Sinopse

Francesca Ferreto descobriu a infidelidade do marido Marcelo, e não o poupa dos escândalos. Mais que uma amante, Marcelo tem uma outra família. Ana é uma mulher batalhadora, dona de uma cantina italiana, que criou os três filhos que teve com Marcelo: Júlio, Sandrinho e Carina. Mas ela tem um eterno admirador, Juca, o meio-irmão de Marcelo, um homem simples, dono de uma barraca de frutas no Mercado Municipal de São Paulo. Juca e Marcelo são pessoas completamente diferentes.

Marcelo é executivo do Frigorífico Ferreto, de propriedade da família de sua esposa. A família Ferreto luta para proteger seus interesses. Filomena comanda com mãos de ferro os negócios, a vida das irmãs Francesca e Carmela, e o marido Eliseo, seu capacho. Ela nunca pôde ter filhos, por isso mima demais a sobrinha Isabela, filha de Carmela, uma moça que por trás da aparência angelical esconde uma personalidade diabólica e um tórrido caso com o tio Marcelo, apesar de noiva do jovem Diego.

Mas um fato muda a rotina dos Ferreto: Francesca é assassinada. A jovem estudante de Direito Irene, amiga de Diego, gosta de bancar a detetive e acredita haver uma conexão entre a morte de Francesca e dois outros assassinatos muito próximos: da tia Júlia Braga, irmã de sua mãe Helena, e do próprio pai, Hélio. Helena vivia um casamento de desajuste e ficou aliviada com a morte do marido, livre para viver seu amor pelo feirante Juca.

Enquanto Irene, movida por curiosidade, investiga os crimes, outros assassinatos vão acontecendo. Em todos eles, um fato em comum: as vítimas recebem uma lista do horóscopo chinês antes de morrer. O suspense está não somente em descobrir quem é o assassino, mas também em quem será a próxima vítima.

Globo – 20h
de 13 de março a 4 de novembro de 1995
203 capítulos

novela de Sílvio de Abreu
escrita por Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral
direção de Jorge Fernando, Rogério Gomes, Marcelo Travesso e Alexandre Boury
direção geral de Jorge Fernando

