Sinopse

O antigo prefeito da cidade de Tubiacanga, Feliciano Mota da Costa, acreditava que havia ouro na cidade. Para comprovar sua tese, exibiu uma enorme pepita e convenceu a população a entregar-lhe suas economias para a construção de uma empresa de mineração. Os moradores descobriram que a pepita era falsa e se revoltaram. Obrigados a fugir de canoa, Feliciano e a mulher foram atingidos por um pistoleiro, morreram e foram enterrados pelo filho, Feliciano Júnior.

Quinze anos mais tarde, Feliciano Júnior retorna à Tubiacanga para vingar a morte dos pais. Para tanto assume uma outra identidade, Raimundo Flamel, um homem misterioso que aguça a curiosidade e a ambição dos moradores da cidade ao se declarar capaz de transformar ossos humanos em ouro. Tudo faz parte de seu plano de destruir as pessoas responsáveis pela morte de sua família, os poderosos de Tubiacanga, representados principalmente pelo prefeito Demóstenes e pelo Major Emiliano Bentes.

O prefeito Demóstenes é um político corrupto que tem um caso velado com a fogosa Rubra Rosa, a autora de seus discursos inflamados e mulher de seu opositor, o vereador Numa Pompílio de Castro. O relacionamento dos dois fica abalado com a chegada da atriz Perla Menescau, com quem Rubra passa a disputar o prefeito. Rubra Rosa ainda interfere no namoro do filho Áureo Poente com a jovem Zigfrida, filha da costureira da cidade, Margarida Weber, a tia de Feliciano, cujo marido foi morto junto com os pais deste, e portanto, uma das poucas pessoas que tomam conhecimento de seus planos.

O Major Bentes é um homem ambicioso e prepotente que dita as regras e se diz dono da cidade. Os fantasmas do passado o assombram com a chegada de Salustiana Maria, uma mulher perigosa com quem o major tivera um envolvimento amoroso, e, com intuito de lhe extorquir dinheiro, vem exigir que ele assuma a paternidade de seu filho, Cassi Jones. O filho legítimo do major, Guilherme, namora a doce e ao mesmo tempo temperamental Linda Inês, a filha do prefeito, que entra em constante atrito com Raimundo Flamel, sem imaginar que ele é na verdade Feliciano Júnior, seu namoradinho de infância.

Globo – 20h
de 15 de novembro de 1993
a 16 de julho de 1994
209 capítulos

novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares
baseada em tramas e personagens de Lima Barreto
colaboração de Márcia Prates e Flávio de Campos
direção de Denis Carvalho, Marcos Paulo, Carlos Magalhães e Carlos Araújo
direção geral de Denis Carvalho e Marcos Paulo

