Sinopse

Numa mansão, num bairro elegante de São Paulo, a viúva Veridiana Magalhães vive com sua dama de companhia, Ida Flag, com o intrigante mordomo Afonso e com a copeira Luzia. Por não ter tido filhos, trata os sobrinhos com mimos em demasia. Por isso seus cunhados Ofélia e Florêncio, irmãos de seu falecido marido, a exploram do jeito que querem. Vivem às custas de Veridiana e ambicionam herdar sua fortuna.

Vindo de Portugal, Severo Salgado Sales – que lá chegara a cursar Medicina -, associa-se a Rudolph Wolfgang, um alemão bondoso, proprietário da Imobiliária Germânia. Rudolph é casado com Gertrude, a quem ele ama mas morre de medo, porque é um tremendo mulherengo. Ambos se tornam pais adotivos de Fritz, um menino negro que encontraram numa lata de lixo. A família se completa com a divertida e glutona Tia Frida.

Através dos negócios da imobiliária, Severo conhece Veridiana e, a partir daí, as coisas tomam novo rumo. Após atendê-la quando ela tem um infarto, e salvar-lhe a vida, Severo torna-se amigo e confidente da rica senhora, mostrando-lhe que ela age mal ao sustentar um monte de parasitas. Esta aproximação entre os dois desperta a antipatia de todos os familiares de Veridiana.

Apesar dos defeitos de Ofélia, Veridiana gosta dela pois sabe que ela é uma mãe dedicada, que vive para os filhos. Walquíria herdou os defeitos e qualidades da mãe. Está noiva do mau caráter Ricardo Alexandre e, a princípio, detesta Severo. Mas, por ironia, o português apaixona-se por ela. Os outros filhos de Ofélia, os gêmeos Wagner e Werner, são dois desocupados, não trabalham nem estudam. Contam com o péssimo exemplo de Aquiles Peixoto, o tio fofoqueiro, irmão de Ofélia.

No lar de Florêncio, as coisas não são diferentes. Ele é um homem acomodado, que tem problemas com bebida, casado com Letícia, mulher ambiciosa que toma as rédeas da casa. Assim como a mãe, Loreta é caprichosa e mandona, trata os outros bem ou mal conforme seus interesses. Tenta de todas as maneiras conquistar Daniel, o motorista de Veridiana. Ele é irmão de Dora, uma solteirona que julga-se feia e abandonada, pois tem uma perna defeituosa que a faz mancar. Ela apaixona-se por Florêncio mas não sabe lutar por ele. Ao fim, por amor a Dora, Florêncio vence a dependência alcoólica e se separa da mulher.

Tupi – 19h
de 17 de fevereiro a 20 de setembro de 1975
189 capítulos

novela de Geraldo Vietri
direção de Geraldo Vietri
supervisão de Carlos Zara

Novela anterior no horário
A Barba Azul

Novela posterior
Um Dia o Amor

JONAS MELLO – Severo Salgado Sales
MÁRCIA MARIA – Walquíria Peixoto Magalhães
DINA LISBOA – Veridiana Magalhães
ARLETE MONTENEGRO – Dora
WILSON FRAGOSO – Florêncio Magalhães
MARISA SANCHES – Letícia
CLÁUDIO CORRÊA E CASTRO – Rudolph Wolfgang
ELIZABETH HARTMANN – Gertrude
MARIA ESTELA – Ofélia Peixoto Magalhães
PAULO FIGUEIREDO – Ricardo Alexandre
FLÁVIO GALVÃO – Daniel
GILMARA SANCHES – Loreta
CHICO MARTINS – Aquiles Peixoto
RUTHINÉIA DE MORAES – Ida Flag
WÁLTER PRADO – Rangel
FLAMÍNEO FÁVERO – Werner
OLNEY CAZARRÉ – Wagner
ETTY FRASER – Frida
ODAIR TOLEDO – Fritz
NORAH FONTES – Mercedes
OSMANO CARDOSO – Afonso
FELIPE LEVY – Leandro
OLÍVIA CAMARGO – Madalena
REGIANE RITTER – Cláudia
JACIRA SAMPAIO – Luzia
FRANCISCA LOPES – Edite
LEONOR NAVARRO
MIRO FERRI
ALDO BUENO
e
ROSA MARIA PESTANA – Laurinda
ANTÔNIO LEITE – Dr. Gomes
GLAUCE GRAIEB – Norma
AMÁLIA RODRIGUES