Novela anterior no horário
Pátria Minha

Novela posterior
Explode Coração

TONY RAMOS – Juca
SUSANA VIEIRA – Ana
JOSÉ WILKER – Marcelo Rossi
ARACY BALABANIAN – Filomena Ferreto
CLÁUDIA OHANA – Isabela
NATÁLIA DO VALLE – Helena
PAULO BETTI – Olavo
TEREZA RACHEL – Francesca
YONÁ MAGALHÃES – Carmela
ROSAMARIA MURTINHO – Romana
GIANFRANCESCO GUARNIERI – Eliseo
LIMA DUARTE – Zé Bolacha
VIVIANNE PASMANTER – Irene
MARCOS FROTA – Diego
CECIL THIRÉ – Adalberto
ALEXANDRE BORGES – Bruno
VERA HOLTZ – Quitéria Quarta-Feira
OTÁVIO AUGUSTO – Ulisses
FLÁVIO MIGLIACCIO – Vitinho
NICETTE BRUNO – Nina
ANTÔNIO PITANGA – Kleber
ZEZÉ MOTTA – Fátima
NORTON NASCIMENTO – Sidney
SELTON MELLO – Tonico
DEBORAH SECCO – Carina
ANDRÉ GONÇALVES – Sandrinho
LUI MENDES – Jeferson
CAMILA PITANGA – Patrícia
ROBERTO BATTAGLIN – Cláudio
PEDRO VASCONCELLOS – Lucas
GEORGIANA GÓES – Iara
EDUARDO FELIPE – Júlio
LUGUI PALHARES – Adriano
ISABEL FILLARDIS – Rosângela
MILA MOREIRA – Carla
PATRÍCIA TRAVASSOS – Solange
VERA GIMENEZ – Andréia
VICTOR BRANCO – Alfredo
EDGARD AMORIM – Miroldo
ANDRÉA AVANCINI – Teca
NIZO NETO – Marco
CATARINA ABDALLA – Marizete
LÍDIA MATTOS – Diva
LIANA DUVAL – Dona Ivete
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Josias
MARCELO BARROS – Cuca
WASHINGTON GONZALEZ – Duda Maluco
RENATA SCHUMANN – Sabrina
DALMO CORDEIRO – Giba
LUCY MAFRA – Alcina
HILDA REBELLO – Zulmira
o menino
PATRICK DE OLIVEIRA – Arizinho
e
ADEMIR ZANYOR – da turma de Irene
ALBERTO PEREZ – Dr. Carlos (médico de Francesca no primeiro capítulo)
ALFREDO MARTINS – um dos advogados dos Ferreto
ANTÔNIO FAGUNDES – Astrogildo (pretendente de Nina, no final)
CACO CIOCLER – ator de uma peça teatral assistida por Helena, no 4º capítulo
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Giggio De Angelis (primeiro marido de Francesca, primeira vítima do assassino, morto há vinte anos)
CARLOS SEIDL – um dos advogados dos Ferreto
CASTRO GONZAGA – Pedro Roncalho (tio de Arnaldo Roncalho, uma das vítimas)
CLÁUDIA RAIA – mulher misteriosa no último capítulo
CLÁUDIO MACDOWELL – José Celso
DANDARA GUERRA – Isabela (menina)
DANIELLE WINITS – Ana (jovem)
DARY REIS – delegado
DENISE DEL CUETO – Dona Clarisse (escrivã da delegacia)
ÉLCIO ROMAR – Eurípides Lopes (investiga as mortes de Hélio e Francesca)
EMILIANO QUEIRÓZ – Antônio Quintela (advogado)
FRANCISCO CUOCO – Hélio Ribeiro (marido de Helena, quarta vítima do assassino)
GILBERTO MIRANDA – avisa Rosângela que está havendo um assalto no banco onde ela trabalha
GILBERTO SÁLVIO – pai de Ana e Ulisses
GLÓRIA MENEZES – Júlia Braga (irmã de Helena, sexta vítima do assassino)
HUÓ GONÇALVES – Dadá (traficante, filho de Josias)
JAIME LEIBOVITCH – terapeuta de Helena
JEFFERSON DOUGLAS – delegado federal
JONAS BLOCH – delegado para quem Juca pede para soltar o filho Júlio
JORGE LUCAS – um dos policiais que prende Tonico
JOSÉ STEIMBERG – Sérgio
JÚLIO FERNANDO – cavalariço do haras onde Irene tenta desvendar um crime
LAFAYETTE GALVÃO – Dr. Osni
LEONARDO JOSÉ – Dr. Zaidan
LÍCIA MAGNA
LUCA DE CASTRO – Oswaldir
LUIZ BACELLI – professor de Irene
LU MARTAN – corretor de imóveis que mostra casas para Marcelo e Isabela
MARCELO ASSUMPÇÃO – um dos policiais que prende Tonico
MARCELO CAPOBIANCO – assaltante no banco onde Rosângela e Sidney trabalham
MARCO MIRANDA – advogado de Marcelo
MARCUS ALVISI – Dr. Milton (médico de Lucas)
MARCUS TEIXEIRA
MARIA HELENA DIAS – Leontina Mestieri (secretária de Francesca, segunda vítima do assassino)
MAURO MENDONÇA – Otávio Bueno (pai de Diego)
MILHEM CORTAZ – capanga de Duda Maluco
NARDEL RAMOS – morador da favela dominada por Duda Maluco
NORMA GERALDY – Úrsula (tia das irmãs Ferreto, no casamento de Isabela e Diego)
ORION XIMENES – testamenteiro
REGINALDO FARIA – Paulo Soares / Arnaldo Roncalho (condutor do iate nas cenas de flashback, terceira vítima do assassino, no primeiro capítulo)
RENATO NEVES – Greg
RICARDO WARNICK – Pedro Paulo (amigo de Carla)
RÚBEM DE BEM – Pacheco
SAMIR MURAT – Roberval
SHIMON NAMIAS – homem que ameaça Júlia numa praça por ela proteger menores de rua
SUZANA WERNER – modelo que posa numa campanha onde Cláudio é assistente de um fotógrafo famoso
TÂNIA SCHER – mãe de Diego
VANDA LACERDA – Anunciata (tia das irmãs Ferreto, no casamento de Isabela e Diego)
VANESSA LÓES – modelo que posa numa campanha onde Cláudio é assistente de um fotógrafo famoso
WALDEMAR BERDITCHEWSKY – tio das irmãs Ferreto, num velório
WILSON RABELLO – Jaime