Novela anterior no horário
Renascer

Novela posterior
Pátria Minha

EDSON CELULARI – Raimundo Flamel / Feliciano Júnior
GIULIA GAM – Linda Inês
LIMA DUARTE – Major Emiliano Bentes
JOSÉ WILKER – Prefeito Demóstenes Massaranduba
SUSANA VIEIRA – Rubra Rosa
HUGO CARVANA – Numa Pompílio de Castro
JOANA FOMM – Salustiana Maria
JUCA DE OLIVEIRA – Professor Praxedes de Menezes
ARLETE SALLES – Margarida Pestana Weber
CLÁUDIO MARZO – Coveiro Orestes Fronteira
CÁSSIA KISS – Ilka Tibiriçá
PAULO GORGULHO – Ataliba Timbó
CLÁUDIA ALENCAR – Perla Menescau
CLÁUDIA OHANA – Camila
VERA HOLTZ – Querubina
MARCOS WINTER – Cassi Jones
RUBENS CARIBÉ – Guilherme
LUIZA TOMÉ – Maria dos Remédios
OTÁVIO AUGUSTO – Afonso Henriques
EWERTON DE CASTRO – Genival Gusmão
DEBORAH EVELYN – Sigfrida
CLÁUDIO FONTANA – Áureo Poente
GIUSEPPE ORISTÂNIO – Maxwell Antenor
TONICO PEREIRA – Chico da Tirana
ROSANE GOFMAN – Vaina Marina
PEDRO VASCONCELLOS – Etevaldo
MURILO BENÍCIO – Fabrício
ANNA DE AGUIAR – Isoldinha
ÉRIKA ROSA – Clara dos Anjos
MARIA CEIÇA – Ingrácia
ANTÔNIO POMPEO – Joaquim
NORTON NASCIMENTO – Votan
CAMILA PITANGA – Teresinha
TUCA ANDRADA – Subdelegado Carlos Barromeu
IVAN DE ALBUQUERQUE – Mestre Nicolau
MARIA GLADYS – Lucineide
MARIA HELENA DIAS – Júlia
FERNANDA MUNIZ – Valéria
CLEMENTE VISCAÍNO – Juca
CLÉA SIMÕES – Cleonice
FERNANDA LOBO – Belmira
AUGUSTO JÚNIOR – Animal
DANIELA FARIA – Daiane
RENATO VASCONCELOS – Sidnei
LEONARDO MIRANDA – Pastor
CAROLINA DIECKMANN – Carol
as crianças
PATRICK DE OLIVEIRA – Romãozinho
BRUNO DE LUCA – Uilsinho
1ª fase
TARCÍSIO MEIRA – Feliciano Mota da Costa
LUCINHA LINS – Laurinda
ODILON WAGNER – Weber
ODENIR FRAGA – Januário (garimpeiro que mata Weber)
DIOGO BANDEIRA – Feliciano Júnior (criança)
MARIANA GUIMARÃES – Linda Inês (criança)
e
AFRÂNIO GAMA – homem do porco
AÍRTON FIGUEIREDO – jornaleiro/pintor
ALEXANDRE BARBALHO – Montemor (dono do armazém)
ANDRÉ GONÇALVES – Vivaldo (filho de Orestes, morre no início)
ÂNGELA BRITTO – dona do armarinho
ANTÔNIO CELSO – vereador mais novo
BILECO – jornalista
CAJU – office-boy da prefeitura
CARLA TAUSZ – Douzília (empregada de Rubra Rosa)
COMANCHE – barqueiro
DANIEL AUGUSTO – Charles (criança da cidade)
EUNICE GONÇALVES – Gina (tecelã)
FREDY MONTEIRO – homem do leite
GUILHERME KARAN – Miguel da Ilha (motorista de limusine contratado por Salustiana para levá-la ao aeroporto)
IG VIEIRA – Maria (tecelã)
JACY OLIVEIRA – Janete (tecelã)
JAMAICA MAGALHÃES – dona do bar
JUCILÉIA TELLES – Ivonete (mulher de Orestes, morre no início)
LEYLA BATORIE – Sofia
LÍVIA RAMOS – Consuelo (trabalha na Câmara dos Vereadores)
LUÍS ANTÔNIO PILAR – Antônio (vereador)
LUIZ SANTIAGO – varredor de rua
MARCOS PAULO – Rodrigo Otávio (munícipe de Tubiacanga que Ataliba confunde com o namorado de Ilka)
MARIA ADELAIDE FERREIRA – Maria da Graça (dona do armazém)
MÁRIO LAGO – juiz de paz que celebra o casamento de Sigfrida e Áureo e de Margarida e Orestes
MILA MOREIRA – Viviane Musselini (apresentadora de um programa de TV sobre moda que vai gravar em Tubiacanga)
MILENA TIMÓTEO – auxiliar da Irmandade
NALME – Silvia
NETE CABRAL – empregada do Major Bentes
PEDRO PAULO RANGEL – oficial de justiça que toma os bens do Major Bentes e os entrega a Gusmão
ROBERTO MORAES – soldado
ROGÉRIO DOLABELLA – foca da Gazeta de Tubiacanga
ROZANA MUNIZ – fotógrafa
SÉRGIO BRITTO – padre que celebra o casamento de Flamel e Linda Inês, no último capítulo
SIDNEY MARQUES – motorista da Prefeitura
SONAIRA D´AVILA – Sônia (empregada da fazenda de Demóstenes)
SUELY SUZUKI – solteirona
WALDEMAR BERDITCHEWSKY – Laurindo (vereador)
WALDIR FERNANDES – soldado
WANDERSON GOMES – Peninha (criança da cidade)