– núcleo do português SEVERO SALGADO SALES (Jonas Mello). Vindo de Lisboa para São Paulo, vai morar num hotel barato e trabalha numa imobiliária. Ao visitar uma senhora milionária e tentar comprar sua mansão, ela tem um infarto e ele a salva com perícia. Os dois tornam-se amigos e confidentes. Severo guarda dois segredos, só desvendados ao final:
a milionária VERIDIANA MAGALHÃES (Dina Lisboa), viúva que vive sozinha numa mansaão com os empregados. É alvo de sua família abutre que quer sua morte e sua herança. Ela sabe o que acontece à sua volta, é uma mulher inteligente, perspicaz e austera.

– núcleo de OFÉLIA (Maria Estela), viúva de um sobrinho de Veridiana. Com os negócios excusos do marido, perde tudo e muda-se com a família para a mansão da tia, afinal, não tem onde morar. Veridiana cede por causa dos sobrinhos. Não é má pessoa, tudo que faz é pensando nos filhos:
a filha mais velha WALQUÍRIA (Márcia Maria), que ao conhecer o português se apaixona por ele. Levará um tempo até os dois admitirem o amor que sentem um pelo outro
o filhos gêmeos WAGNER (Olney Cazarré) e WERNER (Flamíneo Fávero), inconseqüentes e oportunistas.

– núcleo de FLORÊNCIO (Wilson Fragoso), sobrinho de Veridiana, médico. Deixou-se vencer pela bebida se tornando um parasita depois que um paciente morreu em suas mãos. Desacreditado pela esposa terá a ajuda de Severo:
a mulher LETÍCIA (Marisa Sanches), antipática, desagradável, quando sabe que Ofélia se mudou para a mansão, também se muda pra lá com medo de que Veridiana deixe tudo para a cunhada. Preconceituosa e interesseira, planeja expulsar Severo da mansão
a filha LORETA (Gilmara Sanches), apática, apaixona-se pelo chofer e a mãe é contra. Enfrenta a todos e acaba casando-se com ele, mas, mimada que sempre foi, não sabe ser esposa
o cunhado AQUILES PEIXOTO (Chico Martins), irmão de Letícia. Solteirão desagradável, mandão e parasita. Vai ajudar Letícia a tirar Severo da mansão.

– núcleo de DANIEL (Flávio Galvão) chofer de Veridiana, rapaz simples e com garra. Resolve lutar por Loreta e os dois se casam:
a irmã DORA (Arlete Montenegro), solteirona, julga-se feia e abandonada, tem uma perna defeituosa que a faz mancar. Apaixona-se por Florêncio e não sabe lutar por ele
a pretendente CLÁUDIA (Regiane Ritter), apaixonada por ele. Torna-se sua aluna quando ele dá aulas para aumentar a renda da casa. Ele aproveita-se da situação pois sabe que Loreta tem ciúmes, o que desperta nela a realidade da vida de casado fazendo com que, aos poucos, Loreta deixe de ser influenciada pela mãe e passe a pensar pela própria cabeça.

– núcleo de RUDOLPH WOLFGANG (Cláudio Corrêa e Castro), alemão naturalizado em São Paulo, coração aberto, dono da imobiliária em que Severo trabalha, tornam-se amigos. Mantem as tradições alemãs em seu lar. Ele e a mulher adotam um menino negro:
a mulher GERTRUDE (Elizabeth Hartmann), alemã, mantém as tradições de sua terra. Ama e defende o filho adotivo do preconceito do qual o menino é vítima
a tia de Gertrude, FRIDA (Etty Fraser), que chega para morar com o casal. Alegre, comilona e inteligente, passa a amar o sobrinho negro
o filho adotivo FRITZ (Odair Toledo), menino negro abandonado que Rudolph e Gertrude adotam. Veste-se como alemão. Estudioso e inteligente, aprende a falar alemão desde pequeno.

– núcleo de LEANDRO (Felipe Levy), dono do hotel barato onde Severo vai morar quando chega em São Paulo:
a mulher MADALENA (Olívia Camargo), grávida, quando vai ter o bebê não dá tempo de chegar ao hospital e quem faz o parto é Severo. Descobre-se, assim, um segredo dele: era médico em Portugal e foi acusado de crime de medicina resolvendo vir para o Brasil.