– núcleo de JUCA (Tony Ramos), sujeito boa praça dono de uma banca de frutas no mercado Municipal de São Paulo:
os filhos TONICO (Selton Mello) e IARA (Georgiana Góes)
o pai ZÉ BOLACHA (Lima Duarte), caminhoneiro
os tios VITINHO (Flávio Migliaccio), trabalha com ele no mercado, e NINA (Nicette Bruno)
o funcionários no mercado, MARCO (Nizo Neto) e CUCA (Marcelo Barros).

– núcleo de ANA (Susana Vieira), proprietária da Pizzaria da Mama, o amor de Juca:
os filhos JÚLIO (Eduardo Felipe), SANDRINHO (André Gonçalves) e CARINA (Deborah Secco), namorada de Tonico
o irmão ULISSES (Otávio Augusto), que cuida da pizzaria com ela
o garçon JOSIAS (José Augusto Branco), morto no decorrer da trama
a garota TECA (Andréa Avancini), que vai trabalhar e morar na Cantina. Envolve-se com Júlio, apesar de ser a amada de Marco.

– núcleo da família Ferreto, proprietários do Frigorífico Ferreto:
as irmãs FRANCESCA (Tereza Rachel), dada como morte no início, mas ao final descobre-se que estava viva,
FILOMENA (Aracy Balabanian), a manda-chuva da família e dos negócios,
CARMELA (Yoná Magalhães) e ROMANA (Rosamaria Murtinho), que aparece no meio da trama
o marido de Francesca, MARCELO (José Wilker), executivo no frigorífico, meio-irmão de Juca – tem uma outra família com Ana
a filha de Carmela, ISABELA (Cláudia Ohana), uma víbora em pele de cordeiro, adorada pela tia Filomena. Tem um caso com o tio Marcelo, apesar de noiva
o marido de Filomena, ELISEO (Gianfrancesco Guarnieri), dominado pela mulher
o ex-marido de Carmela, ADALBERTO (Cecil Thiré), que reaparece depois de tê-la abandonado por muitos anos – descobre-se ao final ser o assassino da novela
o jovem namorado de Carmela, ADRIANO (Lugui Palhares)
o jovem namorado de Romana, BRUNO (Alexandre Borges), um boa-vida, envolve-se com Isabela
a amante de Eliseo, SOLANGE (Patrícia Travassos)
a secretária no frigorífico, ANDRÉIA (Vera Gimenez), cúmplice de Isabela
os empregados na mansão Ferreto, DIVA (Lídia Mattos) e ALFREDO (Victor Branco).

– núcleo de HELENA (Natália do Valle), grã-fina do Morumbi que se envolve com o feirante Juca:
o marido HÉLIO (Francisco Cuoco), assassinado no início
a filha IRENE (Vivianne Pasmanter), investiga o assassinato do pai e as demais mortes, pois acredita haver uma relação entre elas – envolve-se com Zé Bolacha
o filho LUCAS (Pedro Vasconcellos), toxicômano, apaixona-se por Iara
a irmã JÚLIA BRAGA (Glória Menezes), assassinada no início
a amiga CARLA (Mila Moreira)
os amigos de faculdade de Irene, SABRINA (Renata Schumann) e GIBA
a empregada ALCINA (Lucy Mafra).

