr. Noronha (médico que atende Pedrão, depois atende Edu, depois Pedrão de novo)
MOACIR PRINA – Arnaldo (irmão de Zuzu, médico que atende Gibi)
NINA DE PÁDUA – Carmem (mulher de Alfredo, o sobrinho de Max, estava junto quando ele atropelou o garoto)
ROGÉRIO FRÓES – Dr. Geraldo Cunha (novo advogado que Bebel contrata para Pardal)
RUBEM DE BEM – oficial de justiça no julgamento de Pardal
SORAIA D’AVILLA – Rita (amiga de Alvinho, Quim e Cecílio)
SUZANA SALDANHA – Heloísa (mãe de Edu, amiga de Bia)
THELMA RESTON – Zuzu (Zulma, amiga de Marta e Cilica, da Liga das Damas Beneméritas)
VANDA ALVES – enfermeira quando Bebel está internada, no final
VINÍCIUS MARQUES – Alfredo Pires (sobrinho de Max que atropelou o garoto, mas a culpa caiu sobre Pardal)
WALTHER NEGRÃO – com um cliente de Gibi na cadeira de engraxate no Palace Hotel (figuração)
WOLF MAYA – padre que celebra o casamento de Helena e Danilo (apenas a voz)
ZÉ CARLOS DE ANDRADE – Dr. Mendes (primeiro advogado de Pardal)
Inspetor Lima (investiga a morte de Danilo, atropelado por Helena, no final)

– núcleo de PARDAL, ou melhor, PAULO ALBERTO RAMOS DE ALMEIDA LIMA (Tony Ramos), nome que esconde de todos. Aventureiro romântico, de passado misterioso – acusado injustamente de um crime –, está apenas preocupado em conseguir o estritamente necessário à sua sobrevivência. Chega fugitivo a Poços de Caldas, Minas Gerais, viajando de carona no vagão de carga de um trem. Na cidade, aloja-se em um vagão abandonado que, aos poucos, transforma em lar. Para sobreviver, faz esculturas com ferro-velho para vender:
o garoto GIBI (Fernando Almeida), alegre, esperto e muito vivo, que conheceu no mesmo vagão de viagem, pois também estava fugindo, em seu caso, de um orfanato, cansado de esperar que alguém o adotasse
a assistente social IVONE (Eliane Maia), cuida do caso de Gibi, desde seu desaparecimento do orfanato até sua adoção por Pardal.

– núcleo de BEBEL (Carla Camuratti), herdeira de uma fábrica de cristais. Estava desde a infância morando em Portugal. Com a morte do pai, volta ao Brasil para assumir seu lugar na empresa. Foi alertada para tomar cuidado com as pessoas da fábrica. Para testar a integridade dos funcionários e conhecê-los melhor, decide se passar pela humilde copeira CRISTINA. É como Cristina que desperta o amor de Pardal, mas não revela sua verdadeira identidade. Até que é descoberta por ele, que não a perdoa, pondo em cheque esse amor:
o pai J. J. (Jorge Dória, participação), o homem mais rico de Poços de Caldas, sócio majoritário de uma fábrica de cristais. Morre no primeiro capítulo
a amiga portuguesa CAROLINA (Laura Cardoso), foi sua professora e a acompanha há muitos anos. É uma mulher sensata e solidária. Às vezes, assume a posição de mãe postiça, com todos os cuidados e preocupações. Não concorda com a ideia de Bebel de se infiltrar disfarçada na empresa. Torce por seu romance com Pardal
o melhor amigo de J. J., SEU LAU (Abrahão Farc), um dos sócios na fábrica. Judeu tcheco que emigrou para o Brasil, levando consigo a técnica dos cristais. Homem simples, não se envolve com a parte administrativa, preferindo por a mão na massa e moldar seus objetos. Conheceu Bebel ainda menina e nutre um enorme carinho por ela
o executivo da fábrica EURICO (Oswaldo Campozana), de confiança de J. J. e Lau, um tipo ansioso. É cúmplice da farsa de Bebel na empresa
a empregada CEMA (Cléa Simões), que a viu nascer e a criou. Toma conta da casa da família com grande dedicação.