– núcleo de FELICIANO JÚNIOR (Diogo Bandeira / Edson Celulari), retorna a Tubiacanga com o objetivo de punir os responsáveis pela morte de seus pais no passado. Para isso assume a identidade de RAIMUNDO FLAMEL, um misterioso alquimista que diz ser capaz de transformar ossos em ouro, aguçando a cobiça do povo de Tubiacanga:
os pais FELICIANO MOTA DA COSTA (Tarcísio Meira, numa participação) e LAURINDA (Lucinha Lins, numa participação)
o amigo GUSMÃO (Ewerton de Castro), seu cúmplice
a empregada LUCINEIDE (Maria Gladys)
seu mentor MESTRE NICOLAU (Ivan de Albuquerque).

– núcleo de LINDA INÊS (Mariana Guimarães / Giulia Gam), dona de uma tecelagem. Envolve-se com Flamel sem desconfiar que na verdade ele é Feliciano Júnior, seu namoradinho de infância:
o pai DEMÓSTENES (José Wilker), o prefeito de Tubiacanga e um dos principais culpados pela morte de Feliciano Mota da Costa
as tias ILKA TIBIRIÇÁ (Cássia Kiss), a desmiolada da família, trabalha na prefeitura,
e SALUSTIANA MARIA (Joana Fomm), megera que esconde de todos a paternidade do filho
o primo CASSI JONES (Marcos Winter), filho de Salustiana, mal caráter que segue os passos da mãe
a empregada CLEONICE (Cléa Simões)
JUCA (Clemente Viscaíno), seu braço direito na tecelagem.

– núcleo do MAJOR BENTES (Lima Duarte), um dos todo-poderosos de Tubiacanga, acha que é “dono da cidade”. Foi um dos culpados pela morte dos pais de Feliciano. Tivera um envolvimento amoroso com Salustiana no passado. Descobre-se no final que ele é o verdadeiro pai de Cassi Jones:
o filho GUILHERME (Rúbens Caribé), ex-namorado de Linda Inês, que não se conforma com o fim do romance. Morre no decorrer da novela
o capataz ANIMAL (Augusto Júnior)
o SUBDELEGADO BARROMEU (Tuca Andrada), pau mandado do Major Bentes. Tem um tórrido romance com Salustiana que o transforma em seu objeto sexual.

– núcleo de MARGARIDA WEBER (Arlete Salles), costureira humilde, única da cidade a saber da verdadeira identidade de Flamel, seu sobrinho:
o marido WEBER (Odilon Wagner, numa participação), morto em defesa de Felicinao Mota da Costa
as filhas ZIGFRIDA (Deborah Evelyn), amiga de Linda Inês, e ISOLDINHA (Anna Aguiar), jovem interesseira
as costureiras JÚLIA (Maria Helena Dias) e VALÉRIA (Fernanda Muniz), trabalham com Margarida em seu ateliê.

– núcleo de NUMA POMPÍLIO DE CASTRO (Hugo Carvana), inimigo político do prefeito Demóstenes:
a mulher RUBRA ROSA (Susana Vieira), que mantém uma relação secreta com Demóstenes
o filho ÁUREO POENTE (Cláudio Fontana), se envolve com Zigfrida mas enfrenta a oposição da mãe que é contra o namoro dele com a filha da costureira da cidade
o empregado VOTAN (Norton Nascimento), espécie de guarda-costas de Rubra Rosa
o acessor político de puxa-saco de Numa, MAXWELL ANTENOR (Giuseppe Oristânio), apaixonado por Zigfrida.