– núcleo do DETETIVE OLAVO (Paulo Betti) que investiga os assassinatos. Envolve-se com Helena:
o ajudante MIROLDO (Edgard Amorim).

– núcleo de DIEGO (Marcos Frota), noivo de Isabela que descobre a traição da noiva no dia de seu casamento. Acaba apaixonando-se por Irene:
o amigo CLÁUDIO (Roberto Battaglin), fotógrafo com que divide um apartamento.

– núcleo de QUITÉRIA QUARTA-FEIRA (Vera Holtz), prostituta amiga de Ana, envolve-se com Ulisses. É o objeto de desejo de Vitinho:
a mãe IVETE (Liana Duval), senhora doente que não consegue falar, entrevada numa cadeira de rodas. Por saber demais, é uma das vítimas do assassino
o menino de rua ARIZINHO (Patrick Oliveira), que ela leva para sua casa para criar. Descobre-se ser seu filho com Zé Bolacha.

– núcleo de KLEBER (Antônio Pitanga), outra vítima do assassino:
a mulher FÁTIMA (Zezé Motta)
os filhos SIDNEY (Norton Nascimento), que namora ROSÂNGELA (Isabel Fillardis), mas envolve-se com Carla,
JEFERSON (Lui Mendes), que namora Sandrinho,
e PATRÍCIA (Camila Pitanga), que namora Cláudio, que quer torná-la uma modelo, apesar da oposição da família
a empregada MARIZETE (Catarina Abdalla), que envolve-se com Vitinho.

Silvio de Abreu não se limitou a criar uma trama de suspense onde o único mistério era a identidade do assassino. O grande desafio colocado para o público era também saber quem seria a próxima vítima. Com uma história bem construída, e tramas que se intercalavam, a maioria dos personagens estava na lista de suspeitos. Mas a qualquer momento, qualquer um deles poderia ser eliminado da história.

Além do suspense, Sílvio de Abreu levantou alguns temas polêmicos: drogas, com o personagem Lucas (Pedro Vasconcellos); a homossexualidade, com Sandrinho e Jeferson (André Gonçalves e Lui Mendes); a prostituição por vocação, com Quitéria Quarta-Feira (Vera Holtz); menores abandonados, por meio de Júlia (Glória Menezes); o amor com diferença de idade, entre Cacá e Adriano (Yoná Magalhães e Lugui Palhares) e entre Zé Bolacha e Irene (Lima Duarte e Vivianne Pasmanter); e uma família negra de classe média-alta.

Também criou tipos inesquecíveis, como a maquiavélica Isabela (Cláudia Ohana) e a chefe da família Ferreto, Filomena (Aracy Balabanian), uma espécie de Don Corleone “de saias”.

Suspense paralelo foi guardar o segredo da imprensa, gravando-se cenas que não foram ao ar e usando sequências no roteiro numeradas em código onde nem os atores conheciam a ordem certa das cenas. Apesar de tudo, foram raros os momentos em que o telespectador não soubesse, pelos resumos dos jornais, quem na verdade seria a próxima vítima. Porém, a morte de Josias (José Augusto Branco) não chegou a ser noticiada, pois pistas falsas induziram a que jornais como O Globo noticiassem que, em vez dele, Quitéria (Vera Holtz) seria morta. O resumo do capítulo diz mesmo: Quitéria é esfaqueada.

O autor solicitou à emissora que os resumos semanais não fossem divulgados, o que criou um mal-estar com a imprensa em relação à novela. Após muitos furos dos jornais e revistas sobre vítimas, possíveis assassinos a revelar e outros acontecimentos do desenrolar da trama, descobriu-se que quatro funcionários do departamento de xerox da emissora vendiam para a imprensa cópias dos roteiros que recebia para que fossem copiados e distribuídos ao elenco e à produção da novela. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

Silvio de Abreu comentou em entrevista como foram guardados os segredos finais da novela:
“Escrevi os últimos seis capítulos numerando todas as cenas em código. Um código que só quem sabia decifrar era o diretor da novela. Se cada capítulo tinha, digamos, 50 cenas, eram 300 cenas misturadas. O próprio ator não sabia o que vinha depois. Ele ia lá e gravava. O diretor sabia porque tinha que orientar o ator. As últimas cenas, que revelavam quem era o assassino, a gente gravou às 19 horas e a TV Globo pôs no ar às 20h30. Não podia dar errado.”