– núcleo de PEDRÃO (Elias Gleizer), maquinista de trem afastado do trabalho por problemas de saúde. É quem deu carona a Pardal e Gibi na viagem a Poços de Caldas. Homem simples e rude, de princípios morais conservadores, porém bonachão, alegre, bom pai e bom amigo. Enviuvou há muitos anos e criou os filhos sozinho. Vai disputar as atenções de Carolina com Lau, seu velho amigo:
os filhos: JULINHA (Thaís de Campos), moça trabalhadora e responsável, copeira na fábrica de cristais. Torna-se amiga de Cristina sem saber que ela, na verdade, é Bebel. Quando a farsa é revelada, Bebel a presenteia com uma loja de cristais para administrar. Sofre com o controle do pai e dos irmãos, que podam seu namoro,
JAJÁ (Rodolfo Bottino), moço trabalhador que começou cedo a batalhar por seu sustento. Dono de uma oficina mecânica e sócio na lanchonete onde a turma da cidade se reúne,
e QUIM (Tiago Santiago), o rebelde da família. Prefere ficar com a turma, envolvido em aventuras e confusões, a trabalhar ou estudar
o amigo de Quim, CECÍLIO (Alexandre Frota), fortão e pouco inteligente, é um sujeito bronco e paquerador
os funcionários de Jajá: TIO (Tony Vermont), na lanchonete, e CANIÇO (Beto Sutter), na oficina.

– núcleo de DANILO (Carlos Augusto Strazzer), de caráter duvidoso, com mania de grandeza. Representante falido da aristocracia rural, torrou o dinheiro da família no jogo. Foi namorado de infância de Bebel e, de olho em sua fortuna, fará de tudo para conquistá-la quando ela retorna a Poços de Caldas, mesmo tendo compromisso com outra mulher:
a mãe DONA XIDA (Elizabeth Henreid), senhora saudosa dos tempos em que o dinheiro era farto. Mimou demais e ainda mima o filho
a irmã mais velha BIA (Nívea Maria), teme pelas inconsequências do irmão. Leva uma vida quase reclusa, resultado de uma desilusão do passado, o que, a princípio, a impede de se aproximar de outros homens
o afilhado de Bia, EDU (Cássio Gabus Mendes), bom rapaz, chega a Poços de Caldas e instala-se em sua casa, em busca de estudo e emprego. Inicialmente é hostilizado pelo grupo de rapazes da cidade, mas aos poucos vai se entrosando. Apaixona-se por Julinha, mas os dois precisam enfrentar as barreiras dos irmãos ciumentos e do próprio pai da moça. E também de Bia, que apaixona-se por ele
a mãe de Edu, HELOÍSA (Suzana Saldanha, participação), amiga de Bia, manda o filho para Poços de Caldas aos seus cuidados. Ao longo da trama, aparece na cidade para visitá-los.

– núcleo de HELENA (Dora Pelegrino), executiva na fábrica de cristais, assumiu a empresa no lugar de seu pai, outro sócio de J. J. Foi amiga de infância de Bebel, mas torna-se sua rival quando ela retorna a Poços de Caldas. Sempre sonhou com tudo que a amiga teve e nunca conseguiu. Sua única vitória é ter em suas mãos Danilo, ex-namoradinho de Bebel, com quem vive uma relação doentia, mantida sob chantagem. Contra Bebel, disputa o poder na fábrica de cristais:
os pais: ÁLVARO (Edney Giovenazzi), amigo de J. J., de quem é sócio juntamente com Lau, possuindo uma pequena parte das ações da fábrica. No passado, em um momento de separação com a mulher, teve um envolvimento amoroso com Bia, mas acabou reatando com a esposa. Alcoólatra, no início vivia em uma clínica para tratar a doença. Com sua volta para casa, enfrenta a rejeição da mulher e uma série de dificuldades para se reerguer socialmente,
e MARTA (Suzana Faini), mulher conservadora e preconceituosa, preocupada com o futuro dos filhos. Por ter um marido sempre ausente, vive inventando histórias para aparentar felicidade, quando, no fundo, sofre por causa dos problemas dele
o irmão ALVINHO (João Carlos Barroso), um tipo playboy, não leva a vida muito a sério. Sócio majoritário de Jajá na lanchonete, é amigo de Quim e Cecílio e líder da turma de jovens da cidade. Trata a mãe com indulgência e gostaria de ajudar na recuperação do pai, com quem nunca teve muita intimidade
a empregada DIVINA (Guida Viana), sem filtro e sem maldade, é inconveniente e fala sem pensar, intrometendo-se no dia a dia da casa.