– núcleo de RICARDO ALEXANDRE (Paulo Figueiredo), noivo de Walquíria no prinícpio, se apresenta como rapaz rico e promissor, mas na verdade quer dar o golpe do baú casando-se com ela. Está a mando de uma pessoa misteriosa:
o irmão RANGEL (Wálter Prado), rapaz honesto que trabalha no banco. Briga com o irmão quando descobre que ele é interesseiro e tem outra mulher além de Walquíria
a mãe MERCEDES (Norah Fontes), mulher simplória, que fica triste quando os filhos brigam, principalmente quando fica conhecendo o verdadeiro caráter de Ricardo
o amigo de Rangel (Jesus Padilha)
NORMA (Glauce Graieb), mulher elegante e enigmática que, a princípio, aparece como amante de Ricardo Alexandre, mas, na verdade, ele age para ela. Ricardo terá que se casar com Walquíria para receber a herança e saldar uma dívida que a família de Walkíria teve com a família de Norma no passado.

– núcleo dos empregados de Veridiana:
o mordmo AFONSO (Osmano Cardoso), mexeriqueiro, intriguento, alia-se a Letícia lhe passando todas as informações do cotidiano da casa
a governanta IDA FLAG (Ruthinéia de Moraes), solteirona, sempre assustada com um segredo que deixou em Santa Catarina. Ao saber que há um segredo, Peixoto e Letícia resolvem investigar, pois a detestam por ela ser o braço direito de Veridiana na mansão. Por causa de um problema em sua casa, ela saiu nua pelas ruas da cidade onde morava, tornando-se motivo de chacota de todos. Morrendo de vergonha, veio embora para São Paulo, onde empregou-se na mansão de Veridiana
a empregada LUZIA (Jacira Sampaio), cozinheira de mão cheia a quem Severo ensina a fazer os pastéis de Santa Clara. Mora na mansão com a sobrinha e é alvo da implicância de Letícia, por ser negra
a outra empregada EDITE (Francisca Lopes), sobrinha de Luzia que também sofre nas mãos de Letícia.

– núcleo de LAURINDA (Rosa Maria Pestana), esposa de Severo em Portugal, que vem para o Brasil em seu encalço:
o advogado português DR. GOMES (Antônio Leite), vem ao Brasil procurando por Severo e revela seu outro segredo: era casado e deixou a esposa em Portugal.

Um sucesso cuja repercussão desbancou a novela concorrente no horário na Globo, Cuca Legal.

“Meu nome é Severo Salgado Sales, mas pode me chamar de Salgado, que é mais doce”. Assim se apresentava o português protagonista vivido pelo ator Jonas Mello.

Meu Rico Português foi a primeira das últimas três novelas do autor/diretor Geraldo Vietri na Tupi em que o protagonista era interpretado por Jonas Mello, que contracenava com Márcia Maria – as outras foram Os Apóstolos de Judas (1976) e João Brasileiro, o Bom Baiano (1978).

A fórmula lembrava demais Antônio Maria, que Vietri levara ao ar em 1968. Havia até problemas escusos que o personagem principal, Severo (Jonas Mello), tinha com outra mulher deixada em Portugal – como em Antônio Maria.
Em entrevista à revista Amiga, puiblicada em 11/06/1975 (TV Pesquisa PUC-Rio), Vietri declarou:
“Quando fiz Antônio Maria, tudo que escrevi sobre Portugal, e especialmente sobre o homem português, quanto a usos e costumes, foi baseado mais em pesquisas e em ficção. Depois de terminada a novela, ganhei a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique, oferecida pelo governo português, e pela primeira vez viajei à Europa. Aí, sim, eu conheci Portugal de perto, sua gente, seus hábitos e tradições, e vi que tinha deixado de colocar em Antônio Maria muita coisa boa. Então voltei ao Brasil decidido a escrever outra novela sobre os portugueses.”