– núcleo do PROFESSOR PRAXEDES (Juca de Oliveira), um literário:
a mulher QUERUBINA (Vera Holtz)
o irmão ATALIBA TIMBÓ (Paulo Gorgulho), que se envolve com Ilka Tibiriçá, com quem tem um contubardo namoro
os filhos ETEVALDO (Pedro Vasconcellos), que finge estudar, e o garoto WILSINHO (Bruno de Luca)
a sobrinha CAMILA (Cláudia Ohana), que sofre de um mal que a faz dormir por um longo período
a empregada BELMIRA (Fernanda Lobo).

– núcleo do COVEIRO ORESTES (Cláudio Marzo), homem misterioso que conversa com os mortos. Envolve-se com Margarida no decorrer da trama:
a mulher IVONETE (Juciléia Telles), morta em um incêndio, durante uma chacina
os filhos VIVALDO (André Gonçalves), morto no incêndio com a mãe, e ROMÃOZINHO (Patrick Oliveira), único sobrevivente.

– núcleo de PERLA MENESCAU, atriz perua que vem a Tubiacanga atrás de Etevaldo, com que tivera um romance. Acaba se apaixonando por Demóstenes e passa a disputá-lo com Rubra Rosa:
a vidente e amiga VAINA MARINA (Rosane Gofman).

– núcleo de MARIA DOS REMÉDIOS (Luiza Tomé), analfabeta, dona de um bar. Ao ficar viúva, decide aprender a ler e escrever com o Professor Praxedes, provocando o ciúme da mulher dele, Querubina:
o marido CHICO DA TIRANA (Tonico Pereira), que morre no decorrer da trama
os frequentadores do bar, o bêbado AFONSO HENRIQUES (Otávio Augusto), poeta, responsável pelo jornal “Arroto”, que resume a vida do povo de Tubiacanga, apaixona-se por Camila
e o lixeiro FABRÍCIO (Murilo Benício), um gago que consegue balançar o coração da temperamental Isoldinha.

– núcleo de INGRÁCIA (Maria Ceiça), líder numa irmandade negra com regras rígidas de comportamento:
o marido JOAQUIM (Antônio Pompeo)
a filha CLARA DOS ANJOS (Érika Rosa), prometida desde o nascimento a Votan, é seduzida por Cassi Jones
a sobrinha TERESINHA (Camila Pitanga), apaixona-se por Votan com quem acaba se casando, quebrando a tradição da irmandade.

– núcleo dos jovens:
DAIANE (Daniela Faria)
SIDNEY (Renato Vasconcellos)
PASTOR (Leonardo Miranda)
CAROL (Carolina Dieckmann).

Mais um leque de personagens curiosos e tramas por vezes absurdas de Aguinaldo Silva, usando o realismo fantástico. Desta vez, o autor tomou como ponto de partida personagens do escritor Lima Barreto (1881-1922), compondo um painel curioso e inteligente ao adaptá-los para televisão.

Da obra de Lima Barreto, serviram como base os romances e contos “Clara dos Anjos”, “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá”, “Nova Califórnia”, “O Homem que Sabia Javanês” e “Numa e a Ninfa”. “Nova Califórnia” foi – inclusive – o primeiro título pensando para a novela.

Aguinaldo Silva também homenageou o autor através do poeta Afonso Henriques, personagem de Otávio Augusto, cujo nome completo era Afonso Henriques de Lima Barreto, homônimo do homenageado. Além disso, havia uma foto de Lima Barreto com a faixa presidencial no gabinete do prefeito de Tubiacanga.
Também os nomes das ruas da cidade faziam alusão aos romances e personagens da obra do escritor, como Praça Policarpo Quaresma, Rua Gonzaga de Sá, Rua Escrivão Isaías Caminha, etc. (*)

Aguinaldo Silva ainda incorporou à trama fatos do cenário político da época. A atriz Perla Menescal (Cláudia Alencar), por exemplo, foi sem calcinha receber as chaves da cidade das mãos do prefeito, com quem mantinha um caso amoroso – uma paródia do episódio envolvendo a modelo Lílian Ramos, fotografada sem a peça íntima ao lado do então presidente Itamar Franco no Sambódromo do Rio de Janeiro.
Também o comportamento, visual, falas e gestos de Áureo Poente (Cláudio Fontana) quando ingressa na política (ao final), o que remetia ao ex-presidente Fernando Collor, que renunciara no ano anterior.