O país parou para assistir ao último capítulo, que atingiu entre 62 e 64 pontos no Ibope da Grande São Paulo, gravado meia-hora antes de sua exibição, em 04/11/1995. A identidade do assassino foi finalmente revelada: Adalberto (Cecil Thiré). Todas as vítimas tinham uma ligação entre si, num fato ocorrido no passado.
Além disso, visando sua exportação, foi criado um novo desfecho com assassino diferente, tudo com plena coerência. Esse final foi apresentado na reprise da novela no Vale a Pena Ver de Novo: o assassino dessa vez foi Ulisses (Otávio Augusto).

Alcides Nogueira, que escrevia a novela com Silvio de Abreu e Maria Adelaide Amaral, comentou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo:
“Para se ter uma ideia de como não havia nada gratuito na novela, lá pelo capítulo dez, foi mostrado que o assassino, o personagem do Cecil Thiré, trabalhava com revenda de automóveis usados. Já aparecia uma referência ao que ele fazia, o que o ligava ao Opala preto dos crimes. Tudo isso foi jogado de maneira tão subliminar que as pessoas não pegaram. (…) desde o início estava tudo armado: por que ele matava e qual era a sequência de fatos e descobertas.”

Silvio de Abreu comentou sobre a novela numa entrevista:
A Próxima Vítima teve uma audiência tão grande na Rússia, que parou o país no horário de sua exibição. Isso foi até comentado no jornal New York Times, dos Estados Unidos. Em Cuba foi a mesma coisa. O Silvio Santos esteve lá, na época, e me contou que todo mundo perguntava a ele quem era o assassino da história.”

A cena em que Sandrinho (André Gonçalves), filho de Ana (Susana Vieira) e Marcelo (José Wilker), revela à mãe sua orientação sexual é considerada emblemática na discussão sobre o homossexualidade no Brasil.
Na época da novela, por causa de seu personagem, o ator foi covardemente agredido por um grupo homofóbico.

A abordagem de Silvio de Abreu sobre a homossexualidade contribuiu para a quebra de certas barreiras. Considerado assunto tabu na época, as famílias da vida real não gostavam de falar sobre os filhos e parentes homossexuais.
“Só fui dizer que eles eram gays no capítulo 100. Eles eram superamigos, viviam juntos e os demais personagens levantavam suspeitas”, disse o autor a Flávio Ricco e José Armando Vannucci, para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.
Apesar de haver um agravante – um dos rapazes era negro -, o telespectador não teve resistência ao casal gay da novela, pois quando foi revelado na trama que eles eram um par romântico, o público já havia se afeiçoado aos personagens, bons moços, bons filhos e estudiosos. Situação diferente aconteceu na novela seguinte de Silvio de Abreu, Torre de Babel (1998), em que a não aceitação do casal lésbico, já apresentado como tal no início da trama, obrigou o autor a matar as personagens na explosão do shopping-center da história.
“A questão da diversidade sexual ficou muito clara, mas o Silvio foi além, porque um garoto era branco e outro negro”, ressaltou Alcides Nogueira (um dos roteiristas) para o livro “Biografia da Televisão Brasileira”.

Sem se aprofundar na questão do racismo, o autor apresentou uma família negra de classe média-alta, algo até então incomum nas telenovelas: Kleber (Antônio Pitanga) casado com Fátima (Zezé Motta), pais de Sidney (Norton Nascimento), Jeferson (Lui Mendes) e Patrícia (Camila Pitanga). Não foi a primeira vez: a novela Corpo a Corpo (1984-1985), de Gilberto Braga, também tinha uma família na mesma condição.