Devido ao excesso de trabalho, Vietri adoeceu, sendo substituído durante uma semana por Paulo Figueiredo, no texto, e Carlos Zara, na direção. (*)

Dessa vez Vietri homenageava duas colônias de uma só vez: a portuguesa, através de seu protagonista, e a alemã, com o casal Rudolph e Gertrude (Cláudio Corrêa e Castro e Elizabeth Hartmann), por sinal, os melhores da novela, especialmente pela relação deles com o filho adotivo, Fritz (Odair Toledo), um menino negro que falava alemão. As discussões acaloradas entre o casal e os vizinhos racistas foi uma das tramas que o público mais gostou.

Para viver com mais fidelidade seu personagem português, Jonas Mello, durante dois meses, ouviu intensamente discos com poesias de Fernando Pessoa, assistiu ao humorista Raul Solnado na TV, bem como frequentou a colônia portuguesa na sede da Associação Portuguesa de Desportos, em São Paulo.
Já Cláudio Corrêa e Castro, para compor o alemão Rudolph, estudou em livros e contou com a preciosa colaboração de sua parceira de cena Elizabeth Hartmann, uma legítima descendente de alemães, que lhe corrigia a pronúncia. (*)

Outros atores tiveram destaque no elenco, como Dina Lisboa que, com sua elegância natural, representou de maneira impecável a bondosa e, ao mesmo tempo, austera velhinha Veridiana. Também Ruthinéa de Moraes – como Ida Flag, a tímida governanta de Veridiana apaixonada pelo português protagonista – e Marisa Sanches, como a arrogante Letícia. (*)

A atriz Gilmara Sanches estreava na Tupi, vivendo um par romântico com Flávio Galvão, seu cunhado na vida real (ele era casado com Elaine Cristina, irmã de Gilmara).

O ator Jesus Padilha, depois de vinte capítulos gravados vivendo o personagem Ricardo Alexandre, foi substituído por Paulo Figueiredo. (*)

Participação da cantora portuguesa Amália Rodrigues, que cantou nos capítulos finais da novela.

As externas foram gravadas no bairro do Brooklin em São Paulo. (*)

(*) “De Noite Tem… Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira”, Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva, Giz Editorial, 2007.

Trilha Sonora Nacional
meuricot1
01. CHEGADA – Rolando Boldrin (tema de Severo)
02. SEI LÁ… SABE – Edith Veiga
03. ESTRANHA FORMA DE VIDA – Francisco Egydio (tema de Severo)
04. DÚVIDA – Rosemary
05. ESTOU AQUI – Os 3 Moraes (tema de Walquíria)
06. INTERLÚDIO – Orquestra Renato de Oliveira (tema de Loreta e Daniel)
07. POMBA BRANCA – Célia (tema de Severo)
08. RESTO DE VIDA – Gilbert (tema de Severo e Walquíria)
09. ELE SEM PALAVRAS – Milena
10. LEGATO A TE – Ary Sanches
11. CANTIGA FRANCA – Rosa Maria (tema de Ida Flag)
12. ENGANO – Orquestra Renato de Oliveira

Trilha Sonora Internacional
meuricot2
01. E DEPOIS DO ADEUS – Luiz Arruda Paes e Orquestra (tema de abertura)
02. TU SOLA CON ME – Sergio Endrigo (tema de Severo e Dora)
03. O TEMPO VOLTA PRA TRÁS – Rosa Maria Morais (tema de Severo)
04. SAD SWEET DREAMER – Sweet Sensation (tema de Walquíria e Daniel)
05. DENN WIR SIND FUREINADER BESTIMMT – Peter Alexander (tema de Rudolph e Gertrude)
06. E DEPOIS DO ADEUS – Sebastião Manuel (tema de encerramento)
07. THINKING OF YOU / YOU’RE ALL I NEED – Jay Dee (tema de Walquíria)
08. SINFONIA Nº5 EM RÉ MAIOR, OPUS 107 “LA REFORMA” DE MENDELSSOHN (tema de Veridiana)
09. III MOVIMENTO (ADAGIO) – Waldo de Los Rios (tema de Dona Mercedes)
10. FOI DEUS – Sebastião Manuel (tema de Severo)
11. CANOAS DO TEJO – Manuel Taveira (tema de Severo)
12. WORLD OF DREAMS – Martin Dale (tema de Letícia)
13. TAKE AWAY THE SUNSHINE – Tom Waite

Sonoplastia: Pedro Jacinto
Direção da produção musical: Cayon Jorge Gadia
Coordenação de repertório: Alberto Ferreira

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