– núcleo de VERONA (Cássia Kiss), secretária de J. J. na fábrica. Coordena a república de moças onde mora, sustentada pela empresa. Por ser a mais velha e a primeira a ser acolhida no espaço, sente-se com mais direitos do que as demais moradoras. Dita regras, estabelece horários e proíbe a entrada de qualquer homem no local. Introspectiva, solitária e carente, sofre em demasia com a morte de J. J., o que levanta suspeitas quanto à sua relação com ele. Tem um caso secreto com Danilo:
as outras moradoras da república, todas secretárias na fábrica: TUCA (Élida L’Astorina), esclarecida e politizada, luta pelos direitos dos trabalhadores,
JANDA (Denise Milfont), romântica e simples, é apaixonada por Jajá, que mal lhe dá bola pois está sempre mais interessado no trabalho,
(Cássia Foureaux), a “patinha feia”, moça sem vaidade, trágica e melancólica,
e SUZANA (Deborah Fuchs), diferente das amigas, é carreirista a interesseira. Torna-se aliada e informante e Helena dentro da fábrica.

– núcleo de LÍGIA (Vera Gimenez), dona de um antiquário, mulher presa ao casamento com um homem a quem detesta, mas de quem te medo. Amiga de Pardal, com quem ele se envolveu no passado, luta para inocentá-lo da acusação de assassinato:
o marido MAX (Jorge Cherques), de quem ela tentou fugir com Pardal no dia de seu casamento. Na fuga, Pardal acredita ter atropelado e morto um menino, sendo acusado de homicídio culposo. Persegue Pardal e faz o possível para vê-lo preso
o capanga de Max, CALIL (Paulo César Grande), seu pau-mandado
o advogado DR. GERALDO (Rogério Fróes), que Bebel contrata para defender Pardal.

Fragilidade do roteiro

Ismael Fernandes assim descreveu Livre para Voar em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”:

“O centro gerador da trama era inconsistente, frágil. Ele – Pardal (Tony Ramos) – vivendo ilegalmente e amparando um menor abandonado – Gibi (Fernando Almeida). Ela – Bebel (Carla Camuratti) – se empregando em sua própria firma disfarçada de humilde moça do café.

Entretanto, o envolvimento de Bia (Nívea Maria) com Edu (Cássio Gabus Mendes) e o namoro neurótico de Danilo (Carlos Augusto Strazzer) e Helena (Dora Pelegrino) valorizaram a novela.”

Referências

Na sinopse original, a personagem central era feminina – e a novela tinha o título provisório Abelha Rainha – com Carla Camuratti como protagonista absoluta. Com a escalação de Tony Ramos, o autor Walther Negrão se viu obrigado a mudar seus planos e criar uma trama e um personagem de peso para o ator, que seria o grande chamariz para sua novela.
“Mas aí escalaram o Tony Ramos e nesse caso ele seria o principal. Tive de girar todo o eixo da novela para o personagem masculino, o Pardal”, disse Negrão. (Jornal do Brasil, 21/07/1986)

O autor recorreu então a um entrecho que já usara anteriormente. O ponto de partida envolvendo Pardal lembra muito a trama principal de sua novela anterior, Pão-Pão Beijo-Beijo (1983): homem misterioso que esconde seu passado – Ciro (Cláudio Marzo) em Pão-Pão Beijo-Beijo e Pardal (Tony Ramos) em Livre para Voar. A inspiração, por sua vez, vem de uma antiga novela de Geraldo Vietri na qual Walther Negrão colaborou: Antônio Maria (Tupi, 1968-1969), com Sérgio Cardoso, o protagonista, na mesma situação.

Negrão criou mais uma dupla para o público infantojuvenil: Pardal e Gibi (Tony Ramos e Fernando Almeida) – tal qual Shazzan e Xerife (Paulo José e Flávio Migliaccio), de sua novela O Primeiro Amor (1972), e Soró e Geninho (Arnaud Rodrigues e Paulo Vignolo), de Pão-Pão Beijo-Beijo.