A personagem Júlia Braga (Glória Menezes), que se envolveu em uma campanha de apoio a meninos de rua, foi inspirada na artista plástica Yvone Bezerra de Mello, que se dedicava intensamente à causa na época, e em seu livro As Ovelhas Desgarradas e seus Algozes. Site Memória Globo.
Já o nome Júlia Braga é uma homenagem à personagem de Sônia Braga – Júlia – na novela Dancin´ Days (1978), de Gilberto Braga. O Globo, 1994.

Numa das cenas mais fortes da trama, Diego (Marcos Frota) espanca Isabela (Cláudia Ohana) e a empurra do alto da escada da mansão dos Ferreto no dia de seu casamento com a moça, pois descobriu que ela o traía com o próprio tio dela, Marcelo (José Wilker).
Mais tarde, foi a vez de Marcelo sentir-se traído e esfaquear a adúltera no rosto.
Membros do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher condenaram as imagens, que qualificaram como estímulo ao machismo.

Numa homenagem de Sílvio de Abreu ao amigo Gilberto Braga, a personagem Isabela, após ser esfaqueada, é operada pelo cirurgião plástico Felipe Barreto, uma alusão ao personagem que Antônio Fagundes viveu na novela O Dono do Mundo (1991), de Gilberto.
Mas Felipe Barreto foi apenas citado. O ator Antônio Fagundes acabou fazendo uma participação especial no último capítulo, como Astrogildo, um pretendente de Nina (Nicette Bruno).

Natália do Valle, primeiramente, faria o papel de Francesca Ferreto, que teria o nome de Lina. Com a não adequação da atriz à personagem, Tereza Rachel foi escalada, e Natália foi para o papel de Helena, até então sem intérprete. O Globo, 1994.

Silvio de Abreu criou a personagem Ana Carvalho para Regina Duarte, mas a atriz não pôde vivê-la. O autor precisou então fazer mudanças de perfil para adequar a protagonista à nova intérprete escalada, Susana Vieira.
Caso semelhante ocorreu com a troca de Fernanda Montenegro por Rosamaria Murtinho para viver Romana, uma das irmãs Ferreto. Inicialmente, Romana seria mais velha e enérgica, e menos romântica. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.
A personagem Romana (Rosamaria Murtinho) só entrou com a trama avançada, mas Fernanda Montenegro chegou a aparecer nas primeiras chamadas de estreia da novela.

Um afastamento temporário de Gianfrancesco Guarnieri das gravações da novela para se recuperar de uma cirurgia obrigou o autor a justificar o sumiço de seu personagem Eliseo. Foi então criada a personagem Solange (Patrícia Travassos), amante de Eliseo, com quem ele esteve durante a sua ausência se divertindo em uma temporada na Itália. Com o retorno de Eliseo, Solange também entrou para a trama. Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.

Na abertura, os nomes de Tony Ramos e José Wilker alternavam diariamente a ordem de aparição.

Atendendo a muitas reclamações, inclusive publicadas na imprensa, Silvio de Abreu suprimiu o bordão “socorro!” abusivamente utilizado pela personagem Carina (Deborah Secco).

Várias sequências foram gravadas no Mercado Municipal de São Paulo, onde o personagem Juca (Tony Ramos) tinha uma barraca de frutas. Juca fez tanto sucesso que deu nome a duas barracas reais no local, que ostentam fotos do ator da época das gravações. As “barracas do Juca” são até hoje procuradas pelo público saudoso da novela.

A Costa Amalfitana, na Itália, foi o cenário das primeiras gravações externas da novela. É na região que Ana (Susana Vieira) e Marcelo (José Wilker) curtem uma lua de mel e conhecem Julia (Glória Menezes). Site Memória Globo.

Os bairros da Mooca e do Bixiga, com grande concentração de descendentes italianos, serviram de cenário para muitas gravações e inspiraram a criação da cidade cenográfica da novela. A locação contava com uma pracinha que lembrava uma típica praça de Nápoles, na Itália. Site Memória Globo.

Primeira novela na Globo do ator Alexandre Borges.