Vários foram os destaques no elenco. O triângulo amoroso formado por Rubra Rosa, Demóstenes e Perla Menescau (Susana Vieira, José Wilker e Cláudia Alencar) foi um sucesso. E Lima Duarte e Joana Fomm viveram uma irresistível dupla de vilões.

Cássia Kiss interpretou um de seus melhores tipos na televisão – Ilka Tibiriçá -, criando uma personagem hilária, carismática e sensível. Seus trejeitos, o visual à la anos sessenta e sua fixação no filme O Candelabro Italiano (1962, de Delmer Daves) deram um toque especial, embalado pela canção Al Di Lá, tema do filme e da personagem.
O figurino de Ilka foi inspirado no estilo de Jacqueline Kennedy, ex-primeira-dama dos Estados Unidos na década de 1960.

O realismo fantástico esteve presente nos poderes de Raimundo Flamel (Edson Celulari) em transformar ossos humanos em ouro; na personagem Camila (Cláudia Ohana), que entrava em sono profundo e dormia anos a fio; na figura do Coveiro Orestes (Cláudio Marzo), que falava com os mortos e sabia os segredos das famílias de Tubiacanga; e nas cenas de amor de Demóstenes e Rubra Rosa (José Wilker e Susana Vieira), que inflamavam tudo ao redor – o que remete à personagem Marcina, de Sônia Braga, da novela Saramandaia (1976), de Dias Gomes, que ardia em febre, literalmente, quando excitada.

Fera Ferida teve a maior cidade cenográfica construída até então – a fictícia Tubiacanga -, erguida em 45 dias, em Jacarepaguá (no terreno que posteriormente abrigaria o Projac). Com trinta mil metros quadrados, incluía um rio artificial sobre uma ponte de ferro, ancoradouro, praças, jardins, cemitério, uma pedreira e dez prédios em tamanho natural.

O casarão de Raimundo Flamel (Edson Celulari) era uma construção gótica, sombria e misteriosa, características perfeitas para criar a atmosfera de mistério que envolvia o personagem. (*)

A tecelagem de Linda Inês (Giulia Gam) contava com quatro teares artesanais de mais de cem anos, encontrados na cidade de Carmo do Rio Claro, em Minas Gerais, além de duas rocas e cem ovelhas da raça corriedale, capazes de produzir, em média, cinco quilos de lã. O professor Edson Ramos da Siqueira, da faculdade de medicina veterinária e zootecnia de Botucatu, em São Paulo, prestou consultoria a TV Globo no trato com os animais.
As cenas de Linda Inês no curral eram gravadas em Volta Redonda (no estado do Rio), para onde a produção enviou cerca de 400 ovelhas. (*)

A novela também contou com cenas rodadas em Chaumont, na França, onde ficava o castelo do mestre de Raimundo Flamel (personagem de Ivan de Albuquerque). No Vale do Loire foram gravadas as cenas finais da história, em que Linda Inês e Flamel, apaixonados, terminam juntos.

A equipe de efeitos especiais fez a personagem Camila (Cláudia Ohana) levitar. Para tanto, foram necessários uma prancha de fibra com o molde do corpo da atriz, uma dublê e um estúdio com chromakey. Camila ainda dormia rodeada de pássaros, de várias espécies. O “psicólogo de animais” Antonio Jayro Fagundes foi recrutado para posicionar as aves no estúdio. As cenas eram finalizadas em computador.
Sob a coordenação de Eduardo Halfen, os efeitos especiais em computador inseriram imagens da Chapada dos Guimarães (de Mato Grosso) no entorno de Tubiacanga, assim como uma cachoeira de Brasília colocada entre duas montanhas da cidade cenográfica.