Censura

A Censura do Regime Militar (ainda vigente em 1984) quase impediu que Walther Negrão abordasse os problemas do alcoolismo em Livre para Voar, por meio do personagem Álvaro (Edney Giovenazzi).

De acordo com o pesquisador Cláudio Ferreira no livro “Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar”:
“Os produtores [da novela] pediram revisão em cortes feitos em quatro capítulos e argumentaram: ‘o propósito da história é de passar ao público uma mensagem positiva contra o vício de beber”. Também informaram que o autor Walther Negrão estava sendo auxiliado pelos Alcoólicos Anônimos. Outro ofício registra que Negrão prestou esclarecimentos por telefone à censura, relatando como seria o desfecho do processo de recuperação do personagem alcoólatra: só assim esta parte da trama pôde ser finalizada”.

Elenco

Carla Camuratti revelou ao livro “Carla Camuratti, Luz Natural” (de Carlos Alberto Mattos) que, apesar de guardar boas memórias de Livre para Voar, a novela a fez “padecer um bocado”:
“Minha personagem era Bebel (…), que se disfarçava de Cristina (…) Pelo jeito, ninguém gostava de Bebel. Segundo o Ibope, o público adorava a operária e detestava a milionária. Então a Bebel tinha que ficar muito burra e ser muito humilhada para sustentar a novela. (…) Nesse tipo de trama, o problema da heroína é que ela tem que ser sofredora e constantemente burra. Eu não suportava ter que dar tantas gafes. Devo ter enlouquecido o autor, Walther Negrão.”

Walther Negrão reuniu em sua novela um grupo de atores paulistas conhecidos das novelas da TV Tupi, emissora na qual já havia trabalhado. Era a primeira novela na Globo de Elias Gleizer, Abrahão Farc e Oswaldo Campozana. Outros, com relevantes passagens pela emissora paulista, já estavam na Globo: Tony Ramos, Laura Cardoso e Carlos Augusto Strazzer.

O personagem de Elias Gleizer, o maquinista Pedrão, foi escrito por Negrão em homenagem a seu pai, também maquinista. (Jornal O Globo, 16/09/1984)

Primeiro dos dois únicos trabalhos na TV Globo da veterana atriz Elizabeth Henreid – o outro foi uma participação na novela Deus nos Acuda, em 1992.

Livre para Voar lançou atores que fizeram carreira na televisão.
Primeira novela de Rodolfo Bottino, Denise Milfont, Guida Viana, Dora Pelegrino, Cássia Kiss (anteriormente fez uma participação em Cara a Cara), Alexandre Frota (anteriormente fez uma participação em Vereda Tropical) e Tiago Santiago (atuando, antes de tornar-se escritor de novelas).

Cássia Kiss estreou na Globo como Verona, papel que estava inicialmente destinado a outra atriz também iniciante na emissora, Eliane Giardini, que desistira de atuar na novela. (site Memória Globo)

Também a primeira novela de Alcides Nogueira, como colaborador de Walther Negrão.

Dora Pelegrino foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a atriz revelação na TV em 1984.

O autor Walther Negrão fez uma rápida aparição no capítulo 148 da novela, como um cliente da cadeira de engraxate de Gibi (Fernando Almeida).

O apelido do protagonista, Pardal (Tony Ramos), foi criado a partir das iniciais de seu nome de batismo, Paulo Alberto Ramos de Almeida Lima. Na trama, o personagem inventou o apelido para esconder sua identidade verdadeira. Pardal foi também o nome de outro personagem de Walther Negrão, vivido por Armando Bógus na novela A Próxima Atração, em 1970-1971.

Locações e cenografia

Livre para Voar teve cenas gravadas na cidade mineira de Poços de Caldas, onde se passava a trama. Serviram como locações pontos turísticos ou conhecidos da cidade, como a Praça Pedro Sanches, o Parque José Affonso Junqueira, o Country Club, o Recanto Japonês, o Palace Hotel, as Thermas Antônio Carlos, o Cristo Redentor e a cachoeira Véu das Noivas, entre outros.