A Próxima Vítima foi eleita pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a melhor novela de 1995. Aracy Balabanian foi escolhida a melhor atriz (juntamente com Laura Cardoso, pelo remake de Irmãos Coragem) e Flávio Migliaccio, o melhor ator coadjuvante.
A Próxima Vítima também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1995 e Aracy Balabanian o de melhor atriz.

Reprisada no Vale a Pena Ver de Novo entre 10/07 e 08/12/2000.
Ganhou uma nova reprise, no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 09/09/2013 e 19/06/2014, às 16h15 (depois 14h30).

Trilha Sonora Nacional
proximavitt1
01. QUEM É VOCÊ – Simone (tema de Carmela)
02. SEREIA – Lulu Santos (tema de Carina)
03. PACATO CIDADÃO – Skank (tema de Tonico)
04. TRILHAS (TRACES) – Guilherme Arantes (tema de Helena)
05. HAPPY HOUR – Eduardo Dussek (tema de Patrícia)
06. ALIÁS – Djavan (tema de Marcelo)
07. VÍTIMA – Rita Lee & Roberto de Carvalho (tema de abertura)
08. PAREÇO UM MENINO – Fábio Jr. (tema de Zé Bolacha)
09. ALELUIA-ME BABY – Bad Girls (tema de Isabela)
10. CATEDRAL (CATHEDRAL SONG) – Zélia Duncan (tema de Irene)
11. ALGUÉM QUE OLHE POR MIM (SOMEONE TO WATCH OVER ME) – Cauby Peixoto – partic. especial Gal Costa (tema de Sidney)
12. IO CHE AMO SOLO TE – Sergio Endrigo (tema de Ana)
13. ESTAÇÃO SÃO PAULO – Adriana Ribeiro – partic. especial Demônios da Garoa (tema de locação – São Paulo)
14. E LUCEVAN LE STELLE – Fernando Portari (tema de Juca)

Trilha Sonora Internacional

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01. BLACK ROSES – Inner Circle (tema de Irene)
02. I LIVE MY LIFE FOR YOU – Firehouse (tema de Ana)
03. BE MY LOVER (Radio Edit) – La Bouche (tema de locação – São Paulo)
04. I GOT A NAME – Jim Croce (tema de Zé Bolacha)
05. MORE THAN A WOMAN – Flava To Da Bone (tema de Isabela)
06. BIZARRE LOVE TRIANGLE – Frente (tema de Carmela)
07. NO MORE “I LOVE YOU’S” – Annie Lennox (tema de Helena)
08. LET’S STAY TOGETHER – Bobby Ross Avila (tema de Patrícia)
09. HOLDING ON TO YOU – Terence Trent D’Arby (tema de Bruno)
10. AROUND THE WORLD – East 17 (tema de Tonico e Carina)
11. THAT’S THE WAY – Double You (tema de locação – boates em São Paulo)
12. INDEPENDENT LOVE SONG – Scarlet (tema de Sidney e Carla)
13. TOUGH GIRL – Martine (tema de Marco e Teca)
14. FOTONOVELA – Alexis San Nicolas (tema de locação – boate de Quitéria)

Sonoplastia: Jenny Tausz
Produção Musical: Renato Ladeira
Seleção Musical da Trilha Internacional: Sérgio Motta
Direção Musical: Mariozinho Rocha

Tema de Abertura: VÍTIMA – Rita Lee & Roberto de Carvalho

Com a sutileza de um furacão
Você vai tomando conta do meu coração, babe
Com o sangue frio de um torturador
Eu planejo passo a passo atacar seu amor, babe
Com o jeito estranho de um cara normal
Chego perto do seu corpo acariciando um punhal
Com a boca seca num deserto sem fim
Nem me toco que você é só miragem prá mim, babe

“Sou temperamental, às vezes passo mal no meio da festa
Detesto multidão, conheço tanta gente sem atração…”

Do meu esconderijo no milésimo andar
Espio noite e dia sua vida secreta
O frio de São Paulo me faz transpirar
Sou vítima… vítima…
Vítima da sua janela indiscreta…

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