Para viver seu personagem Ataliba Timbó, um jogador de futebol, o ator Paulo Gorgulho fez laboratório no Centro de Treinamento do Corinthians, em São Paulo, acompanhando treinos e conversando com os jogadores.

As tentativas de Ilka Tibiriçá em ajudar Ataliba com seu problema de impotência sexual, por meio de receitas de pratos exóticos e afrodisíacos, foi uma atração à parte. As receitas de Ilka fizeram sucesso entre os telespectadores. A emissora recebia inúmeras cartas pedindo que os capítulos em que a personagem fazia os pratos afrodisíacos fossem reprisados para que as receitas pudessem ser anotadas.
Os pratos eram adaptações de receitas verdadeiras, extraídas do livro Comer e Amar, escrito em 1986 pela empresária martiniquenha Lauretta Marie Josephe e pelo jornalista Okky de Souza.
A única receita que não foi retirada do livro era o famoso Sarapatel das Delícias. Esse prato foi uma sugestão do veterinário Edson Ramos da Siqueira, professor do departamento de produção animal da Universidade de Botucatu, em São Paulo. Edson Ramos auxiliava a equipe de Aguinaldo Silva nas cenas em que Linda Inês (Giulia Gam) lidava com os carneiros.
Além do Sarapatel, outras receitas famosas de Ilka Tibiriçá eram mexilhões com abóbora-menina, maionese de ovos de codorna com codornas assadas e frango com gengibre. Depois de gravadas as cenas, o elenco e a produção comiam os quitutes. (*)

As camisas sem gola de Raimundo Flamel viraram moda. Inspiradas no filme Lawrence da Arábia (1962, de David Lean), ficaram popularmente conhecidas “camisas Flamel”.

O diretor Denis Carvalho deixou a novela antes para dirigir a substituta, Pátria Minha. A direção geral foi assumida por Marcos Paulo.

No último capítulo de Fera Ferida, o cinema da cidade de Tubiacanga anunciava a estreia da próxima atração das oito da noite: a novela Pátria Minha, de Gilberto Braga.

Primeira novela na Globo do ator Murilo Benício e das atrizes Camila Pitanga e Carolina Dieckmann (elas vinham da minissérie Sex Appeal).
Por sua atuação, Murilo Benício foi eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a revelação masculina na televisão em 1994. E José Wilker foi premiado como melhor ator do ano.

A pedido do diretor Paulo Ubiratan, Carolina Dieckmann teve de deixar a novela antes do final. O diretor escalou a atriz, iniciante na época, para viver uma personagem importante na novela Tropicaliente (1994) e pediu que Aguinaldo Silva a liberasse. (*)

Juca de Oliveira, que viveu o personagem Professor Praxedes, estava dez anos afastado da Globo – seu último trabalho havia sido a minissérie Parabéns Pra Você, em 1983.

Aguinaldo Silva declarou que considerou que os personagens Ivonete (Julciléa Telles) e Vivaldo (André Gonçalves), respectivamente mulher e filho mais velho do coveiro Orestes Fronteira (Cláudio Marzo), não funcionavam como esperava. Foi então criado um incêndio na casa da família, do qual escaparam somente Orestes e o filho menor, Romãozinho (Patrick de Oliveira). Fábio Costa em “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”.
Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, do Projeto Memória Globo, Aguinaldo declarou:
“Um núcleo que eu odiava, no qual nada dava certo. Só o Cláudio Marzo e um menino, o Patrick de Oliveira, funcionavam. Fiz um incêndio e só os dois sobreviveram.”

A personagem Clara dos Anjos, uma das mais famosos da obra de Lima Barreto, foi vivida na novela pela estreante atriz Érika Rosa. Seu desempenho foi muito criticado, levando à saída de sua personagem da trama cerca de dois meses antes do final da novela.