As esculturas em ferro de Pardal apresentadas na trama foram feitas pelo artista plástico Jorge de Salles, que fez uma pequena participação na novela, como ele mesmo entre outros artistas (como Juarez Machado e Luiz Verri), nas cenas em que Pardal expõe suas obras em uma galeria de arte (no capítulo 95, em 29/12/1984). (Jornal O Globo, 16/12/1984)

Repetecos

Livre para Voar foi uma das novelas que mais rápido retornou em reprise: terminou em abril de 1985 e exatamente um ano e seis meses depois já estava de volta, no Vale a Pena Ver de Novo, reapresentada de 13/10/1986 e 24/04/1987.

A novela foi disponibilizada no Globoplay (plataforma streaming da Globo) no dia 20/11/2023.

Trilha sonora nacional

01. RECADO (MEU NAMORADO) – Joanna (tema de Julinha)
02. SEMENTES DO AMANHÃ – Erasmo Carlos (tema de Pardal e Gibi)
03. AMOR ETERNO – Elba Ramalho (tema de Bia)
04. TIC-TIC NERVOSO – Magazine (tema do núcleo jovem)
05. CHICO – Renato Teixeira (tema de Pardal)
06. ESTE SEU OLHAR – Nara Leão
07. AO QUE VAI CHEGAR – Toquinho (tema de abertura)
08. VENENO – Marina (tema de Helena e Danilo)
09. PAIXÃO – Herman Torres (tema de Julinha e Edu)
10. NOVAS EMOÇÕES – Hyldon (tema de Verona)
11. SINAL DE PAIXÃO – Willie de Oliveira
12. DEIXA PRA LÁ – Carlos Dafé (tema do núcleo jovem)
13. ROSA DE MAIO – Leno (tema de Bebel)
14. SEMENTE DE TUDO – Zé Geraldo (tema de Pardal)

Sonoplastia: Sérgio Seixas
Direção de sonoplastia: Antônio Faya
Direção de produção: Guto Graça Mello
Supervisão de repertório: Francisco Santos Jr.

Trilha sonora internacional

01. DRIVE – The Cars (tema de Bebel e Pardal)
02. CARELESS WHISPER – George Michael (tema de Edu e Julinha)
03. BOYS DO FALL IN LOVE – Robin Gibb (tema do núcleo jovem)
04. HOLD ME – Teddy Pendergrass & Whitney Houston (tema de Jajá e Janda)
05. YOU GET THE BEST FROM ME – Alicia Myers (tema de Lígia)
06. ONCE AGAIN – Damaris Carbaugh (tema de Bebel)
07. IF WE BELIEVE – Morris Albert & Rebecca Godinez
08. DO WHAT YOU DO – Jermaine Jackson (tema de Helena e Danilo)
09. THE LAST TIME I MADE LOVE – Joyce Kennedy & Jeffrey Osborne (tema de Verona e Álvaro)
10. I CAN DREAM ABOUT YOU – Dan Hartman (tema geral)
11. YOU’RE MY WOMAN, YOU’RE MY LADY – Tyzik (tema de Bia)
12. JUST THE WAY YOU LIKE IT – The S.O.S Band
13. NOBODY LOVES ME LIKE YOU DO – Anne Murray & Dave Loggins (tema de Verona e Danilo)
14. LOVE THEME – Love Sound Orchestra (tema de Bebel)

Supervisão musical: Sidnei Oliveira
Colaboração: Francisco Santos Jr.

Ainda
A VOZ TRISTE DAS GUITARRAS – Jorge Fontes (tema de Carolina e Pedrão)
O TRENZINHO DO CAIPIRA – Villa-Lobos (tema das viagens de Pedrão no trem)

Tema de abertura: AO QUE VAI CHEGAR – Toquinho

Voa coração
A minha força te conduz
Que o sol de um novo amor
Em breve vai brilhar
Vara a escuridão
Vai onde a noite esconde a luz
Clareia seu caminho e acende o seu olhar

Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia
Colhe a mais bela flor
Que alguém já viu nascer
E não esqueça de trazer força e magia
O sonho, a fantasia
E a alegria de viver

Voa coração
Que ele não deve demorar
E tanta coisa mais quero lhe oferecer
O brilho da paixão
Pede a uma estrela pra emprestar
E traga junto a fé num novo amanhecer

Convida as luas cheia, minguante e crescente
E de onde se planta a paz
Da paz quero a raiz
E uma casinha lá onde mora o sol poente
Pra finalmente a gente
Simplesmente ser feliz…

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