A trama do personagem Eteveldo (vivido por Pedro Vasconcelos) foi inspirada na obra O Homem que Sabia Javanês, de Lima Barreto, que gerou posteriormente (em 1994) um episódio da faixa Terça Nobre, estrelado por Marco Nanini.

Por causa dos jogos da Copa do Mundo dos Estados Unidos (em 1994), a novela teve o último capítulo exibido em um sábado (16/07) e reapresentado no domingo, após o Fantástico. Aliás, a novela terminou com a Copa do Mundo.

Fera Ferida foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo entre 15/09/1997 e 06/02/1998.
E ganhou novo repeteco no Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 15/06/2015 e 13/02/2016, à meia-noite (com reapresentação às 13h30 do dia seguinte).

(*) Site Memória Globo.

Trilha Sonora 1

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01. RIO DE JANEIRO (ISTO É O MEU BRASIL) – João Bosco (tema de locação: Tubiacanga)
02. FLOR DE IR EMBORA – Fátima Guedes (tema de Clara dos Anjos)
03. MON AMOUR – Rita Lee (tema de Rubra Rosa)
04. NOITES COM SOL – Flávio Venturini (tema de Áureo e Zigfrida)
05. AL DI LÁ – Emilio Pericoli (tema de Ilka Tibiriçá)
06. CORRUPIÃO – Edu Lobo (tema do Major Bentes)
07. FERA FERIDA – Maria Bethânia (tema de Raimundo Flamel – tema de abertura)
08. SANGUE LATINO – Renata Arruda (tema de Linda Inês)
09. DA COR DO PECADO – Fagner (tema de Cassi Jones)
10. ROSA – Marisa Monte (tema do Profº Praxedes e Maria dos Remédios)
11. SENSUAL (PALÁCIO FÁCIL) – Zé Ramalho (tema de Demóstenes)
12. CORPO E LUZ – Itamara Koorax (tema de Margarida Weber)
13. PÁLIDA – Vânia Bastos (tema de Camila)
14. UM DIA, UMA MÚSICA – Léo Gandelman (tema de locação: Tubiacanga)

Trilha Sonora 2
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01. EU SÓ PENSO EM VOCÊ (ALWAYS ON MY MIND) – Zezé di Camargo & Luciano (participação de Willie Nelson) (tema de Teresinha e Votan)
02. PESSOA – Marina (tema de Isoldinha e Fabrício)
03. COBRA DE CHIFRE – Amelinha (tema de Salustiana)
04. AO POETA / PRIMAVERA / DEIXA / MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS – Leila Pinheiro (tema de Afonso Henriques)
05. IRMANDADE – Maria Ceiça (tema de Ingrácia)
06. VELHO CHORINHO NOVO – Aécio Flávio
07. OUTRA NOITE – Chico Buarque (tema de Orestes)
08. VOCÊ É LINDA – Caetano Veloso (tema de Raimundo Flamel e Linda Inês)
09. MINUETO – Celso Adolfo (tema de Mestre Nicolau)
10. GAROTOS II, O OUTRO LADO – Leoni (tema de Perla Menescal e Etevaldo)
11. AO WATANABE – César Machado
12. NA CADÊNCIA DO SAMBA – Waldyr Calmon (tema de Ataliba Timbó)

Produção Musical: André Sperling
Direção Musical: Mariozinho Rocha

Tema de Abertura: FERA FERIDA – Maria Bethânia

Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos rasgados na saida
Mas sai ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido

Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar e até me levar por você
Eu sei quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
Morrendo aos poucos por amor
Eu sei, o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não me esqueci

Eu andei demais
Não olhei prá trás
Era solto em meus passos
Bicho livre sem rumo, sem laços
Me senti sozinho
Tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo
Uma ajuda, um lugar, um amigo

Animal ferido, por instinto decidido
Os meus rastros desfiz
Tentativa infeliz de esquecer
Eu sei que flores existiram
Mas não resistiram a vendavais constantes
Eu sei que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci

Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma
E no coração…

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